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- ImplantNews 2025 - volume 10 - número 1: matéria de capa
ImplantNews - volume 10 - número 1 - ano 2025: 20 anos na estrada informando leitores. ImplantNews 2025 Reabilitação Oral de A a Z volume 10 - número 1 A revista ImplantNews é a publicação mais lida entre os profissionais que fazem a prática da reabilitação oral no Brasil, voltada para a prótese dentária, periodontia, e implantodontia. Ela é a única publicação criada especialmente pela VMCom, uma empresa privada, dedicada e líder na comunicação em Odontologia, para conversar com seus leitores, traduzindo a informação científica e ao mesmo tempo apresentando as opiniões dos grandes profissionais da área. A revista ImplantNews tem cumprido seu papel por mais de 20 anos junto aos leitores e também foi o ponto de partida para o nascimento dos famosos congressos IN que contribuíram para a disseminação e o ensino da reabilitação oral no Brasil, também está de cara nova. Nesse ano de 2025, além do visual gráfico totalmente renovado e sempre agregando novos colunistas, a revista ImplantNews já está filiada à ABEC (Associação Brasileira dos Editores Científicos) e ao CrossRef (organização responsável pelo fornecimento dos números DOI, os identificadores digitais para artigos científicos rastreáveis no mundo todo). São conquistas importantes que beneficiam cada vez mais o leitor. Na matéria de capa desta edição número 1 da ImplantNews 2025, seus leitores poderão descobrir e compreender como funciona a ciência psicométrica, um nome muito específico, mas que na verdade reflete as interpretações dos pacientes frente aos tratamentos odontológicos atuais e inovadores. Essa ciência é a responsável por modificar posturas e rever conceitos, sendo considerada um dos itens mais preciosos e com grande possibilidade de expansão no mercado de fornecimento de serviços de atenção à saúde. No mundo das redes sociais, emitir opiniões é uma constante, e nossos pacientes não passam despercebidos. O lema da Psicometria na Odontologia é: como será que realmente podemos ajudar nossos pacientes a nos ajudar mais? Veja abaixo os principais itens discutidos nesta edição número 1: Matéria de Capa Psicometria e a avaliação dos pacientes: o que sabemos O que são os PROMs? A coleta de informações A diversidade de questionários e as escalas de avaliação O que é a diferença clínica mínima? Como isso funciona? O que existe na reabilitação oral e o que aprendemos até agora? Em breve, a matéria de capa completa poderá ser lida no site oficial clicando no link abaixo: Outros conteúdos da revista ImplantNews nas suas redes sociais: @revistaimplantnews
- Vai escrever ou avaliar um artigo científico? Guidelines e escalas!
Artigo científico: escrever e analisar com categoria ao alcance de todos. Todo profissional de Odontologia, Medicina, estudante de pós-graduação (estrito ou lato senso), ou profissional em tempo clínico nas Ciências da Saúde, sabe como pode ser complicado ler e avaliar um artigo científico. Esse tempo dispendido deve ser bem empregado. Esse pode ser o trabalho da sua vida. Felizmente, existem diversas ferramentas para facilitar a nossa vida. Em geral, as categorias de artigos científicos envolvem estudos de laboratório (corpos de prova, descritivo observacional) estudos de laboratório (com animais, descritivo observacional) estudos transversais (entrevistas, pesquisas epidemiológicas) estudos caso controle (analítico observacional) estudos de coorte (analítico observacional) estudos randomizados clínicos controlados (experimental) revisões sistemáticas revisões sistemáticas + meta-análises Pela lista acima, percebe-se que é impossível colocar todos os trabalhos numa única cesta. Cada um tem uma força na escala da evidência, dentro das próprias limitações. Ainda, existem orientações para escrever e avaliar artigos em cada categoria. todas as ferramentas abaixo estão disponíveis gratuitamente na internet. Bastar copiar e colar. Ferramentas para escrever um artigo científico conforme a sua categoria Objetivo: padronizar a escrita, facilitar a leitura e a reprodutibilidade na ciência. ARRIVE Guidelines diretrizes para o relato de experimentos com animais, garantindo clareza e reprodutibilidade. CONSORT (Consolidated Standards of Reporting Trials) diretrizes para relatórios claros e transparentes de ensaios clínicos randomizados. STROBE (Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology) diretrizes para o relato de estudos observacionais, incluindo coortes, caso controle e transversais. MOGA (Meta-analysis Of Observational Studies in Epidemiology): diretrizes para meta-análises de estudos observacionais, promovendo clareza e integridade na comunicação dos resultados. PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses): diretrizes para o relato abrangente de revisões sistemáticas e meta-análises. Guias para avaliar um artigo científico (viés) conforme a sua categoria Objetivo: avaliar a qualidade metodológica e identificar potenciais vieses em cada categoria. AMSTAR (A Measurement Tool to Assess Systematic Reviews) ferramenta para avaliar a qualidade metodológica de revisões sistemáticas. SYRCLE's Risk of Bias (RoB) Tool ferramenta para avaliação de viés em estudos com animais. MINORS (Methodological Index for Non-Randomized Studies) índice para a avaliação da qualidade de estudos não randomizados. Newcastle-Ottawa Scale (NOS) ferramenta para avaliar a qualidade de estudos observacionais, especialmente coortes e caso controle. Risk of Bias 2 Tool - Cochrane Collaboration avaliação do risco de viés em estudos de intervenções randomizadas. CASP (Critical Appraisal Skills Programme) um conjunto de listas de verificação que ajudam na avaliação crítica de diferentes tipos de estudos, incluindo ensaios clínicos, estudos qualitativos e revisões sistemáticas, oferecendo uma abordagem estruturada para analisar a validade e a aplicabilidade dos resultados da pesquisa. APPRAISE-AI guia para a avaliação de estudos focados em inteligência artificial, especialmente em dados de saúde. COSMIN (Consensus-based Standards for the selection of health Measurement Instruments) diretrizes para avaliar as propriedades psicométricas de instrumentos de medida em saúde. QUADAS-2 ferramenta para avaliar a qualidade de estudos de acurácia de testes diagnósticos. QUIN Tool ferramenta para avaliar a qualidade de estudos laboratoriais in vitro que utilizam corpos de prova, assegurando que os procedimentos e resultados sejam metodologicamente sólidos e confiáveis. SNRA (Scale for the Assessment of Narrative Review Articles) ferramenta para avaliar a qualidade e o rigor de revisões de literatura narrativas. Joanna Briggs Institute (JBI) Critical Appraisal Checklist for Analytical Cross Sectional Studies lista para a avaliação de estudos transversais analíticos. AXIS Tool (Appraisal tool for Cross-Sectional Studies) ferramenta para avaliação crítica de estudos transversais. E agora, o que eu faço? O passo seguinte é fazer aquela reunião com o seu orientador(a). Bons trabalhos!!!
