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Implantes zigomáticos: como anda o estado da arte?

  • Foto do escritor: Paulo Rossetti
    Paulo Rossetti
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura
Três opções de tratamento na maxila atrófica: implantes zigomáticos, convencionais, aumento ósseo.
Três opções de tratamento na maxila atrófica: implantes zigomáticos, convencionais, aumento ósseo.

A revisão Cochrane mais recente sobre as intervenções para tratamento da maxila severamente atrófica traz uma grande surpresa: apenas 2 artigos randomizados controlados foram detectados.

 

O primeiro grupo desses artigos compara implantes zigomáticos x convencionais + aumento ósseo, enquanto o segundo grupo compara técnica de instrumentação com cirurgia piezoelétrica.

 

Ambos possuem 3 anos de acompanhamento. Pelas datas originais, já estaríamos nos aproximando de 9 anos.

 

Então, vamos olhar o que é mais acessível em nosso dia a dia na clínica, ou seja, o primeiro grupo.

 

Implantes zigomáticos, zigomáticos + convencionais, convencionais + aumento ósseo

 

Nesse estudo randomizado controlado, existem três grupos:


  • implantes zigomáticos: 2 em cada lado

  • implantes zigomáticos e convencionais: 2 em cada lado

  • apenas implantes convencionais: (6 a 8 implantes na maxila com aumento ósseo (biomateriais e membranas)

 

São 71 pacientes. Destes, 36 receberam aumento ósseo (levantamento bilateral da membrana + materiais substitutos em bloco onlay), aguardaram 6 meses para sua consolidação, e tiveram implantes convencionais em posição submersos por mais 4 meses.

 

Os outros 35 pacientes receberam implantes zigomáticos e convencionais em regime de carga imediata, desde que os implantes atingissem os 40Ncm de torque de travamento.


Um dado importante: quando as condições anatômicas permitiram, os implantes zigomáticos não foram inseridos através da crista alveolar dentro do seio maxilar, mas dentro ou sob o osso externo ao seio maxilar, envolvendo apenas a porção superior do seio.

 

Falhas nas próteses e nos implantes zigomáticos e convencionais, assim como as mudanças na qualidade de vida, também foram registradas.

 

Falhas e complicações: o que pode acontecer?

 

Após 3 anos de acompanhamento, temos:


  • desistências (8 pacientes no grupo com aumento, 3 no grupo zigomático)

  • uma falha no procedimento de aumento

  • próteses sem ajuste ou com falha: 8 no grupo de aumento, 2 no grupo zigomático

  • perdas de implantes no grupo com aumento: 42 fixações (9 pacientes)

  • perdas de implantes no grupo zigomático: 6 fixações (3 pacientes)

  • complicações no grupo de aumento: 30 complicações (16 pacientes)

  • complicações no grupo zigomático: 55 complicações (29 pacientes)

 

Algumas complicações no grupo de aumento com biomateriais


As complicações abaixo foram reportadas nos três centros de investigação e referem-se ao número de episódios relacionados ao seio maxilar e áreas associadas:


  • perfuração unilateral do epitélio do seio maxilar: 8

  • perfuração bilateral do epitélio do seio maxilar: 3

  • infecção unilateral da maxila: 1

  • fragmentação do bloco onlay: 1

  • migração do implante no espaço nasal: 1


Algumas complicações nos grupos zigomáticos


  • perfuração unilateral do epitélio do seio maxilar: 4

  • edema envolvendo o lábio inferior: 1

  • edema envolvendo o olho direito: 1

  • sinusite: 7

  • dores de cabeça: 2


Além disso, para que a lista acima não fique extensa, diversas complicações nos implantes zigomáticos e nos grupos de aumento também forçaram os pacientes ao retorno de suas próteses totais convencionais.

Todavia, essa frequência de retorno foi maior nos grupos com aumento.


A lição: mesmo que cirurgiões experientes tenham realizado essas técnicas, a complexidade anatômica nas maxilas severamente atróficas e suas interfaces com o seio maxilar continuam desafiadoras.


O balanço final: implantes zigomáticos ou aumento ósseo?

 

Por um lado, implantes zigomáticos com carga imediata estão associados com poucas falhas nas próteses, nos implantes, e no tempo necessário para ativação das próteses.

 

Por outro lado, mais complicações são relatadas com implantes zigomáticos, já que houve um aumento aparente nos casos de sinusite severa.

 

No curto prazo, implantes zigomáticos se mostraram a melhor estratégia de reabilitação na maxila severamente atrófica.


Ponto adicional: a quantidade de estudos RCT sobre o assunto é escassa. Além disso, os cirurgiões precisam estar preparados para resolver as falhas e as complicações.


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