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  • Harmonização Orofacial: qual é o número de procedimentos injetáveis no Brasil?

    Conforme dados da ISAPS (Associação Internacional dos Cirurgiões em Cirurgia Plástica Estética), os procedimentos injetáveis mais usados no Brasil entre 2018 e 2023 (dados de 2024 ainda não disponíveis) foram a toxina botulínica e o ácido hialurônico. O gráfico abaixo com os dados compilados mostra uma tendência nítida de aumento em ambas as modalidades injetáveis, com os números chegando aos 500 mil procedimentos / ano em ambas as categorias. Nesse aspecto, o Brasil é o segundo país, ficando atrás somente dos EUA. O México está em terceiro lugar. No total, em cinco anos, só no Brasil, foram quase 4 milhões e 875 mil procedimentos dessa natureza (só na área médica). Parece pequeno, mas o gráfico também mostra que o número de procedimentos feitos com hidroxilapatita de cálcio beira os 48 mil. Os números globais em 2023, respectivamente: toxina botulínica: 8.877.991 ácido hialurônico: 5.564.866 hidroxilapatita de cálcio: 350.716 No Brasil, a especialidade Harmonização Orofacial é regulamentada dentro da Odontologia pela resolução 198/2019 e complementada pela resolução 230/2020. Os dados dos CFO (Conselho Federal de Odontologia) atualizados em 24 de dezembro de 2024 apontavam 3.962 especialistas (879 homens, 3083 mulheres) em Harmonização Orofacial (HOF) no Brasil. Leia mais: Sono e HOF: uma dupla vitoriosa na saúde da sua pele

  • Escâneres intraorais: do que são capazes? Parte 2

    Escâner intraoral: um jogo de luzes e sombras? Foto. I.A. Na parte 1, os escâneres intraorais foram considerados por analogia como ferramentas musicais. Nós precisamos aprender a lidar com o "peso" dos instrumentos e domina-los ao longo do tempo. Os desafios de escaneamento não existem só nas situações de scanbody, mas também ao redor dos dentes, especialmente na captura da geometria e morfologia dos preparos subgengivais em prótese dentária. Aprendemos que os preparos subgengivais (pelo menos 0,5mm dentro do sulco) seriam suficientes para proporcionar estética nas áreas vestibulares e interproximais. Mas nem sempre esse "0,5mm" é encontrado, podendo chegar aos 1mm, em função de diversos fatores. Assim, o novo desafio é compreender o quanto da luz emitida pelos escâneres é capaz de caminhar em profundidade. Como estamos falando de pesquisa laboratorial, de partida, é impossível simular o fluido gengival e outras variáveis. Entretanto, pode-se usar o "wand" paralelo (delineador) ou dentro da cavidade com o manequim simulando a cabeça e as gengivas. Com relação à simulação subgengival usada aqui, ela está contida no alvéolo do manequim (molar inferior), sendo um "tanque" retangular impresso 3D, com as dimensões laterais padronizadas, e profundidades subgengivais (variando entre 0,5mm até 4,0mm), rodeado por resina rosa artificial. Os escâneres intraorais testados e os programas correspondentes foram: Primescan (CEREC v. 5.1.8) TRIOS3 (TRIOS Design studio v.2022.1) Omnicam (CEREC v.5.1.8) A imagem de referência (escâner de bancada): InEosX5 (Inlab 22.2.0) Como resultados, foi observado que: no geral, quanto maior a profundidade subgengival simulada, menor a acurácia dos escâneres testados que possuíam tecnologias antigas até os 2mm de profundidade, não houve diferença estatisticamente significativa entre os aparelhos contudo, nenhum dos escâneres testados nesse estudo conseguiu ultrapassar os 2mm de profundidade gengival e manter a média de acurácia até os 4mm de profundidade Nós sabemos: em prótese fixa, além da profundidade, o sistema de afastamento/manutenção gengival deve proporcionar o espaço adequado ao material de moldagem. Se não houve estabilidade da margem ao se remover o fio, nem a tecnologia mais avançada conseguirá captar os detalhes da linha de término do preparo. Vamos em frente e uma tarde de quinta-feira com muita luz pra vocês!

