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  • Suplementos Especiais ImplantNews! Torque de inserção/ressonância e substitutos mucosos.

    Revista ImplantNews, volume 7, número 2, ano 2022 A revista ImplantNews, publicação especializada em Implantodontia, Periodontia, e Prótese Dentária, também responsável pelo nascimento do Encontro de Leitores, que cresceu e se transformou nos internacionalmente famosos congressos IN , tem, ao longo dos seus 18 anos de existência contínua, apresentado a melhor informação para o exercício clínico da Odontologia. Neste ano, cada número traz uma série de novos suplementos especiais, gerando mais dinamismo e reflexão em assuntos fundamentais, preparados pelo editor científico da seção Implantodontia, Prof. Dr. Paulo H. O. Rossetti. Assim, o primeiro suplemento desta série se refere aos dilemas do torque de inserção (estabilidade primária) e a frequência de ressonância nos implantes dentários. Já o segundo suplemento revela o papel dos substitutos mucosos na resolução dos casos de recessão gengival ao redor de implantes dentários.

  • O L-PRF poderia descontaminar os implantes dentários?

    L-PRF: descontaminando os implantes dentários? Pesquisadores da universidade da Colúmbia Britânica se propuseram ao desafio de colocar discos de titânio in vivo e estudar se o L-PRF era capaz de descontaminar estas superfícies. Confira no áudio abaixo mais sobre o L-PRF:

  • Fibrina rica em plaquetas - pode esticar?

    Fibrina rica em plaquetas - pode esticar? Se você aprecia a medicina regenerativa, sabe que as plaquetas, quando ativadas, são capazes de gerar diversos fatores de crescimento. Isto acontece durante a cicatrização de uma ferida, onde uma rede de fibrina é necessária para sustentar estas plaquetas, que tecnicamente estariam liberando estes fatores numa velocidade menor. Agora, um detalhe mais apurado nesta relação das moléculas de fibrina rica em plaquetas, revelou que o comportamento das plaquetas (sua ativação), é melhor quando a rede de fibrina não for esticada. O que acontece é que a rede de fibrina esticada muda sua configuração tridimensional, e as plaquetas não seriam ativadas com a mesma intensidade caso esta mesma rede permanecesse em sua configuração original. Este estudo experimental acaba de sair na revista PNAS. A fibrina foi depositada sobre uma matriz de PDMS (polidimetilsiloxano) e as plaquetas vieram do sangue venoso de um doador. É verdade que os dados acima são iniciais, apesar da vasta documentação apresentada, mas será que a Odontologia está lidando bem com o L-PRF?

  • A possível relação entre COVID-19 e a insuficiência respiratória

    COVID-19: a medula óssea como alvo. Sim, vocês já sabem. A contaminação e evolução da SARS-COV-19 para quadros graves leva ao óbito. Entretanto, pesquisadores descobriram que a causa da insuficiência respiratória pode estar associada ao ataque das células sanguíneas imaturas. Como ocorre a insuficiência respiratória? A medula óssea é uma fábrica de células, onde uma parte dos pacotes corresponde às hemácias (eritrócitos, glóbulos vermelhos). São estas células que carregam hemoglobina, a molécula que contém ferro e transporta oxigênio para todo o nosso organismo. Por dia, entre glóbulos vermelhos e brancos, o corpo só precisa fazer uns 50 bilhões de células. Mas estas células têm um tempo de maturação. O SARS-COV-19 seria capaz de invadir estas células nesta fase, ou seja, não dá tempo do organismo fornecer uma célula boa. Sem hemácias, sem hemoglobina, sem ferro e sem oxigênio! Resultado: a dificuldade para respirar e outras complicações fatais. A evidência foi coletada no ambiente hospitalar por pesquisadores do Canadá. Clique abaixo para ler mais:

  • Teriparatida: muito além da MRONJ

    Teriparatida: potencial de reconstrução óssea investigado. Um artigo publicado na revista Tissue Engineering Part A (15 set 2020) faz comparações entre biomateriais combinados ou não ao hormônio teriparatida, que é usado no tratamento da osteoporose e MRONJ. Em defeitos mandibulares extensos (15mm - testes em cães), a combinação entre octa-cálciofosfato/colágeno e teriparatida forneceu o dobro de área radiopaca (por microtomografia computadorizada) quando comparada ao uso isolado do biomaterial e ainda se mostrou o único material capaz de formar pontes ósseas do ponto de vista histológico.

