Osseointegração: difícil entender? Albrektsson explica
- Paulo Rossetti

- há 3 dias
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A Osseointegração é muito mais do que se pensava?
Dependendo dos seus conhecimentos, essa afirmação pode ser “incrível” ou “inacreditável”.
Todavia, considere que o próprio observador do fenômeno (P-I Brånemark) buscou um linguista para conceituar o termo em 1976 e passou anos tentando entendê-la.
Felizmente, não foi o único. Quando um novo dispositivo dá muito certo, a ciência básica começa a passar despercebida. Ela funciona, mas entra no piloto automático.
Entretanto, em 2014, um grupo de cientistas, liderado por Tomas Albrektsson, revelou ao mundo uma nova faceta da Osseointegração.
Nesse blog, você já leu algumas reflexões sobre o passado, presente e futuro da Periodontologia nas vozes de Myron Nevins, Jan Lindhe, e Niklaus Lang.
Agora, é a vez de Tomas Albrektsson colocar os “pingos nos is”.
Osseointegração: o tecido ósseo também não “está imune” às transformações em ciência
No dia a dia, a palavra-chave reação imune sempre traz preocupações porque geralmente é algo que não acaba bem. Fomos ensinados a pensar assim, certo? Tudo o que é estranho em nosso corpo causa uma reação, uma inflamação.
O tecido ósseo, que se parece mais com algo duro e inerte (mas é um poço de células que trabalham 24 horas por dia para manter o nosso corpo em ordem) tem uma linha de defesa ativa. Aliás, é delas que surgem os principais elementos que vasculham e removem os restos de que não precisamos.
Vamos a uma frase que explica quase tudo. Nas palavras de Albretktsson “Os autores originais do conceito de Osseointegração a viram erroneamente como uma reação impecável ao titânio biocompatível, que era considerado inerte”.
Pausa: marquem essas duas palavras: biocompatível e inerte. Há muito tempo, estudos histológicos mostravam que algumas células realmente reconheciam o titânio como estranho, mas não faziam absolutamente nada a não ser ficarem em contato com esse metal. É como se fosse um “eu sei que você está aí, estou de olho em você e do seu lado”.
Importante: precisamos lembrar: o implante de titânio comercialmente puro tem uma camada externa de óxido que protege seu corpo e fica exposta aos fluidos, células, proteínas e tudo mais. Conhecer bem essas interações têm sido objeto de pesquisa por 60 anos contínuos (não sabemos todas ainda).
Voltando ao Albrektsson: “Atualmente, sabemos que os implantes de titânio desencadeiam uma reação imediata vinda do sistema imune e que a osseointegração, na verdade, representa um tecido ósseo formado para proteger os tecidos adjacentes do material estranho”.
Pausa: aqui, Albrektsson se refere à imagem radiográfica radiopaca que é vista ao redor do implante de titânio obtida nos consultórios. Ainda, os tecidos adjacentes são a medula óssea, onde ficam as células que formam osso e as células de defesa. Veja no final desse post os dois estudos que compravam isso.
Importante: por analogia, a medula é o chip (conteúdo nobre) do seu computador.
Agora, a virada de chave que demorou muito tempo para chegar na Implantodontia: “Dois tipos celulares controlados e que são parte do sistema imune são o osteoblasto e o osteoclasto agindo em conjunto. Se muitos fatores adversos perturbarem o implante osseointegrado, a resposta pode ser a perda óssea asséptica (sem bactérias) pela ação principal do osteoclasto.”
Pausa: o osso também origina o sistema imune. A perda óssea asséptica representa a ação do sistema imune, sim, do nosso próprio sistema imune, que apresenta flutuações ao longo de toda a vida. Os fatores adversos são o tabagismo, alguns medicamentos, genética, e o manuseio incorreto dos protocolos cirúrgicos e protéticos. Que tal não esquentar o chip?
Para fechar, Albrektsson ainda deixa claro: “...se o sistema imune tiver uma queda, é claro, as bactérias virão e daí teremos peri-implantite...entretanto, precisamos de mais estudos para entender o equilíbrio exato entre as teorias imune e bacteriana”.
Leia sobre os fatos mais recentes em osseointegração nos links abaixo:
Trindade R, Albrektsson T, Galli S, Prgomet Z, Tengvall P, Wennerberg A. Bone immune response to materials, Part I: titanium, PEEK and copper in comparison to sham at 10 days in rabbit tibia. J Clin Med. 2018 Dec 7;7(12):526. https://doi.org/10.3390/jcm7120526
Trindade R, Albrektsson T, Galli S, Prgomet Z, Tengvall P, Wennerberg A. Bone immune response to materials, Part II: copper and polyetheretherketone (PEEK) compared to titanium at 10 and 28 days in rabbit tibia. J Clin Med. 2019 Jun 7;8(6):814. https://doi.org/10.3390/jcm8060814




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