PEEK e resina versus titânio e zircônia na maxila edêntula
- Paulo Rossetti

- há 1 dia
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A prótese total aparafusada sobre implantes, desde a sua concepção, sempre buscou a melhor estratégia biomecânica entre o material da infraestrutura e o do recobrimento.
Assim, em meados dos anos 1970, a escolha básica consistia de uma infraestrutura em liga de ouro e recobrimento com resina acrílica rosa e também os dentes artificiais de resina acrílica.
Desta forma, esse tipo de prótese deveria funcionar como contraponto às cargas mastigatórias. Nesse sentido, sabia-se que a ausência do ligamento periodontal seria um fator complicador adicional à saúde do sistema.
Afinal, a interface osso e implante não poderia sofrer mais do que a prótese em si do ponto de vista biomecânico, já que os seus módulos de elasticidade são bem diferentes.
Ou seja: que se deforme/frature a prótese, ou que se soltem os parafusos, mas que não tirem o implante do seu alojamento no rebordo alveolar. Essa é a máxima percorre as mentes de todos os implantodontistas e protesistas.
Na linha do tempo, um pouco depois, surgem as ligas alternativas de prata e paládio e em seguida de cobalto e crômio como opções ao custo do ouro que subia significativamente), até que o titânio fresado entra nessa corrida.
Mesmo assim, a resina acrílica ainda permaneceu por muito tempo antes da zircônia monolítica juntar-se também ao grupo das possibilidades.
PEEK e resina versus titânio e zircônia: 30 pacientes
Num estudo clínico recente com acompanhamento de 1 ano, PEEK e resina (compósito) foram comparados ao titânio e zircônia:
infraestrutura em PEEK recoberta com resina acrílica (compósito) e dentes artificiais (n=15)
infraestrutura em titânio, recobrimento com resina rosa e coroas de zircônia cimentadas (n=15)
Ainda, a média de espaço interoclusal maxilar é de 17mm de altura.
Ambas as infraestruturas foram fresadas em CAD/CAM como forma de padronização, e as maxilas edêntulas receberam seis implantes dentários distribuídos bilateralmente (nas posições dos incisivos laterais, primeiros pré-molares, primeiros molares).
Para fechar, a arcada antagonista mandibular era parcialmente desdentada (Classe I de Kennedy), e o esquema oclusal selecionado foi o balanceado bilateral.
Um ano depois: quem "ganhou" essa corrida?
Os resultados são preliminares e precisam ser analisados com cautela:
escore de placa, profundidade de bolsa: os resultados foram melhores no grupo PEEK e resina
satisfação do paciente: melhores no grupo titânio e zircônia
limpeza e facilidade de mastigação: melhores respostas dos pacientes no grupo PEEK e resina
complicações protéticas (soltura do recobrimento, afrouxamento dos parafusos: maiores no grupo titânio e zircônia
perda de implantes: 2 unidades no grupo PEEK, 3 unidades no titânio e zircônia
Perda óssea: o efeito PEEK e resina frente ao choque
Importante: o grupo titânio e zircônia apresentou perda óssea significativamente maior que o grupo PEEK e resina em ambos os períodos avaliados (6 e 12 meses).
Assim, enquanto o PEEK e resina ficam com 0,34 mm aos 12 meses, o titânio e zircônia chegam aos 1,3 mm.
Isso ocorre porque o PEEK tem módulo de elasticidade mais próximo ao do osso, o que permite ligeira deformação sob carga e distribuição mais favorável das tensões.
Lições para a clínica
Mesmo assim, o balanço geral é que ambos os desenhos/combinações escolhidas podem ser usados com eficiência na clínica quando seis implantes são posicionados na maxila totalmente edêntula.
Entretanto, resta saber se, com maior tempo de acompanhamento (por exemplo, aos 3 e 5 anos), as diferenças acima serão anuladas ou vão se intensificar.
Próteses totais sobre implantes geram momentos de manutenção porque são como os veículos automotivos. Ou seja, quanto mais cedo nossos pacientes voltarem para as revisões, melhor, já que nenhum deles fica ileso dos problemas com o passar do tempo.
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