top of page
  • Foto do escritor PAULO ROSSETTI

Biomateriais

Atualizado: 5 de mai. de 2023

Nos mamíferos, o tecido ósseo recebe em sua superfície os tendões, fibras musculares e por fim, a camada mais externa, o tecido mole da pele. Na maxila, quando fazemos incisões para rebatimento dos retalhos totais periodontais, depois de ultrapassarmos a junção mucogengival com um descolador, chegaremos à mucosa alveolar, e daí teremos acesso visual às tábuas ósseas.


Este nível de organização por compartimentos, de fora para dentro, é uma característica fisiológica vitalícia nos mamíferos.


Da mesma maneira, quando fraturamos um osso longo e o imobilizamos com gesso ortopédico, esse nível de organização permanece, separando os tecidos duros dos tecidos moles. Neste caso, o “calo duro”, na porção mais externa periosteal, resultará de uma ossificação intramembranosa (colágeno tipo I); já o “calo mole”, na parte mais interna, medular, representará a ossificação endocondral (colágeno tipo II). A cicatrização de uma fratura pode ser comparada a um “biorreator”. Mais tarde, o osso imaturo será transformado em osso maduro, conforme a Lei de Wolff, restabelecendo o padrão ósseo trabecular correspondente.


 

Na cirurgia do primeiro estágio, implantes dentários de conexão hexagonal externa eram colocados pelo menos 0,7mm dentro do rebordo alveolar. Às vezes, ficavam muito apicais. Na cirurgia do segundo estágio, a chance de haver tecido ósseo de boa resistência, sobre o cover screw, era grande. Como o implante não podia ser removido, o organismo tentava demarcar os limites do topo do parafuso de titânio com os tecidos moles gengivais. Guardadas as proporções, este fenômeno se parecia muito com outro assunto comentado aqui e que poderá dar uma reviravolta na osseointegração.


 

Experimentos realizados no começo dos anos 2000 mostraram que alvéolos de extração passavam por fases distintas até que o tecido ósseo os preenchia. Esta curiosidade científica foi mais estudada com a regeneração óssea guiada. Em ratos, cortes histológicos mostravam que o fundo e o centro das cavidades ósseas eram preenchidos por osso medular amplo. Com a membrana de barreira que cobria estes defeitos sendo removida, depois de um curto período, a porção superior em toda a extensão do alvéolo assumia a condição de osso cortical, e o compartimento de osso medular ficava menos volumoso. O fenômeno de selamento do alvéolo ficou conhecido como “corticalização”.


Absorver/incorporar? Demarcar/tolerar? A nossa grande “queda de braço” com os biomateriais continua.


bottom of page