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Bactérias da boca, circulação sanguínea e disfunção erétil

  • Foto do escritor: Paulo Henrique Orlato Rossetti
    Paulo Henrique Orlato Rossetti
  • 3 de jan.
  • 4 min de leitura
Higiene oral e disfunção erétil: a doença cardiovascular como elo de ligação.
Higiene oral e disfunção erétil: a doença cardiovascular como elo de ligação.

Homens, atenção! Precisamos falar disso!


Vocês sabiam que a saúde da boca pode ter um impacto direto em áreas inesperadas do seu corpo, como a circulação sanguínea e até mesmo a função erétil?


Parece improvável, mas a ciência tem revelado uma ligação cada vez mais clara entre as bactérias que habitam a nossa cavidade bucal e as condições sistêmicas.

O universo bacteriano da sua boca

A cavidade bucal é um ecossistema complexo, onde vivem centenas de espécies de bactérias, fungos e vírus. Só as bactérias somam mais de 800 classificações. Você não vê, mas elas estão lá.


Basta rolar um cotonete pela mucosa da boca, sob a língua, ou coletar a saliva. Quando esse material é levado para análise de um microscópio ou equipamentos mais potentes, esses "monstrinhos" ficam visíveis.


Esse microbioma oral cresceu significativamente nos últimos anos com auxílio da bioinformática. Em resumo geral, temos o CPF e o RG, e podemos saber o que essas bactérias fazem quando estão em bando.


Entretanto, a maioria desses microrganismos também vive em harmonia conosco, desempenhando papéis importantes na digestão e na proteção contra outros patógenos.


No entanto, um desequilíbrio nesse ecossistema (o nome contemporâneo para isso é disbiose), muitas vezes causado pela má higiene bucal, pode levar ao crescimento excessivo de bactérias nocivas.


A escovação dentária serve para desorganizar a placa dento bacteriana (biofilme). Todos os dias, pelo menos três vezes após as refeições, é o que nós podemos fazer de melhor. É uma luta infinita.

A doença periodontal, ou periodontite, é um exemplo clássico desse desequilíbrio. Caracterizada pela inflamação das gengivas e, em estágios avançados, pela destruição dos tecidos de suporte dos dentes (perda óssea), a periodontite é causada principalmente por bactérias específicas.


Quando o seu dentista faz ou refaz o exame periodontal nas consultas de manutenção, ele ou ela procuram exatamente por locais onde esse sangramento e a quantidade de placa sejam excessivos.


Se você tem implantes dentários, esse cuidado deveria ser redobrado, com pelo menos duas ou três consultas por ano.


O problema é que a ação dessas bactérias e a resposta inflamatória do corpo não se limitam apenas à boca. Outros órgãos serão afetados.


No contexto atual entre Odontologia e Medicina, a palavra "inflamação" significa a chance de pelo menos três doenças de grande impacto na saúde pública: diabetes, hipertensão, e obesidade.

Vamos à circulação sanguínea.


Bactérias orais e o Impacto na circulação sanguínea

Quando as gengivas estão inflamadas e sangram, as bactérias presentes na boca podem entrar na corrente sanguínea (bacteremia).


Uma vez no sistema circulatório, essas bactérias e as toxinas que elas produzem podem desencadear uma série de eventos que afetam a saúde vascular:


  • inflamação sistêmica: a presença constante dessas bactérias e seus subprodutos na corrente sanguínea pode ativar uma resposta inflamatória crônica em todo o corpo. Essa inflamação sistêmica é um fator conhecido no desenvolvimento e progressão de doenças cardiovasculares.


  • disfunção endotelial: o endotélio é o revestimento interno dos vasos sanguíneos, crucial para a regulação do fluxo sanguíneo e da pressão arterial. A inflamação crônica e a presença de patógenos orais podem danificar o endotélio, levando à sua disfunção. Isso significa que os vasos sanguíneos perdem sua capacidade de dilatar e contrair adequadamente, comprometendo o fluxo sanguíneo para várias partes do corpo.


  • formação de placas: algumas pesquisas sugerem que as bactérias orais podem até mesmo contribuir para a formação de placas ateroscleróticas nas artérias, um processo conhecido como aterosclerose. Essas placas endurecem e estreitam as artérias, restringindo ainda mais o fluxo sanguíneo. Em seu posicionamento mais recente, a American Heart Association destaca que a doença crônica vascular aterosclerótica continua sendo a causa líder de óbitos nos EUA, e que o tratamento periodontal reduziria esse risco.


A ligação com a disfunção erétil

A disfunção erétil (DE) é a incapacidade de obter ou manter uma ereção firme o suficiente para uma relação sexual satisfatória. A causa mais comum da DE é a insuficiência do fluxo sanguíneo para o pênis.


Para uma ereção ocorrer, os vasos sanguíneos do pênis precisam se dilatar e permitir um influxo significativo de sangue.


Considerando o impacto das bactérias orais na circulação sanguínea, uma possível conexão com a DE torna-se mais clara:


  • disfunção endotelial e vasos sanguíneos: se as bactérias orais contribuem para a disfunção endotelial e a aterosclerose, isso afeta diretamente a capacidade dos vasos sanguíneos de se dilatarem, incluindo aqueles que suprem o pênis. Um fluxo sanguíneo comprometido é um dos principais fatores para o desenvolvimento da DE.

  • inflamação crônica: a inflamação sistêmica crônica, impulsionada por patógenos orais, também pode ter um papel na DE, pois a inflamação pode danificar os tecidos e os vasos sanguíneos envolvidos no mecanismo da ereção.


Embora mais pesquisas sejam necessárias para estabelecer a causalidade definitiva, a correlação é cada vez mais evidente, mas a ponte é a sua circulação sanguínea. Cuide bem dela.


Leituras sugeridas em artigos científicos:

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