  • O que acontece quando você tenta entender a precisão das imagens feitas com o seu escâner intraoral? Parte 2

    Escâneres intraorais: a realidade traduzida pelos números. Foto. I.A. Na parte 1, você viu como a imagem capturada é recebida e armazenada em formato de malha com triângulos (arquivo STL). Para o computador, isso representa um floresta de números dentro de uma matriz. Agora, vamos analisar a acurácia do seu escaneamento. Melhor, é o programa de computador que vai analisar. Comparando as posições no seu escâner intraoral: antes e depois Aqui, é preciso lembrar que as imagens são tridimensionais. A primeira tentativa seria sobrepor as imagens pelos seus centros. A segunda: alguém poderia pensar em sobrepor as imagens pelas suas bordas. Então, o computador vai comparar as distâncias (objetivo real e virtual) e tentar as aproximações usando uma ferramenta chamada ICP (algoritmo de ponto iterativo mais próximo). A palavra iterativo significa "teste e reteste". Até chegar perto dos 100% de sobreposição. Na verdade, nunca fica 100%. No programa do escâner, essa ferramenta é conhecida como "best fit algorithm". "Algoritmo" venda da palavra em latim "algorithmi", uma homenagem ao nome de um cientista da Pérsia (Irã) e especialista em matemática conhecido como Muhammad ibn Mūsā al-Khwārizmī, o pai da álgebra. Ao comparar as distâncias de aproximação, o computador também será capaz de rodar as imagens e tentar sobrepô-las. Daí, o que se vê na tela é um mapa colorido, indicando três aspectos: região de sobreposição máxima região com diferença positiva região com diferença negativa Veja no vídeo abaixo como é o processo para calcular a quantidade de desgaste oclusal que ocorre com o tempo usando um escâner intraoral:

  • O que acontece quando você usa o seu escâner intraoral? Parte 1

    Escâneres intraorais: tecnologia em movimento. Foto. I.A. Escâneres intraorais (também conhecidos como IOs) são dispositivos criados para "capturar" informações de relevo (dentes, gengivas, scanbodies) e transforma-las em dados, conjuntos de números. Tecnologias de escaneamento Cada empresa tem a sua. Uma tecnologia digital converte uma informação física em informação de computador. Veja nos exemplos abaixo alguns nomes comerciais desse dispositivos e os tipos de tecnologias de escaneamento: PRIMESCAN: sensores de alta resolução e luz de ondas curtas com análise de contraste óptico de alta frequência para um escaneamento profundo dinâmico (20mm). DEXIS3800: triangulação ativa com compatibilidade smart shade através da função de distribuição de reflectância bidirecional. MEDIT i-600: tecnologia de vídeo 3D em movimento. ITERO: microscopia confocal paralela. Emerald S: triangulação do padrão projetado. 3SHAPE: microscopia confocal ultra rápida de seccionamento óptico Omnicam: triangulação ativa (projeção de faixa multicolor) Todas as tecnologias acima possuem um tipo de luz estruturada e sensores de profundidade para medir distâncias. Assim, as deformações nessas imagens são captadas e interpretadas para geração das formas, gravadas quadro por quadro, como se fosse um filme à medida que o escâner varre essas superfícies. Depois, serão sobrepostas para geração do arquivo tridimensional final, com possibilidade de coloração em tempo real e muito próxima dos dentes e gengivas. Como o escâner intraoral traduz essa informação? Usando o conceito de linguagem de máquina é a base do escâner intraoral. Em linguagem de máquina, não é possível ler os números como nós fazemos ou escrevemos (1, 2, 3, etc.). No computador, isto só é possível usando-se conjuntos de "zeros" e "uns". É a linguagem binária com os seus bits. Cada bit funciona como se fosse uma "casinha". Por exemplo, o número 4, escrito em linguagem binária, vale 100. Da mesma forma, o número 16, escrito em linguagem binária, vale 10000. Como os processadores de computador possuem 32 bits ou 64 bits, será preciso pegar o número binário, realizar outras operações matemáticas, e finalmente aumenta-lo com números zero até chegar aos 32 bits, ou seja, ter as 32 casinhas preenchidas. No final do processo, seu dente escaneado se transforma numa malha de triângulos que são números (bits). Essa malha é o arquivo tipo STL. Existem outros formatos de arquivos (OBJ, PLY), e finalmente os arquivos criados por cada empresa (são os arquivos de código fechado). O STL, por ser um arquivo de código aberto, pode ser lido em máquinas diferentes. Mas cada número com 32 bits representa o que mesmo? Cada número representa uma das coordenadas (x, y, z) do vértice de triângulo da malha STL. Há milhões de triângulos. Agora, como o computador organiza esses números? As coordenadas (x, y, z) dos vértices de cada triângulo são escritas dentro de uma matriz com linhas horizontais. Você conhece a tal matriz, já fez operações com ela. Isso foi há muito tempo, no ensino secundário, quando seus professores falavam de matrizes e determinantes. Então, o computador identifica coordenadas tridimensionais para cada vértice (V) do triângulo: V1 = (x1, y1, z1) V2 = (x2, y2. z2) V3 = (x3, y3, z3) E depois as escreve no formato de uma matriz, como no exemplo abaixo: x1 y1 z1 x2 y2 z2 x3 y3 z3 Na malha de triângulos STL existem milhares dessas matrizes. Óbvio, o que você vê na tela do seu sistema é o formato geométrico do escaneamento, por dois motivos simples: você é um cirurgião ou cirurgiã-dentista o seu paciente está sentado na cadeira e precisa entender o que você fez As matrizes serão usadas em diversas operações, especialmente para analisar a acurácia do seu escaneamento. Assunto do próximo post. Veja mais: detalhes que fazem a diferença no escaneamento

