top of page

Resultados de busca

388 resultados encontrados com uma busca vazia

  • Osteoporose, perda óssea mandibular, hiperparatireoidismo: qual é a relação?

    QuickPick 03 / 2025 - Osteoporose, perda óssea mandibular, hiperparatireoidismo: qual é a relação? Título Manifestação subdiagnosticada: a perda óssea mandibular no hiperparatireoidismo primário Propósito Investigar como os níveis elevados de paratormônio (PTH primário) elevados, a osteoporose, e a perda óssea mandibular Método utilizado desenho do estudo clínico: casos (PTH primário) e controles (saudáveis) ajustados para gênero e idade 226 participantes (111 PTH primário, 115 saudáveis) exames clínicos e laboratoriais realizados, com imagens por radiografia panorâmica uso do índice mandibular panorâmico (IMP), índice de Klemetti (IK), e absorciometria de raios-X de dupla energia (DXA) estatísticas usadas para investigar as associações entre os índices mandibulares e a osteoporose Resultados principais: perda óssea mandibular? pacientes com PTH primário tiveram índices IMP menores e categorias IK mais avançadas comparados aos controles, indicando maior perda óssea mandibular no grupo PTH primário, pacientes com osteoporose tiveram valores IMP e IK piores do que naqueles sem osteoporose os índices IMP têm correlação positiva com os scores t do DXA o IMP abaixo do valor 0,3 é um indicador independente para osteoporose em pacientes com PTH primário Conclusões a perda óssea mandibular, indicada por valores IMP mais baixos, é uma forte indicadora precoce para osteoporose em pacientes com PHT primário radiografias panorâmicas de rotina feitas em consultório odontológico, podem fornecer informação valiosa na verificação do risco de osteoporose em pacientes com PHT primário Leia mais clicando no link abaixo: https://doi.org/10.1016/j.bone.2025.117598

  • IN26: Novos cursos internacionais na programação

    IN26 - Novos cursos internacionais na programação. A programação internacional do IN26 - Latin American Osseointegration Congress ganha reforços de peso! Confira abaixo os destaques e respectivos temas dos novos cursos internacionais no IN26: Paul Weigl no IN26 Paul Weigl (22 de setembro) Implante minimamente invasivo e seguro com robôs versus navegação versus guias estáticos Bibiana Falcão no IN26 Bibiana Falcão (23 de setembro) Importância clínica da microvascularização na osseointegração, doença periodontal, e sucesso implantológico Nelson Pinto no IN26 Nelson Pinto (23 de setembro) O algoritmo estava errado? 20 anos de evidências clínicas para um novo paradigma regenerativo Peter K. Moy no IN26 Peter Moy (24 de setembro) Aumento de tecido ósseo utilizando tecnologia brasileira inovadora Virgilio Gutierrez no IN26 Virgilio Gutierrez (24 de setembro) Além da TEP: abordagem biológica, cirúrgica e protética para a cirurgia de implante imediato Rodrigo Salazar Rodrigo Salazar (25 de setembro) Tecnologias personalizadas para a reabilitação reconstrutiva em oncologia oral e maxilofacial Lembrando: o congresso IN26 ocorre entre os dias 22 a 25 de Setembro, no Distrito Anhembi, São Paulo.

  • Força de mordida em adultos com dentição natural: o que sabemos?

    QuickPick 05 / 2025 - Força de mordida em dentições naturais: o que sabemos? Título Força máxima de mordida em adultos jovens com dentições naturais: uma revisão sistemática Método utilizado revisão sistemática da literatura adultos com idades entre 18-65 anos qualidade metodológica verificada pelo formulário Joanna Briggs Institute (JBI) critical appraisal checklists. síntese quantitativa: meta-análise análise de subgrupos: dispositivo de mensuração, registro uni/bilateral, sexo, quadrante, idade Resultados principais 30 estudos selecionados 17 estudos de alta qualidade existência de um gradiente de força antero-posterior valores mais altos (homens: 874,63 N; mulheres: 637,22 N) diferenças entre os sexos existem em todos os quadrantes na região de molares, os valores para os homens (592 N) ultrapassam os valores para as mulheres (449 N) aspectos como a idade, sexo e quadrante explicaram até 84% das diferenças observadas o aparelho de mensuração e o local anatômico causam heterogeneidade nesses valores Conclusões sobre a força de mordida há valores estratificados que podem ser usados como referências no dia a dia da clínica há necessidade de um protocolo e de padronização técnica para medir a força de mordida Leia mais sobre oclusão: Gnatologia: será que morreu mesmo? A esfera de Monson

  • Hidrogel fotoativável: fim das suturas?