  • Os novos desafios da Reabilitação Oral vem aí

    Os novos desafios da reabilitação oral. Como será o ano de 2025 para a Reabilitação Oral sobre dentes e implantes? Por um lado, Os pacientes estão cada vez mais interessados em revisar ou manter sua saúde bucal. Reflexo das imagens e mensagens nas redes sociais. O nível de atenção nunca foi tão alto, talvez superado apenas nos tempos pós pandemia com os números cada vez maiores de frequência de cáries e fraturas dentárias (bruxismo, estresse). Por outro lado, o Brasil desfila entre os países com a melhor odontologia do mundo mesmo diante do número ainda elevado de desdentados totais e dos índices de conscientização sobre a escovação e uso do fio dental. Entre um extremo e outro, existem desafios atemporais. Talvez, o mais importante é tentar esclarecer nossos pacientes quando o tratamento A ou B se aplica. Na verdade, é prática fornecermos três ou quatro opções, classificadas por ordem de prioridade e relação custo-benefício. Não existe, na literatura odontológica científica, resposta para todos os tipos de patologias bucais. Muitas vezes, os tratamentos propostos são os que têm melhor "resposta clínica" ao longo do tempo. Como sempre, esses desafios da Reabilitação Oral são identificados em duas frentes: Uso maior das tecnologias pelos dentistas Escâner intraoral na reabilitação oral O primeiro período do avanço das tecnologias digitais no Brasil odontológico tem uma explicação simples: acesso em massa. Por exemplo, a tomografia computadorizada de feixe cônico. Nada mais que um serviços de fornecimento de exame e laudo, certo? Errado! Pela primeira vez foi possível colocar nossos pacientes em posição sentada para renderização de uma imagem (tridimensional) óssea. O fato acima, associado à expansão e uso de implantes dentários (convencionais e zigomáticos) e mini implantes, causou um "frisson" tecnológico, catapultando a segunda tecnologia digital associada: a geração dos guias cirúrgicos por estereolitografia/prototipagem (e mais recentemente, pela impressão 3D dessas peças). Nesse momento, a "luz que surge no fim do horizonte" é do tipo "estruturada", capaz de fotografar centenas de quadros por segundo e gerar um objeto 3D. Sim, os escâneres intraorais. Mais leves, portáteis, algumas versões até sem fio (wireless) e cabeças menores para escaneamento. O escaneamento intraoral e a tomografia de feixe cônico, como ferramentas combinadas, podem ajudar na localização, por exemplo, da embocadura dos parafusos da prótese, preservando a anatomia da coroa dentária. Em paralelo, o processo de revisão dos softwares desses dispositivos está acelerado. Parte disso é a compreensão acumulada ao longo dos anos, enquanto a outra parte é pelos novos processadores desenhados para trabalhar com inteligência artificial (NPU - neural processing unit) que prometem revolucionar a maneira como trabalhamos. Aguardem. O escâner, embora não pareça, é a ferramenta de comunicação mais democrática da Odontologia contemporânea. Ela transita facilmente pela prevenção, ortodontia e até Odontologia Forense. Não soaria estranho o Governo Federal criar um programa de estímulos, com custos reduzidos, para que a documentação intraoral fosse realizada, em larga escala, através do escaneamento. Fica o desafio. Nessa revolução tecnológica na Reabilitação Oral, uma coisa é certa: cada vez mais estaremos realmente dando adeus aos populares métodos "moldeira com alginato". Fresadoras e impressoras 3D na reabilitação oral As máquinas de usinagem contemporânea (4, 5, e mais eixos) estão há bastante tempo no mercado, vindo muito antes dos escâneres intraorais. De uso laboratorial primário, também se tornaram portáteis atendendo à demanda dos consultórios nos casos simples. Neste sentido, é interessante notar que a "fase braçal" da prestação de serviços gradativamente é transferida para a máquina, enquanto a "fase mental" ganha mais corpo e tempo. Por exemplo, imaginem a facilidade de usar uma "bolacha de cera" para construirmos o esqueleto de uma reabilitação oral. Quanto tempo comparado ao método tradicional (ceras de escultura e de bordo gotejadas, casquete de reforço em acrílico de precisão, a caixa para controle da temperatura) podemos ganhar? Na cirurgia guiada, as máquinas conseguem criar peças para todos os tipos de cirurgia: aplainamento ósseo controlado, colocação de implantes dentários, e a recente customização 3D de enxertia. A impressão 3D também pode avançar significativamente em 2025. Outra prestação de serviços poderosa, especialmente em situações de emergência. As unidades DLP, por exemplo, conseguem gerar dezenas de unidades de restauração por milímetro quadrado. Então, a nossa etapa clínica corresponderia praticamente ao reembasamento desses materiais. A diferença em relação ao processo convencional? A chance de um estoque de reposição padronizado, exatamente como temos nos pilares protéticos e parafusos para implantes dentários. O seu paciente vai viajar, tirar férias? Dê-lhe um belo jogo de coroas provisórias impressas 3D. Assim, ele poderá se virar em qualquer consultório (e você também terá as suas merecidas férias). Ultrassom: harmonização facial Sim, e não é só para a HOF. ATM e diagnóstico de outras patologias. Nós sabíamos que a harmonização orofacial, ainda mais num país como o Brasil, seria uma avalanche. Ainda estamos no "boom"? Sim. Estruturamos a face com diversos tipos de materiais? Sim. Mas como saber o que foi injetado? Como saber o que ainda está em posição? E como dizer isso aos nossos pacientes? Chegou o momento do ultrassom nos ajudar. Microscopia Operatória: periodontia e endodontia Ganhou corpo primeiro na Periodontia, ao conseguirmos fazer cirurgias melhores, com suturas mais delicadas e a certeza de um pós-operatório mais rápido. Na Endodontia, conseguimos identificar trincas em assoalhos de câmaras pulpares, fraturas obliquas e canais laterais/acessórios nunca antes diagnosticados. Bastante complementar ao que se faria na Dentística Operatória ao nos deparamos com restaurações adesivas. Além disso, tanto a Periodontia quanto a Endodontia podem ser guiadas tridimensionalmente. As respostas dos pacientes às novas tecnologias Na outra ponto do desafio, estará o seu paciente. A forma como ele vai se adaptar à essas tecnologias. Já é comum enviarmos todos os tipos de imagens por smartphone, certo? Desenhamos, recortamos, e agregamos as etapas dos planejamentos. Basicamente, com um punhado de fotografias e radiografias, sem sair da sua mesa, é possível carregar todos esses exames e montar uma sequência de atendimento. E transmiti-la de qualquer ponto do planeta ao seu paciente. Basta que abram a câmera do celular. O seu paciente faz uma "selfie" da boca e manda para você? Podemos "criar" um sorriso virtual totalmente novo, podemos colocar esse "sorriso virtual" artificialmente e dar movimento com os programas apropriados. Um alerta: o dente vale ouro Os desafios acima não superam a nossa capacidade de diagnóstico. São ferramentas auxiliares. Óbvio, podemos ganhar tempo e vermos melhor aquilo que supúnhamos. Mas o assunto "extrair ou manter o dente" merece atenção suprema. Nos últimos 50 anos de implantodontia contemporânea, o fato mais comentado foi a identificação do quão valioso é ter o "bundle bone" e a espessura natural da tábua óssea vestibular, especialmente na zona estética. Assim, você não pode garantir 100% das vezes que, ao se extrair um dente, a posição da gengiva seja a mesma. Cirurgias plásticas complementares serão necessárias. Atualmente, implantes dentários podem ser colocados e estabilizados em qualquer região anatômica. Basta treinamento e conhecimento das técnicas. O problema é que nem sempre a quantidade óssea local será suficiente para impedir problemas no futuro. Cada vez mais, a nossa capacidade de diagnóstico será testada. Em tempos de crise, governos do mundo inteiro estocam ouro. Façamos o mesmo movimento (com os dentes).

