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  • Foto do escritor PAULO ROSSETTI

O prontuário do seu paciente direciona o futuro da profissão


O prontuário do seu paciente determina o futuro da profissão.
O prontuário do seu paciente determina o futuro da profissão.



Como são determinadas as políticas de saúde pública em Odontologia? A partir dos dados clínicos, melhor dizendo, dos registros dos nossos pacientes. Essa é a fonte de informações mais importante. É o registro vivo da condição de partida e das terapias odontológicas que nós fazemos.


O prontuário do seu paciente é algo que se torna um calhamaço contendo dados escritos à mão, mas também os exames complementares (de laboratório e de imagem). Por praticidade, esses registros podem ser digitalizados ou colocados diretamente no computador.


Imagine cuidar de um paciente por 20 anos. Agora, imagine cuidar de uma família inteira por 20 anos. A quantidade e a oportunidade de informação é tremenda e jamais poderá ser descartada.


Essas são as informações vitais que mais tarde geram os dados que precisamos para fazer um estudo clínico. O problema é que na maioria das vezes, quando um pesquisador tenta recupera-los, esses dados estão incompletos ou inexistentes.


O futuro das pesquisas clínicas sempre dependeu e dependerá da capacidade que nós temos em registrar e catalogar esses dados.


Os cálculos para verificar a efetividade das novas terapias surgem diretamente da clínica? Não, mas a clínica complementa o que se viu na bancada do laboratório. Por exemplo, um novo biomaterial que é testado in vitro, depois em cobaias e, quando passa de fase, é administrado em seres humanos. Assim, a coleta dos dados tem sua continuação garantida.


O que informações como idade, peso, e altura significam no seu dia a dia clínico? A Odontologia vive a Medicina Periodontal. Diversas doenças bucais possuem interação com doenças sistêmicas. A doença periodontal pode ser um reflexo do estado inflamatório crônico no organismo (obesidade, por exemplo). Como chegamos nessa afirmação? Através de estudos epidemiológicos, adivinhem, feitos a partir dos dados da minha ou da sua ficha clínica!


Numa conversa informal com profissionais da área médica, percebemos que nem mesmo eles confiam tanto nas médias históricas para determinar as curvas de crescimento e os índices de massa corporal. O estilo de vida agitado do século 21 e o uso visceral de redes sociais faz o cidadão esquecer de que tomar sol 10 minutos por dia e praticar exercícios é fundamental aos seus níveis de vitamina D, cognição e circulação.


Então, realmente, há uma percepção, que só vai se confirmar se esses novos dados sistêmicos forem compilados de forma contínua. Caso contrário, corre-se o risco de prescrever medicamentos que não funcionam simplesmente porque o "padrão atual", ou seja, as mudanças epigenéticas, foram tantas que toda a pesquisa básica precisará de uma renovação.


Voltando à Odontologia, como será que o Brasil está quando olhamos os dados mais recentes do IBGE sobre a nossa saúde bucal? Mais uma vez: de onde surgem esses dados? Da dedicação.


Qual tipo de estatística podem sair desses dados? A prevalência e incidência das doenças, das patologias. É matemática simples, de porcentagem, que eu e você podemos fazer, e que nos dão uma ideia clara do provável cenário: se o índice de doença periodontal aumentou ou se o índice de cárie diminuiu, seus reflexos deveriam ser aplicados em recursos necessários à melhora desses índices como um tudo na saúde pública.


Óbvio, podemos criar outras análises mais elaboradoras, continuando pelas mais simples (Odds Ratio, Risk Ratio) ou chegando até às mais elaboradoras, como as correlações, associações, e regressões lineares múltiplas: todas dependerão dos dados que estão na ficha clínica.


Outra situação interessante, e que nos ajuda muito, é a análise radiográfica dos níveis ósseos, tanto nos dentes quanto nos implantes dentários. Quando fazemos terapia periodontal ou periimplantar, e conforme a Nova Classificação das Doenças Periodontais, a variação na quantidade óssea ao longo do tempo altera essa classificação, e por conseguinte, o tipo de tratamento e os custos de manutenção. E desta vez, já existe uma solução para o diagnóstico clínico quando os pacientes não possuírem a radiografia inicial.


Então, sem registros bem preenchidos e atualizados, o dia a dia da clínica é um voo cego que nenhum profissional deseja fazer.


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