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  • Foto do escritor PAULO ROSSETTI

Artigos científicos: discuta sempre as ideias e nunca as pessoas

Os ambientes de ensino são locais de troca de ideias.

Por exemplo, ideias podem surgir da leitura dos artigos científicos.

É assim que muitos de nós temos inspirações para novos projetos.

Como professor, já vi e ouvi muito em sala de aula e fora dela.


Como professor, tenho certeza: o momento mais crítico é o primeiro dia, quando vamos entender quais são os caminhos adotados por cada aluno quando se deparam com as três possibilidades comuns de todo seminário:


1. fazer comentários sobre as ideias contidas no artigo (debate produtivo)

2. fazer comentários às pessoas que publicaram o artigo (perda de tempo tipo falácia ad homina, ou seja, ataque pessoal)

3. fazer comentários das falas das outras pessoas e não das ideias (conflito emocional ou debate improdutivo)


Um pedaço de papel é apenas um meio para transmitir ideias. Não deveria gerar tanto atrito assim. Ao mesmo tempo, não é culpa dos alunos: à rigor, nenhum deles recebeu treinamento científico formal para “editar informações em tempo real”.


E se você quer o seu dia mais produtivo, adote estas sugestões para a boa convivência científica:


1. Uma publicação é fruto do esforço conjunto de muitas pessoas. Só Deus sabe o que passaram em suas vidas para realizar este sonho. Não critique as pessoas. Examine as ideias.


2. Ninguém tem ideias inovadoras 100% do tempo, mas existem parágrafos inspiradores. Procure e você irá encontra-los.


3. Quando você ler “diferença estatisticamente significativa” lembre-se: apareceu neste trabalho, vamos ver se o fato se repete nos trabalhos subsequentes. Afinal, é por isso que foram criadas as revisões sistemáticas da literatura. Nenhum trabalho é definitivo.


4. Quando você ler e ficar com aquela impressão “nossa, parece ultrapassado”, lembre-se: para aquela época, era o melhor que se podia fazer em termos científicos com as ferramentas disponíveis. Imagine o que seu avô faria se tivesse internet ou smartphone no começo do século 20? Quem sabe nem eu nem você estaríamos aqui hoje!


5. Nenhuma publicação é à prova de balas! Todas possuem vieses, falhas, dados que não foram detectados, erros de metodologia. Não se deixe enganar pelos famosos “índices”. Editores e revisores não são máquinas. É para isso que existem os “erratum” e “corrigendum” da vida. Também, a história da ciência já registrou publicações tidas como surreais serem retiradas de periódicos considerados “famosos”.


6. Antes de começar uma discussão em grupo, veja se todo mundo leu o mesmo trabalho que você leu e compreendeu realmente o que está escrito. Ninguém acorda e faz “download” automático da informação. Até mesmo artigos com metodologias novas precisarão de explicação extra no decorrer da exposição.


7. Bons alunos e professores são bons “debatedores de ideias”. Todos nós temos vida pessoal que definitivamente nem se compara com o que é discutido em sala de aula.

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