- Odontologia personalizada ou de precisão: quais são os desafios?
Odontologia personalizada: a saliva e seu potencial diagnóstico significativo. Há tecnologias capazes de identificar de forma peculiar a chance de prever uma doença ou patologia num futuro próximo. Também, é a chance de tratar melhor essa provável doença e de aperfeiçoar os tratamentos que já usamos. Essas tecnologias são, por exemplo, ferramentas de screening molecular e genético. A mais popular na parte de análise do DNA talvez seja o 23andMe. Após um esfregaço na parte interna da mucosa bucal, feito com um cotonete, basta colocar o material no tubo e entregar na portaria do seu prédio. No laboratório, ela fornece não só toda a árvore genealógica, mas a probabilidade de haver diabetes, obesidade, hipertensão, etc. E isso importa muito. Na Odontologia, a ideia não é diferente. Mas eu faço uma Odontologia de Precisão! Sim, eu acredito que você faça uma prótese de precisão, uma adesão de precisão, uma resina de precisão. Mas tudo isso está baseado numa média, num padrão classicamente estabelecido em algo livro de textos ou afirmado por algum consenso, revisão, meta-análise. É claro que você tem "precisão" nos seus procedimentos. Mas a Odontologia de precisão aqui significa "ir além". Compreender o que o seu paciente tem, por exemplo, logo na anamnese, prevendo se ele pode suportar o tratamento sem que algum fator desconhecido seja precipitado ou disparado na cavidade bucal. Mais uma vez: estamos além dos testes convencionais de laboratório. Porque deve haver uma Odontologia de Precisão? Os motivos são simples: nós tratamos os pacientes usando médias populacionais. Normalmente, quando temos situações à esquerda ou à direita do padrão, os tratamentos costumam não funcionar bem. Imagine aquele preparo para uma cavidade MOD que você aprendeu na graduação. Num belo dia de sol, você atende uma senhora com algo parecido, mas não igual. Faz uma restauração, que falha em pouco tempo. Faz outra e obtém o mesmo resultado. E agora? O outro motivo é uma palavra que muita gente escuta, mas não entende: a epigenética. Nossos hábitos alimentares e culturais têm influência monumental sobre a carga genética herdada. Pode acontecer nesse momento: com você ou com seu paciente. Assim, a precisão no diagnóstico e no tratamento podem melhorar e mudar a vida de um paciente que, no momento atual, está praticamente "enquadrado" na média da terapia ou sem chance de manter a sua dentição natural. Se houvesse uma luz no final do túnel revelada por um teste personalizado, que mudanças isso provocaria na sua qualidade de vida? O que se pode fazer com a saliva? A saúde começa pela boca, e a Odontologia de precisão também. A saliva contém diversas proteínas, eletrólitos, e microrganismos não aderidos aos dentes e / ou implantes dentários. O fluido salivar, ao ser coletado, pode ser analisado, e fornecer respostas para aquela halitose que não se consegue vencer de modo convencional. Uma análise molecular dos processos celulares (metabolismo de carboidratos, lipídeos, proteínas), conhecida coletivamente como "ômica", especifica quais processos estão em dia e quais estariam deficientes. Ainda, outros marcadores ou imunomarcadores inflamatórios poderão surgir em excesso, indicativos de algum tumor ou câncer. E finalmente, ela é útil para identificar pacientes que possuem o polimorfismo para o gene da interleucina 1 (IL-1) e possui risco elevado de perder seus implantes dentários. Os Tópicos em Odontologia Personalizada Conforme um trabalho publicado em 2019 sobre as possibilidades de ensino da Odontologia de Precisão nas Universidades dos EUA, os assuntos estariam concentrados nas áreas abaixo: câncer de cabeça e pescoço periodontite cárie desenvolvimento dentário desenvolvimento craniofacial dor orofacial / ATM ortodontia inflamação pulpar microbioma oral aconselhamento nutricional Os exames e kits para uma Odontologia Personalizada Diagnóstico genético OralDNA Labs: DNA salivar na detecção de microrganismos ligados à gengivite, periodontite, vírus da herpes simples, vírus do papiloma humano, genes da resposta inflamatória Proove Biosciences: variantes genéticas nas vias de serotonina e adrenalina das DTMs SaliMark: marcadores para o câncer oriundos na saliva Periopredict: variantes no gene da IL-1 23andMe: DNA salivar Diagnóstico não genético tampão salivar imunoensaios (proteína C reativa, IL-1, amilase salivar) detecção de S. mutans detecção de Lactobacilos lactoferrina (secreção na glândula lacrimal) biobancos (congelamento de células-tronco) O desafio dos quatro "Ps" Conforme outro artigo de 2022, a prática da Odontologia de precisão deve ser: precisa (efetiva, eficiente, segura) personalizada (direcionada e individualizada) preventiva (intervenção precoce) participativa (o paciente como doador / receptor dos dados) Apesar do exposto, na era do big data, ainda há barreiras legais e éticas. Mas quem sabe a inteligência artificial encontre alguma forma de acelerar a disponibilidade dessa odontologia personalizada.