  • Revista ImplantNews - número 6: congresso IN24 - edição histórica

    Conteúdos dessa edição: Matéria de capa A revista ImplantNews , em sua edição número 6, ano 2024 , traz uma matéria especial com 27 páginas sobre o evento que parou a área da Reabilitação Oral em toda a América Latina (e no mundo): o congresso IN24. Foram cerca de 6 mil congressistas testemunhando e compartilhando informações com mais de 250 palestrantes nacionais e 21 palestrantes internacionais. Editorial As cinco lições aprendidas no IN24, na opinião dos editores das seções Implantodontia, Periodontia e Prótese Dentária. Reflexões Como serão os próximos 20 anos da Reabilitação Oral? Mais tecnologia? Mais conforto? Maior praticidade? Façam suas apostas! Guaracilei Maciel Vidigal Júnior O tratamento na mandíbula posterior atrófica sem enxertos e sem membranas. Elcio Marcantonio Jr. A importância da preservação alveolar após a exodontia. David Morita Os anseios que as novas tendências e tecnologias geram nos laboratórios Luis Guilherme Macedo Entrevistado nessa edição, fala sobre a enxertia óssea, pacientes com problemas sistêmicos, e outros assuntos. Diego Klee A individualização do perfil de emergência na prótese sobre implantes. Plínio Tomaz A importância do Branding para você e seu consultório odontológico. Nivaldo Vanni Filho Cannabis medicinal: tratamento alternativo ou integrativo? Maristela Lobo Diagnóstico labial: foco nas disfunções periorais, assimetrias e lábio duplo. MandicNews O uso de microenxerto autólogo associado à Barbell technique para aumentos ósseos verticais Artigos originais O uso de sinvastatina associado ao arcabouço de PLGA Ana Clara Kuerten Gil, Amabilli Cristina Marchiori, Kelly Batista Maier, Camila Freitas de Souza, Ariadne Cristiane Cabral da Cruz, Cesar Augusto Magalhães Benfatti, Gabriel Leonardo Magrin Técnica de tunelização para inserção de membrana e implante imediato para correção de fenestração gengival Aldir Nascimento Machado, Izabelly Rezende de Oliveira, Wesley Veltri Alves, Bruna Ghiraldini, Michel Aislan Dantas Soares, Camila Gonçalves Jezini Monteiro, Priscila Ladeira Casado Uso de fração vascular estromal para reconstrução óssea e cerâmicas Ricardo Hochheim Neto, Leonel Oliveira, Jonathan Maffezzolli, João César Zielak, Moira Pedroso Leão Harmonização cirúrgica da assimetria periodontal em paciente com sorriso gengival decorrente de erupção passiva alterada Giovane Hisse Gomes, Rafaela Favretto Moraes, Luis Eduardo Rilling Nova Cruz, José Ricardo Sousa Costa, Lisia Lorea Valente, Josué Martos Reabilitação oral estética e funcional em dissilicato de lítio, com técnica cutback modificada Wilfredo Percy Salazar Quispe, Elard Manfred Quiroz Zubizarreta, Sidnei Martins, Carlos dos Reis Pereira de Araujo, Renato de Freitas Análise tridimensional da precisão dos modelos de gesso obtidos por diferentes técnicas de esplintagem em moldagens de próteses múltiplas implantossuportadas Bruno Machado de Carvalho, Helen Silvia Fernandes da Silva Oliveira, Sarah Faria de Assis Viana, Jimmy Oliveira Araújo, Marcel Paes, Deusélio Bassini Fioresi, Lorenzo Benetti Maia, Vanessa Cordeiro Silva Artigos em retrospectiva Aumento de coroa estético: tomada de decisão entre diferentes abordagens técnicas Camila Schmidt Stolf, Hélvis Enri de Sousa Paz, Gabriela Martin Bonilha, Roberta Andrade Reis, Mabelle de Freitas Monteiro, Renato Corrêa Viana Casarin Renovando a autoestima com facetas IPS e.max Press: relato de caso clínico da reabilitação estética Renato Cremonese, Débora Zenker, Mikaela Freias Cirurgia de reposicionamento labial para correção do sorriso gengival por meio da “muscle detachment technique”: uma nova abordagem cirúrgica Bruno Frenhan Alves, Antonio Carlos Aloise, Bruno de Macedo Almeida, Isabela Amanda de Abreu Araújo Porcaro Filgueiras, Leonardo Fernandes Buss, José Luiz Magnabosco, Tatiana Kotaka, Marcelo Rodrigues da Cunha, Marcelo Lucchesi Teixeira, André Antonio Pelegrine Implante de zircônia e regeneração óssea guiada em área estética: relato de caso com acompanhamento de cinco anos e nove meses André Luiz Zétola, Gilson Junior, Isabela Zago Zétola Implante dentário imediato na zona estética associado à técnica de retenção intencional do fragmento radicular: relato de caso clínico com 18 meses de acompanhamento Renato Sussumu Nishioka, Gabriela N. M. Nishioka, Robson Roberto da Silva, Júlio Ferraz Campos, Tuana Mendonça Faria Cintra, Osvaldo Daniel Andreatta Filho Etiologia e tratamento cirúrgico das recessões gengivais Daniela Maria Ferreira Frasson dos Anjos, Mabryna Sesana Sperandio, Luiz Guilherme Freitas de Paula, Rafael Nepomuceno Oliveira, Ilanna Guimarães Gabler, Fausto Frizzera