  • O papel dos editores no mundo da inteligência artificial

    Ferramentas de inteligência artificial na escrita de pesquisas. Foto: IA. O uso de inteligência artificial para ganhar tempo é certo e cada vez maior em todas as áreas, especialmente nas ciências onde precisamos ler um bom número de referências ou fazer testes diagnósticos. Ainda, no campo da IA, é verdade que existe um fenômeno conhecido como alucinação; ou seja, você escreve o seu prompt e a máquina recupera uma informação que extrapola os limites. Essas extrapolações mais parecem fofocas ou algo que nem sequer foi aventado como hipótese nesses trabalhos. Bem, todo tipo de informação escrita precisa de uma fonte confiável. É assim que se faz uma verdadeira “checagem dos fatos”. Mergulhamos no que precisa ficar relevante para quem lê. Nas revistas científicas, essa retaguarda (a fonte) está nos artigos usados como referências bibliográficas. E os guardiões da citação (e da veracidade das informações) são os editores que estão trabalhando nos textos. Aliás, mensagens como “clique aqui para verificar se você é humano”, que geram os famosos "CAPTCHA" em bases de dados científicas aumentaram bastante nesse primeiro trimestre de 2026 ou estou muito enganado? São os chatbots em ação! Agora, precisamos clicar pelo menos duas (ou até três vezes) nos quadradinhos de entrada em repositórios que usam tecnologias como Cloudfare, por exemplo. Lista de referências bibliográficas: bonitinha, mas ordinária? Infelizmente, não é (e não será) a primeira vez. Com a disseminação da inteligência artificial no sentido de “uma ferramenta mágica que lê o seu pensamento” a tendência é que os erros cresçam. Assusta quando pensamos que centenas de estudantes do século 21 têm literalmente deixado tudo por conta da IA: título, introdução, revisão de literatura, estatística, e até a discussão dos trabalhos de forma 100%. Não estou pedindo para não usar a IA, pelo contrário. Mas tenham em mente que é um banco de dados alimentado de tempos em tempos, com grande chance de alucinar. No que se refere à lista bibliográfica, uma das inteligências artificiais mais famosas, sob testes rigorosos, conseguiu fornecer até 70% de informações imprecisas quando o assunto foi sobre Alzheimer e COVID-19! Na prática, é uma daquelas enxaquecas insuportáveis: editores vão passar mais tempo brincando de detetives (e com dores nos fundilhos). Mas a ideia inicial não era que a IA poupasse tanto o meu tempo quanto o seu? Afinal, como a inteligência artificial é alimentada com dados científicos? Essa alimentação é automática, ou seja, programada. Bots. Há ferramentas que raspam dados. Tudo o que estiver público pode ser "raspado". Imagine um grande aspirador de pó. Terminado o serviço, você remove o saco coletor e faz uma limpeza, certo? De modo similar, a qualidade do que está público varia muito, todo fornecedor de informação está sujeito ao link externo ou interno incorreto. Daí entra a curadoria. Aquela que os editores fazem. Anos de treinamento. Olhos de águia. Se é possível identificar erros de transcrição quando os trabalhos são escritos por humanos, a sua IA