- O papel do professor no mundo da inteligência artificial
O papel do professor no mundo da inteligência artificial Inteligências artificiais exercem uma sedução subconsciente em nossas vidas. Resumindo, é o sonho do botão mágico que resolve tudo, desde o banho do seu pet até a reforma da sua casa. Nos colégios e nas universidades, embora essa sensação de “tudo certo” paire sob as cabeças dos estudantes com a maior naturalidade, no corpo docente ela tem provocado ‘tempestades’. Primeiro, pela falsa sensação de que a I.A. veio para nos substituir no ensino. Digo que é uma ‘galhofa’ porque até agora ( volte daqui há 5 minutos nesse post, quem sabe eu esteja 1% errado ), ainda não apareceu uma configuração digital capaz de pensar e opinar num limite razoável. Ser razoável é dar corpo no seu discurso, sem derramar um barril de frases sem sentido. Digo isso com a experiência de quem já se via como educador e procurava extrair o melhor de cada mestre. Essa missão (ensinar), considerada inglória por muitos, consome boa parte do seu dia. Ninguém dá uma boa aula com meia dúzia de slides ou sem ter lido muito os documentos consistentes. Não há nada contra uma apresentação que tenha seu layout (cores, letras) gerado ou melhorado pela I.A. O problema está no texto: será que ele se auto sustenta? Se a resposta for negativa, a culpada será a I.A.? Sim, a I.A. é apenas uma ferramenta, como o carro que usamos para nos locomover ou os talheres para comer. São objetos facilitadores. Pensem no mecanismo de busca mais famoso do mundo. É um facilitador que só faz aquilo que seus usuários pedem. E para pedir, é preciso saber como. Opinar não é copiar o pensamento de alguém. É refletir sobre os fatos concretos, um exercício muito mais profundo. A geração que ‘copia e cola’, com pena de gastar seu precioso cérebro (músculo que também precisa de exercício), está perdendo tempo e logo vai descobrir que bastaria fazer o que todo bom professor faz: estudar bem para ter opinião. A I.A. vai poupar o nosso tempo? Bastante, como já o faz ao comparar padrões de lesões e fornecer opções diagnósticas. Mas ela só compara com o que tem na sua caixa de armazenamento e porque alguém colocou lá. O áudio deste post é gerado por uma inteligência artificial. Entretanto, mesmo ao ler o texto, a I.A. não corrigir alguns acentos e também não coloca as pausas. Quem apaga esse incêndio? O fator humano. Professores são a essência do ensino. Esse fato é imutável. O papel do professor no mundo da inteligência artificial será glorioso. E não se preocupe. Lá no fundo, a I.A. sabe que o seu cérebro é valioso. Um dia, ela ainda 'pegará de surpresa' aqueles que pensam que você é apenas mais uma linha qualquer numa planilha de Excel. Bons mestres são valiosos. Tenha-os sempre por perto.
- A avaliação psicológica do paciente com prótese total
O número de pacientes sem todos os dentes (totalmente edêntulos) ainda é muito grande no Brasil. Indiscutivelmente, pacientes que perderam todos os dentes possuem traumas psicológicos. Esses traumas são acumulados ao longo dos anos, tanto pelas extrações mal sucedidas como pelo uso de prótese totais convencionais que não cumprem sua função mecânica e biológica. Com o uso dos implantes dentários contemporâneos, muitos têm altas expectativas sobre a possibilidade de voltarem a sorrir com confiança. Em geral, o desejo é pela melhora na qualidade de vida. Entretanto, nós, profissionais da Odontologia, precisamos nos preparar melhor para acolhe-los, investigando esses traumas através de um questionário padronizado para a avaliação psicológica do paciente com prótese total. Quanto mais entendermos os seus medos e anseios, melhor serão as cirurgias e as recuperações. Hoje é o seu dia de fazer aquela boa ação para a alma do seu paciente. Clique abaixo e faça o download:
- Harmonização Orofacial: qual é o número de procedimentos injetáveis no Brasil?