  • Lendo um artigo científico - estatística - concordância - parte 3

    Estatística: como funciona a concordância entre observadores? Aviso: se você não leu a parte 2, clique aqui. Na parte 3 sobre estatística, o assunto é concordância. Você já ouvir falar de um tal de coeficiente kappa? Sim. No mundo, existem coisas do dia a dia que são simples. Por exemplo, dois mais dois corresponde a quatro. Em qualquer lugar do planeta. E não depende da minha ou da sua opinião. É matemática pura. Agora, imagine reunir 10 pessoas e perguntar o que elas acham da atratividade do sorriso, da cor selecionada para uma restauração definitiva, ou do número de cliques/estalidos em pacientes com disfunção temporomandibular. Como saber se estamos mirando para o mesmo nível de concordância? A necessidade de calibração antes da concordância Por exemplo, pense que há colegas verificando a profundidade de bolsa em sítios periodontais e peri-implantares. Cada profissional tem uma força de sondagem. Então, é necessário fazer uma calibração prévia. Assim, usando a mesma força de sondagem, os tecidos serão afastados com mais consistência e os resultados fornecidos terão melhor padronização. Esse processo também reduz os erros. O passo seguinte: a coleta de dados Em outra situação clássica, há dois examinadores fazendo o exame da articulação temporomandibular do mesmo indivíduo. Ao buscarem a presença ou ausência de cliques/estalidos, seguem anotando suas observações de modo independente. O grau de concordância: kappa Quando as duas folhas de resposta são colocadas lado a lado, uma tabela é montada: as linhas representam cada paciente, e as colunas representação a opinião dos examinadores. Normalmente, a opinião é representada por "sim" e "não". O que é o valor kappa? O kappa representa a concordância, que varia entre 0 e 1. Ou seja, ausência total, pobre (k < 0,20), justa (k até 0,40), moderada (k até 0,60), boa (k até 0,80) e muito boa (k até 1). Adiantando: dificilmente o valor kappa atinge 1. Nos artigos, é normal que o kappa fique entre 0,75 e 0,85. Nunca existirá a concordância perfeita. É a vida. Há calculadoras gratuitas na internet para obtenção desse valor: Lendo nos artigos: a estatística de concordância Abaixo, dois exemplos comuns de uso do coeficiente de concordância kappa e como são apresentados nos textos: Após examinarem o título e o resumo dos artigos, dois pesquisadores selecionaram 40 trabalhos para composição da revisão sistemática. Um terceiro pesquisador proporcionou os desempates. O nível de concordância nessa fase foi k =0,84. O número de lesões de cárie em radiografias digitais bitewings foi verificado por dois examinadores previamente calibrados, em intervalos de duas semanas. No final, o nível de concordância obtido para a presença/ausência de cárie foi k=0,79. Bons trabalhos!

