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  • Foto do escritor PAULO ROSSETTI

Charlatões nas ciências de saúde - parte 1

Atualizado: 23 de fev.


O inimigo do método é não saber que ele existe.
O inimigo do método é não saber que ele existe.

Enganação, tapeação, charlatanismo, embuste, pega bobo, trapaça, fraude. Diferentes termos usados no Dicionário para descrever como a mente pode ser levada ao raciocínio incorreto.


Sim, o ser humano induzido ao pensamento "torto". É isso mesmo! A sedução do produto é tão grande, o milagre é tão esperançoso, que você vai "flutuar" sem ter asas.


Os fundamentos do charlatanismo não são novos. O problema é que os truques ficam mais conhecidos, e os responsáveis acabam presos (quando não fogem ou trocam de visual).


Parte da criação da FDA (a Anvisa dos EUA) se explica pelo número de "especialistas" que arrebatavam plateias ao prometerem feitos impossíveis. O mesmo xarope que curava o câncer também curava a calvície, dor de cotovelo, unha estragada, emagrecia, deixava a pessoa mais bela, etc. (a imagem abaixo diz tudo)


Nos anos 1950, o FDA removeu do mercado o xarope que "curava o câncer".


O processo de enganação é simples: convoque uma plateia amestrada (use o pix, é bem fácil), envie o manual de instruções (somente as falas autorizadas) e observe o mundaréu de gente que vai bater palmas. Ainda: use sempre modelos humanos castigados e sem nada relacionado ao que você quer comprovar. Depois, use sim os mais belos e belas da paróquia. Sucesso garantido.


Existe uma picaretagem maior que esta?


E para quem achou que este fenômeno não se repetiria nos dias atuais, mesmo diante de todas as agências reguladoras do planeta...adivinhem: chegou ao campo das ciências da saúde.


Não me refiro aos fatos dentro dos artigos científicos que podem sofrer retratação ou revisão. É muito mais grave.


Na Odontologia, por exemplo, exemplos recentes incluem a relação entre a "contenção ortodôntica e a infertilidade", "a placa de bruxismo energética", "cura do bruxismo", e outras tantas "invencionices" que não caberiam neste post.


Absurdo? Pesquise nas redes sociais.


Para sairmos do campo da especulação, é necessário provar aquilo que se quer demonstrar.


O exemplo mais simples: se um disser aqui que o número correspondente à letra grega pi é uma constante de valor igual e aproximado aos 3,14..... eu preciso provar, correto?


 

Ah, que saudade das aulas de ciências exatas, quando mestres e mestras colocavam os teoremas nas lousas de giz e faziam essas demonstrações. Elas nunca sairão da moda.

 

Claro, se você dividir o comprimento pelo diâmetro do círculo vai chegar ao número pi, em qualquer lugar do planeta, em qualquer hora do dia, faça chuva ou faça sol, não é?


Isto é o que chamamos de "fato à prova de balas". Não importa se o seu compasso é grande ou pequeno. Um círculo feito com um compasso sempre será um círculo, e a distância interna até o seu centro sempre será o raio. Universal, cósmico, intergaláctico. Tente refutar este fato e perca de vez todos os seus cabelos!


O problema das invenciones é que elas não passam no "teste do tiro" nem usando um colete triplamente reforçado.


Nota: as balas desse "teste de tiro", ao qual me refiro, seria, em todos os exemplos odontológicos citados acima, universais, cósmicas e intergalácticas:


  • seleção e existência de um grupo teste

  • seleção e existência de um grupo controle/placebo

  • cálculo prévio da amostra

  • randomização dos pacientes antes dos tratamentos serem aplicados

  • testes estatísticos variados que chegam ao mesmo resultado

  • resultados positivos e negativos apresentados de forma adequada e simples

  • discussão interna e externa sobre os achados


Essas são as únicas "armas do esclarecimento".

O inimigo do método é saber que ele não existe.


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