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Migração do implante dentário: isso é possível?

Foto do escritor: Paulo Rossetti
Paulo Rossetti
há 18 horas
4 min de leitura
Migração do implante dentário: fora de posição e osseointegrado. Foto. I.A.
Migração do implante dentário: fora de posição e osseointegrado. Foto. I.A.

Não existe uma casuística robusta, mas surgem os primeiros relatos de migrações de implantes dentários e que não perderam a osseointegração.


Em termos simples, imagine uma tecla de piano que ficou presa para baixo e você não consegue mais aciona-la sem chamar o conserto. No piano acústico, o som continua. No piano digital, o som vai sumir.


Por analogia, a boca é o piano acústico; ou seja, a posição do implante, ou melhor, da coroa protética, pede correção.


Dentes x implantes: necessidade de controle eterno?

 

Nossos dentes migram, ou melhor, mudam de posição? Sim.

E por diversos motivos, especialmente nos casos de mobilidade aumentada, sobrecarga oclusal, doença periodontal ativa, perda óssea excessiva.


Basta uma radiografia e o diagnóstico está feito.

 

Além disso, o dente sai verticalmente de sua posição (extrusão)? Sim. Especialmente quando está ao lado de um implante dentário. Não porque “brigaram”, mas porque a extrusão dentária é fisiológica e contínua.


A presença do implante ao lado do dente natural só ressalta esse fenômeno, algo que a gente jamais perceberia. A abertura do ponto de contato também é um fato registrado ao longo dos anos.

 

E o implante dentário? Será que pode migrar?

Parece absurdo, mas estamos chegando à constatação: a resposta por enquanto é  um belo sim, e por motivos diferentes.

 

Mais atenção: não estamos falando de migração para o seio maxilar, espaço pterigoide, espaço submandibular ou outras regiões anatômicas distintas já descritas na literatura.

 

Como um implante dentário pode migrar sem perder a osseointegração? Existiria aposição/reabsorção óssea ao redor de implante dentário similar ao que acontece num dente natural, sob força não fisiológica constante?

 

Abaixo, os relatos mais recentes. E por serem casos clínicos isolados, não têm relação de causa e efeito, mas são de grande interesse clínico.

 

Migração espontânea significativa em osso de baixa densidade:  8 anos de acompanhamento


 

No primeiro relato, uma mulher de 53 anos de idade recebe um implante após a elevação do seio maxilar com enxertia de osso particulado, sendo estabilizado com 35Ncm de torque e ISQ 63.


Após a comparação dos registros digitais (4 meses, 8 meses, 8 anos), o implante havia mudado 12 graus nos primeiros 4 meses e um pilar protético de 15 graus foi usado para corrigir a posição da prótese.


A suposição é de que o implante, já em osso de baixa densidade, migrou antes da maturação do enxerto, mas não impediu uma osseointegração bem-sucedida. O valor ISQ final ficou em 68.

 

Deslocamento do implante dentário osseointegrado na região estética vestibular e sem mobilidade: um relato clínico


 

No segundo relato, um homem de 62 anos de idade recebe três implantes na região anterior da maxila com travamento final (torque) de 35Ncm em paralelo à regeneração óssea guiada.  


Com o passar dos anos, o implante na posição 21 fica levemente vestibularizado, mas sua coroa protética ainda se encontrava em posição. Treze anos depois, o implante "havia se mudado" um pouco mais para vestibular; entretanto, sem perder sua osseointegração.

 

Como detectar a migração do implante dentário na clínica?

 

Tomografia computadorizada de feixe cônico

O primeiro exame, e hoje muito comum, é a tomografia computadorizada de feixe cônico.


A comparação das imagens (cortes transversais) feitas em tempos diferentes podem indicar que os implantes estão “migrando”.


O acesso/custo desse exame, o FOV (field of view, campo de visão), bem como a quantidade de radiação nos dias de hoje têm um controle melhor.


Então, seus pacientes não terão tanta dificuldade em passar por essa etapa.

 

Sobreposição de arquivos digitalizados

O segundo exame é menos comum porque exige que você quebre a sua rotina e tenha um escâner a sua disposição, ou simplesmente peça socorro ao seu laboratório de prótese.


Todavia, é tão importante quanto o primeiro: consiste na sobreposição dos arquivos digitais dos modelos de gesso.

 

  • procure o modelo de gesso que contém os análogos dos implantes dentários

  • faça você mesmo o escaneamento (ou peça ao laboratório)

  • desmonte a prótese sobre implantes, realize a transferência dos implantes, crie um segundo modelo com análogos, faça um novo escaneamento

  • ao final, sobreponha os arquivos pelos implantes que parecem mais estáveis, e compare a posição original com a nova posição do implante dentário suspeito de migração

 

O controle oclusal é uma excelente opção?

Por fim, precisamos usar as fitas (papel de articulação), especialmente quando nossos pacientes possuem dentes e implantes na mesma arcada ou na arcada antagonista.


  • as capacidades de intrusão, tanto do dente quanto do implante, sob a força de compressão, são diferentes: os dentes intruem mais e melhor, enquanto os implantes intruem muito menos e pior

  • o objetivo é proteger as coroas (e os implantes) da sobrecarga

  • coloque o papel de articulação e peça ao seu paciente para fazer um fechamento leve

  • as marcas devem aparecem sobre as coroas (superfícies oclusais) dos dentes, mas não sobre as coroas sobre implantes

  • agora, peça ao seu paciente para apertar firme: as marcas devem aparecem sobre as coroas dos implantes

  • repita o teste com uma fita de celofane: sob contato leve, a fita deve passar facilmente sobre a coroa implantossuportada.

  • com o celofane em posição, peça novamente ao seu paciente para apertar; agora, a fita deve ficar presa


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