Comunicação científica: os seis pecados mortais que atrasam a sua vida


A comunicação científica é a etapa posterior à aceitação do seu trabalho. Além disso, essa fase assume formatos diferentes: artigo, capítulo de livro, painel, ou apresentação oral. Além de constarem no seu currículo, todas são importantes e uma forma de divulgar anos de investigações na sua linha de pesquisa.
Entretanto, é justamente na fase da divulgação científica que todos os envolvidos, por falta de conhecimento ou motivo de força maior, esquecem de continuar essa jornada: fazer a peregrinação com essa informação.
Entenda: as notificações que você recebe todos os dias são feitas por agências de publicidade que usam sistemas gerenciando milhares de informações todos os dias em programas de computador dedicados (e que custam uma boa soma financeira).
Por outro lado, você, como pesquisador(a), cientista, professor(a) ou instrutor(a), é o seu próprio “exército de um homem só”, sem tempo e sem todos os recursos comentados acima.
Sua contribuição científica merece o obscurantismo? Claro que não.
Então, afaste-se da ilusão de que tudo está imediatamente disponível e efetivamente comunicado nos meios digitais. Mãos na massa porque essa discussão vai além dos registros feitos no seu currículo Lattes.
Para evitar esses “pecados mortais”, confira as seis sugestões abaixo:
1. Escrevi um livro/capítulo de livro e o material sai apenas na versão impressa
Mídias impressas (revistas ou livros) constituem “produtos de cauda longa”, ou seja, vai levar um bom tempo (1-2 anos) para que sejam compradas.
Além disso, o que garante que o seu capítulo será o primeiro a ser lido? Os hábitos de leitura de mídia física são extremamente variados: alguns folheiam todas as páginas primeiro buscando por imagens relevantes, outros consultam o índice geral, e por fim muita gente vai ao índice remissivo de assuntos/autores.
Não existe um padrão universal.
Ainda, as editoras especializadas em ciência, além de fazerem parte de um nicho especializado e específico, possuem catálogos variados e não são capazes de dar conta de tudo mesmo prestando serviços profissionais.
A festa de lançamento do seu livro (se houver) é apenas uma gotinha de comunicação. Sem trabalho contínuo, seu livro se perderá nesse oceano ou será descoberto depois de muito tempo.
Nessas situações, primeiro, você precisa trabalhar o seu “kit de mídia” mínimo com três itens:
- capa do livro
- primeira página do seu capítulo
- link para compra/acesso ao livro que tem o seu capítulo
Esse “kit de mídia” fica disponível nas editoras ou você mesmo pode fazer usando recursos do seu celular e/ou a famosa função “Print Screen” no seu teclado. O recado aqui é “mexa-se para ser visto, não aguarde que outras pessoas tomem a providência por você.”
Nos casos em que há uma aula programada em congressos ou workshops, é fundamental ter pelo menos um ou dois slides onde essa mídia kit aparece ou existe um QRCode que pode ser fotografado para que a plateia tenha acesso ao endereço eletrônico onde o livro original se hospeda.
Além disso, é fundamental conferir se o seu livro (ou o capítulo que você escreveu) está em algum estande do congresso que você dará aula. Caso contrário, corrija a estratégia.
O último recurso é levar com você uma cópia (nem que seja o kit de mídia digital) para mostrar que você continua ativo nesse mundo.
2. Meu artigo/capítulo está exposto no formato online: é suficiente na comunicação científica?
Não. Embora as editoras coloquem a página com os metadados (incluindo os identificadores DOI), isto não significa que o seu trabalho será descoberto automaticamente, e tampouco que o texto completo está gratuito online, já que diversas editoras usam ferramentas de paywall (acesso pago via assinatura de um pacote ou por download individual).
3. As revistas enviam os alertas dos conteúdos por e-mails. É suficiente?
Não. Abrir a caixa de e-mail não é um hábito tão forte, nos dias de hoje, quanto usar as redes sociais. Apenas editores-científicos o fazem de rotina e por motivo de ofício.
Além disso, alguns formatos HTML dentro dos e-mails marketing não se autoajustam (responsividade) às telas dos celulares, e sempre existe o risco de o link vir quebrado (a famosa página de Erro 404 que não leva ao destino correto).
4. O link do meu artigo está nas redes sociais. É suficiente?
Não e também depende em qual delas. Já percebeu que os algoritmos distribuem conteúdo em função de acessos repetidos e você pode estar vendo mais do mesmo? Entretanto, se você tiver uma lista de transmissão, fica mais simples dar reforço usando o tradicional “copiar e colar o link” além da vantagem de saber quem visualizou e/ou abriu a sua mensagem.
Outro ponto de atenção são as palavras-chave: nem sempre as que mais aparecem nas redes sociais são as que comunicam o teor do seu trabalho científico.
Por exemplo, nas redes sociais, as pessoas buscam primeiro por "dentes do siso" do que pelos "terceiros molares".
5. Ligar para os pares científicos ou enviar o PDF do artigo publicado?
Opte pela segunda opção. É melhor enviar o PDF primeiro e dar reforço depois. O aviso corre o risco de se perder ao longo do dia, além do seu amigo(a) ter que descobrir onde está publicado o seu artigo. Claro, se o PDF não estiver disponível gratuitamente, o link é o seu recurso final.
Agora, não existe situação melhor do que ficar cara a cara (em qualquer tipo de sala de aula) e expor o seu trabalho científico, especialmente quando aluno(a)s tomam contato pela primeira vez com assuntos que podem mudar completamente a forma como tratamos nossos pacientes.
6. Esperar que a sua editora do coração faça todo o trabalho sozinha
Aqui reside um dos maiores causadores (inconscientes) de atritos. Isso não vai acontecer. Há diversos livros e revistas científicas a serem divulgadas o ano todo, e as editoras não possuem recursos financeiros infinitos.
Além disso, o seu artigo ou capítulo entra numa fila gigantesca. Mesmo que algumas editoras contratem "influencers especialistas nessas questões", ainda leva um bom tempo para que a leitura do seu capítulo seja feita e os comentários postados nas redes sociais.
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