Implantes dentários: o que é consenso na maxila edêntula?
- Paulo Henrique Orlato Rossetti

- há 2 dias
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Atualizado: há 24 horas

A maxila edêntula difere muito da mandíbula edêntula.
Na primeira, o sentido de reabsorção óssea é “de fora para dentro”, enquanto na segunda, é de “dentro para fora”.
Assim, quando um paciente totalmente desdentado abre a boca, parece que ele ou ela está "de ponta-cabeça"!
Entretanto, não só o sentido de reabsorção difere, mas também a quantidade e a qualidade óssea. O osso maxilar é o que chamamos de “folha de papel sulfite” devido à sua fragilidade.
Tudo isso se agrava porque é a maxila (ou como você preferir, os ossos malares) que sustenta o terço médio da face e tem sua estética alterada com o passar dos anos também pela queda no volume de colágeno.
Há situações em que as próteses totais na maxila precisam de retenção e estabilidade adicional. Então, os implantes dentários entram em cena, com ou sem o uso adicional de enxertos e outros procedimentos cirúrgicos (por exemplo, levantamento no seio maxilar).
Sem sombra de dúvida, é mais simples tratar as arcadas mandibulares do que as arcadas maxilares.
E talvez este tenha sido o motivo para mais uma reunião de consenso.
Não se esqueça: clique e pegue o fluxo de tratamento da maxila edêntula no final desse post.
O Primeiro Consenso Global sobre a Maxila edêntula
Esse consenso para diretrizes clínicas é uma iniciativa de uma rede de organizações nacionais (SOBRAPI - Brasil) e internacionais (China, Japão, Coreia, Índia) liderada pela EAO, ITI e Osteology, num total de 105 delegados de 26 países, com a reunião presencial entre 16 e 18 de junho de 2025, na cidade de Boston, EUA.
Após aplicarem três rodadas de Metodologia Delphi, 34 COS (conjuntos de desfechos principais) foram definidos em seis áreas envolvendo:
Seleção dos pacientes
Diagnóstico
Plano de Tratamento Cirúrgico e Protético
Procedimentos para Tratamento
Gerenciamento de complicações
Manutenção
Quais são os desfechos (COS) que atingem consenso?
Na lista final, 24 desfechos atingem consenso (≥ 75% de concordância entre os participantes) e estão divididos da seguinte forma:
Desfechos relatados pelos pacientes
Satisfação estética
Complicações no tratamento / manutenção
Facilidade de limpeza/ eficácia na higiene oral
Dor
Satisfação geral do paciente com tratamento
Desfechos verificados e documentos pelos clínicos (forma objetiva)
Falha do implante
Sucesso do implante
Sobrevivência do implante
Complicações técnicas/ mecânicas
Índice de placa / higiene oral
Falha da prótese
Sucesso da prótese
Complicações da prótese
Complicações pós-operatórias
Nível ósseo marginal radiográfico
Perda óssea marginal radiográfica
Complicações biológicas
Saúde peri-implantar (ao nível do implante)
Saúde peri-implantar (ao nível do paciente)
Mucosite peri-implantar
Supuração peri-implantar
Peri-implantite
Desfechos verificados pelo clínico que envolvem a interpretação ou julgamento geral (subjetiva)
Sucesso do tratamento
Eventos de manutenção/complicações protéticas
Quais são os outros desfechos onde não há consenso?
Apenas oito fatores se destacam, sendo:
Desfechos relatados pelos pacientes
Função/conforto/desconforto mastigatório
Queixas dos pacientes
Retenção/estabilidade da prótese
Qualidade de vida
Fala/fonética
Desfechos verificados e documentos pelos clínicos (forma objetiva)
Estabilidade primária do implante
Presença de mucosa queratinizada
Complicações cirúrgicas/intraoperatórias
Largura da mucosa queratinizada
Desfechos verificados pelo clínico que envolvem a interpretação ou julgamento geral (subjetiva)
História de cooperação do paciente
Além dos desfechos, qual é a árvore de decisão preconizada?
Essa ferramenta é estruturada em 35 pontos ao longo das seis áreas citadas no começo desse post e pode ser obtida clicando-se no arquivo abaixo, em tradução livre:




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