  • Lendo um artigo científico - estatística - média e desvio-padrão - parte 2

    Estatística: o que é o valor p? Aviso: se você não leu a parte 1, clique aqui. Como explicado, a estatística não foi só criada para fornecer porcentagens (%), mas também para comparar as coisas usando os números. Abaixo, imagine uma situação fictícia na área de prótese fixa, onde os pacientes receberam dois sistemas diferentes de implantes dentários (A e B), havendo um único sistema restaurador (por exemplo, coroa de porcelana cimentada). Essa situação é bem parecida com a foto desse post: os copos (todos iguais em formato e tampa são as coroas de porcelana), e os líquidos (são os sistemas de implantes). Assim, precisaremos experimentar os líquidos (implantes dentários) para sentir as diferenças de sabor (que representa o grau de remodelação óssea). Analisar o grau de remodelação óssea é uma prática que deve ser adotada por todo profissional do campo da implantodontia. Basta usar o posicionador correto, o filme do tamanho certo, e fazer a técnica do paralelismo com o cone longo. As roscas dos implantes precisam ficar nítidas. Retornando: na prática, a remodelação é lida diretamente na imagem radiográfica periapical e seus valores são fornecidos em milímetros. Nesse momento: estatística a média e o desvio-padrão. Estatística a média e o desvio-padrão Daí, para cada sistema A e B, os valores individuais são somados e divididos pelo número de leituras realizadas em cada implante. Esse processo gera as médias de remodelação em A e em B. Mas como tem muito valor que fica acima ou abaixo da média, é certo que existe uma variação. É como nas variações da taxa de câmbio entre países: tem seus altos e baixos ao longo dos dias e dos meses. Bem, para entender essa variação, foi criado outro parâmetro estatístico, que vem escrito nos artigos depois da média: o desvio padrão. Por fim, entre a média e o desvio padrão haverá um símbolo de mais e menos, escrito da seguinte forma: 1,5 ± 1,2 mm É nesse conjunto de valores acima que você deve ficar de olho. Por outro lado, o teste estatístico também possui outro detalhe: o nível de significância, o famoso alfa (α). Geralmente, esse valor é de 5% ou 0,05. Do ponto de vista clínico, há duas situações possíveis: a remodelação em A é igual à remodelação em B a remodelação em A é diferente da remodelação em B (e aqui, os valores em A podem ser maiores ou menores do que em B) Para terminar o raciocínio, quando os valores forem comparados, se o valor p do teste estatístico for menor que o valor α, teremos uma diferença estatisticamente significativa entre os sistemas A e B. Com todas essas informações, vamos ler o texto que fala sobre isso, separando os parágrafos em duas fases: Após 5 anos de acompanhamento, os valores de remodelação óssea foram: sistema A (0,59 ± 0,32mm) e sistema B (1,54 ± 0,33mm). A média de remodelação em A foi menor do que em B. Ainda, o teste t de Student detectou uma diferença significativa entre essas médias (p = 0,001), menor do que o nível de significância (α = 0,05). a primeira fase é a parte descritiva: os valores de A e B foram colocados, e a média de remodelação em A foi menor do que em B. a segunda fase é a parte inferencial (o resultado do teste): essa diferença entre A e B foi significativa do ponto de vista estatístico (p = 0,001 é menor do que alfa = 0,05). Faz sentido, do ponto de vista clínico, dizer que o implante sistema A teve uma remodelação óssea compatível com o que seria esperado , enquanto o implante sistema B não teve o mesmo desempenho, após 5 anos de acompanhamento. Bons trabalhos para vocês!!!

  • Lendo um artigo científico - estatística: descritiva e inferencial. Parte 1

    Estatística: analisando os números. A leitura de um trabalho científico pode ser chata. Não o ato em si, mas entender o que está escrito pode levar tempo quando não há o mínimo para entender os dados. Nesse processo, que é vital se desejarmos acompanhar o que se passa no mundo das ciências médicas (a Odontologia é uma delas), existem dois fatores que eu considero os mais importantes: a barreira da língua estrangeira e a estatística. Bem, eu não acredito que o idioma ainda seja uma grande dificuldade na hora de ler um artigo científico, especialmente porque a língua inglesa, na questão científica, é praticamente um código direto. Eu posso estar errado, mas com tantos programas para tradução simultânea (texto e voz), acho que a maioria do estudantes se vira bem em qualquer buscador da world wide web (essas três letrinhas aí que já não usamos mais para digitar os endereços nos buscadores) Então, nos resta a outra vertente: a estatística. O mundo dos números. Não fomos treinados para ler números. Chegamos o mais perto possível disso quando algum(a) professor(a) no ensino fundamental ou médio se deparava com um gráfico de barras ou de linhas. Passávamos manhãs ou tardes olhando para uma avaliação da renda média do cidadão por estado, ou do PIB dos países que compunham os grandes blocos econômicos. E parava por aí. Essa era a nossa estatística estudantil do dia a dia. Claro, se você não fez um curso de matemática, física ou ciência da computação, o seu conhecimento em estatística se perdeu. Ficou lá no fundo da gaveta. Ou, do ponto de vista mais prático, está calculando nesse momento o quanto de juros vão render as suas aplicações, o quanto vai pagar de imposto no ano que vem, o quanto vai sobrar, etc. É a estatística do dia a dia na prática. Mas, todo trabalho de pesquisa, por mais simples que aparente, possui algum tipo de estatística. E a sua missão final será decifrar, por exemplo, o que esse "tal de valor p" representa. O que precisamos saber: estatística descritiva e inferencial? todo trabalho científico de pesquisa tem a estatística descritiva que, como o próprio nome diz, descreve a situação das coisas. Quando você ler palavras como "média" e "desvio padrão", na verdade, o trabalho está descrevendo as características dos grupos analisados. a estatística descritiva mais simples é a porcentagem (%). Aqui, você vai ler palavras como "prevalência" (como está a situação no momento atual) e "incidência" (o que aconteceu para chegarmos até aqui) todo trabalho científico de pesquisa tem a estatística inferencial que, como o próprio nome diz, foi criada para comparar. Quando você lê os nomes dos testes, por exemplo, "teste t de Student", "ANOVA", o trabalho está mostrando as ferramentas usadas para tentar descobrir se existe ou não diferença entre os grupos analisados. O que vem depois? O valor p. finalmente, o grande momento: o tal do "valor p". Para facilitar seu entendimento, imagine-o como uma barreira, um limite estabelecido que pode dizer se existe ou não existe uma diferença estatisticamente significativa entre os grupos comparados. Claro, o valor p significa muito mais do que isso, mas vamos deixar para os capítulos seguintes. Então, o que a estatística (descritiva e inferencial) de um artigo de pesquisa fazem, por exemplo, é estabelecer os parâmetros de cada grupo primeiro, para depois compará-los entre si, mostrando se esses grupos são iguais ou diferentes, com base nos valores p. E onde fica a importância disso tudo? Por exemplo, quando temos uma nova terapia (medicamento, dispositivo): ele/ela é igual, melhor ou pior que a terapia convencional consagrada? A análise estatística dessa pesquisa fornecerá as respostas. Mas é você que precisa estar preparado para entendê-las, da forma mais simples possível. É o que veremos na parte 2.

