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Osseointegração: difícil entender? Albrektsson explica

  • Foto do escritor: Paulo Rossetti
    Paulo Rossetti
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura
Osseointegração: uma reação de corpo estranho.
Osseointegração: uma reação de corpo estranho.

A Osseointegração é muito mais do que se pensava?

Dependendo dos seus conhecimentos, essa afirmação pode ser “incrível” ou “inacreditável”.


Todavia, considere que o próprio observador do fenômeno (P-I Brånemark) buscou um linguista para conceituar o termo em 1976 e passou anos tentando entendê-la.


Felizmente, não foi o único. Quando um novo dispositivo dá muito certo, a ciência básica começa a passar despercebida. Ela funciona, mas entra no piloto automático.

 

Entretanto, em 2014, um grupo de cientistas, liderado por Tomas Albrektsson, revelou ao mundo uma nova faceta da Osseointegração.

 

 

 

Osseointegração: o tecido ósseo também não “está imune” às transformações em ciência

 

No dia a dia, a palavra-chave reação imune sempre traz preocupações porque geralmente é algo que não acaba bem. Fomos ensinados a pensar assim, certo? Tudo o que é estranho em nosso corpo causa uma reação, uma inflamação.

 

O tecido ósseo, que se parece mais com algo duro e inerte (mas é um poço de células que trabalham 24 horas por dia para manter o nosso corpo em ordem) tem uma linha de defesa ativa. Aliás, é delas que surgem os principais elementos que vasculham e removem os restos de que não precisamos.

 

Vamos a uma frase que explica quase tudo. Nas palavras de Albretktsson “Os autores originais do conceito de Osseointegração a viram erroneamente como uma reação impecável ao titânio biocompatível, que era considerado inerte”.

 

Pausa: marquem essas duas palavras: biocompatível e inerte. Há muito tempo, estudos histológicos mostravam que algumas células realmente reconheciam o titânio como estranho, mas não faziam absolutamente nada a não ser ficarem em contato com esse metal. É como se fosse um “eu sei que você está aí, estou de olho em você e do seu lado”.


Importante: precisamos lembrar: o implante de titânio comercialmente puro tem uma camada externa de óxido que protege seu corpo e fica exposta aos fluidos, células, proteínas e tudo mais. Conhecer bem essas interações têm sido objeto de pesquisa por 60 anos contínuos (não sabemos todas ainda).

 

Voltando ao Albrektsson: “Atualmente, sabemos que os implantes de titânio desencadeiam uma reação imediata vinda do sistema imune e que a osseointegração, na verdade, representa um tecido ósseo formado para proteger os tecidos adjacentes do material estranho”.

 

Pausa: aqui, Albrektsson se refere à imagem radiográfica radiopaca que é vista ao redor do implante de titânio obtida nos consultórios. Ainda, os tecidos adjacentes são a medula óssea, onde ficam as células que formam osso e as células de defesa. Veja no final desse post os dois estudos que compravam isso.


Importante: por analogia, a medula é o chip (conteúdo nobre) do seu computador.

 

Agora, a virada de chave que demorou muito tempo para chegar na Implantodontia: “Dois tipos celulares controlados e que são parte do sistema imune são o osteoblasto e o osteoclasto agindo em conjunto. Se muitos fatores adversos perturbarem o implante osseointegrado, a resposta pode ser a perda óssea asséptica (sem bactérias) pela ação principal do osteoclasto.”


Pausa: o osso também origina o sistema imune. A perda óssea asséptica representa a ação do sistema imune, sim, do nosso próprio sistema imune, que apresenta flutuações ao longo de toda a vida. Os fatores adversos são o tabagismo, alguns medicamentos, genética, e o manuseio incorreto dos protocolos cirúrgicos e protéticos. Que tal não esquentar o chip?

 

Para fechar, Albrektsson ainda deixa claro: “...se o sistema imune tiver uma queda, é claro, as bactérias virão e daí teremos peri-implantite...entretanto, precisamos de mais estudos para entender o equilíbrio exato entre as teorias imune e bacteriana”.

 

Leia sobre os fatos mais recentes em osseointegração nos links abaixo:


  • Trindade R, Albrektsson T, Galli S, Prgomet Z, Tengvall P, Wennerberg A. Bone immune response to materials, Part I: titanium, PEEK and copper in comparison to sham at 10 days in rabbit tibia. J Clin Med. 2018 Dec 7;7(12):526. https://doi.org/10.3390/jcm7120526

 

  • Trindade R, Albrektsson T, Galli S, Prgomet Z, Tengvall P, Wennerberg A. Bone immune response to materials, Part II: copper and polyetheretherketone (PEEK) compared to titanium at 10 and 28 days in rabbit tibia. J Clin Med. 2019 Jun 7;8(6):814. https://doi.org/10.3390/jcm8060814


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