Acabamento e polimento colocam resinas convencionais e resinas 3D no mesmo patamar?
- Paulo Henrique Orlato Rossetti

- 9 de jan.
- 4 min de leitura

Bisfenol glicidil dimetacrilato (BIS-GMA), TEG-DMA, UDMA e outros "MAs" da vida.
Sim, pertencem às famílias dos grandes componentes químicos encontrados em resinas compostas. Corrigindo: os compósitos (eu sou do século passado).
E nós os usamos em larga escala na Odontologia desde os primeiros anos de prática clínica na graduação. Afora os tecnicismos de se preparar uma cavidade, aplicar o primer/adesivo, e depois polimerizar, a fase de acabamento e polimento em resinas compostas é tão popular quanto e religiosamente mandatória: discos, tiras de lixa, escovas e pontas com os mais variados formatos e capacidades encontram-se no mercado.
Além das resinas compostas termo polimerizáveis, restaurações em compósitos eram os únicos materiais que podiam ser obtidos pela técnica indireta (no laboratório). Entretanto, o leque de possibilidades foi ampliado com a chegada da fresagem e da impressão 3D.
Eu sei o que você está pensando: qualquer profissional pode ter uma impressora 3D no seu consultório. Mas atenção: há um conjunto de regras a serem adotadas, desde a padronização das camadas de impressão no programa de fatiamento, até os processos de lavagem (com líquidos especiais) e o tempo de pós cura.
Além disso, o tanque para resinas 3D necessita de limpeza constante e o profissional deve usar o equipamento de proteção individual. Ou seja, tem muito trabalho a ser feito antes de apertarmos os botões que comandam essas máquinas fantásticas.
Por natureza, não somos "testadores de materiais". Mas uma vez inseridos na prática clínica, estes devem preencher certos requisitos.
O fator rugosidade
A rugosidade é um agrupamento de ondulações microscópicas com picos e vales. Em escala maior, imagine um conjunto de montanhas. Ela está ligada ao acabamento e polimento.
Depois do isolamento absoluto ser removido, há dois aspectos de correção imediata nas regiões posteriores: os pontos de contato oclusal e a lisura superficial nesses materiais. Superfícies oclusais internas e externas são análogas às faces das pirâmides, mas possuem arredondamentos impossíveis de serem vistos a olho nu.
A mão humana, por mais treinada que seja na aplicação dos incrementos de resina e uso de pinceis e espátulas para alisamento, não consegue deixar essas superfícies 100% lisas e homogêneas.
O fator dureza
Na metodologia atual, existe um teste de penetração (Vickers). Uma ponta de formato piramidal aplica uma carga (força) ao longo da amostra e número final é atribuído para representar a dureza do material.
O fator resistência
Seja pela foto ativação em consultório ou pela ativação por luz no processo de impressão 3D, as resinas precisam ter resistência suficiente para manter sua integridade estrutural na cavidade bucal.
Resinas convencionais x resinas 3D: a comparação inevitável
Tempo
Tudo o que é feito em larga escala gera economia. Imagine o desperdício de tempo e dinheiro se os automóveis fossem montados 100% manualmente ao longo das suas linhas de produção. Os valores finais ao consumidor seriam impraticáveis.
Temos a mesma situação na impressão 3D em Odontologia: restaurações com diversas geometrias podem ser impressas ao mesmo tempo numa área mínima de 10 x 10 cm.
A relação custo e benefício
A redução nos custos traz quais benefícios clínicos? Essa é a pergunta a ser respondida. Será que resinas 3D podem ser "igualadas" às resinas convencionais em termos de propriedades mecânicas, mesmo tendo sido obtidas por processos de fabricação completamente diferentes?
Acabamento e polimento: fazendo a diferença?
No estudo mais recente, três resinas foram investigadas, sendo que as duas últimas da lista eram por impressão 3D:
Tetric CAD
Nanolab 3D
Varseo Smile Crown
Para simular as condições clínicas, foram criados quatro grupos:
controle
polimento com ponta diamantada
polimento com pontas de borracha
total (ponta diamantada e ponta de borracha)
O toque final: metade das amostras em cada grupo foi envelhecida por choque térmico (algo semelhante à ingestão de bebida quente e bebida gelada).
A resistência da resina pré-fabricada foi significativamente maior do que os valores nas duas resinas 3D. Situação semelhante também foi observada em relação à dureza.
Entretanto, o polimento com pontas de borracha manteve a resistência mecânica e produziu as superfícies mais lisas tanto na resina pré-fabricada quanto nas resinas 3D.
Conferindo "com lupa" o efeito do acabamento e polimento na rugosidade, em micrometros
Tetric CAD: do grupo controle ao grupo total, sua rugosidade dobra (vamos de 0,4 para 0,8)
Nanolab 3D: do grupo controle ao grupo total, sua rugosidade cai pela metade (vamos de 1,77 para 0,90)
Varseo Smile Crown: do grupo controle ao grupo total, sua rugosidade cai mais de 80% (vamos de 1,93 para 0,27)
Lembrando: 1 micrometro representa 0,001 milímetro
Em todos as resinas, o simples ato de "passar a ponta diamantada" aumentou consideravelmente os valores de rugosidade
Tetric CAD: (vamos de 0,4 para 3,70)
Nanolab 3D: (vamos de 1,77 para 3,22)
Varseo Smile Crown: (vamos de 1,93 para 2,18)
Uma recomendação adicional derivada desse estudo: o polimento com pontas diamantadas deveria ser evitado. Entretanto, se for impossível, as pontas de borracha devem ser usadas logo em sequência para mitigar possíveis efeitos adversos.
Um dado adicional importante: o material e o tipo de acabamento e polimento não foram capazes de reduzir a aderência do microrganismo testado (Candida albicans), ressaltando o papel da higiene.




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