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Prótese Total PMMA x 3D Impressa na Maxila: o Efeito no Mesmo Paciente

  • Foto do escritor: Paulo Rossetti
    Paulo Rossetti
  • 13 de jul.
  • 3 min de leitura
PMMA fresado ou resina impressa 3D: 1uando o paciente realmente decide?
PMMA fresado ou resina impressa 3D: 1uando o paciente realmente decide?

A reabilitação de maxilas totalmente edêntulas sobre implantes dentários exige decisões precisas.


E uma das mais frequentes envolve o material da prótese total provisória: por exemplo, vamos fresar em resina de polimetilmetacrilato (PMMA) ou imprimir em resina híbrida 3D?


A resposta é complexa: por exemplo, depende das preferências pessoais e custos laboratoriais.


Entretanto, um ensaio clínico randomizado acompanhou 20 pacientes que usaram ambos os materiais — cada prótese por três meses — e comparou complicações mecânicas, adaptação passiva, comportamento óptico e qualidade de vida.


O resultado pode ser precoce, mas o desenho do estudo faz toda a diferença.


Por que o estudo crossover muda a leitura dos resultados?


A grande força do estudo está no fato de cada paciente ter servido como seu próprio controle. No desenho paralelo tradicional, metade dos pacientes recebe PMMA e a outra metade recebe resina 3D.


O problema: qualidade óssea, hábitos parafuncionais, dieta, composição salivar e higiene bucal variam de pessoa para pessoa.


Assim, qualquer diferença observada pode ser fruto dessas variações, não do material.


No crossover (sim, esse é o nome do modelo), a comparação acontece dentro do mesmo organismo. Por isso, o estudo precisou de apenas 20 participantes para detectar diferenças — um ensaio com dois grupos diferentes exigiria o dobro ou triplo de participantes.


Além disso, o crossover também permitiu comparar os escores de qualidade de vida (OHIP-14) de forma pareada, revelando que a diferença entre os materiais, embora estatisticamente significativa, ficou abaixo do limiar de relevância clínica (MCID).


Um estudo paralelo poderia amplificar ou mascarar esse dado.


Complicações mecânicas: prótese total PMMA leva vantagem clara


Fato: O PMMA fresado apresentou apenas 10% de complicações, contra 45% da resina impressa.


Todavia, a maioria dos problemas no grupo 3D foi de complicações menores: lascas e pequenas fraturas resolvidas em consultório, sem remover a prótese. Apenas duas complicações foram graves (fratura completa), ambas na resina impressa. O PMMA só apresentou eventos menores durante todo o período.


A explicação está na microestrutura. O PMMA industrial é denso e de baixa porosidade. A impressão 3D, apesar da eficiência de material e flexibilidade geométrica, pode introduzir imperfeições que comprometem a resistência sob cargas repetitivas — especialmente em próteses totais.


Adaptação e estabilidade de cor: mais equilíbrio


Na adaptação passiva, 100% das próteses em PMMA tiveram resultado passivo contra 90% das impressas. Com protocolos adequados, a impressão 3D entrega um encaixe clinicamente aceitável.


Na estabilidade de cor, não houve diferença entre os grupos. Ambos ficaram dentro dos limites aceitáveis para provisionais de superfície extensa.


Mas cada material mostrou um perfil cromático próprio: a resina 3D se manteve mais clara, enquanto o PMMA tendeu a tons mais amarelados.


 

Qualidade de vida: melhora com ambos, leve vantagem para a resina impressa 3D


Os pacientes relataram melhora significativa com os dois materiais — o que era esperado, já que sair do desdentado total para uma função fixa transforma a experiência. Na avaliação de três meses, a resina 3D apresentou escores ligeiramente melhores, mas a diferença ficou abaixo do limiar de relevância clínica.


Sonho: e se o dentista pudesse oferecer os dois materiais na prática?


O crossover faz na pesquisa exatamente o que a clínica não consegue fazer: isolar a variável "material".


Imagine você dizendo: "Temos dois materiais para o provisório. Teste um por três meses, depois o outro, e escolha."


Literalmente sonhando acordado com o melhor dos dois mundos.


Para o paciente, o custo praticamente dobra. Seriam duas próteses em vez de uma, e poucos convênios cobrem dois jogos de materiais provisórios.


Por outro lado, se o PMMA gera menos complicações (10% contra 45%), o paciente economiza consultas extras para reparos — quase metade dos usuários de resina 3D precisou de alguma intervenção.


Por outro lado, para o dentista, é mais tempo de cadeira: duas entregas, dois ajustes oclusais, duas baterias de acompanhamento.


O estudo exigiu seis visitas por paciente. O custo laboratorial também dobra — a menos que o dentista tenha a impressora 3D no consultório, o que reduz o custo incremental ao valor da resina e do pós processamento.


Assim, oferecer os dois materiais como rotina não é viável.


Entretanto, e dentro dos limites desse estudo, esse modelo fornece algumas respostas: sabendo que o PMMA fratura menos e que a resina 3D, embora tenha mais complicações, entrega adaptação, cor e satisfação comparáveis, teoricamente, o dentista já poderia recomendar o material certo para cada perfil:


  • paciente com histórico de fraturas ou bruxismo: PMMA, pela resistência mecânica superior

  • alta exigência estética, provisório prolongado: resina 3D, pela luminosidade e perfil cromático

  • dentista com impressora própria: resina 3D, pelo menor custo incremental e flexibilidade


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