Dia do Professor: cinco dicas para proteger o seu ganha-pão


Se você é do nosso time, sabe que tem uma missão de vida um tanto difícil: disseminar conhecimento, ensinar da melhor maneira possível.
E não importa se a sala tem 10 ou tem 100 pessoas. Nunca foi sobre isso.
A gente nasce com essa missão. Não tente entender.
Difícil é explicar para muita gente que vemos a sala de aula como segundo escritório. Nesse santuário, chegamos uns 30 minutos antes para vistoriar o quadro de anotações, mudar a posição dos móveis, a luz da minuteria, a potência e o foco do retroprojetor.
E ainda tentaremos prever situações diversas: toda classe tem as suas, quer sejam pelo trânsito ou temperatura.
Entretanto, esse também é o nosso ganha-pão. Afinal, ninguém dá aula por esporte. O seu tempo é valioso e é justo ter a recompensa financeira.
Voltando ao processo de ministrar aulas: um bom slide é fruto de anos de reflexão. Por trás daquela imagem existem horas e horas de meditação, reflexões, e ajustes na evolução da linha de raciocínio.
Mas quais são os perrengues pelos quais passamos?
Nesse dia do Professor, cinco situações comuns e como lidar com elas.
Pegue um café, relaxe, e dê umas boas risadas.
Número 1: “Professor, me passa a sua aula?”
Confesso que raras foram as vezes, mas pode acontecer. Como assim você quer a minha aula? Por acaso vós, que sois mais jovem e com muito mais tempo, não conseguis fazer algo parecido ou melhor?
Tradução: Ora bolas, nesse rolê, sou eu quem mastiga, mas quem engole é você, meu chapa?
Sim, também ouviremos aquela famosa frase: “Professor, eu faltei na sua aula passada. Poderia passá-la para mim?”
A resposta mais irônica: “Meu jovem, não se preocupe. Tome aqui uma carrada de artigos. Usei todos eles para montar a minha aula. Seja feliz”.
A saída mais elegante: “Meu jovem, você não tem uma memória, flashdrive, pendrive ou qualquer tipo de “chupa-cabra”? Vou lhe passar minha aula. Mas como eu sei que é só para você estudar, está tudo em branco e preto, ok?”
Por que funciona? Segundo a ciência, a sensação de ganhar algo aumentará os níveis de dopamina. E haja neurotransmissor para dar conta dessas figurinhas.
Dica para jamais se preocupar: agregue seus artigos dentro de um QRCode e peça à plateia que o fotografe.
Número 2: “Professor, posso fotografar o seu slide?”
Você mal adentra a sala de aula e a turma está a postos. Parece uma grande cobertura de imprensa, com laptop e celulares no tripé.
E o que será que vão fazer com esses filmes? A “broderagem” do compartilhamento vai correr solta e você não verá um tostão sequer a mais no seu bolso! Será que todos os seus alunos e alunas vão postar no Pinterest?
A resposta ética: avise que não podem filmar e nem fotografar; nas suas imagens, coloque aquela marca d´água de fundo, e jamais esqueça de abrir os braços (usem a técnica de alongamento do filme Titanic) bem no meio daquele slide que faz inveja até ao mais esperto desses pentelhos.
A saída elegante: “Colegas, prestem atenção que eu direi quando é bom fotografar porque nesse slide (reforce com uma cara séria) realmente precisa”.
Por que funciona? Coloca a classe para pensar com você.
Dica para jamais se preocupar: renove periodicamente os seus slides.
Número 3: “Professor, eu fiz isso aí a vida inteira e não funciona.”
Ah, sim. Palpiteiros e palpiteiras que possuem cinco minutos de prática clínica. Diferente do padrão geográfico adotado no século passado (o popular “fundão”), agora espalham-se pelos quatro cantos da sala.
Assim, mesclam-se melhor aos bem-intencionados e emitem essas opiniões surreais, de dar inveja a uma criança de 5 anos de idade.
A resposta lógica: “Veja, mas qual ou quais artigo(s) que você já leu para ter essa conduta na sua prática?”
Por que funciona? Evita o confronto direto e põe o(s) safadinho(s) para pensar. Com 99% de chances, jamais leram algo decente ou passaram da página dois. Assim, o desarme mental está garantido.
A saída elegante: aproveite também para “alugar um triplex” na cabeça dessas coisinhas lindas: apoie-se na literatura, comece pelo histórico, liste as características, as vantagens e jamais se esqueça das desvantagens do assunto em questão, usando também suas imagens clínicas como modelo à prova de falhas. Pare somente quando perceber que a chance de acionar o resgaste (SAMU) for iminente.
Dica para jamais se preocupar: tenha os fatos na palma da mão.
Número 4: “Professor, empresta o seu livro que eu vou tirar cópia”
Finalmente, algo lisonjeador! Mas essa sensação passa depois de trinta segundos quando lembramos que uma empresa, com pelo menos uns 10 funcionários dedicados, já leu, diagramou e imprimiu a obra da sua vida, sendo pagos todos os encargos trabalhistas pela editora do seu coração.
E não se esqueça: na era da comunicação digital, você ainda receberá uma proposta mais tentadora: “Professor, passa aí o PDF do seu livro pra mim?”
A resposta elegante: “Meu jovem, sorry. Fale direto com a livraria ou compre no site, certo? Nem eu tenho aqui a minha cópia física ou digital (verdade mesmo).”
Por que funciona? Mesmo que a primeira reação seja não comprar, a pessoa vai procurar o livro na biblioteca. Que lugar seria melhor para deixá-la entretida?
Dica para jamais se preocupar: deixe que o vendedor de livros saiba a sua agenda de cursos. Assim, o seu material estará sempre disponível ou o estudante vai direto na fonte.
Número 5: “Professor, olha, tenho aqui a radiografia, o modelo de gesso, a fotografia...”
Não é preciso nem muita experiência para saber como isso termina, né? Mas tem aluno que acha que, depois da aula, você ainda está disponível para resolver todos os casos do consultório particular dele.
Se não for presencialmente, chegará pelo dispositivo de mensagens no melhor estilo “e agora, que faço com isso”. E se você der trela o suficiente, ganhará aquele serviço de “streaming perpétuo” que nunca pediu.
Particularmente, não vejo problemas em comportamento esporádico. Entretanto, conheço bem o barulho das famosas "sacolinhas".
A resposta elegante: “Meu jovem, que caso complexo. Bem, vou deixar aqui uma lista de coisas que você precisa fazer. Anote tudo. Melhor, fotografe o que acabei de escrever aqui no quadro de vidro”.
A saída produtiva: “Que bom! Deixe-me projetar tudo aqui e assim a classe toda aproveita para aprender junto.”
Por que funciona? A maioria quer confirmação de viés ou atenção porque no dia a dia ou na mesma clínica não tem com quem conversar sobre o assunto. Quando a classe percebe que pode aprender coletivamente, a sensação de pertencer a um grupo seleto também melhora.
Bem, nunca ninguém disse que essa seria uma missão fácil.
E eu continuo gostando dos meus alunos!
Quero se estejam cada vez mais motivados!
Feliz dia dos Professores!
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