Férias e esportes radicais: os seus dentes estão protegidos?
- Paulo Henrique Orlato Rossetti

- há 4 dias
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Atualizado: há 3 dias

A prática de esportes radicais, sem os devidos cuidados, pode colocar seu sorriso em risco. Quedas, impactos e até mesmo a exposição a ambientes específicos podem causar desde pequenos traumas até lesões mais sérias.
Por Que Seus Dentes Precisam de Atenção Extra?
Esportes de contato ou com alto risco de impacto, como mountain bike, skate, surf, escalada, ou até mesmo esportes aquáticos como o wakeboard, aumentam a chance de:
Fraturas dentárias: um impacto direto pode quebrar ou lascar um dente.
Avulsão (perda) de dentes: em casos mais graves, o dente pode ser completamente arrancado do alvéolo.
Lesões nos tecidos moles: lábios, língua e bochechas podem sofrer cortes ou lacerações.
Problemas na articulação temporomandibular (ATM): a tensão e o impacto podem afetar a mandíbula.
Protegendo o seu sorriso na aventura
Revisão Odontológica antes de viajar
Antes de embarcar em sua aventura, uma visita ao dentista pode ser muito útil. Ele pode identificar e tratar problemas existentes, como cáries ou restaurações antigas, que poderiam se tornar uma emergência durante a viagem.
Protetor Bucal
Este é, sem dúvida, o item mais importante. Um protetor bucal personalizado oferece a melhor proteção. Ele absorve o impacto, distribuindo a força e protegendo dentes, gengivas e mandíbula. É um investimento pequeno comparado ao custo e ao desconforto de tratar uma lesão dentária. Esse dispositivo é usado em esportes como basquete, hóquei, futebol americano, e outros tipos onde o contato físico é frequente.
Hidratação Constante
Muitos esportes radicais são praticados ao ar livre, sob o sol, o que pode levar à desidratação. A boca seca (xerostomia) diminui a produção de saliva, que é fundamental para neutralizar ácidos e remineralizar o esmalte. Beba bastante água antes, durante e depois da atividade.
Nutrição Equilibrada e Lanches Inteligentes
Para manter a energia, é comum recorrer a barras energéticas ou bebidas esportivas. Fique atento ao teor de açúcar e acidez desses produtos, que podem contribuir para a erosão do esmalte e o desenvolvimento de cáries. Opte por lanches mais saudáveis, como frutas, castanhas e água. Se consumir bebidas esportivas, tente enxaguar a boca com água logo depois.
Cuidado com a Higiene Bucal em Viagens
Mesmo em meio à correria das férias, não descuide da sua rotina de higiene. Escove os dentes pelo menos três vezes ao dia e use fio dental diariamente logo após as refeições.
Leve um kit de higiene bucal compacto e prático para onde quer que você vá.
A intervenção precoce: o que o dentista precisa saber?
Nem todos os profissionais da Odontologia ficam de férias ao mesmo tempo. Ainda, podemos contar com os serviços de urgências e emergências locais, estejam eles em unidades remotas (Centro de Especialidades Odontológicas, Unidade Básica de Saúde) ou na lista dos serviços hospitalares.
Mas se você é o(a) dentista que está em posição de resolver alguma urgência/emergência no período de férias, saiba que existem diretrizes padronizadas que poupam o seu tempo e aumentam a expectativa de vida dos dentes naturais ou dos tratamentos artificiais.
Trincas dentárias
Trincas dentárias são parciais ou totais, e podem causar sensibilidade dolorosa.
Para fazer o diagnóstico correto, clique no link abaixo:
Para saber mais sobre os possíveis tratamentos, clique no link abaixo:
Traumatismos dentários que envolvem fraturas
Os traumatismos vão desde um simples lascamento até à avulsão dentária. Do ponto de vista prático, usa-se uma sequência conforme a gravidade das lesões.
Como a lista é extensa, basta clicar no link abaixo, já traduzido, para diagnosticar o tipo de lesão e fornecer o tratamento adequado:
Implantes imediatos na zona estética: 10 regras básicas
Um artigo publicado em 2017 lista quais seriam as 10 regras fundamentais quando lidamos com a colocação imediata de implantes na zona estética:
Avaliação de risco estético:
O risco deve ser analisado usando-se uma ferramenta padrão.
Em resumo, os casos mais favoráveis são aqueles onde:
- o paciente tem boa saúde e bom sistema imune
- não fumante
- a linha de sorriso é baixa
- o biótipo gengival é plano ou levemente ondulado
- não há infecção local (complicado em casos de acidentes)
- o nível ósseo adjacente está há 5mm do ponto de contato interdentário
- dentes vizinhos sem restaurações
- a largura do espaço edêntulo é de 7mm
- o tecido mole (gengiva, mucosa alveolar) está intacto
- anatomia óssea intacta (complicado em casos de acidentes)
Planejamento com imagens:
A tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) tornou-se popular no planejamento tridimensional dos implantes dentários. Entretanto, em situações de emergência, a única saída seria uma radiografia periapical e talvez uma imagem panorâmica.
Extração dentária minimamente traumática:
Alavancas convencionais não deveriam ser a primeira escolha já que essa área é bem delicada e possui espessura óssea mínima. Devemos escolher lâminas de bisturi para desinserir as fibras gengivais circulares e as fibras do ligamento periodontal e depois os famosos periótomos com tamanhos variados.
Colocação do implante em 3D em osso disponível, apical e palatalmente ao longo da parede palatina:
Essa regra é o que garante uma boa estabilidade inicial do implante dentário e evita que a tábua óssea vestibular seja prejudicada.
Uso de implante mais estreito (3,3 mm a 4,3 mm) em vez de um de diâmetro mais largo (4,5 mm ou maior):
Aprendemos ao longo dos anos que o corpo do implante não deve ocupar o espaço interno do alvéolo por completo. O coágulo agradece.
Enxerto ósseo no gap vestibular:
Um material de reabsorção lenta. Essa manobra pode ser feita depois do cicatrizador estar conectado ao implante dentário.
Enxerto de tecido mole por vestibular:
A modificação do biótipo gengival com prevenção à reabsorção ou alterações no contorno dos tecidos moles e duros.
Gerenciamento imediato do perfil de emergência do implante:
A sustentação aos tecidos deve ser feita ajustando-se o contorno cervical (crítico e subcrítico) nas coroas provisórias, sem esquecer de um bom polimento antes da mesma ser instalada.
Técnica de moldagem com transferente personalizado:
É uma complementação ao formato da coroa provisória, garantindo que essa informação chegue ao laboratório com grande precisão e que o componente protético realmente esteja personalizado em função dos tecidos moles e duros remanescentes.
Restauração final com coroa parafusada:
Além do fator reversibilidade e ausência de uma linha de agente cimentante, o componente protético com sua linha de término cervical ao nível gengival ou levemente abaixo ajudaria na manutenção do perfil de emergência.




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