Quad-Zygoma: qual dueto (prótese/posição do implante) canta melhor na biomecânica?
- Paulo Rossetti

- 5 de mai.
- 3 min de leitura
Atualizado: 6 de mai.

Implantes zigomáticos foram criados para atender maxilas atróficas. As primeiras propostas colocavam os pilares protéticos na região palatina próxima aos forames de mesmo nome.
Mais tarde, essas conexões coronais eram reposicionadas com saída no topo do rebordo, com os implantes passando pelo lado de dentro (intra) e de fora (extra) do seio maxilar.
A terceira possibilidade finalmente é pelo lado de fora da maxila, onde esses pilares ficam coladinhos à parede óssea.
Nas três opções acima, é possível colocar quatro fixações zigomáticas, daí vem o nome Quad-Zygoma.
Entretanto, todas as vezes que surge um estudo questionando a durabilidade tanto do implante quanto dos materiais nessas próteses, a cabeça dá um nó.
Mal entramos no campo da biomecânica, já tropeçarmos em dois termos fundamentais: elasticidade e estresse.
Sim, vamos falar da análise por elementos finitos (FEA) estudando o artigo mais recente.
O que é essa tal de elasticidade?
No dia a dia, a gente acha que "elástico" é o que estica muito, como um elástico de cabelo ou chiclete.
Pelo contrário, na odontologia e na engenharia, elasticidade é um parâmetro de rigidez.
Considere a palavra "teimosia" no lugar de rigidez.
Por outro lado, tudo que não é rígido é maleável.
O Conceito de Estresse na Implantodontia
Na vida, quando a “carga” de trabalho é forte, a gente reage (estressa).
Na engenharia, quando um material recebe uma carga externa (mastigação), também surgem forças internas. Isso é o estresse, a resposta (uma trinca ou fratura, por exemplo).
A relação entre a elasticidade e o estresse
Na matemática: estresse = elasticidade x deformação (%)
Materiais Teimosos têm alta elasticidade: quando o paciente morde, o material não "cede". O estresse sobe muito nesse material.
Materiais Maleáveis têm baixa elasticidade: aceitam se deformar um pouco. Ao "ceder", consomem parte da energia. O estresse cai nesse material.
Quad-Zygoma: melodia e harmonia
Três configurações (intra seio maxilar, extra seio maxilar, extra maxila): os implantes zigomáticos anteriores são sempre extra seio maxilar
Materiais da infraestrutura da prótese: (Co-Cr, Ti, Zr, PEEK de alto desempenho).
Carga oclusal: 150 N (vertical e perpendicular, 45 graus para dentro, 45 graus para fora)
Se forem ao pódio, como ficam esses duetos?
1º Lugar: O Equilíbrio Biomecânico
Técnica: extra seio
Material: titânio ou zircônia
É a zona de segurança máxima. O extra seio reduz o braço de alavanca e a rigidez desses materiais mantém a prótese estável (~52 µm de deslocamento). O estresse no osso e nos componentes fica em níveis intermediários e seguros.
2º Lugar: O Amortecedor Biológico
Técnica: extra seio
Material: PEEK
É a melhor escolha para pacientes com osso muito limítrofe. O PEEK "filtra" a carga, reduzindo o estresse nos implantes para 380 MPa, agindo como um amortecedor de carro. A única ressalva é o maior deslocamento (~90 µm), que exige atenção aos materiais de cobertura.
3º Lugar: O Escudo de Proteção Óssea
Técnica: intra seio
Material: Titânio
É imbatível para proteger o osso (menor estresse ósseo), mas cobra o preço na mecânica. Por ter uma saída muito palatina, o "tranco" nos parafusos é maior. O Ti aqui é melhor que o Co- Cr por ter um módulo um pouco menor, sendo mais "gentil" com o sistema.
4º Lugar: A Zona de Atenção (alto estresse)
Técnica: extra maxilar
Material: Co-Cr
Embora facilite a estética, o estresse no osso peri-implantar é o mais alto de todos. O uso de um material ultra rígido como o Co-Cr (210 GPa) nesta técnica cria picos de tensão que podem levar à reabsorção óssea precoce se o paciente for braquicéfalo ou tiver bruxismo.
Modelo de biomecânica no Quad-Zygoma
Melhor técnica: extra seio (melhor custo-benefício biomecânico)
Melhor material (Proteção): PEEK (ideal para poupar os componentes)
Melhor material (estabilidade): Ti/Zr (ideal para próteses extensas)
Restrição: Extra maxilar + PEEK (gera o maior deslocamento da prótese)
Atenção: cautela na leitura dos dados
Comportamento biológico: o osso é um tecido vivo
O software trata o osso como se fosse um bloco de plástico parado. Na vida real, o osso se remodela (Lei de Wolff). Se o estresse for muito baixo, ele atrofia; se for muito alto, ele reabsorve.
Estresses de Von Mises vs. Principal: são conceitos diferentes
No artigo, usaram Von Mises para os metais e a zircônia. Ele mede a "energia de deformação".
Mas para o osso e a zircônia, o que importa mesmo é o Estresse Principal, que mostra onde o material vai trincar. Como a zircônia é frágil, ela não "avisa" que vai quebrar; ela simplesmente racha se o pico de tração for alto demais.
A Simplificação computacional pode não corresponder à interface real osso-implante
A FEA assume que o implante está 100% colado no osso. Na clínica, temos microgap e variações de densidade que o computador não vê.
Moral da história
Use a FEA como uma bússola para entender as tendências de carga, mas nunca ignore a biologia do seu paciente.




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