    Hidrogel fotoativavel: fim das suturas? Uma biotinta que pode acabar definitivamente com o uso de suturas ou estamos sonhando muito alto? Sim, você já leu no blog que há hidrogeis para tratar estomatite aftosa: agora também podem ser fotoativáveis. Nesse sentido, pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Beijing (China), acabam de criar um novo biomaterial misturando uma gelatina metacriloil (GelMA) com o polímero Diazirina-Gelatina (DG), que tem dupla função: resistência mecânica e união química. Embora esses componentes sejam conhecidos, o toque final consiste em aplicar uma luz UV (365nm, 100mW/cm2 de potência) para consolidar essa mescla no local da ferida. Diferente dos adesivos físicos que apenas "repousam" sobre a ferida, esse hidrogel fotoativável (DGM) cria uma ancoragem molecular. É uma fusão química entre o material sintético e a biologia do paciente, permitindo que o selante resista ao ambiente úmido do corpo humano, que costuma repelir as colas convencionais. Resistência e selamento do hidrogel fotoativável Os resultados iniciais mostram que o DGM é capaz de conter vazamentos em órgãos sob pressão, como vasos sanguíneos de grande calibre ou o próprio coração, sem o risco de desprendimento. Além da pressão, ele suporta o movimento. Em tecidos dinâmicos, como a pele sobre articulações ou o tecido pulmonar, essa elasticidade é crucial para evitar a reabertura da ferida durante o processo de cura (cicatrização). Mas as suturas convencionais pioram a resposta inflamatória? Sim. Suturas mecânicas simples frequentemente exacerbam essa resposta, levando a uma deposição desordenada de colágeno e, consequentemente, gerando cicatrizes hipertróficas. Entretanto, quando os fios de sutura recebem biotintas, os fenômenos de reparo ficam melhores. Ao não usar o fio, depositando apenas essa nova biotinta de sinergia dual, usando a seringa seguida de fotoativação, temos a evolução do processo. Cicatrização natural, sutura convencional e cola comercial frente ao DGM Assim, na comparação com o grupo controle (cicatrização espontânea), material de sutura, e uma cola comercial, o estudo in vivo com o DGM revelou um perfil biológico distinto: redução da inflamação: a aplicação é "suave" e não perfura o tecido saudável adjacente. organização do colágeno: a análise histológica mostrou que o DGM promove uma deposição de fibras de colágeno mais alinhada, mimetizando a arquitetura original do tecido. re-epitelização acelerada: ao fornecer um suporte estável e biocompatível, o hidrogel permite que as células epiteliais migrem com mais facilidade sobre a área lesionada. O benefício adicional: liberar medicamentos de forma controlada Devido à sua porosidade controlada e biocompatibilidade, ele pode ser carregado com fármacos específicos para otimizar a regeneração tecidual em pacientes idosos ou com dificuldades de cicatrização. Ainda, tecnicamente, embora bactérias não tenham sido usadas nessa pesquisa, os investigadores afirmam que esse hidrogel pode formar uma barreira física capaz de limitar a penetração de componentes externos. Em conclusão, é uma excelente estratégia na criação de futuros adesivos tissulares de alto desempenho.

  • Semaglutida e saúde bucal: seus dentes em risco?

    Efeitos da semaglutida na saúde bucal: dentes em risco. A semaglutida é o medicamento injetável em forma da caneta. Ao atrair a atenção da mídia internacional, essa "tinta" se tornou mais popular do que as suas "irmãs" que assinam os documentos governamentais. Motivo: sua molécula está presente em medicamentos como o Ozempic e o Wegovy. Ela é uma das terapias mais prescritas para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Sim, também há estudos sobre o uso da semaglutida e seus efeitos no mal de Parkinson e Alzheimer. Obviamente, a sua eficácia está no controle glicêmico e na perda de peso. No entanto, o preço a ser pago vem na forma de uma série de efeitos colaterais que vão além da perda de peso. Especialmente os que afetam a saúde bucal. O controle do açúcar no sangue: insulina e glucagon Insulina Quando comemos, o corpo quebra os carboidratos em glicose, e o nível de açúcar no sangue sobe. O pâncreas percebe esse aumento e libera a insulina, o açúcar sai do sangue e entra nas células para virar energia ou ser guardado como estoque. Com isso, o nível de açúcar no sangue volta ao normal. Glucagon Algumas horas depois de comer, o nível de açúcar no sangue começa a cair porque as células já consumiram o que estava disponível. O pâncreas percebe a queda e lança o glucagon, que vai até o fígado para liberar esse "estoque de emergência de açúcar" de volta na corrente sanguínea. Isso garante que seu cérebro e corpo continuem funcionando até a próxima refeição. O que é a Semaglutida e como ela afeta o corpo? A Semaglutida (GLP-1) um hormônio natural produzido no intestino que regula a liberação de insulina, reduz a produção de glucagon e retarda o esvaziamento gástrico. Esses efeitos combinados ajudam a controlar os níveis de glicose no sangue e a reduzir o apetite, contribuindo para a perda de peso. Todavia, o esvaziamento gástrico retardado pode ter implicações importantes em outros sistemas do corpo, especialmente no que diz respeito aos procedimentos cirúrgicos e à saúde bucal. É justamente nessa interseção que os dentistas devem estar alertas. Manifestações Orais Associadas à Semaglutida Esclarecendo: a semaglutida não causa mal direto à sua dentição, mesmo que o termo "dentes de Ozempic" seja vinculado nas redes sociais. Segundo a revisão mais recente, os efeitos da Semaglutida na cavidade oral são diversos. Claro, em algum momento, os dentes darão esses sinais. E entre os principais sintomas relatados estão: 1. Xerostomia (Boca Seca) A boca seca é um dos efeitos colaterais mais comuns da Semaglutida. A saliva é essencial para a limpeza natural da cavidade oral e para a proteção contra cáries e infecções. A redução da produção salivar pode levar ao aumento do risco de cáries, gengivite e infecções fúngicas. 2. Halitose ("Hálito de Ozempic") Vários pacientes relatam aumento da halitose (mau hálito) durante o uso da Semaglutida. Isso pode estar associado à alteração da microbiota oral e à desidratação da cavidade bucal. O termo "Hálito de Ozempic" tem se tornado comum na literatura clínica. 3. Alteração do Paladar Alguns pacientes relatam sensações de gosto metálico, amargo ou alterações no paladar. Embora não sejam comuns, esses sintomas podem impactar a alimentação e a qualidade de vida. 4. Erosão do Esmalte por Refluxo Gástrico O esvaziamento gástrico retardado pode aumentar a incidência de refluxo gastroesofágico (RGE). O ácido gástrico que sobe até a cavidade oral pode causar erosão dentária, especialmente em pacientes que não mantêm uma higiene bucal adequada. Riscos em Procedimentos Cirúrgicos Profissionais de odontologia devem estar cientes de que o uso de Semaglutida pode aumentar o risco de aspiração pulmonar durante procedimentos que envolvem sedação ou anestesia geral. Isso ocorre devido ao esvaziamento gástrico mais lento, que pode levar à acumulação de conteúdo gástrico no estômago. Ficha de Anamnese: seu paciente usa semaglutida? É fundamental que os pacientes informem ao seu dentista que estão usando Semaglutida, especialmente antes de qualquer procedimento invasivo. Isso permite que o profissional converse com o(a) médico(a) para avaliar os riscos e adotar medidas preventivas conjuntas, como: ● ajuste do horário da medicação em relação ao procedimento. ● uso de técnicas de sedação mais seguras. ● monitoramento mais rigoroso durante a intervenção. Condutas e estratégias bucais frente à semaglutida Profissionais de saúde e pacientes podem adotar algumas estratégias práticas: 1. Uso de Xilitol O xilitol estimula a produção de saliva e a reduzir a acidez oral. Recomenda-se o uso de chicletes ou enxaguatório bucal com xilitol para pacientes com xerostomia. 2. Hidratação Adequada Recomenda-se beber água ao longo do dia e evitar bebidas alcoólicas e cafeinadas, que podem agravar a desidratação. 3. Protocolo STOP-GAP para Cirurgias Para procedimentos cirúrgicos, o protocolo STOP-GAP (Stop, Test, Observe, Prepare, Go, Avoid, Protect) pode ser adaptado para pacientes em uso de Semaglutida. ● Stop: Suspensão temporária da medicação, conforme orientação médica. ● Test: Avaliação do esvaziamento gástrico. ● Observe: Monitoramento de sintomas gastrointestinais. ● Prepare: Adaptação do plano cirúrgico. ● Go: Realização do procedimento com medidas de segurança. ● Avoid: Evitar procedimentos em jejum inadequado. ● Protect: Proteger o trato respiratório durante a intervenção.