Conforme dados da ISAPS (Associação Internacional dos Cirurgiões em Cirurgia Plástica Estética), os procedimentos injetáveis mais usados no Brasil entre 2018 e 2023 (dados de 2024 ainda não disponíveis) foram a toxina botulínica e o ácido hialurônico. O gráfico abaixo com os dados compilados mostra uma tendência nítida de aumento em ambas as modalidades injetáveis, com os números chegando aos 500 mil procedimentos / ano em ambas as categorias. Nesse aspecto, o Brasil é o segundo país, ficando atrás somente dos EUA. O México está em terceiro lugar. No total, em cinco anos, só no Brasil, foram quase 4 milhões e 875 mil procedimentos dessa natureza (só na área médica). Parece pequeno, mas o gráfico também mostra que o número de procedimentos feitos com hidroxilapatita de cálcio beira os 48 mil. Os números globais em 2023, respectivamente: toxina botulínica: 8.877.991 ácido hialurônico: 5.564.866 hidroxilapatita de cálcio: 350.716 No Brasil, a especialidade Harmonização Orofacial é regulamentada dentro da Odontologia pela resolução 198/2019 e complementada pela resolução 230/2020. Os dados dos CFO (Conselho Federal de Odontologia) atualizados em 24 de dezembro de 2024 apontavam 3.962 especialistas (879 homens, 3083 mulheres) em Harmonização Orofacial (HOF) no Brasil. Leia mais: Sono e HOF: uma dupla vitoriosa na saúde da sua pele
- Escâneres intraorais: do que são capazes? Parte 2
Escâner intraoral: um jogo de luzes e sombras? Foto. I.A. Na parte 1, os escâneres intraorais foram considerados por analogia como ferramentas musicais. Nós precisamos aprender a lidar com o "peso" dos instrumentos e domina-los ao longo do tempo. Os desafios de escaneamento não existem só nas situações de scanbody, mas também ao redor dos dentes, especialmente na captura da geometria e morfologia dos preparos subgengivais em prótese dentária. Aprendemos que os preparos subgengivais (pelo menos 0,5mm dentro do sulco) seriam suficientes para proporcionar estética nas áreas vestibulares e interproximais. Mas nem sempre esse "0,5mm" é encontrado, podendo chegar aos 1mm, em função de diversos fatores. Assim, o novo desafio é compreender o quanto da luz emitida pelos escâneres é capaz de caminhar em profundidade. Como estamos falando de pesquisa laboratorial, de partida, é impossível simular o fluido gengival e outras variáveis. Entretanto, pode-se usar o "wand" paralelo (delineador) ou dentro da cavidade com o manequim simulando a cabeça e as gengivas. Com relação à simulação subgengival usada aqui, ela está contida no alvéolo do manequim (molar inferior), sendo um "tanque" retangular impresso 3D, com as dimensões laterais padronizadas, e profundidades subgengivais (variando entre 0,5mm até 4,0mm), rodeado por resina rosa artificial. Os escâneres intraorais testados e os programas correspondentes foram: Primescan (CEREC v. 5.1.8) TRIOS3 (TRIOS Design studio v.2022.1) Omnicam (CEREC v.5.1.8) A imagem de referência (escâner de bancada): InEosX5 (Inlab 22.2.0) Como resultados, foi observado que: no geral, quanto maior a profundidade subgengival simulada, menor a acurácia dos escâneres testados que possuíam tecnologias antigas até os 2mm de profundidade, não houve diferença estatisticamente significativa entre os aparelhos contudo, nenhum dos escâneres testados nesse estudo conseguiu ultrapassar os 2mm de profundidade gengival e manter a média de acurácia até os 4mm de profundidade Nós sabemos: em prótese fixa, além da profundidade, o sistema de afastamento/manutenção gengival deve proporcionar o espaço adequado ao material de moldagem. Se não houve estabilidade da margem ao se remover o fio, nem a tecnologia mais avançada conseguirá captar os detalhes da linha de término do preparo. Vamos em frente e uma tarde de quinta-feira com muita luz pra vocês!
- Os novos desafios da Reabilitação Oral vem aí
Os novos desafios da reabilitação oral. Como será o ano de 2025 para a Reabilitação Oral sobre dentes e implantes? Por um lado, Os pacientes estão cada vez mais interessados em revisar ou manter sua saúde bucal. Reflexo das imagens e mensagens nas redes sociais. O nível de atenção nunca foi tão alto, talvez superado apenas nos tempos pós pandemia com os números cada vez maiores de frequência de cáries e fraturas dentárias (bruxismo, estresse). Por outro lado, o Brasil desfila entre os países com a melhor odontologia do mundo mesmo diante do número ainda elevado de desdentados totais e dos índices de conscientização sobre a escovação e uso do fio dental. Entre um extremo e outro, existem desafios atemporais. Talvez, o mais importante é tentar esclarecer nossos pacientes quando o tratamento A ou B se aplica. Na verdade, é prática fornecermos três ou quatro opções, classificadas por ordem de prioridade e relação custo-benefício. Não existe, na literatura odontológica científica, resposta para todos os tipos de patologias bucais. Muitas vezes, os tratamentos propostos são os que têm melhor "resposta clínica" ao longo do tempo. Como sempre, esses desafios da Reabilitação Oral são identificados em duas frentes: Uso maior das tecnologias pelos dentistas Escâner intraoral na reabilitação oral O primeiro período do avanço das tecnologias digitais no Brasil odontológico tem uma explicação simples: acesso em massa. Por exemplo, a tomografia computadorizada de feixe cônico. Nada mais que um serviços de fornecimento de exame e laudo, certo? Errado! Pela primeira vez foi possível colocar nossos pacientes em posição sentada para renderização de uma imagem (tridimensional) óssea. O fato acima, associado à expansão e uso de implantes dentários (convencionais e zigomáticos) e mini implantes, causou um "frisson" tecnológico, catapultando a segunda tecnologia digital associada: a geração dos guias cirúrgicos por estereolitografia/prototipagem (e mais recentemente, pela impressão 3D dessas peças). Nesse momento, a "luz que surge no fim do horizonte" é do tipo "estruturada", capaz de fotografar centenas de quadros por segundo e gerar um objeto 3D. Sim, os escâneres intraorais. Mais leves, portáteis, algumas versões até sem fio (wireless) e cabeças menores para escaneamento. O escaneamento intraoral e a tomografia de feixe cônico, como ferramentas combinadas, podem ajudar na localização, por exemplo, da embocadura dos parafusos da prótese, preservando a anatomia da coroa dentária. Em paralelo, o processo de revisão dos softwares desses dispositivos está acelerado. Parte disso é a compreensão acumulada ao longo dos anos, enquanto a outra parte é pelos novos processadores desenhados para trabalhar com inteligência artificial (NPU - neural processing unit) que prometem revolucionar a maneira como trabalhamos. Aguardem. O escâner, embora não pareça, é a ferramenta de comunicação mais democrática da Odontologia contemporânea. Ela transita facilmente pela prevenção, ortodontia e até Odontologia Forense. Não soaria estranho o Governo Federal criar um programa de estímulos, com custos reduzidos, para que a documentação intraoral fosse realizada, em larga escala, através do escaneamento. Fica o desafio. Nessa revolução tecnológica na Reabilitação Oral, uma coisa é certa: cada vez mais estaremos realmente dando adeus aos populares métodos "moldeira com alginato". Fresadoras e impressoras 3D na reabilitação oral As máquinas de usinagem contemporânea (4, 5, e mais eixos) estão há bastante tempo no mercado, vindo muito antes dos escâneres intraorais. De uso laboratorial primário, também se tornaram portáteis atendendo à demanda dos consultórios nos casos simples. Neste sentido, é interessante notar que a "fase braçal" da prestação de serviços gradativamente é transferida para a máquina, enquanto a "fase mental" ganha mais corpo e tempo. Por exemplo, imaginem a facilidade de usar uma "bolacha de cera" para construirmos o esqueleto de uma reabilitação oral. Quanto tempo comparado ao método tradicional (ceras de escultura e de bordo gotejadas, casquete de reforço em acrílico de precisão, a caixa para controle da temperatura) podemos ganhar? Na cirurgia guiada, as máquinas conseguem criar peças para todos os tipos de cirurgia: aplainamento ósseo controlado, colocação de implantes dentários, e a recente customização 3D de enxertia. A impressão 3D também pode avançar significativamente em 2025. Outra prestação de serviços poderosa, especialmente em situações de emergência. As unidades DLP, por exemplo, conseguem gerar dezenas de unidades de restauração por milímetro quadrado. Então, a nossa etapa clínica corresponderia praticamente ao reembasamento desses materiais. A diferença em relação ao processo convencional? A chance de um estoque de reposição padronizado, exatamente como temos nos pilares protéticos e parafusos para implantes dentários. O seu paciente vai viajar, tirar férias? Dê-lhe um belo jogo de coroas provisórias impressas 3D. Assim, ele poderá se virar em qualquer consultório (e você também terá as suas merecidas férias). Ultrassom: harmonização facial Sim, e não é só para a HOF. ATM e diagnóstico de outras patologias. Nós sabíamos que a harmonização orofacial, ainda mais num país como o Brasil, seria uma avalanche. Ainda estamos no "boom"? Sim. Estruturamos a face com diversos tipos de materiais? Sim. Mas como saber o que foi injetado? Como saber o que ainda está em posição? E como dizer isso aos nossos pacientes? Chegou o momento do ultrassom nos ajudar. Microscopia Operatória: periodontia e endodontia Ganhou corpo primeiro na Periodontia, ao conseguirmos fazer cirurgias melhores, com suturas mais delicadas e a certeza de um pós-operatório mais rápido. Na Endodontia, conseguimos identificar trincas em assoalhos de câmaras pulpares, fraturas obliquas e canais laterais/acessórios nunca antes diagnosticados. Bastante complementar ao que se faria na Dentística Operatória ao nos deparamos com restaurações adesivas. Além disso, tanto a Periodontia quanto a Endodontia podem ser guiadas tridimensionalmente. As respostas dos pacientes às novas tecnologias Na outra ponto do desafio, estará o seu paciente. A forma como ele vai se adaptar à essas tecnologias. Já é comum enviarmos todos os tipos de imagens por smartphone, certo? Desenhamos, recortamos, e agregamos as etapas dos planejamentos. Basicamente, com um punhado de fotografias e radiografias, sem sair da sua mesa, é possível carregar todos esses exames e montar uma sequência de atendimento. E transmiti-la de qualquer ponto do planeta ao seu paciente. Basta que abram a câmera do celular. O seu paciente faz uma "selfie" da boca e manda para você? Podemos "criar" um sorriso virtual totalmente novo, podemos colocar esse "sorriso virtual" artificialmente e dar movimento com os programas apropriados. Um alerta: o dente vale ouro Os desafios acima não superam a nossa capacidade de diagnóstico. São ferramentas auxiliares. Óbvio, podemos ganhar tempo e vermos melhor aquilo que supúnhamos. Mas o assunto "extrair ou manter o dente" merece atenção suprema. Nos últimos 50 anos de implantodontia contemporânea, o fato mais comentado foi a identificação do quão valioso é ter o "bundle bone" e a espessura natural da tábua óssea vestibular, especialmente na zona estética. Assim, você não pode garantir 100% das vezes que, ao se extrair um dente, a posição da gengiva seja a mesma. Cirurgias plásticas complementares serão necessárias. Atualmente, implantes dentários podem ser colocados e estabilizados em qualquer região anatômica. Basta treinamento e conhecimento das técnicas. O problema é que nem sempre a quantidade óssea local será suficiente para impedir problemas no futuro. Cada vez mais, a nossa capacidade de diagnóstico será testada. Em tempos de crise, governos do mundo inteiro estocam ouro. Façamos o mesmo movimento (com os dentes).
