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A resina para impressão 3D em Odontologia pode ser tóxica? Parte 2

  • Foto do escritor: Paulo Rossetti
    Paulo Rossetti
  • 13 de jun.
  • 3 min de leitura
Resina para impressão 3D: a qualidade no processo laboratorial é fundamental.
Resina para impressão 3D: a qualidade no processo laboratorial é fundamental.

A impressão 3D de bases de próteses totais oferece velocidade quando comparada aos métodos convencionais.


No entanto, a segurança biológica desses materiais depende de um fator crítico: seu grau de conversão (GC).


Vamos a continuação do primeiro post sobre esse assunto, agora com uma nova revisão da literatura.

 

O Desafio da Citotoxicidade na resina para Impressão 3D


As resinas para impressão 3D utilizam monômeros que o sistema polimeriza através da luz. Quando o grau de conversão é baixo, monômeros residuais permanecem na estrutura da prótese.


Esses componentes químicos migram para o meio bucal e causam reações tóxicas nas células gengivais e fibroblastos.


A biocompatibilidade não é uma característica estática do material. Ela depende diretamente do protocolo de pós processamento.


Resinas que apresentam alta toxicidade logo após a impressão tornam-se seguras após ciclos adequados de lavagem e pós cura com luz ultravioleta (UV).


Na literatura científica, uma viabilidade celular acima de 70% indica um material biocompatível, nível que a maioria das resinas comerciais atinge quando processadas corretamente.

 

Resinas Investigadas e Tecnologias de Impressão


Essa revisão encontrou resinas à base de Polimetilmetacrilato (PMMA), Poliuretano (PU) e Polioximetileno (POM).


Quanto às tecnologias de impressão, foram três métodos principais:

  • DLP (Digital Light Processing): utiliza um projetor de luz para curar a resina camada por camada.

  • SLA (Estereolitografia): emprega um laser ultravioleta para desenhar e solidificar o material.

  • FDM (Fused Deposition Modeling): baseia-se na extrusão de filamentos termoplásticos.

 

Validação Biológica: Células e Métodos de Medição


Para garantir a segurança clínica, os cientistas colocam essas resinas em linhagens celulares (fibroblastos de camundongo e gengivais humanos), que são o padrão-ouro para testes de biocompatibilidade.


Em alguns casos, os pesquisadores também incluíram queratinócitos humanos (células da pele) para simular a resposta da mucosa bucal ao contato direto com a prótese total.


A medição da viabilidade celular ocorreu através de três ensaios laboratoriais rigorosos padrão ISO:


  1. Ensaio MTT: quantifica a atividade metabólica mitocondrial; quanto mais intensa a cor roxa, maior o número de células vivas.

  2. Alamar Blue: um indicador fluorescente que monitora a saúde celular de forma contínua e não destrutiva.

  3. Ensaio LDH: mede a liberação da enzima lactato desidrogenase, um sinal claro de ruptura da membrana e morte celular.

 

A Biologia do Grau de Conversão (GC)


O grau de conversão mede a porcentagem de ligações duplas de carbono que se transformam em ligações simples durante a polimerização.


Um GC elevado cria uma rede polimérica densa e estável. Em contrapartida, um GC baixo resulta em uma matriz porosa que facilita a liberação dessas substâncias tóxicas.


O estudo destaca que o uso de unidades de pós cura específicas, como a LC-3DPrint Box (NextDent) ou FormCure (Formlabs), otimiza o GC.


Ainda, a aplicação de calor adicional durante a luz UV acelera a mobilidade molecular, permitindo que mais monômeros participem da reação. Esse processo reduz drasticamente a presença de substâncias irritantes no produto final.

 

Conexões Sistêmicas e Resposta Inflamatória


A liberação de monômeros residuais não causa apenas danos locais. A citotoxicidade persistente gera um estado de inflamação crônica nos tecidos de suporte (mucosa bucal).


O que se pretende evitar é a criação de novos problemas, já que existe uma relação entre a saúde bucal e condições sistêmicas, como diabetes e doenças cardiovasculares.


Assim, materiais com baixo grau de conversão (GC) exacerbam a resposta inflamatória em pacientes com a saúde geral comprometida. A presença desses resíduos altera o metabolismo, gera estresse e morte celular.


Portanto, garantir a conversão máxima protege a saúde geral do paciente, indo além da simples adaptação mecânica da base da prótese total nos tecidos mucosos.

 

Implicações Clínicas e o Futuro da Prótese Digital


É fundamental que o clínico exija transparência sobre os protocolos de pós processamento dos laboratórios.


Toda nova tecnologia vem com um selo de controle de qualidade, de boas práticas laboratoriais.


Por exemplo, alguns artigos encontrados nessa revisão citam que o uso de atmosferas de nitrogênio durante a pós cura aumenta significativamente o grau de conversão.


Esse processo elimina a camada de inibição pelo oxigênio, similar ao que já existe nos processos de cimentação adesiva em restaurações.


Ainda, o futuro aponta para o desenvolvimento de resinas com iniciadores mais eficientes e processos de impressão que garantam 100% de biocompatibilidade.


Vamos continuar de olho.

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