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Hidrogel fotoativável: fim das suturas?

  • Foto do escritor: Paulo Rossetti
    Paulo Rossetti
  • 4 de jun.
  • 2 min de leitura
Hidrogel fotoativável: fim das suturas?
Hidrogel fotoativavel: fim das suturas?

Uma biotinta que pode acabar definitivamente com o uso de suturas ou estamos sonhando muito alto? Sim, você já leu no blog que há hidrogeis para tratar estomatite aftosa: agora também podem ser fotoativáveis.


Nesse sentido, pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Beijing (China), acabam de criar um novo biomaterial misturando uma gelatina metacriloil (GelMA) com o polímero Diazirina-Gelatina (DG), que tem dupla função: resistência mecânica e união química.


Embora esses componentes sejam conhecidos, o toque final consiste em aplicar uma luz UV (365nm, 100mW/cm2 de potência) para consolidar essa mescla no local da ferida.


Diferente dos adesivos físicos que apenas "repousam" sobre a ferida, esse hidrogel fotoativável (DGM) cria uma ancoragem molecular. É uma fusão química entre o material sintético e a biologia do paciente, permitindo que o selante resista ao ambiente úmido do corpo humano, que costuma repelir as colas convencionais.


Resistência e selamento do hidrogel fotoativável


Os resultados iniciais mostram que o DGM é capaz de conter vazamentos em órgãos sob pressão, como vasos sanguíneos de grande calibre ou o próprio coração, sem o risco de desprendimento.


Além da pressão, ele suporta o movimento. Em tecidos dinâmicos, como a pele sobre articulações ou o tecido pulmonar, essa elasticidade é crucial para evitar a reabertura da ferida durante o processo de cura (cicatrização).


Mas as suturas convencionais pioram a resposta inflamatória?


Sim. Suturas mecânicas simples frequentemente exacerbam essa resposta, levando a uma deposição desordenada de colágeno e, consequentemente, gerando cicatrizes hipertróficas.


Entretanto, quando os fios de sutura recebem biotintas, os fenômenos de reparo ficam melhores.


Ao não usar o fio, depositando apenas essa nova biotinta de sinergia dual, usando a seringa seguida de fotoativação, temos a evolução do processo.


Cicatrização natural, sutura convencional e cola comercial frente ao DGM


Assim, na comparação com o grupo controle (cicatrização espontânea), material de sutura, e uma cola comercial, o estudo in vivo com o DGM revelou um perfil biológico distinto:


  • redução da inflamação: a aplicação é "suave" e não perfura o tecido saudável adjacente.

  • organização do colágeno: a análise histológica mostrou que o DGM promove uma deposição de fibras de colágeno mais alinhada, mimetizando a arquitetura original do tecido.

  • re-epitelização acelerada: ao fornecer um suporte estável e biocompatível, o hidrogel permite que as células epiteliais migrem com mais facilidade sobre a área lesionada.


O benefício adicional: liberar medicamentos de forma controlada


Devido à sua porosidade controlada e biocompatibilidade, ele pode ser carregado com fármacos específicos para otimizar a regeneração tecidual em pacientes idosos ou com dificuldades de cicatrização.


Ainda, tecnicamente, embora bactérias não tenham sido usadas nessa pesquisa, os investigadores afirmam que esse hidrogel pode formar uma barreira física capaz de limitar a penetração de componentes externos.


Em conclusão, é uma excelente estratégia na criação de futuros adesivos tissulares de alto desempenho.

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