também deveria ser capaz, correto? Por outro lado, temos o que está fechado (ou seja, existe uma barreira, o famoso paywall), aqui o texto com mais profundidade, os detalhes que precisamos. É a famosa assinatura recorrente ou download artigo por artigo (em dólares ou euros). Em paralelo, algumas editoras (Elsevier, por exemplo) têm trabalhado criando seus próprios modelos internos de I.A. porque o conteúdo já possui curadoria, e a informação resgatada então teria uma confiabilidade maior. Resumos e outros trabalhos em PDF Na maioria das vezes, com a IA raspando apenas resumos de trabalhos em bases de dados de acesso público, cria-se um problema de confiabilidade por motivos óbvios: muitos resumos têm limite de texto: 250 palavras muitos resumos não são bem estruturados por motivos práticos, nem todos os resumos trazem resultados estatísticos Outro modelo de trabalho científico sujeito aos “perrengues” de IA é a monografia, trabalho de conclusão de curso, ou até mesmo uma dissertação. Normalmente, esses textos estão depositados em bases públicas e com acesso aberto à leitura, geralmente no formato PDF, assim como os capítulos de livros. O problema aqui também está no volume de páginas que a IA não consegue assimilar em tão pouco tempo. Outro ponto: a IA não sabe se o trabalho está ou não bem escrito. As ferramentas de inteligência artificial que vão direto ao assunto Por outro lado, a inteligência artificial pode ajudar. Mas é necessário que o robô leia documento por documento. Abaixo, uma pequena lista do que está disponível e lembrando que os valores financeiros para acesso (em dólares) podem mudar: Elicit Diferenciais: A versão paga permite extrair dados de número ilimitado de artigos, exportar para CSV/BIB e prioridade no suporte. No gratuito, os créditos acabam rápido após as primeiras análises. Consensus Planos: Gratuito (limite de buscas IA) | Premium (9 dólares/mês). Diferenciais: O plano pago oferece o "Consensus Meter" ilimitado (que resume a opinião predominante dos cientistas) e filtros avançados para selecionar apenas estudos de alta qualidade (como ensaios clínicos). SciSpace Planos: Gratuito (básico) | Premium (12 dólares/mês). Diferenciais: no plano pago, você tem interações ilimitadas com o Copilot de IA, além de ferramentas de verificação de plágio e formatação de citações automática para diversas revistas. Research Rabbit Planos: Totalmente Gratuito. Diferenciais: Atualmente, é uma das poucas ferramentas de alto nível que não cobra dos pesquisadores, oferecendo mapeamento visual e sincronização completa sem custos. ChatPDF Planos: Gratuito (limite de arquivos/dia) | Plus (5 dólares/mês). Diferenciais: A assinatura permite processar PDFs gigantes (até 2.000 páginas) e fazer perguntas ilimitadas, enquanto o gratuito restringe a quantidade e o tamanho dos arquivos. Writefull Planos: Gratuito (básico) | Premium (5 dólares/mês). Diferenciais: O plano Premium desbloqueia todas as sugestões de linguagem acadêmica e permite o uso direto dentro do Microsoft Word e do Overleaf (LaTeX).

  • Acabamento e polimento colocam resinas convencionais e resinas 3D no mesmo patamar?

