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  • Foto do escritor PAULO ROSSETTI

Estatística essencial para dentistas: parte 1

Atualizado: 4 de jun.



A área sob o centro da curva: a maior chance está aqui.
A área sob o centro da curva: a maior chance está aqui.

Não sei porque as pessoas têm problemas com números. Aliás, eu sei. Nem todo mundo gosta, mas sabe que precisa deles.

Os números são importantes no cotidiano porque definem quantidades, datas, horários, quase tudo.


Imagine você dizendo ao paciente para vir ao seu consultório: "olha, venha qualquer hora dessas aí, eu fico de bobeira o dia todo, olhando para o céu". Hilariante.


Ou, no dia do seu pagamento: "ah, pague alguma coisa aí que eu me viro". Caos!


Bem, mas tem uma categoria de números que é muito mais... "chatinha".


A estatística. Sim, o estado das coisas, tipo: quantas vezes você chegou antes do horário no seu trabalho, quantos copos de água você bebeu por dia, ou quantas vezes ficou chateado porque o seu time não ganhou a partida. Tudo isso gera uma estatística.


Também, não sei para que complicar a coisa. Mas nunca me esqueço da cara de enterro dos alunos e alunas quando falo que chegou a hora da estatística. Silêncio monumental.


Ok, e junto da estatística, sem você entender patavinas de nada, cai no seu colo uma tal de "média" e "desvio padrão", que teimam em acabar com o seu dia (e com a suavidade daquele capuccino sabor menta).


Chega desse lero-lero e vamos ao que você precisa saber sobre os números dentro da estatística, com um exemplo "dentuço":


Depois de uma semana de trabalho intenso na clínica, você percebe que atendeu 20 pacientes, e cada um tinha uma quantidade diferente de lesões cariosas. Daí, com a maior paciência do mundo, você preenche uma tabela:


quantidade de cáries

0

2

1

9

3

5

1

6

12

3

8

1

3

0

2

1

2

7

8

2


Agora, imagine que você tem um(a) colega, que trabalha com prevenção, e está interessada nos perfis dos pacientes que você atendeu.


Claro, você vai apertar a tecla "SAP" e traduzir esta tabela no lindo texto abaixo:



Olha, são 20 pacientes com 76 cáries. O máximo são 12 cáries. Mas no geral, a média de cárie por paciente é quase quatro. Entretanto, nem todo paciente tem a mesma quantidade de cáries. E para você não ser pega de surpresa e ficar sem material durante o atendimento e ainda otimizar o seu tempo, é certeza que 68% deles vão apresentar entre zero e sete cáries. Prepare os seus kits.

Mas como você tirou esses números da cartola?


A média: some todas as cáries e divida pelo número de pacientes, ou seja, 76 cáries/20 pacientes = 3,8 cáries por paciente, ou seja, está bem perto de quatro cáries.



E os 68%: aliás, o que é isso? É o desvio padrão. Para ser bem franco, é o primeiro intervalo do desvio padrão. Esse primeiro intervalo contem 68% de chance dos seus pacientes terem cárie.


Esse é o intervalo que você precisa saber.


O desvio padrão é a distância de cada valor de cárie até à média de cárie. É a forma de medir a dispersão das cáries em relação à média de cárie.


Na fórmula, essas distâncias são elevadas ao quadrado, somadas, divididas pelas chances de variação (os famosos graus de liberdade).


Então, o computador finalmente aplica uma raiz quadrada (para que os quadrados voltem a ser números), e encontra que o desvio padrão vale 3,4 cáries.


Para calcular o começo esse intervalo de 68%, pegue a média (3,8) e subtraia dele 3,4 = 0,4 cáries.


Depois, para calcular o final desse intervalo, pegue a média (3,8) e some com ele 3,4 = 7,2 cáries.


Pronto: 68% dos pacientes entre 0,4 e 7,2 cáries.


Volte na tabela: veja os números 7, 8 e 12. Como não representam a maioria, a chance de aparecerem é menor.

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