  • Coroas impressas 3D: que tipo de tratamento superficial rende mais?

    QuickPick 06 / 2025 - Coroas impressas 3D: que tipo de tratamento superficial rende mais? Título Comparação dos protocolos de tratamento de superfície em coroas impressas em resina 3D: efeitos na rugosidade superficial e desempenho adesivo Método uma resina (Saremco Print Crowntec) para impressoras LCD 168 corpos de prova (10 × 10 × 2 mm3) 7 grupos: controle, jato abrasivo de Al2O3 (110 µm, 50 µm), ácido fluorídrico 9% (1 and 3 min), laser de CO2 laser (padrões paralelo e grade) com e sem primer em cada um dos grupos um cimento resinoso testes de cisalhamento na interface resina & cimento Resultados os tratamentos de superfície afetam a resistência adesiva maiores valores: jato abrasivo de Al2O3 110 µm (14,05 ± 3,78 MPa), laser de CO2 com linhas paralelas (11,86 ± 5,51 MPa) condicionamento com HF 1 min (9,47 ± 4,04 MPa) e grupo controle (7,08 ± 2,98 MPa) com resistências menores o uso do primer não afetou a resistência adesiva relação fraca entre resistência e rugosidade de superfície Conclusões sobre as coroas impressas 3D jato abrasivo de Al2O3 110 µm gerou a maior entre todas as resistências entretanto, o laser CO2 pode ser uma alternativa HF por 3 min melhora os resultados adesivos a variação isolada nas rugosidades superficiais não é suficiente para ajudar na adesão Leia mais clicando no link abaixo: https://doi.org/10.1111/jopr.70173

  • Os primeiros 500 implantes dentários colocados: quais são as lições?