    Acabamento e polimento: resinas compostas e resinas 3D no mesmo patamar. Bisfenol glicidil dimetacrilato (BIS-GMA), TEG-DMA, UDMA e outros "MAs" da vida. Sim, pertencem às famílias dos grandes componentes químicos encontrados em resinas compostas. Corrigindo: os compósitos (eu sou do século passado). E nós os usamos em larga escala na Odontologia desde os primeiros anos de prática clínica na graduação. Afora os tecnicismos de se preparar uma cavidade, aplicar o primer/adesivo, e depois polimerizar, a fase de acabamento e polimento em resinas compostas é tão popular quanto e religiosamente mandatória: discos, tiras de lixa, escovas e pontas com os mais variados formatos e capacidades encontram-se no mercado. Além das resinas compostas termo polimerizáveis, restaurações em compósitos eram os únicos materiais que podiam ser obtidos pela técnica indireta (no laboratório). Entretanto, o leque de possibilidades foi ampliado com a chegada da fresagem e da impressão 3D. Eu sei o que você está pensando: qualquer profissional pode ter uma impressora 3D no seu consultório. Mas atenção: há um conjunto de regras a serem adotadas, desde a padronização das camadas de impressão no programa de fatiamento, até os processos de lavagem (com líquidos especiais) e o tempo de pós cura. Além disso, o tanque para resinas 3D necessita de limpeza constante e o profissional deve usar o equipamento de proteção individual. Ou seja, tem muito trabalho a ser feito antes de apertarmos os botões que comandam essas máquinas fantásticas. Por natureza, não somos "testadores de materiais". Mas uma vez inseridos na prática clínica, estes devem preencher certos requisitos. O fator rugosidade A rugosidade é um agrupamento de ondulações microscópicas com picos e vales. Em escala maior, imagine um conjunto de montanhas. Ela está ligada ao acabamento e polimento. Depois do isolamento absoluto ser removido, há dois aspectos de correção imediata nas regiões posteriores: os pontos de contato oclusal e a lisura superficial nesses materiais. Superfícies oclusais internas e externas são análogas às faces das pirâmides, mas possuem arredondamentos impossíveis de serem vistos a olho nu. A mão humana, por mais treinada que seja na aplicação dos incrementos de resina e uso de pinceis e espátulas para alisamento, não consegue deixar essas superfícies 100% lisas e homogêneas. O fator dureza Na metodologia atual, existe um teste de penetração (Vickers). Uma ponta de formato piramidal aplica uma carga (força) ao longo da amostra e número final é atribuído para representar a dureza do material. O fator resistência Seja pela foto ativação em consultório ou pela ativação por luz no processo de impressão 3D, as resinas precisam ter resistência suficiente para manter sua integridade estrutural na cavidade bucal. Resinas convencionais x resinas 3D: a comparação inevitável Tempo Tudo o que é feito em larga escala gera economia. Imagine o desperdício de tempo e dinheiro se os automóveis fossem montados 100% manualmente ao longo das suas linhas de produção. Os valores finais ao consumidor seriam impraticáveis. Temos a mesma situação na impressão 3D em Odontologia: restaurações com diversas geometrias podem ser impressas ao mesmo tempo numa área mínima de 10 x 10 cm. A relação custo e benefício A redução nos custos traz quais benefícios clínicos? Essa é a pergunta a ser respondida. Será que resinas 3D podem ser "igualadas" às resinas convencionais em termos de propriedades mecânicas, mesmo tendo sido obtidas por processos de fabricação completamente diferentes? Acabamento e polimento: fazendo a diferença? No estudo mais recente, três resinas foram investigadas, sendo que as duas últimas da lista eram por impressão 3D: Tetric CAD Nanolab 3D Varseo Smile Crown Para simular as condições clínicas, foram criados quatro grupos: controle polimento com ponta diamantada polimento com pontas de borracha total (ponta diamantada e ponta de borracha) O toque final: metade das amostras em cada grupo foi envelhecida por choque térmico (algo semelhante à ingestão de bebida quente e bebida gelada). A resistência da resina pré-fabricada foi significativamente maior do que os valores nas duas resinas 3D. Situação semelhante também foi observada em relação à dureza. Entretanto, o polimento com pontas de borracha manteve a resistência mecânica e produziu as superfícies mais lisas tanto na resina pré-fabricada quanto nas resinas 3D. Conferindo "com lupa" o efeito do acabamento e polimento na rugosidade, em micrometros Tetric CAD: do grupo controle ao grupo total, sua rugosidade dobra (vamos de 0,4 para 0,8) Nanolab 3D: do grupo controle ao grupo total, sua rugosidade cai pela metade (vamos de 1,77 para 0,90) Varseo Smile Crown: do grupo controle ao grupo total, sua rugosidade cai mais de 80% (vamos de 1,93 para 0,27) Lembrando: 1 micrometro representa 0,001 milímetro. Em todos as resinas, o simples ato de "passar a ponta diamantada" aumentou consideravelmente os valores de rugosidade Tetric CAD: (vamos de 0,4 para 3,70) Nanolab 3D: (vamos de 1,77 para 3,22) Varseo Smile Crown: (vamos de 1,93 para 2,18) Uma recomendação adicional derivada desse estudo: o polimento com pontas diamantadas deveria ser evitado. Entretanto, se for impossível, as pontas de borracha devem ser usadas logo em sequência para mitigar possíveis efeitos adversos. Um dado adicional importante: o material e o tipo de acabamento e polimento não foram capazes de reduzir a aderência do microrganismo testado (Candida albicans), ressaltando o papel da higiene. Leia mais: https://doi.org/10.1016/j.adaj.2025.10.014

