Fraturas na zircônia monolítica: o cerco se fecha?


A saga das fraturas na zircônia monolítica sobre implantes continua.
No estudo mais recente, pesquisadores sugerem que realmente podem haver limites mínimos para a altura da prótese e o tamanho do cantiléver, tanto na maxila quanto na mandíbula.
Afinal, a "regra do 80-10" seria uma boa pedida?
Aproveite 3 minutos do seu tempo para tomar um café e ler o resumo abaixo. É importante já que ele pode salvar você de futuras dores de cabeça.
Qual era o propósito desse estudo?
Verificar a taxa de sobrevivência e as complicações em 140 próteses totais implantossuportadas feitas em zircônia monolítica.
Qual o tempo de acompanhamento da zircônia monolítica?
entre 1 e 8 anos (média de 3 anos)
levantamento retrospectivo
O que havia como amostra? Quais os materiais utilizados?
140 maxilares totalmente edêntulos
4 a 8 implantes em cada paciente
confecção através do fluxo digital
4 marcas de zircônia monolítica 3Y-TZP ou multicamadas
bases de titânio como pilares em alguns casos
micro recobrimento estético na região gengival
5 dentistas diferentes no processo
Quais eram os desfechos primários?
taxas de sucesso e sobrevivência
Quais eram os desfechos secundários?
área de superfície transversal (altura x largura)
altura (espaço protético)
Porque esses desfechos importavam?
Tentativa de relacionar as dimensões da zircônia monolítica com as taxas de sucesso e sobrevivência
Resultados
6 fraturas em 140 próteses totais monolíticas de zircônia
taxa de sobrevivência geral: 95.7%
taxa de falhas: 4,29%
3 fraturas na maxila, 3 fraturas na mandíbula
Na maxila, qual foi o comportamento biomecânico?
as próteses que não fraturaram tinham 80,5 mm2 de área transversal, ao passo que os casos de fratura ocorreram com 62,5 mm2 de área de secção
essa diferença foi estatisticamente significativa (p < 0,001)
o espaço protético (altura) nas próteses que não fraturaram era de 10,58 mm, diferente dos 9 mm nos casos de fraturas, e mais uma vez a diferença foi significativa (p = 0,018)
Na mandíbula, qual foi o comportamento biomecânico?
as próteses que não fraturaram tinham 79,4 mm2 de área, enquanto as com fratura chegavam aos 54 mm2, com a diferença sendo estatisticamente significativa (p < 0,001)
o espaço protético (altura) nas próteses que não fraturaram era de 11,89 mm, diferente dos 9,55 mm nos casos de fraturas, e mais uma vez a diferença foi significativa (p < 0,001).
Quais são as duas principais conclusões?
dentro das limitações desse estudo, a área de secção transversal na região dos conectores deve ter pelo menos 80 mm2, bem como a altura deve ficar acima dos 10 mm quando a prótese sobre zircônia monolítica for desenhada no computador (CAD/CAM) para garantir resistência contra fraturas
ainda, parece razoável deixar o comprimento do cantiléver, tanto na maxila quanto na mandíbula, em 10 mm
Além do estudo: porque isso impacta na sua prática clínica?
próteses feitas em zircônia monolítica não podem ser soldadas em caso de falha catastrófica, regressando os pacientes á fase de próteses totais provisórias sobre implantes
próteses totais feitas em zircônia monolítica não toleram bem distorções ou tensão no momento de serem aparafusadas
os custos associados às próteses totais sobre implantes dentários são maiores, especialmente quando a zircônia monolítica é preferida em relação à liga metálica revestida por resina acrílica e dentes artificiais
a prevenção das possíveis fraturas é real e se encontra na possibilidade de desenhar esse tipo de prótese no computador (CAD/CAM) junto do laboratório que fornece esses serviços
o protótipo em resina acrílica é obrigatório e deve ser usado antes da peça definitiva em zircônia ser instalada
os índices de verificação (posição dos implantes na boca x no modelo de gesso) também são obrigatórios quando falamos em próteses sobre implantes de natureza monolítica
Leia mais sobre zircônia monolítica nos links abaixo:




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