O papel dos editores no mundo da inteligência artificial
- Paulo Henrique Orlato Rossetti

- há 18 horas
- 4 min de leitura

O uso de inteligência artificial para ganhar tempo é certo e cada vez maior em todas as áreas, especialmente nas ciências onde precisamos ler um bom número de referências ou fazer testes diagnósticos.
Ainda, no campo da IA, é verdade que existe um fenômeno conhecido como alucinação; ou seja, você escreve o seu prompt e a máquina recupera uma informação que extrapola os limites.
Essas extrapolações mais parecem fofocas ou algo que nem sequer foi aventado como hipótese nesses trabalhos.
Bem, todo tipo de informação escrita precisa de uma fonte confiável. É assim que se faz uma verdadeira “checagem dos fatos”. Mergulhamos no que precisa ficar relevante para quem lê.
Nas revistas científicas, essa retaguarda (a fonte) está nos artigos usados como referências bibliográficas.
E os guardiões da citação (e da veracidade das informações) são os editores que estão trabalhando nos textos.
Aliás, mensagens como “clique aqui para verificar se você é humano”, que geram os famosos "CAPTCHA" em bases de dados científicas aumentaram bastante nesse primeiro trimestre de 2026 ou estou muito enganado? São os chatbots em ação!
Agora, precisamos clicar pelo menos duas (ou até três vezes) nos quadradinhos de entrada em repositórios que usam tecnologias como Cloudfare, por exemplo.
Lista de referências bibliográficas: bonitinha, mas ordinária?
Infelizmente, não é (e não será) a primeira vez. Com a disseminação da inteligência artificial no sentido de “uma ferramenta mágica que lê o seu pensamento” a tendência é que os erros cresçam.
Assusta quando pensamos que centenas de estudantes do século 21 têm literalmente deixado tudo por conta da IA: título, introdução, revisão de literatura, estatística, e até a discussão dos trabalhos de forma 100%.
Não estou pedindo para não usar a IA, pelo contrário.
Mas tenham em mente que é um banco de dados alimentado de tempos em tempos, com grande chance de alucinar.
No que se refere à lista bibliográfica, uma das inteligências artificiais mais famosas, sob testes rigorosos, conseguiu fornecer até 70% de informações imprecisas quando o assunto foi sobre Alzheimer e COVID-19!
Na prática, é uma daquelas enxaquecas insuportáveis: editores vão passar mais tempo brincando de detetives (e com dores nos fundilhos).
Mas a ideia inicial não era que a IA poupasse tanto o meu tempo quanto o seu?
Afinal, como a inteligência artificial é alimentada com dados científicos?
Essa alimentação é automática, ou seja, programada. Bots.
Há ferramentas que raspam dados. Tudo o que estiver público pode ser "raspado".
Imagine um grande aspirador de pó.
Terminado o serviço, você remove o saco coletor e faz uma limpeza, certo?
De modo similar, a qualidade do que está público varia muito, todo fornecedor de informação está sujeito ao link externo ou interno incorreto.
Daí entra a curadoria. Aquela que os editores fazem.
Anos de treinamento. Olhos de águia.
Se é possível identificar erros de transcrição quando os trabalhos são escritos por humanos, a sua IA também deveria ser capaz, correto?
Por outro lado, temos o que está fechado (ou seja, existe uma barreira, o famoso paywall), aqui o texto com mais profundidade, os detalhes que precisamos.
É a famosa assinatura recorrente ou download artigo por artigo (em dólares ou euros).
Em paralelo, algumas editoras (Elsevier, por exemplo) têm trabalhado criando seus próprios modelos internos de I.A. porque o conteúdo já possui curadoria, e a informação resgatada então teria uma confiabilidade maior.
Resumos e outros trabalhos em PDF
Na maioria das vezes, com a IA raspando apenas resumos de trabalhos em bases de dados de acesso público, cria-se um problema de confiabilidade por motivos óbvios:
muitos resumos têm limite de texto: 250 palavras
muitos resumos não são bem estruturados
por motivos práticos, nem todos os resumos trazem resultados estatísticos
Outro modelo de trabalho científico sujeito aos “perrengues” de IA é a monografia, trabalho de conclusão de curso, ou até mesmo uma dissertação.
Normalmente, esses textos estão depositados em bases públicas e com acesso aberto à leitura, geralmente no formato PDF, assim como os capítulos de livros.
O problema aqui também está no volume de páginas que a IA não consegue assimilar em tão pouco tempo.
Outro ponto: a IA não sabe se o trabalho está ou não bem escrito.
As ferramentas de inteligência artificial que vão direto ao assunto
Por outro lado, a inteligência artificial pode ajudar.
Mas é necessário que o robô leia documento por documento.
Abaixo, uma pequena lista do que está disponível e lembrando que os valores financeiros para acesso (em dólares) podem mudar:
Elicit
Diferenciais: A versão paga permite extrair dados de número ilimitado de artigos, exportar para CSV/BIB e prioridade no suporte. No gratuito, os créditos acabam rápido após as primeiras análises.
Consensus
Planos: Gratuito (limite de buscas IA) | Premium (9 dólares/mês).
Diferenciais: O plano pago oferece o "Consensus Meter" ilimitado (que resume a opinião predominante dos cientistas) e filtros avançados para selecionar apenas estudos de alta qualidade (como ensaios clínicos).
SciSpace
Planos: Gratuito (básico) | Premium (12 dólares/mês).
Diferenciais: no plano pago, você tem interações ilimitadas com o Copilot de IA, além de ferramentas de verificação de plágio e formatação de citações automática para diversas revistas.
Research Rabbit
Planos: Totalmente Gratuito.
Diferenciais: Atualmente, é uma das poucas ferramentas de alto nível que não cobra dos pesquisadores, oferecendo mapeamento visual e sincronização completa sem custos.
ChatPDF
Planos: Gratuito (limite de arquivos/dia) | Plus (5 dólares/mês).
Diferenciais: A assinatura permite processar PDFs gigantes (até 2.000 páginas) e fazer perguntas ilimitadas, enquanto o gratuito restringe a quantidade e o tamanho dos arquivos.
Writefull
Planos: Gratuito (básico) | Premium (5 dólares/mês).
Diferenciais: O plano Premium desbloqueia todas as sugestões de linguagem acadêmica e permite o uso direto dentro do Microsoft Word e do Overleaf (LaTeX).




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