  • Professores: vocação e curiosidade

    Ensinar é uma vocação. É um chamado. É uma febre instantânea, que não tem cura. Aliás, esse “dom” está ligado à curiosidade. Quando este último aspecto do ser humano leva ao primeiro, ele retroalimenta o ciclo. Faça seu próprio diagnóstico: você acorda com esse tipo de centelha mental ou brilho nos olhos quantas vezes por semana? Anda dormindo com o seu livro preferido quantas vezes? Bem-vindo! Bem-vinda! Porém, apenas parte desse ato nobre está em ler e compreender. Grandes mestres sabem que é preciso transmitir de forma contínua. Nem que sejam apenas cinco minutos de sabedoria. Aqui entram a didática e suas ferramentas capazes de incutir na cabeça dos nossos espectadores os ensinamentos mais complexos. Nem todos o são, obviamente, absorvidos de imediato. E um professor(a) só vence essa etapa com muita dedicação e a paciência . Dizem por aí que não existem mais grandes professores. Discordo. Estão em toda parte. Muitos ainda continuam nas salas de aula, enquanto outros criaram seus canais em diversas redes sociais. Podem até não ser valorizados ou terem a quantidade de likes como merecem. Entretanto, isto nunca os impediu de cumprir a vocação. Não se pode trancar o conhecimento numa cela e jogar a chave fora. Ele escapará por entre as grades ao menor sinal de interesse público ou privado. E pode ser pego por quem menos se espera. Porque muitas vezes somos chamados de obsessivos ou loucos? Porque a curiosidade leva ao questionamento até da própria sombra. Também, outra característica peculiar é nunca darmos a mesma aula duas vezes. Sim, o conjunto básico de slides está lá, mas ao prestamos bastante atenção “nesse” ou “naquele” dente, prótese, ou implante dentário, sempre sentimos que poderíamos ter feito melhor. Disso resulta outra missão difícil, mas não impossível: tentar abreviar futuros dissabores dos nossos alunos. Claro, nenhum professor sabe tudo. E mesmo depois de anos de prática, muita coisa ainda nos surpreende. Contudo, desse exercício de “idas” e “vindas” nasce uma lupa. No mundo da inteligência artificial, fotos, vídeos e todos os outros tipos de documentos podem ser criados, manipulados e distorcidos. A perfeição é tamanha, de dar inveja aos seus bisavôs digitais que “fechavam” digitalmente as papilas de tecido mole. Como ficamos nessas horas? Acho que vou limpar os meus slides!!! Daí, também percebe-se porque os periódicos científicos andam de cabelo em pé. Grandes mestres desistem dos seus pupilos? Não. O tempo mostra que a velocidade de sedimentação e aplicação do conhecimento variam. Nunca se sabe quando aquela figura desinteressada será líder do amanhã. De certo, enquanto houver curiosidade (nossa e deles), haverá professores e alunos nas salas (físicas e/ou virtuais). Muito obrigado aos meus alunos e alunas pela paciência e pela honra de poder ensinar-lhes o que sei de Odontologia!

  • revista ImplantNews 2024 - volume 9, número 4: túnel do tempo

    O resgate histórico dos fatos importantes que marcaram a reabilitação oral há 20 anos, na seção túnel do tempo, da revista ImplantNews 2024, volume 9, número 4: A transformação da prótese total em fixa sem o palato no procedimento de carga imediata Quando aprendemos onde recobrir e onde não recobrir uma infraestrutura feita em zircônia Começa o entendimento da carga imediata na maxila totalmente edêntula Quando implantes de zircônia osseointegram da mesma forma que implantes de titânio Quando descobrimos que era possível colocar um implante em locais de raízes dentárias retidas As distâncias horizontais e verticais entre dentes e implantes na formação das papilas de tecido mole Coroas unitárias colocadas sobre implantes imediatos e as taxas de sobrevivência Taxa de sobrevivência de próteses fixas sobre implantes em pacientes suscetíveis à periodontite: 5 anos de acompanhamento A primeira revisão sobre a influência da conicidade do implante na sua estabilidade primária e secundária Frequência de ressonância para implantes sob carga oclusal precoce ou imediata A influência da topografia de superfície no implante na ativação da inflamação e sua resolução Quando a micro topografia influencia na orientação das células ósseas e formação de colágeno nos implantes Nas redes: @revistaimplantnews @ in.la oc

  • revista ImplantNews 2024 - volume 9, número 4: colunas e colunistas

    Confira as colunas e colunistas da revista ImplantNews 2024, volume 9, número 4: Guaracilei Maciel Vidigal Junior - Estratégias para RAPG em segmentos com três dentes ou mais . Elcio Marcantonio Jr - Defeitos do tecido mole peri-implantar: da etiologia ao tratamento. Marco Bianchini - Tratamento periodontal cirúrgico x não cirúrgico . Júlio Joly, Paulo Mesquita, Robert da Silva - Viva o ImplantePerio: 20 anos de consolidação da nossa filosofia s. David Morita - Um abismo criado pelo digital nos laboratórios de prótese . Diego Klee - Implantes do tipo cone Morse: posso usar em qualquer situação? Fábio Bezerra - Espiral da Morte do Implante (EMI) . Ivete Sartori - Importância da fotografia e das linhas de referência facial para planejamento de reabilitação implantossuportada . Nivaldo Vanni Filho - Odontologia e os canabinoides: o que há de novo. Maristela Lobo - Métricas faciais angulares contribuindo para o diagnóstico da face em perfil: o ângulo nasolabial . Plínio Tomaz - Cinco formas de aumentar o faturamento no consultório . Nas redes: @revistaimplantnews @ in.la oc