- Revista ImplantNews - número 6: congresso IN24 - edição histórica
Conteúdos dessa edição: Matéria de capa A revista ImplantNews, em sua edição número 6, ano 2024, traz uma matéria especial com 27 páginas sobre o evento que parou a área da Reabilitação Oral em toda a América Latina (e no mundo): o congresso IN24. Foram cerca de 6 mil congressistas testemunhando e compartilhando informações com mais de 250 palestrantes nacionais e 21 palestrantes internacionais. Editorial As cinco lições aprendidas no IN24, na opinião dos editores das seções Implantodontia, Periodontia e Prótese Dentária. Reflexões Como serão os próximos 20 anos da Reabilitação Oral? Mais tecnologia? Mais conforto? Maior praticidade? Façam suas apostas! Guaracilei Maciel Vidigal Júnior O tratamento na mandíbula posterior atrófica sem enxertos e sem membranas. Elcio Marcantonio Jr. A importância da preservação alveolar após a exodontia. David Morita Os anseios que as novas tendências e tecnologias geram nos laboratórios Luis Guilherme Macedo Entrevistado nessa edição, fala sobre a enxertia óssea, pacientes com problemas sistêmicos, e outros assuntos. Diego Klee A individualização do perfil de emergência na prótese sobre implantes. Plínio Tomaz A importância do Branding para você e seu consultório odontológico. Nivaldo Vanni Filho Cannabis medicinal: tratamento alternativo ou integrativo? Maristela Lobo Diagnóstico labial: foco nas disfunções periorais, assimetrias e lábio duplo. MandicNews O uso de microenxerto autólogo associado à Barbell technique para aumentos ósseos verticais Artigos originais O uso de sinvastatina associado ao arcabouço de PLGA Ana Clara Kuerten Gil, Amabilli Cristina Marchiori, Kelly Batista Maier, Camila Freitas de Souza, Ariadne Cristiane Cabral da Cruz, Cesar Augusto Magalhães Benfatti, Gabriel Leonardo Magrin Técnica de tunelização para inserção de membrana e implante imediato para correção de fenestração gengival Aldir Nascimento Machado, Izabelly Rezende de Oliveira, Wesley Veltri Alves, Bruna Ghiraldini, Michel Aislan Dantas Soares, Camila Gonçalves Jezini Monteiro, Priscila Ladeira Casado Uso de fração vascular estromal para reconstrução óssea e cerâmicas Ricardo Hochheim Neto, Leonel Oliveira, Jonathan Maffezzolli, João César Zielak, Moira Pedroso Leão Harmonização cirúrgica da assimetria periodontal em paciente com sorriso gengival decorrente de erupção passiva alterada Giovane Hisse Gomes, Rafaela Favretto Moraes, Luis Eduardo Rilling Nova Cruz, José Ricardo Sousa Costa, Lisia Lorea Valente, Josué Martos Reabilitação oral estética e funcional em dissilicato de lítio, com técnica cutback modificada Wilfredo Percy Salazar Quispe, Elard Manfred Quiroz Zubizarreta, Sidnei Martins, Carlos dos Reis Pereira de Araujo, Renato de Freitas Análise tridimensional da precisão dos modelos de gesso obtidos por diferentes técnicas de esplintagem em moldagens de próteses múltiplas implantossuportadas Bruno Machado de Carvalho, Helen Silvia Fernandes da Silva Oliveira, Sarah Faria de Assis Viana, Jimmy Oliveira Araújo, Marcel Paes, Deusélio Bassini Fioresi, Lorenzo Benetti Maia, Vanessa Cordeiro Silva Artigos em retrospectiva Aumento de coroa estético: tomada de decisão entre diferentes abordagens técnicas Camila Schmidt Stolf, Hélvis Enri de Sousa Paz, Gabriela Martin Bonilha, Roberta Andrade Reis, Mabelle de Freitas Monteiro, Renato Corrêa Viana Casarin Renovando a autoestima com facetas IPS e.max Press: relato de caso clínico da reabilitação estética Renato Cremonese, Débora Zenker, Mikaela Freias Cirurgia de reposicionamento labial para correção do sorriso gengival por meio da “muscle detachment technique”: uma nova abordagem cirúrgica Bruno Frenhan Alves, Antonio Carlos Aloise, Bruno de Macedo Almeida, Isabela Amanda de Abreu Araújo Porcaro Filgueiras, Leonardo Fernandes Buss, José Luiz Magnabosco, Tatiana Kotaka, Marcelo Rodrigues da Cunha, Marcelo Lucchesi Teixeira, André Antonio Pelegrine Implante de zircônia e regeneração óssea guiada em área estética: relato de caso com acompanhamento de cinco anos e nove meses André Luiz Zétola, Gilson Junior, Isabela Zago Zétola Implante dentário imediato na zona estética associado à técnica de retenção intencional do fragmento radicular: relato de caso clínico com 18 meses de acompanhamento Renato Sussumu Nishioka, Gabriela N. M. Nishioka, Robson Roberto da Silva, Júlio Ferraz Campos, Tuana Mendonça Faria Cintra, Osvaldo Daniel Andreatta Filho Etiologia e tratamento cirúrgico das recessões gengivais Daniela Maria Ferreira Frasson dos Anjos, Mabryna Sesana Sperandio, Luiz Guilherme Freitas de Paula, Rafael Nepomuceno Oliveira, Ilanna Guimarães Gabler, Fausto Frizzera
- Lendo um artigo científico - estatística - concordância - parte 3
