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A geometria do implante dentário importa?

Foto do escritor: Paulo Rossetti
Paulo Rossetti
há 39 minutos
3 min de leitura
Geometria do implante dentário: o que muda no alvéolo de extração?
Geometria do implante dentário: o que muda no alvéolo de extração?

O que muda para o alvéolo de extração?

A altura do rebordo cicatrizado possui uma grande interação com a geometria do implante de titânio quando se fala em torque de inserção e estabilidade primária.

 

A conclusões acima estão no artigo original que pode ser lido clicando-se no link abaixo: 


 

Muito além da curva de aprendizado do seu implante dentário

 

diversos posts aqui nesse blog sobre as taxas de sucesso, sobrevivência, e a curva de aprendizado no momento de instalar o implante dentário.

 

Entretanto, a cicatrização do alvéolo após a extração representa uma série de processos dinâmicos muitas vezes interpretados como estáticos no dia a dia clínico. Um bom exemplo está nas radiografias periapicais: o que vemos na interface osso e implante é parte de um “reflexo” mensal, semestral ou anual. É o final do processo em que o nível ósseo vertical está acima ou abaixo dos níveis de referência.

 

Na intimidade, não sabemos quantas vezes aquele tecido ósseo foi remodelado (deposição/reabsorção óssea).

 

Outro exemplo é o valor do torque final de inserção. Da mesma forma, continuamos a nos guiar por números (porque ora bolas precisamos de uma referência) ou pela rigidez dessa interface (ISQ) para saber se o implante dentário tem maior ou menor chance de receber uma prótese imediata ou aguardar um pouco mais para recebê-la.

 

E para fechar, o fator número três: a altura óssea vertical residual importa e de que maneira?

 

Afinal, se todas as facas são iguais, por que existem marcas diferentes?

 

Vou usar o exemplo das facas. Geometrias diferentes, lâminas diferentes, poder de corte completamente diferentes.

Embora o objetivo final seja igual, que é “cortar osso”, os implantes dentários estão na mesma situação.

 

O nível ósseo vertical do rebordo

Todo mundo pergunta sobre a densidade óssea, que não deixa de ser importante, mas é necessário prestar bastante atenção no quanto ainda sobra verticalmente.

 

A geometria do implante de titânio: quais foram analisadas?

 

Abaixo, a lista do que foi examinado, sendo a maioria entre 4,2 - 4,3 mm de diâmetro e comprimentos entre 10 e 11,5 mm.


Além disso, os grupos foram classificados em três categorias:

 

- Nobel Parallel CC: reto

- Astra Tech EV (Dentsply): reto

- Tapered Pro (BioHorizons): cônico

- DS Prime Taper (Dentsply): cônico

- Nobel Active (NobelBiocare): agressivo

- Straumann BLX (Straumann): agressivo

 

Assim, surgem duas possibilidades: a primeira, e mais improvável, os comportamentos mecânicos serem todos iguais. E claro, a segunda, onde os comportamentos seriam todos diferentes.

 

Experimento controlado: como se cria um "alvéolo de extração"?

 

O “osso” utilizado aqui é um bloco de poliuretano com densidade macia (20pcf) e as cirurgias realizadas a partir de guias cirúrgicos impressos 3D.


Um motor eletrônico capaz de registrar o torque e um aparelho de ressonância completaram os testes.

 

Detalhe importante: os blocos tinham defeitos que partiam do zero e caminhavam em intervalos de 2mm verticalmente, até atingirem os 6mm.


Ainda, para completar a simulação do “alvéolo de extração” havia um defeito horizontal circular de 10mm para todos os grupos.

 

Torque de inserção / ISQ: nível zero x 6 mm residuais

 

Os números abaixo, embora sejam dados de bancada, mostram como as diferentes geometrias dos implantes dentários realmente deixam seus impactos:

 

  • Nobel Parallel CC: 32 Ncm x 8,5 Ncm / 64 x 23

  • Astra Tech EV (Dentsply): 20 Ncm x 9 Ncm / 66 x 35

  • Tapered Pro (BioHorizons): 26 Ncm x 6,2 Ncm / 65 x 24

  • DS Prime Taper (Dentsply): 33 Ncm x 9 Ncm / 63 x 37

  • Nobel Active (NobelBiocare): 32 Ncm x 12 Ncm / 65 x 29

  • Straumann BLX (Straumann): 32 Ncm x 13 Ncm / 63 x 29

 

Ou seja, você precisa conhecer o sistema que usa, considerando que na situação mais restrita, ainda restam 4mm de osso para travar o ápice do seu implante.


Do ponto de vista clínico, não há superioridade clínica, mas as características de cada sistema se mostram mais evidentes à medida que o suporte coronal diminui.

 

Quanto tempo leva para o torque atingir seu valor máximo?

 

Esse é outro fator interessante e que inverte um pouco o ranqueamento na comparação defeito zero x 6mm:

 

  • Astra Tech EV (Dentsply): 26 seg x 8 seg

  • Nobel Parallel CC: 11 seg x 3 seg

  • Tapered Pro (BioHorizons): 10 seg x 3 seg

  • DS Prime Taper (Dentsply): 9 seg x 2,5 seg

  • Straumann BLX (Straumann): 8 seg x 3 seg

  • Nobel Active (NobelBiocare): 6 seg x 3 seg

 

A estabilidade primária e a geometria do implante dentário: como interpretá-las?

 

Está claro que a redução da estabilidade primária é uma constante em condições de suporte reduzido. Entretanto, o fato é que sua magnitude varia pelo sistema de implante dentário utilizado.


Mesmo assim, nenhum dos testes mecânicos, quando interpretado isoladamente, consegue caracterizar esses comportamentos por completo.


E não vamos nos esquecer do que vem depois: a biologia óssea.

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