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Doze passos para dominar seu articulador semiajustável

  • Foto do escritor: Paulo Henrique Orlato Rossetti
    Paulo Henrique Orlato Rossetti
  • 19 de jan.
  • 4 min de leitura

 

Modelos de gesso montados no articulador semiajustável.
Modelos de gesso montados no articulador semiajustável.

Se você acabou de concluir o seu curso, já sabe o quanto esse dispositivo é importante nos seus trabalhos de prótese dentária. Não dá para viver sem. Mas é preciso ter domínio básico desse aparelho caso contrário podemos tirar conclusões apressadas.


Como tudo o que se fala sobre oclusão requer cuidado, aprender a controlar o seu articulador semiajustável será um passo importante e diário na sua jornada clínica.


Um dispositivo mecânico fantástico


Articuladores sem ajustáveis são dispositivos criados para relacionar os modelos maxilares e mandibulares de gesso. Isto dá uma ideia da quantidade e da intensidade dos contatos prematuros, interferências, e das relações oclusais, entre outros fatores.

 

O olho humano não é capaz de “enxergar” as relações oclusais tridimensionais automaticamente na boca, sejam estáticas ou dinâmicas em ambos os lados simultaneamente.

 

Então, fica melhor transporta-las para um dispositivo auxiliar e trabalhar com mais calma. Daí o papel seminal do articulador.

 

Na prática, o articulador resolve aquelas situações famosas de “tem ou não tem espaço para fazer a prótese”, além de funcionar como elemento de comunicação entre você e o seu laboratório, especialmente quando entramos naquela acalorada discussão do "vou não vou alterar a dimensão vertical de oclusão".

 

Seus pacientes também irão curtir o visual do seu belo enceramento diagnóstico feito com todo carinho: será como abrir a porta de um carro novo e sentir o cheirinho do estofado.

Lembrete final: o articulador semiajustável só faz o que você manda. Se a programação estiver errada...

 

Passo 1: revise todas as peças antes de começar

 

Como não é “plug and play”, use o manual de instruções para aprender os termos técnicos e conferir se o que você comprou veio corretamente.

Passe uma fita com seu nome no articulador e no arco facial porque são as peças mais fáceis de serem trocadas em consultório ou no laboratório.

  

Passo 2: bolachas – um par é pouco, dois é bom, três é excelente!

 

Se você puder, compre mais bolachas e use as magnéticas, especialmente no começo quando parece que o seu articulador deve resolver todas as montagens.

  

Passo 3: só o articulador não basta – use o seu arco facial

 

Para transportar as relações oclusais ao articulador, precisamos fazer alguns registros em boca.

 

O primeiro é do arco facial que vai transportar a posição espacial (tridimensional) da arcada maxilar.

 

Motivos:

- no seu desenvolvimento, uma das metades da arcada maxilar pode crescer (descer) mais do que a outra

- os dentes nem sempre estão com suas cúspides completamente alinhadas em forma de curvatura (de Spee).

 

Há diversos modelos de arcos faciais. Uma regra simples é usar aquele que vem na compra do seu sistema preferido. A outra é dar manutenção nos parafusos e nas partes plásticas, especialmente as olivas que ficarão dentro dos condutos auditivos por alguns segundos durante o uso do arco facial.

 

Passo 4: só o articulador não basta – use um registro de mordida

 

O segundo é um registro de mordida. Esse registro é o botão “pausar” do seu controle remoto, onde você consegue ver exatamente o que está acontecendo no momento em que seu paciente encosta os dentes. Caso contrário, começa o processo de adivinhação (perder tempo) para encontrar “qual dente está conversando com qual dente”.

 

Pode ser feito com uma placa de cera número 7 dobrada e reforçada por um palito de madeira, um silicone de laboratório, ou combinação de outros materiais. O mais importante é entender que alguns materiais distorcem mais rápido que os outros. Guarde em local longe da luz e do calor (uma cuba de água gelada é suficiente para a cera, por exemplo).

 

Passo 5: o pino incisal fica na marca do zero

 

Certifique-se de enviar ao laboratório sua montagem no articulador com o pino incisal programado no zero. Assim, você não erra nunca a altura do seu enceramento (e nem o seu técnico).

 

Passo 6: o ramo superior se encaixa bem nas olivas metálicas?

 

Nos dias de hoje, esse problema está superado. Entretanto, caso o seu articulador seja um modelo clássico, verifique sempre o assentamento dos estojos condilares e se houver defeito, faça a troca.

  

Passo 7: a mesa incisal é plástica – cuidado!

 

A mesa incisal é o ponto onde o pino incisal repousa. Em poucas palavras, é o que mantem a altura correta de montagem. Cuidado para não perder ou danifica-la.

  

Passo 8: programe o seu articulador semiajustável para fazer a montagem dos modelos

 

Há dois números famosos aqui: 30 e 15. O primeiro refere-se ao ângulo do guia condilar. O segundo ao ângulo de Bennett. Nos modelos atuais, esses números já vêm prontos, mas se o seu modelo for clássico, tem que fazer a programação.

  

Passo 9: observe a distância intercondilar (pequena, média, grande)

 

Novamente, os modelos mais novos apresentam valores médios. Os modelos clássicos possuem três graduações (S, L, M) que normalmente estão na região anterior (topo) do seu arco facial. Depois, faça os ajustes dessa distância no ramo inferior do seu articulador.

 

Passo 10: atenção ao montar o modelo superior

 

O nível de habilidade exigido aqui é simples: não derrubar muito gesso (especial) fora da área da base do modelo maxilar. No começo, nem todo mundo consegue fazer uma bola de pingue-pongue na viscosidade correta.

 

Para começar com o pé direito, use a dica abaixo e tempo (aprenda em menos de 1 minuto):

 

Passo 11: coloque o registro interoclusal e fixe o modelo inferior

 

Essa etapa pode ser feita com palitos de madeira (abaixadores de língua), godiva de baixa fusão, pistola de cola quente, fio metálico, um clip longo e grosso.

 

O importante é que o seu articulador estará sob a bancada de trabalho, totalmente invertido, com o registro interoclusal em posição.

 

Passo 12: faça a conferência da oclusão

 

Quando os primeiros desenhos de articuladores foram criados (bem antes da Escola de Gnatologia), imaginava-se que reproduziriam em 100% todos os movimentos mandibulares. Isso não é possível.

 

Entretanto, é necessário conferir se os contatos oclusais que temos na boca são os mesmos que temos agora com os modelos de gesso.


Além disso, é bom verificar os guias de desoclusão que o seu paciente tem.


Lembrando: não é obrigatório ter guia canino e não tão pouco desoclusão em grupo em ambos os lados e ao mesmo tempo.

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