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  • Foto do escritor PAULO ROSSETTI

O implante de titânio "esquenta" se usarmos o celular?


O implante de titânio que mudou a qualidade de vida de milhares de pacientes.
O implante de titânio que mudou a qualidade de vida de milhares de pacientes.

Nas Partes 1 e 2 desta série, mostrei como a informação científica pode ser alvo de má fé e até incompreendida.


Neste aspecto, onde a Odontologia também é vítima, a Implantodontia não tem escapado ilesa aos desvarios nas redes sociais.


afirmações de que o implante de titânio se comportaria como "uma antena e esquentaria" quando usássemos nossos aparelhos celulares.


Quando eu me preparava para escrever algo, recebi um texto de uma das pessoas que mais conhece do assunto no Brasil, o Prof. Carlos Nelson Elias (elias@ime.eb.br), do Laboratório de Biomateriais do IME (Instituto Militar de Engenharia), no Rio de Janeiro.


Ao Prof. Elias, muito obrigado!!!




Prof. Carlos Nelson Elias
Prof. Carlos Nelson Elias

"A afirmação feita em vídeo sobre os efeitos das radiações emitidas pelo celular no aquecimento de implantes de titânio não faz o menor sentido. Falácias semelhantes foram divulgadas há décadas no início do uso do celular. Várias pesquisas mostraram que as radiações recebidas e emitidas por celulares são extremamente fracas e não afetam os materiais orgânicos e inorgânicos. Para ocorrer danos ao organismo, as energias emitidas pelos celulares precisam ser milhares de vezes superiores.


"Em relação às possíveis alterações no implante de titânio, como citado no vídeo “aquecimento de 3 a 6 graus Celsius acima da temperatura oral de 36,5 graus Celsius” não faz o menor sentido. Primeiro, assim como o cobre, ouro, prata, chumbo, alumínio, estanho, zinco e bismuto, o titânio não é um metal magnético e possui baixa capacidade de conduzir calor."


"Segundo, as radiações emitidas pelos celulares são fracas e possuem energia da ordem de grandeza do rádio e menor que a da luz visível. Terceiro, os telefones celulares emitem radiações não ionizantes, assim como as antenas de telefonia instaladas nos aparelhos móveis e nas torres, radares e transmissões de rádio e TV, luz elétrica, torres de transmissão e distribuição elétrica, fiação elétrica em construções e redes WiFi."


"Portanto, os implantes de titânio, ao receberem a incidência de radiações eletromagnéticas geradas por celulares, não sofrem qualquer alteração, muito menos aquecimento, o que exige a incidência de radiação de elevadíssima energia."




 


Ainda, o Prof. Carlos Nelson Elias também forneceu explicações mais detalhadas sobre esses fenômenos.


Entre os textos, alguns vídeos representativos dos aparelhos e fenômenos citados.


"Sempre existiram polêmicas quanto aos malefícios causados pela energia emitida pelo celular. Talvez, estas polêmicas estejam associadas à uma confusão em consideramos que todas as ondas eletromagnéticas, também denominadas radiações eletromagnéticas, são deletérias ao organismo."


" Primeiro, é importante entender que magnetismo, eletromagnetismo e ondas eletromagnéticas são fenômenos diferentes que causam diversos

efeitos nos materiais. O magnetismo é um fenômeno físico que está relacionado à atração e repulsão entre os materiais, principalmente em relação aos ímãs."




"Usamos o eletromagnetismo em nossas atividades cotidianas, desde o uso do rádio, TV, controle remoto, telefone fixo, internet sem fio, aos sofisticados exames de imagens nas clínicas. O eletromagnetismo envolve a combinação das cargas elétricas que em movimento geram um campo magnético. Todas as ondas eletromagnéticas são radiações."


"Possivelmente, a confusão está em considerarmos que

todas as radiações são deletérias ao organismo: somente as radiações de alta intensidade causam danos."


"Diariamente, somos bombardeados por ondas eletromagnéticas: como exemplos, temos as ondas de rádio (1 metro a 100 km), micro-ondas (1mm a 10 cm), infravermelho (0,7 e 50 micrometros), luz visível (400 e 700 nanômetros), luz ultravioleta, raios X e raios gama (0,01 nanômetros )."


"Quanto menor o comprimento, maior a energia transportada e maiores os danos que causados nos materiais e em especial aos seres vivos. A radiação gama é a que causa maiores danos; inclusive, são usadas na esterilização dos materiais médicos e odontológicos."





"As ondas emitidas pelo celular possuem comprimento entre as do rádio e dos micro-ondas, possuem menor energia que a luz visível e, são radiações não ionizantes. No cotidiano, os leigos consideram que todas as radiações são ondas eletromagnéticas que causam danos aos seres vivos. A radiação pode ser benéfica, como por exemplo na fisioterapia emprega-se FES (Functional Electrical Stimulation) para fortalecimento muscular e TENS (Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation) para aliviar dores musculares."





"Uma curiosidade: o corpo humano possui sistemas sensoriais que convertem as ondas eletromagnéticas em fenômenos que podemos perceber. Por exemplo, a luz visível na forma de impulsos é captada por sensores dos nossos olhos que, ao chegarem ao cérebro são transformados em cores dos objetos."


"Quanto ao comportamento magnético, os materiais podem ser ferromagnéticos e paramagnéticos. Os primeiros são fortemente atraídos pelos ímãs. Esta característica é associada à existência de dois polos diferentes no material. Estes polos são chamados de polo norte e sul."


"Os exemplos mais comuns dos materiais ferromagnéticos são o ferro, níquel, cobalto e suas ligas, os quais são utilizados quando se deseja obter campos magnéticos de altas intensidades. Por este motivo, ao se fazer exames de ressonância magnética (RM) um dos requisitos é o paciente não ter próteses destes metais devido ao risco de deslocamento ou até mesmo o arrancamento."





"Já os metais paramagnéticos não são atraídos por ímãs e ao serem impactados por ondas eletromagnéticas, seus elétrons geram uma corrente elétrica baixíssima formando na superfície uma camada protetora denominada efeito pericular. Este fenômeno evita a entrada das ondas eletromagnéticas."


"Assim, o titânio possui caraterísticas completamente diferentes da maioria dos metais, ele não é magnético e possui baixa capacidade de conduzir calor."


"Portanto, os implantes de titânio, ao receberem a incidência de radiações eletromagnéticas geradas por celulares, não sofrem qualquer alteração, muito menos aquecimento; isto exigiria a incidência de radiação de elevadíssima energia."


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