    Sobrevivência e sucesso dos implantes dentários. Quantos implantes dentários um dentista precisa colocar para entender seu funcionamento? Essa é uma pergunta recorrente. Os treinamentos atuais em modelos que simulam a densidade óssea ficam entre 5 e 10 colocações por cliente. Claro, a história não termina aqui: um(a) aluno(a) de um curso que atenda dois pacientes por mês e faça duas cirurgias para que a prótese (com ou sem carga imediata) receba entre 4 e 5 implantes, teria colocado ao final desses 12 meses, 120 unidades osseointegráveis. Multiplique esse número pelo número mínimo de alunos (n = 12) e teremos por ano 1.440 implantes no mesmo curso. Todavia, existem diferenças entre 500 e 1 mil implantes colocados quando falamos em sobrevivência? E, com as primeiras 500 unidades colocadas, seria possível entender o “destino” de cada uma até os primeiros 1 mil? Reserve cinco minutos do seu tempo, pegue um café, e aprecie. Muito obrigado! A média de implantes dentários por ano no Brasil: cenários possíveis Conforme o levantamento recente feito pela ABIMO com 1584 respondentes de consultórios particulares, essa média fica em 42,5 unidades. No total, teríamos então 67.320 unidades. Além disso, há outra possibilidade: dados do CFO apontam para pouco mais doque 23 mil especialistas registrados (os homens ainda são praticamente o dobro nesse contingente). Então, considerando 80% da força ativa e mantendo-se a média de 42,5 unidades, teríamos 782 mil unidades colocadas por ano. São números para mais do expressivos! Agora, vamos ver o que acontece quando essas quantidades ficam sujeitas às taxas de sobrevivência. Mas antes, uma pequena explicação. Por que é mais comum falarmos de sobrevivência e não do sucesso dos implantes dentários? Sobrevivência significa o implante dentário que está em função e não foi removido. Sucesso é o implante que sobrevive e ainda é possível medir seus níveis ósseos marginais. Ou seja, quando um estudo relata apenas a sobrevivência dos implantes dentários, é porque não possui as radiografias periapicais (cone longo) para medir essas mudanças ósseas. Uma ressalva: nem todos os estudos que relatam “sucesso” do implante possuem a série radiográfica completa ano após ano: muitos pacientes mudam seu endereço de residência, outros desistem de retornar aos controles, e outros simplesmente falecem. Ainda, as taxas de sobrevivência são cumulativas. Taxas de sobrevivência: as diferenças entre 90%, 95% e 97% Então, porque primeiros 500 implantes são um marco importante? Além da curva de experiência, existe outro fenômeno singular: há um processo de “diluição” das taxas de perda à medida que o volume de implantes dentários colocados aumenta. Evolução da sobrevivência dos implantes dentários. Dessa forma, a jornada clínica pode ser separada em dois momentos distintos: fase de monitoramento intensivo (0 a 500 unidades): com intervalos de 50 em 50, o gráfico mostra a "luta" para manter a estabilidade. Note como as linhas estão muito próximas no início, onde qualquer perda tem um peso percentual enorme. fase de consolidação de escala (1.000 a 5.000 unidades): a partir das 500 unidades, os intervalos saltam para 1.000. Aqui, as linhas de 90%, 95% e 97% começam a divergir visualmente de forma clara. É nesta fase que a excelência clínica (97%) se traduz em centenas de pacientes a mais com sucesso em comparação ao padrão de 90%. Taxas de perda: as diferenças entre 90%, 95% e 97% Para ficar bem claro, vamos analisar essas informações de um modo diferente: Taxas de perdas dos implantes dentários. No gráfico acima, as barras destacam o quanto a margem de erro "encolhe" conforme buscamos a excelência: o abismo entre 90% e 97%: Ao atingir 5.000 implantes, o padrão de 90% permite até 500 perdas, enquanto o de 97% permite apenas 150 perdas. Lição: Operar em 97% exige evitar 350 falhas que seriam "comuns" no padrão de 90%. a "folga" nos 95%: na marca de 1.000 implantes, a taxa de 95% permite 50 perdas. Ao subirmos nossa excelência para 97%, essa margem cai para 30 unidades. Conclusão: são 20 retratamentos a menos a cada mil implantes apenas por subir 2 pontos percentuais na taxa. O fenômeno da zona de estabilização: entre 500 e 1 mil implantes dentários colocados Além da diluição taxas, existe outro fenômeno: a fase da estabilização, como é possível observar no gráfico abaixo: O impacto de um implante dentário perdido em função do número de implantes colocados. Da curva acima, podemos extrair dois significados: o "peso" de uma única perda cai de 0,2% (em 500 unidades) para 0,1% (em 1.000 unidades). A sua taxa de sobrevivência torna-se duas vezes mais resistente a fatalidades. Se você tiver uma intercorrência biológica rara, ela terá metade do poder de "sujar" o seu indicador de sucesso aos 1.000 implantes do que tinha aos 500. existe uma diluição do "ruído" clínico: abaixo de 500, qualquer variação (um lote de implantes com problema ou um paciente com cicatrização atípica) causa picos e vales violentos no gráfico. Entre 500 e 1.000 unidades, essas variações começam a ser absorvidas pela média. Assim, a linha do gráfico deixa de ser "quebrada" e passa a ser uma curva suave. confirmação do padrão de qualidade: é neste intervalo que você confirma se a sua clínica opera no padrão de 95% ou 97%. Resumindo: aos 500 implantes, a diferença entre 95% e 97% é de apenas 10 implantes. aos 1.000 implantes, essa diferença sobe para 20 implantes. a margem maior permite identificar se desvios na taxa são causados por técnica, material ou apenas flutuação estatística. Se os primeiros 500 implantes servem para consolidar a técnica, o intervalo até os 1.000 serve para blindar a reputação. Ao atingir 1.000 implantes, o dentista possui dados inquestionáveis sobre sua performance, e a probabilidade de a taxa sofrer uma alteração brusca por um evento isolado é praticamente nula. Implantes dentários: aprendizado, consolidação, maturidade. Sobrevivência e sucesso do implante dentário vistas sob outra perspectiva No mundo da implantodontia, há outros dilemas clínicos. A perda do implante dentário é multifatorial e com mais de 80 motivos listados. Além disso, estudos multifatoriais feitos em universidades são muito diferentes da vida clínica, não? Sim, eu me refiro às tais radiografias (com diversas qualidades). Sem dúvida, essa é a nossa “pepita de ouro”, onde precisamos dedicar mais tempo e energia. Mesmo assim, existe uma outra maneira de classificar os implantes dentários, publicada em 1993, por Albrektsson e Zarb, e mais tarde revisada por Roos et al, em 1997: Os primeiros três critérios básicos: a análise simples não contabilizado: o implante que não falhou, mas não entra na amostra por qualquer motivo (paciente que se mudou, desistiu ou faleceu) falha: o implante foi removido por qualquer razão sobrevivência: o implante que não pertence nem ao grupo do não contabilizado e nem ao grupo de falha O critério do sucesso: a análise mais precisa sucesso: o implante pertencente ao grupo sobrevivência e que adicionalmente foi testado para o sucesso segundo os critérios específicos abaixo: grau 1: ausência de mobilidade no teste de estabilidade; radiografia mostra não mais do que 1mm de perda óssea no primeiro ano de função e não mais do que 0,2mm anualmente daí em diante; ausência de infecção severa no tecido mole, dor persistente, parestesia, desconforto. grau 2: radiografia revela o implante integrado e mostra não mais do que 1mm de perda óssea no primeiro ano de função e não mais do que 0,2mm anualmente daí em diante; ausência de infecção severa no tecido mole, dor persistente, parestesia, desconforto. grau 3: radiografia de cada implante integrado revela não mais do que 0,2mm de perda óssea marginal no último ano; ausência de infecção severa no tecido mole, dor persistente, parestesia, desconforto. Traduzindo esses critérios para o dia a dia clínico na Implantodontia Voltamos à situação do curso: 120 implantes dentários x 12 alunos = 1.440 implantes colocados Trabalhando com esses números dentro dos critérios estabelecidos acima, e imaginando que chegamos, pelo menos ao final do primeiro ano dos implantes dentários em função, com todos os pacientes (o que pode ser raro), temos: Cenário 1: não contabilizados: 0 (zero) falhas: 144 unidades (se realmente ficasse em 90% de sobrevivência) sucesso: 972 unidades (supondo que 75% desses implantes têm as radiografias inicial e final, com não mais do que 1mm de perda óssea marginal) sobrevivência: 324 unidades (os 25% implantes restantes que não possuem essas radiografias) Cenário 2: não contabilizados: 0 (zero) falhas: 72 unidades (se realmente ficasse em 95% de sobrevivência) sucesso: 1026 unidades (supondo que 75% desses implantes têm as radiografias inicial e final, com não mais do que 1mm de perda óssea marginal) sobrevivência: 342 unidades (os 25% implantes restantes que não possuem essas radiografias) Cenário 3: não contabilizados: 0 (zero) falhas: perto das 43 unidades (se realmente ficasse em 97% de sobrevivência) sucesso: perto das 1047 unidades (supondo que 75% desses implantes têm as radiografias inicial e final, com não mais do que 1mm de perda óssea marginal) sobrevivência: 350 unidades (os 25% implantes restantes que não possuem essas radiografias) Mais uma lição clínica: nossa meta mínima está nos 95%. Bons trabalhos!

