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Pasta de dente faz mal para implantes dentários?

  • Foto do escritor: Paulo Rossetti
    Paulo Rossetti
  • há 20 horas
  • 4 min de leitura
Pasta de dente e implantes dentários: faz mal só se você escolher errado.
Pasta de dente e implantes dentários: faz mal só se você escolher errado.

Pasta de dente faz mal para implantes dentários?


Não, pasta de dente não faz mal para implantes dentários — desde que você use a fórmula certa. O problema não é escovar os dentes, mas sim usar uma pasta com alta abrasividade ou concentração elevada de flúor em ambiente ácido. Esses fatores podem, ao longo do tempo, corroer a superfície do implante de titânio e favorecer complicações como a peri-implantite.

A recomendação clínica é priorizar pastas de baixa abrasividade, com flúor em concentração moderada e pH neutro.


Por que a pasta de dente pode afetar o implante de titânio?


O implante dentário é feito de titânio ou ligas de titânio, material que se destaca pela resistência à corrosão graças a uma fina camada de óxido (TiO₂) formada naturalmente na superfície. Essa camada é responsável pela biocompatibilidade e pela osseointegração — a união do implante ao osso.

Porém, essa camada protetora não é indestrutível.


O flúor e os abrasivos presentes em pastas de dente podem causar corrosão e deterioração da superfície do titânio. A resistência à corrosão do titânio diminui na presença de flúor, especialmente em condições ácidas.


Quando a camada de óxido é danificada, o implante fica mais vulnerável à liberação de partículas e íons metálicos nos tecidos ao redor. A corrosão do titânio é considerada um dos fatores desencadeantes da peri-implantite e está associada à falha do implante.


Ainda, os produtos de corrosão podem acelerar a peri-implantite ao desencadear disbiose microbiana.


Qual pasta de dente usar com implantes dentários?


Três fatores definem se uma pasta é segura para quem tem implantes:


Abrasividade (RDA)

O índice RDA (Relative Dentin Abrasion) é uma escala padronizada que quantifica o quanto um dentifrício desgasta as superfícies. Pastas com RDA de até 250 são consideradas seguras e eficazes pela ADA. Para quem tem implantes, o ideal é escolher as de menor abrasividade, pois abrasivos agressivos (como carbonato de cálcio e alumina) aumentam o desgaste da superfície do titânio.


Concentração de flúor

O padrão ISO limita o flúor em pastas de dente a 1.500 ppm (partes por milhão). O flúor é benéfico para os dentes naturais, pois previne cáries, mas em altas concentrações combinadas a pH ácido pode modificar a superfície do implante. O titânio sofre corrosão quando o pH cai abaixo de 3,5 na presença de flúor.


pH da pasta

Soluções com flúor de baixa concentração e pH neutro (7,0) não danificam a superfície do titânio e podem ser usadas com segurança. A faixa segura de pH para uso de flúor em implantes fica entre 3,5 e 7,0.


Existe pasta de dente inerte para implantes?


Sim, existem pastas consideradas inertes ou de baixa reatividade para implantes. O estudo de Shuto et al. testou pastas desenvolvidas especificamente para pacientes com implantes, formuladas sem flúor e sem abrasivos.


Os resultados mostraram que escovar com pasta sem flúor e sem abrasivos causou pouquíssima alteração na superfície do titânio, sugerindo que essas fórmulas são eficazes para manter a homeostase dos tecidos peri-implantares.


Em contraste, pastas com flúor e abrasivos — especialmente as que contêm partículas abrasivas poliédricas — produziram as maiores diferenças de cor, arranhões e manchas escuras tipo corrosão na superfície do titânio.


Corrosão do implante: o que você precisa saber


A corrosão do titânio envolve a tribocorrosão — a combinação de desgaste mecânico (a escovação) com ataque químico (flúor, ácidos, abrasivos).


Na cavidade oral, o implante está constantemente exposto a forças mastigatórias e substâncias corrosivas, então o processo é, em certa medida, inevitável.


A corrosão não causa dor imediata, mas pode comprometer a longevidade do implante: superfícies corroídas ficam mais suscetíveis à adesão bacteriana e à perda óssea progressiva. Estudos in vivo mostraram maior concentração de partículas de titânio nos tecidos de pacientes com peri-implantite. Essas partículas podem desencadear respostas inflamatórias crônicas e reabsorção óssea.


Dicas práticas de higiene para quem tem implantes


  • Escolha uma pasta de baixa abrasividade (RDA baixo), de preferência indicada pelo seu dentista.

  • Prefira fórmulas sem flúor ou com flúor de baixa concentração e pH neutro, especialmente as desenvolvidas para implantes.

  • Evite géis de flúor acidulado (APF) e clareadores com peróxido em alta concentração.

  • Use escova de cerdas macias e técnica suave, sem pressão excessiva.

  • Complete a higiene com fio dental e escova interdental para remover o biofilme ao redor do implante.

  • Faça manutenção periódica com o dentista para monitorar a saúde peri-implantar.


Perguntas frequentes (FAQ)


  • Posso usar pasta de dente comum com implantes? Sim, desde que seja de baixa abrasividade, com flúor em concentração padrão e pH neutro.


  • Pasta de dente com flúor corrói o implante? O flúor em concentração padrão é seguro para a maioria dos pacientes. O risco aumenta com concentrações altas e pH ácido (abaixo de 3,5).


  • Qual a melhor pasta para implantes dentários? Pastas de baixa abrasividade, com flúor moderado e pH neutro, ou fórmulas sem flúor e sem abrasivos desenvolvidas para implantes.


  • Implante dentário pode enferrujar? Não, o titânio não enferruja como o ferro, mas pode sofrer corrosão química, que é diferente e igualmente prejudicial à longevidade do implante.


  • Existe pasta de dente inerte para implantes? Sim. Existem pastas formuladas sem flúor e sem abrasivos, desenvolvidas para pacientes com implantes. Estudos mostram que essas fórmulas causam pouquíssima alteração na superfície do titânio.


Conclusão


A pasta de dente não é inimiga dos implantes dentários — a fórmula errada é.


Priorize pastas de baixa abrasividade, com flúor em concentração moderada e pH neutro, ou fórmulas sem flúor e sem abrasivos desenvolvidas especificamente para implantes.

Combine com técnica de escovação delicada e manutenção profissional regular para proteger tanto os dentes naturais quanto a superfície do implante.


Referências



Paulo Rossetti

Paulo Rossetti

Cirurgião-dentista, Mestre e Doutor e Reabilitação Oral pela FOB-USP. Editor Cientifico, revista ImplantNews.



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