Fluxo digital na Odontologia: o que os dentistas do Brasil pensam?
- Paulo Rossetti

- há 3 horas
- 3 min de leitura

O comportamento setorial atual mais recente aponta para uma consolidação: 70% dos dentistas reabastecem seus estoques pelo e-commerce. Maior praticidade, maior variedade, maior rapidez no recebimento.
Entretanto, essa é apenas uma parte dos novos comportamentos.
Então, como anda o processo de adoção das tecnologias no fluxo digital da Odontologia Brasileira, ou pelo menos, o desejo de adquiri-las?
Tendências no fluxo digital da Odontologia
A pesquisa mais recente (dados de 2024) feita pela Associação Brasileira da Indústria dos Dispositivos Médicos e Odontológicos (ABIMO), em parceria com o Conselho Federal de Odontologia (CFO), revela: algumas áreas já consolidam tendência, enquanto outras apontam para um movimento tímido.
Nesse sentido, é possível extrair diversos recortes.
Entretanto, vamos nos concentrar sobre alguns dados que podem apontar os caminhos do fluxo digital na Odontologia:
Escâner intraoral: pela democratização do acesso
A partir de uma base de 1882 respondentes, pode-se observar que:
seu uso é maior no estado de São Paulo
15% possuem, e desses, 12% usam com frequência
22% planejam comprar dentro de um ano
63% não tem e não planejam comprar
Fato: essa intenção está concentrada em dentistas mais jovens que normalmente não possuem o poder de compra para tal ferramenta.
Importante: a idade dos dentistas não é uma barreira ao uso do escâner. Ainda, foi identificada que a tendência de adoção dessa tecnologia é proporcional ao número de pacientes e profissionais na mesma unidade clínica.
Moldagens digitais: sim, mas com ressalvas?
A partir de 243 respostas, temos duas conclusões importantes:
esses números médios chegam aos 53% dentre os que usam a tecnologia na rotina clínica
entretanto, apenas 10% acreditam que o escâner intraoral vai substituir os materiais físicos, ou seja, ainda há muitos obstáculos a serem vencidos naquilo que os escâneres intraorais podem fazer.
Tratamentos ortodônticos: tradicionais ou com alinhadores invisíveis?
Dentre os 1701 respondentes, dois dados interessantes:
54% das clínicas já usam alinhadores ortodônticos
entretanto, a ortodontia tradicional (bandas, fios, bráquetes) ainda responde por 82% dos casos realizados
Radiologia: panorâmica, 2D ou 3D?
A amostra aqui totalizou 1584 respostas, onde:
apenas 6% possuem em consultório particular um sistema de radiologia panorâmica
sobre a intenção de aquisição, esses dados se dividem em 3% para os sistemas digitais 2D, e em 7% nos sistemas digitais 3D
Fresadora e impressora 3D
Da mesma maneira, dentre as 1584 respostas, temos:
cerca de 3% dos profissionais têm uma fresadora, e outros 16% estão com intenção de comprá-la
entretanto, esses números saltam para 8% e 23%, respectivamente, quando falamos em impressão 3D
A Odontologia Brasileira: em transição digital
Embora o desejo e o uso de fluxos digitais (como alinhadores e escaneamento) sejam altos, a posse física dos equipamentos de alto valor (escâneres, fresadoras e radiologia complexa) ainda está concentrada em uma parcela pequena de profissionais.
Isto sugere um forte mercado de serviços de centros radiológicos e laboratórios digitais, especialmente porque a maioria dos serviços restauradores com fluxo digital depende desses equipamentos.
O que pode pesar nos próximos anos dentro do fluxo digital?
Por um lado, alguns fabricantes de equipamentos estão cada vez mais antenados com as necessidades dos consumidores, o que é bom para uma classe odontológica onde a média de consumo mensal, apenas em insumos, varia entre 2 e 10 mil reais.
Por exemplo, é fato que alguns modelos de impressoras 3D não dependem mais da lógica "rendimento lucrativo apenas sob demanda significativa". Ao mesmo tempo, o setor industrial fornecedor desses produtos continua expandindo seu portfólio (por exemplo, há próteses totais impressas de uma vez só).
Por outro lado, há equipamentos que deverão permanecer em centros especializados não apenas pelo custo de aquisição, mas pela demanda de manutenção e profissionais com alto conhecimento técnico (fresadoras 3D).
Finalmente, é preciso aguardar: a introdução da inteligência artificial (IA) na Odontologia mostra que o dilema "homem x máquina" será um caminho suave no consultório. Aliás, ela tem sido introduzida em diversos equipamentos do fluxo digital, gerando diagnósticos mais precisos.




Comentários