  • Fluxo digital na Odontologia: o que os dentistas do Brasil pensam?

    Fluxo digital na Odontologia: tendências no Brasil. O comportamento setorial atual mais recente aponta para uma consolidação: 70% dos dentistas reabastecem seus estoques pelo e-commerce. Maior praticidade, maior variedade, maior rapidez no recebimento. Entretanto, essa é apenas uma parte dos novos comportamentos. Então, como anda o processo de adoção das tecnologias no fluxo digital da Odontologia Brasileira, ou pelo menos, o desejo de adquiri-las? Tendências no fluxo digital da Odontologia A pesquisa mais recente (dados de 2024) feita pela Associação Brasileira da Indústria dos Dispositivos Médicos e Odontológicos (ABIMO), em parceria com o Conselho Federal de Odontologia (CFO), revela: algumas áreas já consolidam tendência, enquanto outras apontam para um movimento tímido. Nesse sentido, é possível extrair diversos recortes. Entretanto, vamos nos concentrar sobre alguns dados que podem apontar os caminhos do fluxo digital na Odontologia: Escâner intraoral: pela democratização do acesso A partir de uma base de 1882 respondentes, pode-se observar que: seu uso é maior no estado de São Paulo 15% possuem, e desses, 12% usam com frequência 22% planejam comprar dentro de um ano 63% não tem e não planejam comprar Fato: essa intenção está concentrada em dentistas mais jovens que normalmente não possuem o poder de compra para tal ferramenta. Importante: a idade dos dentistas não é uma barreira ao uso do escâner. Ainda, foi identificada que a tendência de adoção dessa tecnologia é proporcional ao número de pacientes e profissionais na mesma unidade clínica. Moldagens digitais: sim, mas com ressalvas? A partir de 243 respostas, temos duas conclusões importantes: esses números médios chegam aos 53% dentre os que usam a tecnologia na rotina clínica entretanto, apenas 10% acreditam que o escâner intraoral vai substituir os materiais físicos, ou seja, ainda há muitos obstáculos a serem vencidos naquilo que os escâneres intraorais podem fazer. Tratamentos ortodônticos: tradicionais ou com alinhadores invisíveis? Dentre os 1701 respondentes, dois dados interessantes: 54% das clínicas já usam alinhadores ortodônticos entretanto, a ortodontia tradicional (bandas, fios, bráquetes) ainda responde por 82% dos casos realizados Radiologia: panorâmica, 2D ou 3D? A amostra aqui totalizou 1584 respostas, onde: apenas 6% possuem em consultório particular um sistema de radiologia panorâmica sobre a intenção de aquisição, esses dados se dividem em 3% para os sistemas digitais 2D, e em 7% nos sistemas digitais 3D Fresadora e impressora 3D Da mesma maneira, dentre as 1584 respostas, temos: cerca de 3% dos profissionais têm uma fresadora, e outros 16% estão com intenção de comprá-la entretanto, esses números saltam para 8% e 23%, respectivamente, quando falamos em impressão 3D A Odontologia Brasileira: em transição digital Embora o desejo e o uso de fluxos digitais (como alinhadores e escaneamento) sejam altos, a posse física dos equipamentos de alto valor (escâneres, fresadoras e radiologia complexa) ainda está concentrada em uma parcela pequena de profissionais. Isto sugere um forte mercado de serviços de centros radiológicos e laboratórios digitais, especialmente porque a maioria dos serviços restauradores com fluxo digital depende desses equipamentos. O que pode pesar nos próximos anos dentro do fluxo digital? Por um lado, alguns fabricantes de equipamentos estão cada vez mais antenados com as necessidades dos consumidores, o que é bom para uma classe odontológica onde a média de consumo mensal, apenas em insumos, varia entre 2 e 10 mil reais. Por exemplo, é fato que alguns modelos de impressoras 3D não dependem mais da lógica "rendimento lucrativo apenas sob demanda significativa". Ao mesmo tempo, o setor industrial fornecedor desses produtos continua expandindo seu portfólio (por exemplo, há próteses totais impressas de uma vez só). Por outro lado, há equipamentos que deverão permanecer em centros especializados não apenas pelo custo de aquisição, mas pela demanda de manutenção e profissionais com alto conhecimento técnico (fresadoras 3D). Finalmente, é preciso aguardar: a introdução da inteligência artificial (IA) na Odontologia mostra que o dilema "homem x máquina" será um caminho suave no consultório. Aliás, ela tem sido introduzida em diversos equipamentos do fluxo digital, gerando diagnósticos mais precisos.

