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Nervo nasopalatino: o que diz a Implantodontia?

Foto do escritor: Paulo Rossetti
Paulo Rossetti
15 de jul.
3 min de leitura
O nervo nasopalatino: é tudo uma questão de sensibilidade?
O nervo nasopalatino: é tudo uma questão de sensibilidade?

Na clínica da Implantodontia, uma das maiores preocupações ouvidas nos corredores é: "E se eu mexer no canal do nervo nasopalatino (CNP) e o paciente ficar com dormência permanente?"


O estudo mais recente revisou 29 artigos clínicos envolvendo a manipulação do canal nasopalatino durante a instalação de implantes dentários na região anterior da maxila.


Ali, duas técnicas principais aparecem:

  • a obliteração (remoção do feixe neurovascular)

  • o reposicionamento (deslocamento preservando esse feixe).


E é aqui que os números estão diferentes.


Antes de tudo: como é o canal do nervo nasopalatino?


O nervo nasopalatino é um dos ramos terminais do nervo maxilar, a segunda divisão (V2) do nervo trigêmeo, nosso grande amigo de todas as horas.


Ele faz a inervação sensitiva na região anterior do palato, entre os dentes caninos superiores, emergindo justamente no canal de mesmo nome, bem atrás da papila incisiva.


Até o momento, há quatro formações básicas desse canal quando usamos os cortes sagitais de tomografias computadorizadas de feixe cônico (TCFCs) para classificação:


  • cilíndrico: paredes vestibular e palatina são paralelas

  • funil: quando o canal se abre da parte nasal para a parte bucal

  • ampulheta: quando sua porção média é mais estreita do que seus extremos nasal e bucal

  • fusiforme: quando sua porção média é mais ampla do que as extremidades


Técnica 1: Obliteração do canal do nervo nasopalatino


Na obliteração do CNP, a incidência de distúrbios neurossensoriais foi de apenas 9,6% (8 em 83 pacientes). E todos os casos foram temporários — resolução completa em até 6 semanas.


Isso significa que 90% dos pacientes não relatam qualquer alteração de sensibilidade. E os poucos que relatam, se recuperam totalmente.


Técnica 2: Reposicionamento do nervo nasopalatino


No reposicionamento do feixe neurovascular, o cenário é paradoxal. A taxa de distúrbios neurossensoriais sobe para 34,6% (9 em 26 pacientes).


Ainda, os únicos casos de alteração persistente da sensibilidade palatina vieram desse grupo. Isso parece contradizer a lógica — afinal, reposicionar teoricamente preserva o nervo.


Entretanto, a tração e manipulação necessárias para mobilizar o feixe podem gerar mais dano do que a secção cirúrgica controlada.


O que explica essas diferenças?


A explicação dos autores faz sentido: após a obliteração, a inervação colateral do nervo palatino maior compensa a perda sensorial.


Já no reposicionamento, o estiramento do feixe pode lesar axônios de forma menos previsível.


Outro dado que chama atenção: nenhum estudo relatou dor neuropática crônica ou neuralgia relacionada.

Além disso, quando questionados, os pacientes toleravam bem as alterações, mesmo as persistentes — justamente pela sobreposição de inervação palatina.


Os limites do conhecimento: amostras e avaliações


Mas nem tudo são números positivos. 


A própria revisão reconhece limitações importantes: amostras pequenas, técnicas heterogêneas, avaliação sensorial inconsistente e viés de publicação.


Ainda, a certeza da evidência, pela classificação GRADE, é muito baixa. Ou seja: os dados são animadores, mas ainda precisamos de mais estudos robustos, especialmente os de natureza prospectiva.


O que se leva para a prática?


A obliteração do CNP mostra baixa incidência de distúrbios neurossensoriais, quase sempre temporários.


O reposicionamento, embora conceitualmente atraente, exige maior cautela na comunicação com o paciente. Se essa fora a opção, precisamos explicar claramente que a taxa de alteração sensorial é maior e que há risco de persistência.


A boa notícia: nenhum caso de dor neuropática crônica foi reportado.



Como posso fazer essa avaliação neurossensorial do nervo nasopalatino de forma simples?


  • usando uma agulha de ponta romba, toque a superfície da mucosa bucal correspondente à cada dente anterior superior

  • em seguida, classifique a resposta do paciente: 1) hipersensibilidade, 2) hiposensibilidade, 3) anestesia, 4) normal



Para fechar: como ficou a taxa de sobrevivência dos implantes dentários em função da técnica cirúrgica?


  • 95,6% na obliteração (88 dos 92 implantes)

  • 100% no reposicionamento (57 dos 57 implantes)


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Renato Savi
17 de jul.
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Sempre relevante nas abordagens.

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