  • Análise de custos na Odontologia: fluxo de trabalho convencional, híbrido ou digital?

    Laboratório de prótese: analógico & digital na balança? Há diversos caminhos no mundo digital da Odontologia, que afetam não só as clínicas odontológicas como os laboratórios de prótese, onde idealmente a maioria dos equipamentos deveria estar, já que são os maiores prestadores tradicionais desses serviços há séculos. Para você, que faz clínica, adquirir uma câmera de escaneamento é mais do que um plus: é uma forma de economizar tempo. Por outro lado, para os laboratórios, existem três fluxos principais: convencional (totalmente analógico), híbrido (mistura de digital e analógico) e digital (totalmente CAD-CAM). Nesse momento, a pergunta que todo gestor de laboratório faz é: qual é mais barato no meu dia a dia? Os números dos custos na Odontologia não mentem Uma revisão sistemática de acesso gratuito sobre o assunto identificou três estudos recentes revelando uma hierarquia consistente de custos. Os números abaixo estão em francos suíços (a diferença de câmbio em relação ao Real é de 6,71 vezes na data deste post). fluxo convencional: 748-1.265 CHF por caso fluxo híbrido: 711 CHF por caso (12% mais barato) fluxo digital: 505-566 CHF por caso (24-32% mais barato) Para coroas parafusadas unitárias, a economia é ainda mais impressionante: 243 CHF de diferença (32% de redução) entre convencional e digital. Todos esses dados apresentam diferenças significativas (p < 0,001) e não são variações aleatórias - são reais e reproduzíveis. Onde está a Economia? Na clínica ou no laboratório de prótese? A economia não vem da clínica, vem do laboratório. Os custos clínicos diretos são praticamente idênticos em todos os fluxos (809 CHF). Os custos de materiais também são similares (~64-65 CHF). A diferença explosiva está no trabalho laboratorial. No fluxo convencional, o técnico passa horas em etapas manuais: moldagem, vazamento, escultura, ajustes. No fluxo digital, essas etapas são automatizadas ou eliminadas. O resultado? Economia de até 30% apenas no laboratório. O Fluxo Digital Híbrido: há problemas? Com apenas 12% de economia em relação ao convencional (vs. 30% do digital), o fluxo híbrido oferece o pior dos dois mundos: mantém a complexidade de moldes físicos sem aproveitar totalmente a automação digital. Entretanto, apenas um estudo reportou custos híbridos, sugerindo que laboratórios inteligentes pulam essa etapa e vão direto ao digital. Não há razão econômica para ficar no meio do caminho. Impacto no Tempo Clínico A economia de custos vem acompanhada de economia de tempo nas restaurações digitais: ajuste interproximal: 69% mais rápido (1:00 versus 3:12) ajuste oclusal: 57% mais rápido (1:12 versus 2:48) tempo total de ajuste: 63% mais rápido (2:12 versus 6:00) Por quê? Porque restaurações digitais chegam à clínica com adaptação marginal e oclusal superior, reduzindo drasticamente os ajustes necessários. Menos tempo de cadeira = paciente mais satisfeito e consultório mais eficiente. Afinal, quem não quer sair mais cedo do consultório? E do laboratório? O ROI (retorno sobre o investimento): Quando Começa o Resgate? Vamos aos números práticos. Um laboratório com 100 casos/mês: cenário convencional: 100 × 750 CHF = 75.000 CHF/mês cenário digital: 100 × 530 CHF = 53.000 CHF/mês economia mensal: 22.000 CHF economia anual: 264.000 CHF O investimento inicial em equipamento digital (scanner intraoral + software CAD-CAM) fica entre 45.000-95.000 CHF. Com essa economia, o tempo teórico de resgate, mantido o fluxo de trabalho (há variações sazonais importantes) é de apenas 2-4 meses. A Variabilidade Entre Estudos: O Que Explica? Os custos absolutos variam entre estudos (748 CHF x 812 CHF x 392 CHF). Isso não é erro - é realidade. Diferentes países, diferentes laboratórios, diferentes estruturas de custos. Mas o padrão é universal: digital é sempre mais barato que convencional. Implicações Clínicas Reais Além dos números, há benefícios qualitativos: previsibilidade: Menos surpresas clínicas qualidade: Melhor adaptação marginal eficiência: Menos remakes e ajustes satisfação: Pacientes passam menos tempo na cadeira reputação: Laboratórios digitais oferecem melhor qualidade O Que Isso Significa Para Você? se você é clínico: procure laboratórios digitalizados. Você economizará tempo de ajuste e oferecerá melhor qualidade ao paciente. se você é gestor de laboratório: a digitalização não é um luxo - é uma necessidade econômica. Seus concorrentes já estão fazendo isso. Se você é técnico: Investir em treinamento digital é investir em sua empregabilidade. O futuro é digital. Conclusão a análise de custos na Odontologia é inequívoca: o fluxo digital é 24-32% mais barato que o convencional, com economia concentrada no laboratório. o fluxo híbrido é uma transição desnecessária, já que o ROI é rápido (2-4 meses), e os benefícios clínicos são comprovados. A pergunta não é mais “devemos digitalizar?” A pergunta é “por que ainda não digitalizamos?” É certo que mais estudos (temos apenas três levantados nessa revisão) são necessários e com desenhos diferentes de próteses sobre implantes.

