O implante dentário perde osso: é possível evitar?
- Paulo Rossetti

- 26 de abr.
- 4 min de leitura

A perda óssea marginal ao redor do implante dentário é identificada nas imagens radiográficas padronizadas. Isto porque para se falar em perda, é preciso ter um ponto de partida.
Ou seja, uma referência, que normalmente é o ponto de instalação coronal do seu sistema: ao nível ou abaixo da crista óssea do rebordo alveolar, por exemplo.
Obviamente, a radiografia pode nos dar uma pista da evolução do processo de perda, mas ela não diz quem ou quais são os causadores.
Outro ponto interessante: em alguns momentos, é possível “ganhar osso”, mas não esperem uma altura vertical colossal.
Estamos falando de décimos de milímetros e, provavelmente, relacionados aos erros de mensuração.
É uma reação de corpo estranho sem fim, mas com seus momentos de equilíbrio.
A perda óssea peri-implantar tem natureza multifatorial
Em 2018, a revista International Journal of Prosthodontics publicou um suplemento especial marcando o começo da despedida do seu editor-chefe, George Zarb, professor da Universidade de Toronto, no Canadá
Em meio às entrevistas com diversas personalidades científicas, uma lista contundente foi sugerida por outro contemporâneo, o Prof. Torsten Jemt, trazendo 86 fatores que poderiam explicar a natureza multifatorial dessa perda óssea marginal.
Independentemente do tipo de sistema da sua preferência, vale à pena conferir e refletir porque é muito provável que os pacientes do seu consultório (ou das outras clínicas) talvez estejam em uma das categorias abaixo:
reconexão do pilar protético
estabilidade do parafuso do pilar
idade na cirurgia
idade na perda dentária
reação alérgica
ligas metálicas
doença autoimune
genótipo/fenótipo bacteriano
biofilme
qualidade óssea
volume ósseo
técnica de escovação
bruxismo
cálculo dentário
cantilever
corrosão
colaboração do paciente
restos de cimento odontológico
escolha do cimento odontológico
grau do titânio
proporção coroa-implante
diabetes
dieta
corpos estranhos
desenho da infraestrutura
material da infraestrutura
rigidez da infraestrutura
sobrecarga funcional
funcionamento do sistema imune
genética
expressão gênica
saúde sistêmica
gênero
material de enxertia
procedimento de enxertia
história de periodontite
carga imediata
colocação imediata
angulação do implante
conexão implante-pilar
infiltração na interface implante-pilar
nível da interface implante-pilar
comprimento do implante
sítio do implante
superfície do implante
distância dente-implante
diâmetro do implante
resposta inflamatória individual
infecção
distância entre implantes contíguos
estabilidade inicial do implante
eventos na vida cotidiana
estilo de vida
distribuição das cargas
arcada maxilar
arcada mandibular
medicamentos
número de implantes colocados,
número de dentes perdidos
oclusão
implante (uma/duas peças)
cirurgia (um/dois estágios)
higiene oral
parafunção
película adquirida
placa dentobacteriana
platform switching
sondagem
desenho da prótese
estabilidade do parafuso da prótese
margens da prótese
protocolos clínicos
irradiação
motivo para perda dentária
restos infectados
tabagismo
estresse
atitude do cirurgião
experiência do cirurgião
cirurgia
protocolo cirúrgico
colocação supra/subgengival
tripodização dos implantes (offset)
uso do cicatrizador
grau de vascularização
espessura da margem de cimento odontológico
A extensa lista acima é a bula de remédio mais importante que você precisa ler com o seu paciente; nela, há “campeões internacionais” que jamais descem do pódio:
história prévia de periodontite
presença/quantidade de placa
Aqui, tiramos uma lição importante: a atualização sobre o diagnóstico e os fatores de risco para as doenças periodontais é fundamental e deve ser exercitada diariamente.
Ademais, no dia a dia, o que mais se vê (ou se recebe) é o implante dentário em situações biomecânicas absurdamente incomuns:
a largura no espaço edêntulo é maior do que a natural e o implante dentário está bem para distal gerando problemas de impacção alimentar e cantilever
a quantidade de mucosa queratinizada é mínima ou inexistente, com bolsas profundas e sangramento recorrente
o perfil de emergência da restauração é excessivo ou nulo
São combinações periodontais e protéticas explosivas capazes de fazer qualquer potencial de remodelação óssea "despencar morro abaixo".
A perda óssea no implante dentário: como medir nos dias atuais?
Desde 2023, os trabalhos clínicos com implante dentário devem fornecer, como desfechos obrigatórios dentro da patofisiologia da saúde do implante, dois fatores segundo a iniciativa ID-COSM:
status: saudável, peri-mucosite, peri-implantite (critérios de sondagem e supuração já estabelecidos na literatura)
nível / perda óssea marginal: uma radiografia intrabucal feita de forma padronizada (técnica do paralelismo), com medidas nas regiões mesial e distal, a partir do nível horizontal da plataforma do implante dentário
Ainda, é necessário medir a reprodutibilidade entre operadores e o nível de erro dessas medidas (entretanto, esses itens são mais frequentes apenas nas pesquisas).
É normal perder osso na fase de cicatrização do implante dentário?
Sim. As pesquisas mostram que os primeiros 6-12 meses são de "ajuste biológico", ou seja, alterações são vistas normalmente dentro de 1mm.
Além disso, o ato subsequente, que é conectar a prótese ao implante, altera esse valor. Porém, a intensidade de remodelamento deve ser menor (< 1mm).
A revisão mais recente mostra que 15-25% dos implantes acusam perda acima de 1mm, enquanto uma proporção menor desses implantes tem perda óssea exacerbada.
Mas que não nos esqueçamos dos 86 itens.
Perda óssea: quando é preciso ficar de olho?
Quando os níveis ósseos pioram progressivamente apesar de todas as tentativas de tratamento (não cirúrgicas e cirúrgicas). Claro, isso implica em execução radiográfica de qualidade.
Além disso, é perfeitamente possível sondar e desconectar as próteses para fazer uma higienização melhor, quando não estão cimentadas.
Por fim, recomenda-se que novas radiografias iniciais sejam feitas todas as vezes que as próteses sobre implantes forem trocadas, e que os conteúdos internos das áreas de conexão com os implantes sejam limpos.




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