  • A perda de Contato entre Dente e Implante: Ficha de Exame Gratuita

    Perda de contato dente e implante: ficha de exame gratuita No dia do professor brasileiro em 2025, um post de utilidade pública e uma ferramenta gratuita! Uma ficha especial para examinar o ponto de contato entre o dente e o implante e tomar providências. AVISO: essa ficha não veio de nenhum consenso famoso ou recente. Ela foi preparada depois de conversar muito com...completem a frase mentalmente. E olha que ficou muito boa! Agora, para que vocês não se esqueçam de baixar essa ficha PDF e fazer a impressão (está tudo em uma página, é bem simples), cliquem aqui. Depois, voltem para ler o post e entender porque devemos nos preocupar com esse fenômeno (como se já não bastasse a tal peri-implantite). Se vocês recebem ou tratam pacientes que possuem próteses sobre implantes adjacentes aos dentes naturais, já passaram por esse tipo de situação. Quando nós não planejamos em conjunto com o cirurgião ou não colocamos os nossos próprios implantes dentários, teremos uma maior chance de variação em todos os aspectos das restaurações finais, começando pelo tamanho da mesa oclusal, do cantilever, e especialmente nos contatos proximais. E mesmo quando planejamos nossos implantes, muitas vezes, os pacientes não querem passar pela movimentação ortodôntica, ou submeterem-se aos desgastes (slices) proximais que melhorariam a anatomia final das restaurações (leia-se menos impacção alimentar). A diferença entre a extensão coronária e a extensão cervical nas coroas dentárias naturais, somada ao efeito do volume vestibular e lingual da anatomia, cria relações interproximais que podem ser "áreas" ou "contatos". Além disso, as ameias interproximais podem ser pequenas ou amplas e, dependendo das relações oclusais que o seu paciente possui, esses contatos podem ficar "mais para vestibular" ou "mais para lingual". E assim, chegamos à nossa situação clínica: a perda de contato entre dente e implante. O que é a perda de contato entre dente e implante? define-se como a ausência ou “afrouxamento” do contato entre a restauração implantossuportada e o dente natural adjacente, de modo que o fio dental passe sem resistência ou com pouca resistência (dependendo da definição do estudo). é mais comum ao lado de implantes porque dentes naturais possuem ligamento periodontal (com micro mobilidade e remodelação ao longo do tempo), enquanto implantes são anquilosados ao osso. Essa assimetria biomecânica favorece migração/deriva do dente vizinho e a abertura do contato, sobretudo no sentido mesial. Por que a perda de contato pode ocorrer? Migração/flutuação do dente natural a presença de ligamento periodontal, remodelação e padrões de flutuação mesial explicam a maior incidência em mesial, com o dente “caminhando” contra uma restauração rígida (o implante) e abrindo o contato. Carga oclusal e biomecânica em 2024, uma análise conceitual propõe que vibração/ondas de tensão decorrentes do impacto oclusal em coroas sobre implantes possam contribuir para a perda de contato proximal, intrusão dentária e o afrouxamento do parafuso Tipo de restauração uma prótese parcial fixa curta (com dois implantes) estaria mais propensa à perda de contato na região mesial do que coroas unitárias o risco seria maior quando o dente natural é contíguo à uma restauração esplintada sobre implantes dentários Desenho proximal e perfil de emergência a área/forma do contato e o perfil de emergência podem influenciar a retenção de biofilme e a facilitação de impactação alimentar; coorte de 2024 ressalta sua importância clínica A perda de contato proximal é multifatorial? sim. Não existe um fator isolado, mas um grupo de fatores que pode aumentar esse risco, como tudo o que já foi comentado acima. Como eu faço o exame? Que tipo de recomendação posso dar aos meus pacientes? embora não exista um consenso oficial, é possível compilar os fatores de risco listados acima e orientar melhor os nossos pacientes. Agora, que tal fazer o download gratuito clicando na ficha abaixo:

  • Dentes e implantes dentários: existe uma “época” melhor?

    O dente e o implante dentário: em épocas diferentes? No contexto do sistema estomatognático, os dentes possuem duplo papel: estética e função. Entretanto, ao longo da vida, episódios de cárie, alimentação desregrada, escovação inadequada, problemas endodônticos ou até mesmo hábitos parafuncionais podem reduzir a sua vida útil. Mesmo assim, sua composição estrutural ainda é capaz de suportar esforços. Caso contrário, o planeta Terra seria o maior shopping de próteses totais (dentaduras) nessa galáxia. É quando nosso foco se resume à raiz dentária: mesmo que a estrutura de esmalte e dentina acima da gengiva esteja totalmente perdida, ainda podemos usar seu conduto interno como meio de sustentação para a restauração dentária, seja ela parcial ou total. Por outro lado, os implantes dentários são considerados uma espécie de “preferência nacional”. O ponto: colocar implantes é uma decisão simples apenas na ausência completa dos dentes. Motivos principais para manter o dente (as raízes) em posição Os dentes são, indiscutivelmente, os melhores sensores de força que uma cavidade bucal pode ter. Comparando, é como se os implantes tivessem essa capacidade pelo menos 8 vezes menor do que os dentes. Ainda, estudos em pacientes com dentição natural, prótese dentária fixa, e prótese total sobre implantes mostram que esse grau de discriminação é completo apenas na primeira situação, parcial na segunda, e aleatório na terceira. Ou seja, ao fazerem muito mais força do que o necessário, e especialmente nos primeiros meses após serem colocadas, essas próteses sofrem danos prematuros. Em paralelo, as raízes também são um motor: sob carga, elas puxam o ligamento periodontal que, por sua vez, traciona o tecido ósseo delicado que sustenta as gengivas. Então, ao serem removidas, essa função cessa e cria defeitos complexos que nem talvez as próteses mais bem confeccionadas sejam capazes de resolver. Finalmente, diversos estudos clínicos também evidenciam que é possível criar uma prótese dentária com poucos pilares e vê-las funcionarem bem por muitos anos. Esse sucesso começa na seleção de raízes estratégicas em conjunto com o acompanhamento e a motivação do paciente. As possibilidades restauradoras e o efeito férula É certo que a quantidade de estrutura remanescente na coroa (acima da gengiva) influencia o destino (a longevidade) do tratamento. Nesse aspecto, quanto maior o número de paredes coronais que ainda restam, maior a chance dessa futura restauração funcionar por mais tempo. E mesmo que nada haja acima da gengiva, ainda temos a chance de criar o efeito férula (o famoso anel de dentina 360 graus com 2mm de altura mínima) e cimentarmos um pino pré-fabricado. A ciência também mostra que, se houver trinca ou fratura, essa raiz é passível de reparo. Entretanto, o contrário não ocorre com os pinos metálicos, onde essas falhas dificilmente dão uma segunda chance. Ainda, dentro das novas possibilidades restauradoras e como meio auxiliar, temos as resinas reforçadas por fibras. Deixando a colocação dos implantes dentários para a hora certa É verdade que implantes dentários não têm cárie, mas não estão imunes aos problemas bucais: podem sofrer inflamação e a perda óssea ser até mais rápida do que na doença periodontal. Ainda, o outro motivo de preocupação é que os tratamentos atuais para a peri-implantite não possuem efetividade elevada. Assim, quanto mais adiamos sua colocação, melhor. Novamente, e estabelecida a cooperação entre profissional e paciente, os tratamentos periodontais existentes são capazes de sustentar dentições e/ou raízes que estão “no limite”. Manter as raízes ou fazer as próteses com dentes e/ou implantes: os custos também são diferentes? Nesse contexto, o poder das terapias periodontais regenerativas em defeitos intraósseos profundos não pode ser desprezado. Após 10 anos de acompanhamento dentro de um estudo randomizado controlado onde participaram 50 indivíduos com periodontite nos estágios III e IV, as seguintes observações vieram à tona: 88% (regeneração) e 100% (prótese) de taxas de sucesso (sem diferenças estatisticamente significativas) as médias de anos sem complicações foram iguais em ambas as terapias tanto as respostas dos pacientes, como a qualidade de vida, melhoram em ambos os cenários complexos embora não houvesse diferença nos custos cumulativos entre a opção pela regeneração ou prótese, quando os custos iniciais foram embutidos, os cenários mudaram: ou seja, fazer “poupança biológica” provou-se uma opção econômica melhor ao longo desses 10 anos. Um detalhe importante: no estudo acima, os pacientes tinham acompanhamento trimestral e depois anual. Mesmo assim, houve três perdas dentárias no grupo com regeneração (duas após 1 ano e uma após 8 anos). O “melhor momento” da coexistência pacífica entre dentes e implantes Pelo que se sabe até o momento nesse item, um novo artigo sugere que pacientes de meia-idade (e acima) são os mais beneficiados. Entretanto, as ressalvas principais, além da participação dos cuidadores e dos efeitos dos medicamentos, são com o desenho da prótese (parafusada ou overdenture) e como eles ou elas poderiam limpá-las corretamente. E, ao conceber o tratamento restaurador, não seria preciso colocar implantes dentários em toda a arcada maxilar ou mandibular. Por exemplo, pacientes com próteses parciais removíveis classes I ou II de Kennedy podem ter melhor retenção e estabilidade recebendo um implante de cada lado, servindo de apoio nas extremidades livres. Leia mais: Quando e como remover um implante dentário

