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  • Foto do escritor PAULO ROSSETTI

Até que ponto vai a sua “fé cega” nos materiais dentários?


Materiais dentários: só fazem o que o operador manda
Materiais dentários: só fazem o que o operador manda


Até que ponto vai a sua "fé cega" nos materiais dentários?


Independente da categoria, materiais dentários (odontológicos) são nada mais do que materiais criados, embalados e acompanhados de uma bula de instruções.


Pelo raciocínio acima, temos plena confiança em sermos os portadores de algum objeto mágico capaz de desafiar as leis da física, da química, e talvez da matemática.


Olha, que me desculpem os mais afoitos: não é o cajado do mago Merlin, a varinha do Harry Potter, e muito menos a espada Excalibur.


Na verdade, é a somatória da sua "criatividade marota tipo quinta série" com a falta de educated guess (o tipo de palpite advindo de anos de experiência investigativa). Ou seja: um desastre total.


Já presenciei situações onde o material de moldagem fora usado diretamente na boca, mas sem uma moldeira. Isso mesmo que você leu! E não me refiro à alguma técnica em prótese total, por exemplo, onde podemos usar a godiva marrom com uma moldeira que não possui bordas laterais. Não ouse dizer que isso é coisa de velho. Como dizia um outro colega: “coloque tudo o que você puder nos bolsos, porque nunca sabe realmente quando vai precisar”.


Voltando à cena do crime: o material de moldagem estava nu, sem as suas “roupas cerimoniais”. E tem mais: esse silicone fora colocado sobre os transferentes dos implantes dentários para funcionar como “moldagem de arrasto”. Ah, mas você pode dizer que os componentes mesmos estavam esplintados (com resina de precisão e fio dental). Ora, uma coisa não compensará a outra. Porque, até onde eu sei, o sinônimo de “moldeira Wi-Fi” é a câmera de escaneamento intraoral.


Continuando: depois de algum tempo (que só Deus pai, todo poderoso, saberia dizer), essa “massa” foi removida da boca e colocada sobre a bancada de trabalho. Polimerizado, mas desprovido do único aspecto que lhe garantiria a menor distorção possível, o pobre silicone ficou lá, esperando a vontade do seu dono.


Era o desconhecimento total da terceira lei de Newton: ação e reação. Se a massa de silicone, uma vez rígida, for removida do seu local, haverá o efeito rebote. Solução? Reaquecer o molde, pelo menos, se for uma cópia negativa sobre dentes. Mas de que forma esse silicone fora manipulado? Só havia massa densa. Nem sinal da pasta fluida.


Não consegui me conter, perguntando ao colega: por favor, explique porque você não usou a moldeira? Sua resposta foi: porque é uma “técnica nova” (que ele não conseguiu dizer de quem emprestou ou de onde leu). A minha analogia foi imediata: como seria se você tentasse comer arroz, bife e batata sem o garfo e a faca?


O material que compõe a moldeira confere sua rigidez. Moldeiras metálicas têm mais precisão do que moldeiras plásticas, principalmente se as últimas tiverem suas paredes flexíveis porque não há como direcionar a contração do material de moldagem. São 20 anos de comprovação científica.

Finalizando: se você não lembra, sacrilégio é quando profanamos um sacramento. Aqui, guardadas as proporções e sem ofensas à religião de ninguém, foi o sacramento da moldagem.


Muito cuidado com a “fé cega” nos materiais dentários. É o caminho da perdição na profissão.

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