  • Os smartphones podem fazer o escaneamento interno da sua condição bucal?

    Fotografando os postes (scanbodies) com o celular: a próxima evolução na Odontologia digital. Foto: I.A. Os smartphones (celulares), esses dispositivos portáteis fantásticos, que não desgrudam da gente por nada, estão em nossas vidas desde que Steve Jobs fez aquele anúncio seminal naquela convenção da Apple, em 9 de janeiro de 2007. De lá para cá, os processadores evoluíram significativamente. Hoje, fala-se em chip quântico. Em resumo, será uma capacidade maior de processamento nunca antes vista na história da humanidade. Lógico, a Odontologia irá se beneficiar muito. Memória: a forma como o celular foi trazido ao ambiente odontológico para documentação fotográfica, se você lembra bem, gerou questionamentos. Tínhamos câmeras (analógicas) e lentes que superavam esses dispositivos, tanto em resolução (pixels) quanto em nitidez de imagem. Ainda, muitos colegas se lembram como eram frustrantes as primeiras fotografias intraorais com câmeras digitais, enquanto outros as utilizavam para capturar imagens radiográficas de todos os tipos (me incluo nessa parte). Agora, um estudo recém publicado mostra que será possível usar um smartphone para capturar imagens e dispositivos intraorais, transformando contornos 2D em 3D. Mesmo sem estar aprovada para uso clínico, essa inovação mostra um grande potencial. Parece outra técnica conhecida, a fotogrametria, onde os smartphones podem fazer o escaneamento interno, mas sua acurácia é até maior. Tudo isso se tornou possível pelo desenvolvimento de uma nova técnica, conhecida como Neural Radiance Fields (NeRF). Em resumo, depois de se filmar uma cena, outro programa (Neuralangelo) usa algoritmos de deep learning para fazer reconstruções 3D densas. A motivação para a pesquisa com o smartphone (no caso, um iPhone Pro Max, placas de GPU da NVIDIA) é bem simples: os dispositivos de escaneamento intrabucal (IOs), para muitos colegas, ainda são um investimento muito elevado economicamente. Quando isso realmente acontecer, teremos um novo ciclo, com uma avalanche de dados! Ao conectarem scanbodies em modelos de bancada de maxilas totalmente edêntulas com seis implantes dentários em posição, e depois fazerem a sobreposição das imagens, estes pesquisadores relataram que a veracidade é boa, mas a precisão ainda não atinge os níveis desejados. No século 21, a distância entre o sonho tecnológico e a realidade está cada vez menor. É certo que essa geração de profissionais da Odontologia ainda testemunhará mudanças radicais. Basta conferir. Parabéns ao Dr. Gustavo Mendonça, brasileiro, professor da Faculdade de Odontologia da Virgínia, EUA, que participa dessa investigação, e estará no Brasil em setembro para o ABROSS25.