  • Reabilitações orais complexas sobre dentes e implantes

    Prótese parcial fixa sobre implantes. Fonte: arquivo pessoal. A Odontologia é uma especialidade onde o prognóstico dentário individual determina a longevidade dos tratamentos restauradores. É comum vermos pacientes com poucos elementos dentários (a maioria na região anterior entre caninos) ou situações onde a dimensão vertical não é suficiente para inserção das próteses sem que modificações significativas (como por exemplo, ortodontia, extrações) sejam executadas antes ou em paralelo com os tratamentos. Nesses casos, a primeira consulta, onde a conversa com os pacientes será ampla e esclarecedora, deve trazer à tona alguns tópicos importantes sobre as reabilitações orais: Capacidade de higienização A maioria dos pacientes se apresenta com restaurações antigas extensas (amálgamas, pinos), dentes tratados endodonticamente, cáries radiculares. As próteses novas necessitarão de manutenção rigorosa, já que muitos dentes ainda terão estrutura coronária capaz de reter as novas próteses. Em sua grande maioria, as próteses novas estão esplintadas (não será possível passar o fio dental pelas regiões proximais dente por dente). Um dos testes mais simples para determinar se o seu paciente consegue melhorar o grau de higienização consiste em mastigar uma pastilha evidenciadora e fazer fotos de controle. Lembre-os que ao longo dos anos, o tabagismo (cigarro e derivados) se torna o maior inimigo dos ossos e das gengivas. É importante que seus pacientes reduzam a quantidade de maços de cigarros por dia. Quais dentes ficarão na boca O segundo ponto envolve a mecânica da prótese dentária. Dentes com lesões periodontais avançadas e sem chance de regeneração, raízes curtas (<10mm), ou coroas naturais exageradamente fora da curva oclusal poderiam ser preparados e usados apenas como pilares temporários antes da reabilitação oral definitiva ser instalada. Isto é necessário porque em diversas ocasiões eles são os únicos elementos que ainda mantém a contenção cêntrica durante a oclusão. Nem toda região óssea é adequada para receber implantes dentários Classicamente, a região posterior dos maxilares possui baixa densidade óssea. Isto significa que alguns implantes precisarão de um tempo maior até que sua rigidez interfacial com o osso seja melhorada. Entretanto, é possível conectar a prótese provisória aos implantes estratégicos e dentes remanescentes. O número de próteses provisórias varia muito Pacientes diferentes possuem hábitos alimentares diferentes e isto muda a capacidade de conservação da resina que vai na prótese. Nos casos onde o bruxismo e o apertamento são ativos, seu paciente precisará de uma placa oclusal de acrílico para evitar vindas recorrentes ao seu consultório. Outra dica importante seria reforçar a resina ou utilizar materiais mais densos. A consulta para a prótese de transição será longa Havendo dentes preparados que serão extraídos no momento da colocação dos implantes dentários, o tempo para finalização da nova prótese no consultório será maior. Pedir mais “paciência” ao seu paciente é uma redundância inevitável. As primeiras semanas das reabilitações orais A confiança para morder estará aumentada. Entretanto, é comum termos lesões na bochecha, feridas nos lábios, e alterações no padrão de fala. A capacidade de adaptação varia. Muitas próteses não compensarão a perda de volume nos ossos e gengivas Mas elas servem como diagnóstico para saber quando, como e em quais regiões os futuros enxertos serão realizados.

  • Resinas reforçadas por fibras: polêmica na Odontologia?

