Endocrown em dentes anteriores: os pinos estão com seus dias contados?
- Paulo Henrique Orlato Rossetti

- 8 de dez. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: há 12 horas

Quem nunca, no consultório, já fez endocrown (sem saber) e não contou para ninguém? Levantem as mãos, por favor.
Cinco da tarde de uma sexta-feira: aquela coroa provisória com pino provisório curto (o famoso "pinico"), o canal ainda em tratamento endodôntico, uma perda ampla de dentina interna, e você aí se perguntando: será que o meu sistema adesivo não daria conta do recado?
De tanto pensar em voz alta, alguém captou a sua ideia e a transformou numa "endocrown".
Muito prazer! Sou uma endocrown!
Ou seja, nada mais do que o aproveitamento do volume da câmara pulpar após a terapia endodôntica. E não só da câmara pulpar, mas também da porção interna extra coronária acima da gengiva, as paredes que correspondem à dentina.
Em adesão na Odontologia, sabemos que o tamanho da área conseguida aumenta consideravelmente os valores de resistência mecânica. É pura física: se a pressão exercida é a força dividida pela área, quanto maior a área obtida, menor a força, menor a pressão.
Então porque não trabalhar essas porções internas e lambreca-las com uma bela quantidade de cimento adesivo?
Quem sabe não aposentemos de vez o nosso pino intracanal?
Naqueles tempos de pinos metálicos, já havia uma garotada (subestimada) proclamando os benefícios da adesão. Clique aqui para não perder o bonde da história...
Endocrown em dentes anteriores: funciona ou não?
O trabalho mais recente é uma meta-análise com alguns estudos laboratoriais, e obviamente devem ser interpretados com cautela.
Entretanto:
as endocrowns feitas em resina composta mostraram maior valor de carga de fratura e número menor de falhas catastróficas em relação às restaurações tradicionais.
a combinação de um pino de fibra de vidro com uma endocrown de resina composta também gerou bom comportamento mecânico
a distribuição do estresse parece mais homogênea no grupo das endocrowns
Assim, o desempenho mecânico de uma endocrown pode ser similar ou muitas vezes superior.
Também, vale ressaltar que a extensão vertical aproveitada da câmara pulpar nesses estudos variou entre 3 e 10mm, um fato comum no dia a dia da clínica.
Mais uma vez, não é a palavra definitiva sobre o assunto, como alertam seus autores, já que existem outros parâmetros clínicos ainda não analisados.




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