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Zircônia sinterizada no modo convencional ou rápido: tem diferença no desgaste?

  • Foto do escritor: Paulo Henrique Orlato Rossetti
    Paulo Henrique Orlato Rossetti
  • 9 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Zircônias 3Y-TZP e 5Y-TZP: para que tanta pressa no forno? Imagem: I.A.
Zircônias 3Y-TZP e 5Y-TZP: para que tanta pressa no forno? Imagem: I.A.

A história da prótese dentária é vasta. Você pode rastreá-la nas civilizações antigas.


Em paralelo, a busca por novos materiais sempre foi constante, especialmente porque o dente é uma estrutura complexa: uma parte está responsável pela resistência, e a outra pelos aspectos estéticos.


Criar materiais artificiais com essas proezas em equilíbrio não é uma tarefa fácil.


Por exemplo, para simular essas propriedades, porcelanas têm sido desenvolvidas: feldspáticas, fluorapatitas, e mais tarde os minerais óxidos de alumina, espinélio, dissilicato de lítio e os policristais de zircônias tetragonais (TZP), esta última onde praticamente não há uma matriz vítrea, ou seja, os cristais estão firmemente compactados.


Ponto para a Odontologia! Ganhamos em resistência.


Ainda, essas formulações contêm óxido de ítrio (Y2O3) colaborando para a estabilização física desse material em temperatura ambiente, gerando também o efeito de tenacificação frente à transformação (onde possíveis trincas no material são "cicatrizadas"). Mais um ponto nesse placar!


Afora os detalhes em ciência dos materiais, a zircônia precisa ser sinterizada. Sim, primeiro, os discos ou bolachas são fresados num estágio anterior considerando-se um volume maior.


Depois, vão ao forno, onde as partículas se aproximam em função da temperatura e daí ocorre um "desconto" nesse volume para que a peça finalmente ganhe suas dimensões finais. Esse é um processo sensível e demorado.


É o dilema número 1 e rotineiro nos laboratórios de prótese dentária.


Junta-se ao fato acima à descoberta de que podemos mudar a fórmula do 3Y-TZP para 5Y-TZP para ganharmos estética.


O dilema número 2 é tão importante quanto o número 1, especialmente quando verificamos as bulas: muitas zircônias 5Y-TZP são quase metade da resistência flexural de zircônias 3Y-TZP.


É o preço da estética!


Mas a curiosidade move a raça humana. Imagine quanta gente por aí (pesquisadores) está tentando equilibrar os dilemas 1 e 2 acima.


Então: vale "dar uma rapidinha" no forno com a zircônia?


A resposta por enquanto é...não, segundo o trabalho mais recente.


A primeira observação: o desgaste nas zircônias 3Y-TZP e 5Y-TZP é considerado pequeno, tanto nos ciclos convencionais como rápidos, embora o salto seja maior nas zircônias 5Y-TZP (10 para 15 micrometros, em média).


  • Considere que o melhor papel de articulação que você usa tem, em média, 12 micrometros de espessura.


A segunda observação: acelerar o ciclo de queima da 3Y-TZP aumenta o desgaste no esmalte de 0,01mm para 0,5mm. Isso mesmo! Cinquenta vezes!


Na 5Y-TZP, passamos dos 0,01mm para 0,6mm. Sessenta vezes mais!


  • Considere que o processo de desgaste simulado nesse estudo, que se mostrou crítico quando a zircônia é obtida pelo ciclo rápido de sinterização, pode se agravar ainda mais quando outros fatores como alimentação e dieta são incluídos na superfície do esmalte.

  • Se os dados acima forem confirmados em estudos clínicos, nossos pacientes precisarão retornar mais vezes aos consultórios para controle, especialmente das alterações nos pontos de contato e quem sabe, na dimensão vertical...


Laboratórios de prótese dentária, vamos ficar de olho: apesar das amostras serem discos com geometria simples, os resultados preliminares são importantes.


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