Estatística: como funciona a concordância entre observadores? Aviso: se você não leu a parte 2, clique aqui. Na parte 3 sobre estatística, o assunto é concordância. Você já ouvir falar de um tal de coeficiente kappa? Sim. No mundo, existem coisas do dia a dia que são simples. Por exemplo, dois mais dois corresponde a quatro. Em qualquer lugar do planeta. E não depende da minha ou da sua opinião. É matemática pura. Agora, imagine reunir 10 pessoas e perguntar o que elas acham da atratividade do sorriso, da cor selecionada para uma restauração definitiva, ou do número de cliques/estalidos em pacientes com disfunção temporomandibular. Como saber se estamos mirando para o mesmo nível de concordância? A necessidade de calibração antes da concordância Por exemplo, pense que há colegas verificando a profundidade de bolsa em sítios periodontais e peri-implantares. Cada profissional tem uma força de sondagem. Então, é necessário fazer uma calibração prévia. Assim, usando a mesma força de sondagem, os tecidos serão afastados com mais consistência e os resultados fornecidos terão melhor padronização. Esse processo também reduz os erros. O passo seguinte: a coleta de dados Em outra situação clássica, há dois examinadores fazendo o exame da articulação temporomandibular do mesmo indivíduo. Ao buscarem a presença ou ausência de cliques/estalidos, seguem anotando suas observações de modo independente. O grau de concordância: kappa Quando as duas folhas de resposta são colocadas lado a lado, uma tabela é montada: as linhas representam cada paciente, e as colunas representação a opinião dos examinadores. Normalmente, a opinião é representada por "sim" e "não". O que é o valor kappa? O kappa representa a concordância, que varia entre 0 e 1. Ou seja, ausência total, pobre (k < 0,20), justa (k até 0,40), moderada (k até 0,60), boa (k até 0,80) e muito boa (k até 1). Adiantando: dificilmente o valor kappa atinge 1. Nos artigos, é normal que o kappa fique entre 0,75 e 0,85. Nunca existirá a concordância perfeita. É a vida. Há calculadoras gratuitas na internet para obtenção desse valor: Lendo nos artigos: a estatística de concordância Abaixo, dois exemplos comuns de uso do coeficiente de concordância kappa e como são apresentados nos textos: Após examinarem o título e o resumo dos artigos, dois pesquisadores selecionaram 40 trabalhos para composição da revisão sistemática. Um terceiro pesquisador proporcionou os desempates. O nível de concordância nessa fase foi k =0,84. O número de lesões de cárie em radiografias digitais bitewings foi verificado por dois examinadores previamente calibrados, em intervalos de duas semanas. No final, o nível de concordância obtido para a presença/ausência de cárie foi k=0,79. Bons trabalhos!
- Lendo um artigo científico - estatística - média e desvio-padrão - parte 2
Estatística: o que é o valor p? Aviso: se você não leu a parte 1, clique aqui. Como explicado, a estatística não foi só criada para fornecer porcentagens (%), mas também para comparar as coisas usando os números. Abaixo, imagine uma situação fictícia na área de prótese fixa, onde os pacientes receberam dois sistemas diferentes de implantes dentários (A e B), havendo um único sistema restaurador (por exemplo, coroa de porcelana cimentada). Essa situação é bem parecida com a foto desse post: os copos (todos iguais em formato e tampa são as coroas de porcelana), e os líquidos (são os sistemas de implantes). Assim, precisaremos experimentar os líquidos (implantes dentários) para sentir as diferenças de sabor (que representa o grau de remodelação óssea). Analisar o grau de remodelação óssea é uma prática que deve ser adotada por todo profissional do campo da implantodontia. Basta usar o posicionador correto, o filme do tamanho certo, e fazer a técnica do paralelismo com o cone longo. As roscas dos implantes precisam ficar nítidas. Retornando: na prática, a remodelação é lida diretamente na imagem radiográfica periapical e seus valores são fornecidos em milímetros. Nesse momento: estatística a média e o desvio-padrão. Estatística a média e o desvio-padrão Daí, para cada sistema A e B, os valores individuais são somados e divididos pelo número de leituras realizadas em cada implante. Esse processo gera as médias de remodelação em A e em B. Mas como tem muito valor que fica acima ou abaixo da média, é certo que existe uma variação. É como nas variações da taxa de câmbio entre países: tem seus altos e baixos ao longo dos dias e dos meses. Bem, para entender essa variação, foi criado outro parâmetro estatístico, que vem escrito nos artigos depois da média: o desvio padrão. Por fim, entre a média e o desvio padrão haverá um símbolo de mais e menos, escrito da seguinte forma: 1,5 ± 1,2 mm É nesse conjunto de valores acima que você deve ficar de olho. Por outro lado, o teste estatístico também possui outro detalhe: o nível de significância, o famoso alfa (α). Geralmente, esse valor é de 5% ou 0,05. Do ponto de vista clínico, há duas situações possíveis: a remodelação em A é igual à remodelação em B a remodelação em A é diferente da remodelação em B (e aqui, os valores em A podem ser maiores ou menores do que em B) Para terminar o raciocínio, quando os valores forem comparados, se o valor p do