A altura (e o material) da sua prótese unitária sobre implante importam?
- Paulo Rossetti

- 27 de jul.
- 3 min de leitura

A biomecânica nas próteses sobre implantes continua um assunto fascinante.
Aproveite para ler um artigo especial aqui no blog sobre o uso de Ti-bases curtos e longos.
Nessa linha, o que aconteceria se um cantilever fixo (12mm) fosse colocado? Haveria chance de algum material se comportar melhor que o outro?
Prótese unitária sobre implante: altura e material
No trabalho mais recente, os pesquisadores investigaram a carga de fratura de estruturas fabricadas por tecnologias emergentes de manufatura aditiva (impressão 3D) e subtrativa (fresagem CAD/CAM):
TR (resina aditiva comercial): uma resina de impressão 3D disponível comercialmente, indicada para próteses fixas definitivas.
SA (resina aditiva experimental): uma formulação experimental desenvolvida para testar novos limites de resistência na manufatura aditiva.
BR (compósito polimérico de alto impacto): um material fresado via CAD/CAM, conhecido por sua alta tenacidade e resistência mecânica.
Os grupos tinham três alturas específicas: 7 mm, 11 mm e 15 mm. Além disso, um Ti base de 4,5mm de diâmetro foi utilizado fazendo como que todas as amostras ficassem cimentadas.
Para simular as condições clínicas de uso prolongado, a equipe submeteu metade das amostras a um processo de envelhecimento artificial. Em seguida, todos os espécimes passaram por um teste de carga compressiva até a fratura em uma máquina de ensaios universal.
Desempenho dos materiais por altura
Ao analisar a carga de fratura final, o compósito fresado (BR) apresentou o melhor desempenho geral. Nos espécimes de 11 mm não envelhecidos, o BR alcançou os maiores valores de resistência. Em contraste, a resina comercial TR registrou os menores valores de carga de fratura nos espécimes de 15 mm.
A relação entre altura e resistência
Um ponto de destaque refere-se à relação entre altura e resistência. Para a resina experimental SA e o compósito BR, a altura de 15 mm resultou em valores de carga de fratura significativamente maiores do que a altura de 7 mm. Isso sugere que o maior volume de material contribui diretamente para a integridade estrutural dessas resinas específicas.
Por outro lado, quanto à faixa de força mastigatória molar humana, o material BR manteve-se consistente. Já as resinas aditivas (TR e SA) com apenas 7 mm de altura ficaram abaixo do limite mínimo necessário, indicando um risco elevado de fratura em regiões de carga elevada.
Efeito do envelhecimento
O envelhecimento mecânico teve um impacto surpreendentemente limitado. Apenas o grupo compósito BR com 11 mm de altura apresentou uma redução estatisticamente significativa após os ciclos de carga.
Para os demais grupos e materiais, o envelhecimento não alterou de forma drástica a resistência final, sugerindo uma boa estabilidade química e mecânica das resinas testadas ao longo do tempo simulado.
O que isso significa na prática clínica
Os achados desse estudo, mesmo que laboratoriais, podem oferecem algumas diretrizes para o planejamento de próteses unitárias sobre implante com cantilever:
resinas aditivas (TR e SA): o dentista deve garantir uma altura mínima de 11 mm para o corpo da prótese ao utilizar estas resinas em cantiléveres na região molar. Projetos com apenas 7 mm de altura não oferecem segurança biomecânica suficiente para suportar os esforços mastigatórios nessa área.
compósito fresado (BR): este material demonstrou ser a opção mais robusta. O clínico pode utilizá-lo com segurança mesmo em situações de espaço interoclusal reduzido (7 mm), pois ele mantém cargas de fratura compatíveis com a função molar.
localização da prótese unitária sobre implante: Em regiões de pré-molares ou em casos sem cantilever, onde as forças são naturalmente menores, alturas reduzidas podem ser viáveis para todos os materiais. Contudo, o cantilever exige rigor na seleção da espessura do material.
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