  • revista ImplantNews 2024, volume 9, número 4: artigos científicos

    revista ImplantNews 2024, volume 9, número 4, com seus artigos científicos em destaque: A relevância dos detalhes técnicos no tratamento cirúrgico da erupção passiva e ativa alteradas Resolução de caso complexo de peri-implantite em região posterior de mandíbula envolvendo aumento ósseo vertical com tela de titânio e implante curto Enxerto ósseo xenógeno interposicional na região anterior da mandíbula para aumento vertical do rebordo e posterior reabilitação implantossuportada Cirurgia periodontal sem elevação de retalho para tratamento de sorriso gengival Cirurgia guiada de implantes em área anterior e provisionalização imediata Utilização da técnica de estratificação sobre uma cerâmica vítrea e sua eficácia na regularização de substratos com alteração de cor Reações teciduais aos materiais de sutura no plano muscular de ratos Implantes dentários extralongos extrasinusais em osso zigomático utilizando perfuração ultrassônica: série de casos com 46 implantes e 18 pacientes com 24 meses de acompanhamento Procedimentos de preservação do rebordo alveolar: uma revisão integrativa da literatura sobre estudos clínicos randomizados controlados Fenótipo periodontal: classificação e relevância clínica Reconstrução óssea anterior com biomateriais heterógenos, enxertia conjuntiva e implante osseointegrado em uma única etapa cirúrgica, e finalização com restaurações em zircônia monolítica Microdureza, porosidade e rugosidade em resina acrílica termopolimerizada por um novo equipamento experimental https://revistaimplantnews.com.br @revistaimplantnews

  • Como fazer uma boa documentação para descrever um caso clínico?

