Semaglutida e saúde bucal: seus dentes em risco?
- Paulo Rossetti

- há 4 horas
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A semaglutida é o medicamento injetável em forma da caneta.
Ao atrair a atenção da mídia internacional, essa "tinta" se tornou mais popular do que as suas "irmãs" que assinam os documentos governamentais.
Motivo: sua molécula está presente em medicamentos como o Ozempic e o Wegovy. Ela é uma das terapias mais prescritas para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.
Sim, também há estudos sobre o uso da semaglutida e seus efeitos no mal de Parkinson e Alzheimer.
Obviamente, a sua eficácia está no controle glicêmico e na perda de peso. No entanto, o preço a ser pago vem na forma de uma série de efeitos colaterais que vão além da perda de peso.
Especialmente os que afetam a saúde bucal.
O controle do açúcar no sangue: insulina e glucagon
Insulina
Quando comemos, o corpo quebra os carboidratos em glicose, e o nível de açúcar no sangue sobe.
O pâncreas percebe esse aumento e libera a insulina, o açúcar sai do sangue e entra nas células para virar energia ou ser guardado como estoque.
Com isso, o nível de açúcar no sangue volta ao normal.
Glucagon
Algumas horas depois de comer, o nível de açúcar no sangue começa a cair porque as células já consumiram o que estava disponível.
O pâncreas percebe a queda e lança o glucagon, que vai até o fígado para liberar esse "estoque de emergência de açúcar" de volta na corrente sanguínea.
Isso garante que seu cérebro e corpo continuem funcionando até a próxima refeição.
O que é a Semaglutida e como ela afeta o corpo?
A Semaglutida (GLP-1) um hormônio natural produzido no intestino que regula a liberação de insulina, reduz a produção de glucagon e retarda o esvaziamento gástrico.
Esses efeitos combinados ajudam a controlar os níveis de glicose no sangue e a reduzir o apetite, contribuindo para a perda de peso.
Todavia, o esvaziamento gástrico retardado pode ter implicações importantes em outros sistemas do corpo, especialmente no que diz respeito aos procedimentos cirúrgicos e à saúde bucal.
É justamente nessa interseção que os dentistas devem estar alertas.
Manifestações Orais Associadas à Semaglutida
Esclarecendo: a semaglutida não causa mal direto à sua dentição, mesmo que o termo "dentes de Ozempic" seja vinculado nas redes sociais.
Segundo a revisão mais recente, os efeitos da Semaglutida na cavidade oral são diversos. Claro, em algum momento, os dentes darão esses sinais.
E entre os principais sintomas relatados estão:
1. Xerostomia (Boca Seca)
A boca seca é um dos efeitos colaterais mais comuns da Semaglutida. A saliva é essencial para a limpeza natural da cavidade oral e para a proteção contra cáries e infecções. A redução da produção salivar pode levar ao aumento do risco de cáries, gengivite e infecções fúngicas.
2. Halitose ("Hálito de Ozempic")
Vários pacientes relatam aumento da halitose (mau hálito) durante o uso da Semaglutida. Isso pode estar associado à alteração da microbiota oral e à desidratação da cavidade bucal. O termo "Hálito de Ozempic" tem se tornado comum na literatura clínica.
3. Alteração do Paladar
Alguns pacientes relatam sensações de gosto metálico, amargo ou alterações no paladar. Embora não sejam comuns, esses sintomas podem impactar a alimentação e a qualidade de vida.
4. Erosão do Esmalte por Refluxo Gástrico
O esvaziamento gástrico retardado pode aumentar a incidência de refluxo gastroesofágico (RGE). O ácido gástrico que sobe até a cavidade oral pode causar erosão dentária, especialmente em pacientes que não mantêm uma higiene bucal adequada.
Riscos em Procedimentos Cirúrgicos
Profissionais de odontologia devem estar cientes de que o uso de Semaglutida pode aumentar o risco de aspiração pulmonar durante procedimentos que envolvem sedação ou anestesia geral.
Isso ocorre devido ao esvaziamento gástrico mais lento, que pode levar à acumulação de conteúdo gástrico no estômago.
Ficha de Anamnese: seu paciente usa semaglutida?
É fundamental que os pacientes informem ao seu dentista que estão usando Semaglutida, especialmente antes de qualquer procedimento invasivo.
Isso permite que o profissional converse com o(a) médico(a) para avaliar os riscos e adotar medidas preventivas conjuntas, como:
● ajuste do horário da medicação em relação ao procedimento.
● uso de técnicas de sedação mais seguras.
● monitoramento mais rigoroso durante a intervenção.
Condutas e estratégias bucais frente à semaglutida
Profissionais de saúde e pacientes podem adotar algumas estratégias práticas:
1. Uso de Xilitol
O xilitol estimula a produção de saliva e a reduzir a acidez oral. Recomenda-se o uso de chicletes ou enxaguatório bucal com xilitol para pacientes com xerostomia.
2. Hidratação Adequada
Recomenda-se beber água ao longo do dia e evitar bebidas alcoólicas e cafeinadas, que podem agravar a desidratação.
3. Protocolo STOP-GAP para Cirurgias
Para procedimentos cirúrgicos, o protocolo STOP-GAP (Stop, Test, Observe, Prepare, Go, Avoid, Protect) pode ser adaptado para pacientes em uso de Semaglutida.
● Stop: Suspensão temporária da medicação, conforme orientação médica.
● Test: Avaliação do esvaziamento gástrico.
● Observe: Monitoramento de sintomas gastrointestinais.
● Prepare: Adaptação do plano cirúrgico.
● Go: Realização do procedimento com medidas de segurança.
● Avoid: Evitar procedimentos em jejum inadequado.
● Protect: Proteger o trato respiratório durante a intervenção.




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