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Antidepressivos SSRI e Falha de Implantes Dentários: os riscos

  • Foto do escritor: Paulo Rossetti
    Paulo Rossetti
  • 12 de jul.
  • 3 min de leitura
Antidepressivos SSRIs: os riscos de falha no implante dentário podem ser mitigados.
Antidepressivos SSRIs: os riscos de falha no implante dentário podem ser mitigados.

A depressão é uma doença séria e com diversas hipóteses.

 

Vamos pela parte química, que envolve a deficiência de uma substância chamada serotonina. Ela regula humor, sono, apetite, cognição, motricidade intestinal, coagulação sanguínea e, como veremos, o metabolismo ósseo.


Ou seja, é a sua disposição que está em jogo.


Além disso, há pelo menos três fatos interessantes:

  • dois terços da serotonina estão armazenados nas plaquetas. A serotonina vem do triptofano (aminoácido natural da alimentação).

  • pode ser produzida no intestino (90% periférica) ou no sistema nervoso central (5 a 10%).

  • a serotonina que o cérebro produz fica no cérebro, e a do intestino fica no corpo.

 

Em pacientes com depressão, o tratamento inclui os antidepressivos SSRI (por exemplo, fluoxetina, sertralina, escitalopram), que funcionam para aumentar a disponibilidade de serotonina.


Assim, além da suplementação com vitamina K, magnésio e até probióticos (para o bem do seu intestino), é fundamental que terapeutas prescrevam exercícios musculares com carga e o monitoramento com o exame DEXA.

 

Sim, está escrito no começo desse post que a serotonina também influencia o metabolismo ósseo. Entretanto, não é bem como a gente pensa.


E aqui moram as nossas preocupações cada vez maiores com os implantes dentários.

 

Por que a Serotonina Interessa ao Tecido Ósseo?


Porque a serotonina periférica (essa do intestino) inibe a formação óssea.

Quando o intestino produz menos serotonina, o osso se forma mais. Porém, quando produz mais, o osso sofre. Bem, se os antidepressivos SSRI aumentam a disponibilidade de serotonina, a massa óssea sofre, inclusive com risco de fraturas no quadril.

 

O Osteoblasto Tem “Duas Portas”

 

Pense no osteoblasto como uma célula com duas portas que lidam com serotonina:


  • Porta 1 (SERT) - Esta porta captura a serotonina periférica e a transporta para dentro do osteoblasto, onde é degradada. Sua função é manter baixa a concentração de serotonina ao redor dessa célula.

  • Porta 2 (5-HT1B) - Esta porta recebe sinais da serotonina. Quando a serotonina se liga a ela, o efeito final é “desligar” os genes mestres da formação óssea, ordenando que o osteoblasto pare de construir osso.

 

Em condições normais, as duas portas trabalham em equilíbrio. Com a Porta 1 mantendo a serotonina baixa no ambiente, a Porta 2 (5-HT1B) recebe poucos sinais, e assim os osteoblastos voltam a fazer osso tranquilamente.

 

Os antidepressivos SSRIs: Fechando uma Porta e Inundando a Outra


Os SSRIs chegam e bloqueiam a Porta 1. Com isso, a serotonina se acumula. Com a Porta 1 fechada, a concentração externa sobe cada vez mais. Nesse momento, a Porta 2 é inundada por serotonina.


O resultado é previsível: o osteoblasto recebe ordem constante de reduzir a formação óssea. Ele prolifera menos, diferencia-se pior e morre mais cedo.

 

Antidepressivos SSRIs: o crescimento ósseo em crianças e adolescentes


Há depressão não escolhe idade. Entretanto, é necessário saber que antidepressivos SSRIs, como já discutido acima, afetam a massa óssea. Então, é fundamental considerar seus efeitos nos pacientes em fases de crescimento.


O Estudo Pioneiro em Implantes Dentários


Em 2014, pesquisadores da Universidade de McGill, no Canadá, publicaram o primeiro estudo coorte associando SSRIs com falha de implantes dentários.


Os números confirmaram a hipótese:

  • 916 implantes em 490 pacientes (94 implantes em 51 usuários de SSRIs)

  • taxa de falha em não usuários de SSRI: 4,6%

  • taxa de falha em usuários de SSRI: 10,6%

  • usuários de SSRIs tinham risco 6 vezes maior de perder o implante dentário


Será que existe uma superfície de implante capaz de diminuir esse risco?


As hipóteses levantadas pelo estudo acima, ao longo dos anos, estão se confirmando.


No estudo mais recente em animais, pesquisadores do Brasil mostraram que essa é uma luta complexa.


Ao usarem duas superfícies de implantes do mesmo fabricante, mas com tratamentos diferentes (nanohidroxiapatita e duplo ataque ácido), apenas uma delas (nanohidroxiapatita) ainda foi capaz de aliviar os efeitos provocados pelos antidepressivos (amitriptilina e sertralina), ou seja, manter uma porcentagem de contato osso e implante (BIC) maior.


Mesmo assim, os autores ressaltam que o osso formado dentro das roscas pode não ter uma mineralização suficiente para suportar as cargas mastigatórias.


Ou seja, se a osseointegração está em risco, a longevidade do seu implante dentário será menor.


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