    Resinas reforçadas por fibras: na bioengenharia para recuperar o órgão dentário. O uso de fibras para reforçar restaurações/pinos em prótese dentária representa a busca por materiais com módulo de elasticidade e tenacidade à fratura semelhantes ao tecido dentinário. Melhor impossível. Todavia, assuntos de natureza complexa normalmente representam tentativas de encurtar um grande hiato (na maior parte das vezes) entre o laboratório e a prática clínica. Quando se fala em vitalidade e composição estrutural na dentina a ser restaurada, englobamos desde a presença ou ausência de tratamento endodôntico, bem como a qualidade (materiais restauradores e forradores antigos, coloração relacionada à idade, corrosão, fissuras, trincas, pinos dentinários previamente instalados) e a quantidade (presença/número de paredes) remanescentes. Ainda, a composição periférica da cavidade ou do remanescente importa: o esmalte suficiente nesses 360 graus conta muito. É fato que os aspectos acima podem ser facilmente padronizados em estudos laboratoriais pelo menos no que tange ao tipo dentário (por exemplo, os terceiros molares não irrompidos ou pré-molares recomendados para extração por motivos ortodônticos). Por outro lado, a dificuldade sempre está nos estudos clínicos. Ela reside na eterna expectativa do paciente em se comportar como um “corpo de prova”. Mesmo assim, as fibras de reforço têm seguido um caminho interessante em seu desenvolvimento, tanto as classificadas como “longas” e “curtas”. Outro fato que nos preocupa: depois da cárie e da doença periodontal, a fratura dentária é a terceira a subir no pódio das complicações. Justamente aquela que não desejamos. Abaixo, uma costura derivada de quatro revisões/meta-análises recentes para que vocês, leitores do meu blog, tenham suas próprias conclusões sobre essa polêmica (se é que ela realmente existe ou vale o seu tempo clínico). Fibras longas – polietileno de alto peso molecular: o que já sabemos? Referente aos estudos de bancada, são 30 artigos selecionados que falam sobre o RibbondTM, em cavidades classe I ou II, com ou sem tratamento endodôntico, incluindo pinos reforçados com esse material. Na técnica de meta-análise (2 estudos com dados disponíveis), os valores de resistência à fratura aumentam para os pinos. Da mesma forma, esse benefício mecânico também é visto nas restaurações classe I e II (8 estudos com dados extraídos), com as fibras posicionadas muitas vezes posicionadas nas paredes nos terços médio e cervical, por vestibular e lingual, e no assoalho pulpar, como se fosse um formato de “letra U” de reforço. Para terminar, o número de fraturas desfavoráveis em ambos os casos acima também é menor com esse tipo de fibra de reforço. Agora, quando olhamos para os estudos clínicos, que foram detectados nessa revisão, mas não descritos: Piovesan et al. (2007): 97 meses, 109 pinos, 6 fraturas = 90% de sobrevivência Turker et al. (2007): 35 meses, 42 pinos, 1 soltura = 97% de sobrevivência Ayna et al. (2009): 36 meses, 87 pinos, 1 soltura = 98% de sobrevivência Ayna et al. (2018): 36 meses, 31 pinos, 4 solturas = 87% de sobrevivência Fibras curtas – everStick: o que já sabemos? Outra revisão sistemática da literatura apresenta dados clínicos do everStick (uma mistura de fibras de vidro, UDMA, bis-GMA) para pinos endodônticos: Cloet et al. (2017): 69 meses, 26 pinos, 2 fraturas = 92% de sobrevivência Qian et al. (2017): 12 meses, 48 pinos, 3 fraturas = 91% de sucesso Ferrari et al. (2012): 72 meses, 120 pinos, 3 fraturas = 97% de sobrevivência Fibras curtas – everX Flow, everX Posterior: o que já sabemos? Sobre os estudos laboratoriais (30 referências com dentes pré-molares e molares, 19 com tratamento endodôntico), o uso das fibras curtas com algum tipo de material para overlay retornou valores de resistência à fratura maiores do que as resinas convencionais, entretanto, não sendo maiores do que as resinas bulk fill. Ainda, a resina reforçada com fibras curtas, utilizada de forma isolada, mostrou valores maiores do que as resinas compostas convencionais. Com relação aos estudos clínicos, (5 referências, máximo de 4 anos de acompanhamento), de forma geral, as taxas de sobrevivência estão acima dos 85% e com desempenho similar às resinas compostas convencionais. Afinal, a polêmica sobre as resinas reforçadas por fibras se justifica? Em todos os estudos citados acima, quer seja pela revisão apenas qualitativa ou pela quantitativa (meta-análise), há ressalvas metodológicas gerais pelos critérios de identificação dos vieses, mas não polêmicas ou discussões acaloradas. Ainda, não há motivos explícitos para proibir ou não recomendar o uso desses materiais nessas situações clínicas. Pelas evidências já publicadas, uma das grandes vantagens estaria na criação de um modelo restaurador em duas camadas: a primeira de baixa viscosidade e reforçada por fibras curtas para simular a dentina, e a segunda com um material restaurador nanohíbrido ou bulkfill oclusal, fornecendo uma boa sinergia na dissipação dos estresses especialmente em áreas de grande carga mastigatória. Do ponto de vista prático, em dentes com cavidades MOD amplas e/ou tratados endodonticamente, e diante de tudo o que se sabe sobre o processo de extração dentária, reabsorção inevitável da tábua óssea vestibular, retardar a colocação de um implante dentário é uma obrigação. É preciso "reforçar": um implante dentário não substitui nem a biologia ou tampouco a fisiologia de um dente, mesmo diante do pior prognóstico clínico possível. E mesmo que o processo de colocação dessas resinas reforçadas por fibras (longas ou curtas) seja demorado e trabalhoso em si, como em todos os procedimentos adesivos seguidos à risca, as eventuais falhas que possam ocorrer, conforme a literatura levantada, serão reparáveis em sua maioria. E essa é a maior vantagem não negociável quando se fala em preservar dentes e/ou raízes estratégicas do ponto de vista estético e funcional. Bons trabalhos e boas decisões clínicas!

bottom of page