  • Ferramentas de produtividade na Odontologia: anestesia, prótese, e fotografia

    Produtividade na Odontologia: ferramentas de acesso rápido. Foto: IA. A Odontologia é uma profissão com diversas especialidades (são 21 registradas no Conselho Federal de Odontologia). Nos procedimentos, sempre existem conteúdos das especialidades que são comuns. Entretanto, com tantos números para guardar na memória, é muito fácil haver confusões. Quando a sua produtividade na Odontologia não é efetiva, seus rendimentos caem e você leva mais tempo para atingir seus objetivos. Para fazer Odontologia com ciência, uma solução prática e simples está no uso dos cartões de acesso rápido. Ajuste da máquina fotográfica: sinônimo de produtividade na Odontologia No dia a dia, você usa um smartphone ou máquina fotográfica para documentar os seus casos? Os celulares são mais amigáveis nesse sentido, mas as máquinas e seus acessórios são outra história: lentes macro, flashes twin, rebatedores, soft boxes, e muito mais. Considere que no tratamento periodontal você precisa explicar as mudanças de cor na gengiva. Como fazer o paciente entender usando apenas as fotografias sequenciais? Máquinas fotográficas precisam de pequenos ajustes antes de serem colocadas em funcionamento. A padronização ISO 100 é responsável pela definição nas imagens que precisamos. Os outros itens também são fundamentais para uma documentação fotográfica de excelência. Começando ou terminando o tratamento? Verifique sempre os ajustes na sua máquina fotográfica. Requisitos mínimos para uma boa captação de fotografias na Odontologia: Ajuste básico de uma máquina fotográfica Controle da quantidade de anestésicos injetados Determinada a anamnese e planejado o tratamento, é praticamente impossível não usarmos soluções anestésicas em pelo menos 90% dos procedimentos de rotina. Mas o controle da quantidade injetada pode ser perdido se não considerarmos as concentrações dos sais e dos vasoconstritores utilizados. Claro, você consegue contar facilmente o número de tubetes usados porque ficarão sob a sua mesa de trabalho, mas e a quantidade em miligramas? O seu procedimento cirúrgico é de curta ou longa duração? O biotipo do seu paciente suporta quantas miligramas de anestésico sem que seja colocado em risco? Concentrações e controle da quantidade de injeção: Cálculo da quantidade de anestésico injetado. Prótese dentária: diâmetro da broca e preparo do conduto Com frequência, será necessário preparar o conduto com as brocas de Peeso para receber um pino pré-fabricado ou fundido em liga metálica na confecção de uma prótese dentária. Devido às variações anatômicas dos canais radiculares, os diâmetros dos instrumentos também serão diferentes, sendo numerados do 1 ao 6. Óbvio, há limites de preparo quando os dentes estão muito destruídos. Do contrário, é necessário seguir as indicações abaixo para não enfraquecer a estrutura radicular remanescente e garantir espaço para o núcleo e a coroa estética definitiva. A anatomia dentária radicular e o diâmetro da broca de Peeso em dentes superiores e inferiores: A anatomia do canal radicular e sua relação com as brocas de preparação. Ninguém precisa ter memória de elefante. Basta usar as informações nos cards acima para garantir uma produtividade efetiva na sua rotina clínica.

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