    Casos clínicos: o leitor só sabe daquilo que você escreve Casos clínicos podem ser interessantes, inovadores, ou trazerem achados inesperados. Toda a literatura científica está repleto deles. À primeira vista, fazer anotações para um caso clínico ser enviado à alguma revista ou periódico parece...moleza. Só que não é. Nesse momento, as duas habilidades mais importantes que você precisa são: a sua organização em relação ao tempo, às fotos certas, e aos detalhes do caso clínico. Esses detalhes se encontram nas fotos e na ficha clínica. Se você é uma pessoa atenta aos fatos, certamente vai conseguir descrever com precisão aquilo que a sua equipe fez. Entretanto, a maioria não é. Por dois motivos: primeiro, porque nunca tentou, treinou ou não se programou. Segundo, porque não tem rotina para observar, descrever e fotografar com os olhos atentos. Também, é necessário ter alguma experiência para saber quando o caso clínico poderá despertar interessante numa revista científica. Volte ao começo desse post e releia: são os casos clínicos inovadores, interessantes, inesperados. Nem todos os casos clínicos possuem dentes longos, gengivas espessas, ou "ficam bem" nas fotos, como num desfile de modelos. O que as revistas buscam é uma descrição detalhada que possa guiar seus leitores do começo ao fim, que traga uma luz sobre uma nova abordagem de tratamento, que seja uma referência para uma nova terapia Outro ponto que os futuros autores e autoras precisam compreender: editores científicos não editam revistas para seu bel prazer. Apenas o fazem pensando nos futuros leitores, na riqueza clínica dos detalhes, naquilo que é necessário para que qualquer pessoa, ao abrir a revista, possa compreender o que foi escrito, o que está ali, e talvez consiga aproveitar e reproduzir, reciclar seus conhecimentos, melhorando a sua prática clínica. Mas a boa notícia é que essa situação pode ser resolvida. Basta usar um checklist, uma lista ordenada para ter a segurança de que nada que seja importante ficará de lado. Também não custa lembrar: ler as normas das revistas, antes de começar a escrever o seu texto, fará uma grande diferença. Se você nunca fez a descrição de um caso clínico, convide aquele colega que já publicou algo parecido. Ter a ajuda de alguém experiente na confecção do texto fará toda a diferença. Uma comparação para facilitar o entendimento: estamos na época das Olimpíadas de Paris 2024. Todos os atletas estão no seu ponto mais alto de rendimento físico e emocional. Entretanto, só há três lugares no pódio, reservados aos que tomaram as decisões corretas na hora certa. Se você tiver a foto certa, do momento certo, da hora certa, com certeza, será um medalhista na descrição do seu caso clínico. É isto que os editores das revistas científicas buscam. Em geral, no aspecto de como fazer uma boa documentação para descrever um caso clínico, os primeiros fatores a serem observados são: dados pessoais: sexo e idade são fundamentais, porque afetam as decisões dos pacientes e as nossas decisões. a condição extrabucal inicial: fotografe e anote as características faciais que se destacam, sendo importantes no tratamento do paciente; as fotos mais comuns são perfil esquerdo e direito, frontal em repouso e ao sorrir, close do sorriso (incluindo os lábios superior e inferior). IMPORTANTE: fazer foto extrabucal e intra bucal não é o mesmo que fazer foto de paisagem, do seu cachorro ou da sua casa. Se você NUNCA fez, procure alguém experiente. Isto irá poupar o seu tempo e suas dores de cabeça. Aliás, você tem todo o equipamento de que precisa? Já verificou? Detalhe: evite a ponta do nariz nas fotos aproximadas do sorriso, fazendo o enquadramento entre o filtro, os lábios superior, inferior e as comissuras labiais. condição intra bucal inicial: cerca de quatro ou seis fotos completam a sequência: foto oclusal superior e inferior, fotos laterais esquerda e direita. Use os espelhos especialmente desenhados para fazer essas fotos, em conjunto com os afastadores labiais e de bochecha. Com a tecnologia digital, é possível fazer alguns ajustes de enquadramento e iluminação, mas nada substitui as condições iniciais, especialmente porque em muitos casos, como nas próteses, não poderemos mais "voltar no tempo" para consertar as fotos. Da mesma forma, características como o posicionamento dentário anômalo (diastemas, rotações, contatos oclusais atípicos, etc.), a classificação da oclusão, a linha de sorriso, o contorno das gengivais, os defeitos teciduais (osso e papilas) são informações fundamentais para quem lê e tentar entender o que se passa. exames por imagem: radiografias interproximais, periapicais, tomografias computadorizadas de feixe cônico: quais seriam as mais adequadas ao planejamento do seu caso clínico? Quais seriam as mais interessantes/obrigatórias num eventual manuscrito para uma revista científica? Como convencer melhor quem vai ler o seu material? motivos que levaram o paciente ao consultório: estética? Clareamento? Acidente automobilístico? Sangramento? Excesso de gengiva ao sorrir? Problemas com as próteses atuais? Dores nas articulações temporomandibulares? Rejuvenescimento facial? Tudo isso constitui a queixa inicial. Não deixe nada de fora. A "cabeça" do paciente é um grande enigma que vai se desfazendo ao longo do tratamento. as opções de tratamento e as opiniões dos pacientes: sempre há pelo menos duas ou três opções, que devem ser confrontadas com o tempo e o bolso alheio. Em geral, isso reflete o dia a dia da prática clínica, e tem um valor inestimável para quem precisa de informação. DICA 1: agora, pare por um momento antes de prosseguir e revise as suas fotos: o ponto principal aqui será a definição. Estamos falando em pixels, e não no tamanho propriamente dito do seu arquivo TIFF, JPG, RAW. Fotos para revistas precisam de pelo menos 300 dpi, ou seja 300 pontos por polegada. DICA 2: guarde-as num local separado. Fotos que estão em arquivos Word ou PowerPoint, por exemplo, não servem para publicação e mesmo assim são as mais recebidas no dia a dia de quem trabalha com revistas científicas. DICA 3: se você não souber se a sua foto tem ou não a resolução mínima, peça ajuda. Quando o plano de tratamento estiver decidido, haverá outros aspectos a serem descritos, conforme a categoria às quais pertencem: procedimentos cirúrgicos: etapas de assepsia e anestesia são obrigatórias e dependem da extensão da área/defeito a ser operada. É sempre bom que o defeito seja fotografado com algum instrumento para dar a noção de escala, por exemplo, uma paquímetro cirúrgico, uma sonda periodontal, evidenciando as condições locais. Em seguida, os tipos de lâminas e as incisões principais e relaxantes, os biomateriais e suas manipulações, procedimentos para remoção de osso e enxertia de tecidos, colocação de placas e outros dispositivos, colocação de implantes dentários e finalmente o fechamento dos retalhos com as suturas. Descrições detalhadas dos materiais também serão de grande valia. procedimentos protéticos: a lista aqui pode ser tão extensa quanto na parte da cirurgia, envolvendo: - moldagens iniciais e definitivas e materiais correspondentes - modelos de gesso e materiais correspondentes - registros intermaxilares/interoclusais - uso ou não do arco facial - escolha do formato e cor dos dentes artificiais - escolha dos pilares protéticos - procedimentos de prova, entrega, ajustes e finalização nas próteses DICA 4: pare mais uma vez e observe se você realmente fotografou o conceito que deseja transmitir: algumas imagens mostram mais quando usamos o close-up das lentes, enquanto outras soam melhor em campos mais abertos. Agora, se você realmente não tem experiência em fotografar, já sabe o que fazer (volte à DICA 1) DICA 5: novamente, em todos os itens acima, pratique à exaustão colocando detalhes dos materiais e fabricantes. Como será possível que um colega goste do seu trabalho se ele ou ela não entenderem como você fez a sua mágica? intercorrências nas cirurgias e nas próteses: os problemas decorridos destas etapas também serão salutares, especialmente nos casos complexos. Por exemplo, falhas na colocação dos implantes, provas de próteses com necessidade de ajuste, etc. protocolos após as cirurgias e próteses: a descrição de todos os cuidados e recomendações mostram não só o carinho que os profissionais de saúde devem ter, mas também quais foram os fatores que tornaram o caso clínico bem sucedido. tempo de acompanhamento: fundamental para compreendermos a evolução dos procedimentos e aqui mais uma vez precisaremos utilizar todos os recursos fotográficos e de imagem. DICA 6: quanto maior o tempo de acompanhamento, a sua capacidade de relatar, e a sua capacidade de resolução, maior será a sua autoridade na resolução dos desejos do paciente. É exatamente isso que as revistas científicas precisam e que seus leitores adoram. Boa sorte e bons trabalhos! Os editores estarão torcendo!

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