teste estatístico for menor que o valor α, teremos uma diferença estatisticamente significativa entre os sistemas A e B. Com todas essas informações, vamos ler o texto que fala sobre isso, separando os parágrafos em duas fases: Após 5 anos de acompanhamento, os valores de remodelação óssea foram: sistema A (0,59 ± 0,32mm) e sistema B (1,54 ± 0,33mm). A média de remodelação em A foi menor do que em B. Ainda, o teste t de Student detectou uma diferença significativa entre essas médias (p = 0,001), menor do que o nível de significância (α = 0,05). a primeira fase é a parte descritiva: os valores de A e B foram colocados, e a média de remodelação em A foi menor do que em B. a segunda fase é a parte inferencial (o resultado do teste): essa diferença entre A e B foi significativa do ponto de vista estatístico (p = 0,001 é menor do que alfa = 0,05). Faz sentido, do ponto de vista clínico, dizer que o implante sistema A teve uma remodelação óssea compatível com o que seria esperado , enquanto o implante sistema B não teve o mesmo desempenho, após 5 anos de acompanhamento. Bons trabalhos para vocês!!!
- Lendo um artigo científico - estatística: descritiva e inferencial. Parte 1
Estatística: analisando os números. A leitura de um trabalho científico pode ser chata. Não o ato em si, mas entender o que está escrito pode levar tempo quando não há o mínimo para entender os dados. Nesse processo, que é vital se desejarmos acompanhar o que se passa no mundo das ciências médicas (a Odontologia é uma delas), existem dois fatores que eu considero os mais importantes: a barreira da língua estrangeira e a estatística. Bem, eu não acredito que o idioma ainda seja uma grande dificuldade na hora de ler um artigo científico, especialmente porque a língua inglesa, na questão científica, é praticamente um código direto. Eu posso estar errado, mas com tantos programas para tradução simultânea (texto e voz), acho que a maioria do estudantes se vira bem em qualquer buscador da world wide web (essas três letrinhas aí que já não usamos mais para digitar os endereços nos buscadores) Então, nos resta a outra vertente: a estatística. O mundo dos números. Não fomos treinados para ler números. Chegamos o mais perto possível disso quando algum(a) professor(a) no ensino fundamental ou médio se deparava com um gráfico de barras ou de linhas. Passávamos manhãs ou tardes olhando para uma avaliação da renda média do cidadão por estado, ou do PIB dos países que compunham os grandes blocos econômicos. E parava por aí. Essa era a nossa estatística estudantil do dia a dia. Claro, se você não fez um curso de matemática, física ou ciência da computação, o seu conhecimento em estatística se perdeu. Ficou lá no fundo da gaveta. Ou, do ponto de vista mais prático, está calculando nesse momento o quanto de juros vão render as suas aplicações, o quanto vai pagar de imposto no ano que vem, o quanto vai sobrar, etc. É a estatística do dia a dia na prática. Mas, todo trabalho de pesquisa, por mais simples que aparente, possui algum tipo de estatística. E a sua missão final será decifrar, por exemplo, o que esse "tal de valor p" representa. O que precisamos saber: estatística descritiva e inferencial? todo trabalho científico de pesquisa tem a estatística descritiva que, como o próprio nome diz, descreve a situação das coisas. Quando você ler palavras como "média" e "desvio padrão", na verdade, o trabalho está descrevendo as características dos grupos analisados. a estatística descritiva mais simples é a porcentagem (%). Aqui, você vai ler palavras como "prevalência" (como está a situação no momento atual) e "incidência" (o que aconteceu para chegarmos até aqui) todo trabalho científico de pesquisa tem a estatística inferencial que, como o próprio nome diz, foi criada para comparar. Quando você lê os nomes dos testes, por exemplo, "teste t de Student", "ANOVA", o trabalho está mostrando as ferramentas usadas para tentar descobrir se existe ou não diferença entre os grupos analisados. O que vem depois? O valor p. finalmente, o grande momento: o tal do "valor p". Para facilitar seu entendimento, imagine-o como uma barreira, um limite estabelecido que pode dizer se existe ou não existe uma diferença estatisticamente significativa entre os grupos comparados. Claro, o valor p significa muito mais do que isso, mas vamos deixar para os capítulos seguintes. Então, o que a estatística (descritiva e inferencial) de um artigo de pesquisa fazem, por exemplo, é estabelecer os parâmetros de cada grupo primeiro, para depois compará-los entre si, mostrando se esses grupos são iguais ou diferentes, com base nos valores p. E onde fica a importância disso tudo? Por exemplo, quando temos uma nova terapia (medicamento, dispositivo): ele/ela é igual, melhor ou pior que a terapia convencional consagrada? A análise estatística dessa pesquisa fornecerá as respostas. Mas é você que precisa estar preparado para entendê-las, da forma mais simples possível. É o que veremos na parte 2.












