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O implante dentário perde osso: é possível evitar?

  • Foto do escritor: Paulo Henrique Orlato Rossetti
    Paulo Henrique Orlato Rossetti
  • há 6 dias
  • 4 min de leitura
O implante dentário perde osso. Mas qual é a saída?
O implante dentário perde osso. Mas qual é a saída?

A perda óssea marginal ao redor do implante dentário é identificada nas imagens radiográficas padronizadas. Isto porque para se falar em perda, é preciso ter um ponto de partida.


Ou seja, uma referência, que normalmente é o ponto de instalação coronal do seu sistema: ao nível ou abaixo da crista óssea do rebordo alveolar, por exemplo.

 

Obviamente, a radiografia pode nos dar uma pista da evolução do processo de perda, mas ela não diz quem ou quais são os causadores.

 

Outro ponto interessante: em alguns momentos, é possível “ganhar osso”, mas não esperem uma altura vertical colossal.


Estamos falando de décimos de milímetros e, provavelmente, relacionados aos erros de mensuração.


É uma reação de corpo estranho sem fim, mas com seus momentos de equilíbrio.


A perda óssea peri-implantar tem natureza multifatorial


Em 2018, a revista International Journal of Prosthodontics publicou um suplemento especial marcando o começo da despedida do seu editor-chefe, George Zarb, professor da Universidade de Toronto, no Canadá

 

Em meio às entrevistas com diversas personalidades científicas, uma lista contundente foi sugerida por outro contemporâneo, o Prof. Torsten Jemt, trazendo 86 fatores que poderiam explicar a natureza multifatorial dessa perda óssea marginal.

 

Independentemente do tipo de sistema da sua preferência, vale à pena conferir e refletir porque é muito provável que os pacientes do seu consultório (ou das outras clínicas) talvez estejam em uma das categorias abaixo:

 

  • reconexão do pilar protético, estabilidade do parafuso do pilar, idade na cirurgia, idade na perda dentária, reação alérgica, ligas metálicas, doença autoimune, genótipo/fenótipo bacteriano, biofilme, qualidade óssea, volume ósseo, técnica de escovação, bruxismo, cálculo dentário, cantilever, corrosão, colaboração do paciente, restos de cimento, escolha do cimento, grau do titânio, proporção coroa-implante, diabetes, dieta, corpos estranhos, desenho da infraestrutura, material da infraestrutura, rigidez da infraestrutura, sobrecarga funcional, funcionamento do sistema imune, genética, expressão gênica, saúde sistêmica, gênero, material de enxertia, procedimento de enxertia, história de periodontite, carga imediata, colocação imediata, angulação do implante, conexão implante-pilar, infiltração na interface implante-pilar, nível da interface implante-pilar, comprimento do implante, sítio do implante, superfície do implante, distância dente-implante, diâmetro do implante, resposta inflamatória individual, infecção, distância entre implantes, estabilidade inicial do implante, eventos na vida, estilo de vida, distribuição das cargas, maxila, mandíbula, medicamentos, número de implantes, número de dentes perdidos, oclusão, implante (uma/duas peças), cirurgia (um/dois estágios), higiene oral, parafunção, película, placa, platform switching, sondagem, desenho da prótese, estabilidade do parafuso da prótese, margens da prótese, protocolos clínicos, irradiação, motivo para perda dentária, restos infectados, tabagismo, estresse, atitude do cirurgião, experiência do cirurgião, cirurgia, protocolo cirúrgico, colocação supra/subgengival, tripodização, uso do cicatrizador, vascularização, espessura da margem de cimento

 

A extensa lista acima é a bula de remédio mais importante que você precisa ler com o seu paciente; nela, há “campeões internacionais” que jamais descem do pódio:


  • história prévia de periodontite

  • tabagismo

  • presença/quantidade de placa


Aqui, tiramos uma lição importante: a atualização sobre o diagnóstico e os fatores de risco para as doenças periodontais é fundamental e deve ser exercitada diariamente.

 

Ademais, no dia a dia, o que mais se vê (ou se recebe) é o implante dentário em situações biomecânicas absurdamente incomuns:


  • a largura no espaço edêntulo é maior do que a natural e o implante dentário está bem para distal gerando problemas de impacção alimentar e cantilever

  • a quantidade de mucosa queratinizada é mínima ou inexistente, com bolsas profundas e sangramento recorrente

  • o perfil de emergência da restauração é excessivo ou nulo


São combinações periodontais e protéticas explosivas capazes de fazer qualquer potencial de remodelação óssea "despencar morro abaixo".


A perda óssea no implante dentário: como medir nos dias atuais?


Desde 2023, os trabalhos clínicos com implante dentário devem fornecer, como desfechos obrigatórios dentro da patofisiologia da saúde do implante, dois fatores segundo a iniciativa ID-COSM:


 

  • nível / perda óssea marginal: uma radiografia intrabucal feita de forma padronizada (técnica do paralelismo), com medidas nas regiões mesial e distal, a partir do nível horizontal da plataforma do implante dentário


Ainda, é necessário medir a reprodutibilidade entre operadores e o nível de erro dessas medidas (entretanto, esses itens são mais frequentes apenas nas pesquisas).


É normal perder osso na fase de cicatrização do implante dentário?


Sim. As pesquisas mostram que os primeiros 6-12 meses são de "ajuste biológico", ou seja, alterações são vistas normalmente dentro de 1mm.

 

Além disso, o ato subsequente, que é conectar a prótese ao implante, altera esse valor. Porém, a intensidade de remodelamento deve ser menor (< 1mm).

 

A revisão mais recente mostra que 15-25% dos implantes acusam perda acima de 1mm, enquanto uma proporção menor desses implantes tem perda óssea exacerbada.


Mas que não nos esqueçamos dos 86 itens.


Perda óssea: quando é preciso ficar de olho?


Quando os níveis ósseos pioram progressivamente apesar de todas as tentativas de tratamento (não cirúrgicas e cirúrgicas). Claro, isso implica em execução radiográfica de qualidade.

 

Além disso, é perfeitamente possível sondar e desconectar as próteses para fazer uma higienização melhor, quando não estão cimentadas.

 

Por fim, recomenda-se que novas radiografias iniciais sejam feitas todas as vezes que as próteses sobre implantes forem trocadas, e que os conteúdos internos das áreas de conexão com os implantes sejam limpos.




 

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