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O mundo digital e a corrida contra o erro na prótese dentária

  • Foto do escritor: Paulo Rossetti
    Paulo Rossetti
  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Erros digitais na prótese dentária: onde começam e como terminam?
Erros digitais na prótese dentária: onde começam e como terminam?

 

Errar primeiro e errar rápido é uma das máximas de qualquer empresa bem-sucedida (aqui, é na sua clínica odontológica).

Claro, quem assume mais riscos financeiros erra primeiro, conserta primeiro, e se autocorrige primeiro.

No final do dia, a prótese dentária é uma corrida contra os erros e um desafio à percepção humana, justamente porque o erro está onde a gente não enxerga e isso afeta a maneira como o nosso cérebro entende (e mais tarde aceita) os fatos.

 

O mundo analógico: moldeiras, material de moldagem, modelos de gesso

 

O que tem de tão ingênuo em fazer uma moldagem? Afinal, será só um par de modelos de gesso na bancada. Não. Caso a sua moldeira não seja rígida o suficiente (metal ou polímero), e o seu o material de moldagem não esteja na consistência/volume adequados, introduzimos um erro no processo.

 

Em seguida, de posse de um molde com alguns erros inerentes, verte-se um gesso comum ou pedra (sim, não são melhores que os gessos tipo IV ou V), e assim aumentamos a primeira cadeia de erros.

 

Daí, o que vem pela frente (enceramento, infraestrutura, porcelana) é uma verdadeira saga para minimizar os erros que nós criamos, até que fiquem perto dos 5-10% e interfiram muito pouco com o assentamento final da prótese.

 

Também, para reduzir os danos, ao longo de todo o processo, contamos muito com a habilidade manual e alguns dispositivos de laboratório (lupas e microscópios).

 

O mundo analógico: implantes dentários e transferentes de moldagem

 

Passamos boa parte do século 20 e da primeira metade do século 21 tentando entender quais transferentes (quadrados ou cônicos) eram os melhores para reduzir as distorções nos modelos.

 

O raciocínio era simples: se a cabeça do implante é pré-fabricada, basta conectar um parafuso e capturar a sua posição com um material de moldagem.

 

Em paraleo, bastaria unir os transferentes no caso de uma prótese total, obter o modelo de trabalho, uni-los novamente no modelo de gesso, e voltar com esse conjunto para dentro da boca e ver se o processo como um todo funcionou.

 

O mundo digital: finalmente eliminando o erro na prótese dentária?

 

Então vamos eliminar todos esses materiais e partir para uma câmera de escaneamento intraoral.

Todavia, os pacientes são os mesmos, com ou sem dentes ou implantes. Em algumas situações, os implantes também não se encontram nas melhores posições de acesso.

Ainda, o transferente agora é um scanbody (corpo de escaneamento clicado ou parafusado), e os modelos gerados apenas na tela dos computadores (virtuais).

 

A pergunta que fica: será que vencemos de vez essa corrida contra os erros?

 

Modelo bola de neve: o erro na prótese dentária começa e se perpetua assim

 

 A bola de neve no topo da montanha não faz mal a quase ninguém. Mas a deixe rolar e ganhar peso. Bem, será um bom negócio encontrá-la no final dessa corrida ladeira abaixo? Não.

 

A fabricação da prótese dentária ou sobre implantes é como se fosse uma bola de neve em movimento. Entretanto, podemos fazer com que ela chegue pequena no final da sua trajetória. Para isso, precisamos parar de olhar isoladamente e começar a ver o conjunto dos processos.

 

Os erros podem ser identificados por fases: cinco fatores influentes

 

A corrida para vencer os erros foi examinada recentemente numa revisão de literatura e cinco áreas na cadeia digital foram identificadas:

 

  • planejamento: registro da imagem (alinhamento TCFC/escaneamento); qualidade da TCFC; tamanho do FOV; presença/ausência de marcas fiduciárias; estabilidade/desenho do guia cirúrgico; cirurgia dinâmica/robótica

  • aquisição: sobreposição das capturas no escaneamento; morfologia das arcadas; geometria do implante; estratégia de escaneamento

  • processamento: integração dos dados, algoritmos CAD, bibliotecas

  • produção: fresagem, impressão 3D, verificação da adaptação

  • acompanhamento: complicações biológicas e mecânicas

 

 

A saída - Fase I - Investindo em prevenção nas etapas iniciais

 

  • fazer o controle antecipado: prevenir o erro na origem, padronizando a digitalização (recomendações do fabricante, controle da umidade, iluminação) bem como a geometria dos scanbodies logo no início do fluxo. Quando essas informações passam, o erro se amplifica.

 

A saída – Fase II - Pratique a interceptação

 

  • fazer checagens concretas: em vez de confiar cegamente na precisão anunciada dos equipamentos (scanners, softwares, fresadoras), o clínico estabelece checagens concretas onde o erro acumulado é detectado e corrigido antes de avançar para a próxima etapa.


Por exemplo, sistemas de fotogrametria e esplintagem cumprem bem essa tarefa. Ainda, é interessante fresar uma estrutura piloto e provar fisicamente no paciente antes do material definitivo.


Por fim, escaneamentos subsequentes da mesma prótese ao longo dos anos podem mostrar a taxa de desgaste e fadiga nos materiais.

 

A checagem só ocorre no final: abandone essa prática


A prevenção ataca a causa (menos erro nasce), enquanto a interceptação ataca a consequência (o erro que nasceu não chega ao final).

 

Adotar as interceptações significa mudar a mentalidade de "confiar na tecnologia" para "verificar o resultado". É uma postura proativa, em que o clínico assume o controle do processo em vez de delegá-lo ao equipamento.


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