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Preciso fazer exame de sangue antes do implante?

Foto do escritor: Paulo Rossetti
Paulo Rossetti
há 6 horas
3 min de leitura
Exames de sangue ajudam a prever as melhores respostas com os implantes. Cuide-se mais.
Exames de sangue ajudam a prever as melhores respostas com os implantes. Cuide-se mais.

Sim, precisa. Na cirurgia, o que você carrega nas suas veias é o que vai “conversar” com o seu implante nos primeiros segundos.


Depois, as características desse implante (biomaterial) é que aumentam ou diminuem a chance de a cicatrização ser boa.


Pelo menos é o que diz o artigo mais recente na revista Acta Biomaterialia (Kalashnikov & Vorstenbosch, 2026) avaliando materiais que você certamente já usa ou vai usar no seu consultório odontológico.


Cinco materiais poliméricos e não biodegradáveis


Os pesquisadores testaram cinco materiais cirúrgicos comuns (PDMS, polipropileno, PTFE, polietileno de alta densidade, nylon) em contato com três fluidos biológicos (plasma, soro e fluido de dreno cirúrgico).


Depois, mapearam as proteínas grudadas em cada superfície (proteoma) e a resposta das células de defesa (transcriptoma).

 

Primeira etapa: a capa de proteínas do seu sangue prevê a reação


As proteínas grudadas nos materiais e a consequente resposta das células andaram juntas (existe uma relação que é muito forte).


As moléculas que mais conectaram os dois lados foram proteínas ligadas ao metabolismo e às gorduras do sangue — como lipoproteínas.


Assim, o que está em jogo é a "qualidade" da capa que chega no local do implante. Doenças como diabetes, colesterol alto, obesidade e tabagismo alteram o seu sangue para pior.


Em seguida, essa capa de proteínas é lida pelas células de defesa: macrófagos. Se estiver boa, os macrófagos ficam mais calmos. Se a capa estiver ruim, os macrófagos ficam pilhados!


Mas isso é só metade do processo porque tem que haver um “match” na etapa seguinte.

 

Segunda etapa: o material dita a reação das células: vai dar bom ou vai dar ruim


A resposta dos macrófagos é determinada principalmente pelas características do material — rigidez, rugosidade e hidrofobicidade. Materiais mais rígidos e ásperos geraram mais inflamação.


Ou seja, a fórmula é real: macrófagos pilhados + materiais rígidos/ásperos = reação de corpo estranho mais agressiva.


Em vez de “acalmar”, o tipo de biomaterial piorou a resposta do organismo.


Em resumo, pelos dados desse trabalho:


  • Polidimetilsiloxano (PDMS) e nylon mostraram perfil menos inflamatório

  • Polipropileno (PP), politetrafluoretileno (PTFE) e polietileno de alta densidade (HDPE), mostraram perfil mais inflamatório. estresse metabólico, remodelação tecidual

 

Afinal, o que tem de bom nessa novela biomaterial + sangue?


A capa de proteínas consegue “prever” o comportamento dos macrófagos.

E isso tem nome: as moléculas que mais mediaram isso foram as lipoproteínas e proteínas associadas ao metabolismo, como exemplo, a alfa-2-macroglobulina de zinco e a transtirretina (pré-albumina humana).


Isso significa que o seu dentista, ao pedir testes específicos nos exames de sangue, consegue ter uma ideia do que poderá ocorrer.

 

Cirurgia e os exames de sangue na Odontologia


Implantes dentários, membranas de PTFE para regeneração óssea guiada (ROG), enxertos sintéticos, e fios de nylon para sutura são biomateriais que usamos quase todos os dias em nossos pacientes? Sim.


Agora, o que podemos fazer para deixá-los “mais calminhos”?


Da nossa parte, é pedir os exames de sangue. Por exemplo, verificar os níveis de hemoglobina glicada.


Abaixo, alguns indicadores que a literatura já fornece e são de grande importância:


  • Diabetes mal controlado é o fator mais consistente. Uma revisão sistemática de 2026 (54 estudos, BMC Oral Health) confirmou que, embora a sobrevida de implantes em diabéticos seja frequentemente alta (> 90–95%), o diabetes mal controlado (HbA1c > 8%) associa-se a maior perda óssea marginal, maior profundidade de sondagem, mais sangramento e níveis elevados de marcadores inflamatórios (IL-6, TNF-α). Já pacientes bem controlados (HbA1c ≤ 7%) apresentam desfechos comparáveis aos não diabéticos.


  • Pré-diabetes também importa. Uma revisão sistemática (J Prosthet Dent, 2026) mostrou sobrevida de 100% em pré-diabéticos, mas com parâmetros peri-implantares piores: maior profundidade de sondagem, mais sangramento e maior perda óssea marginal, com os fatores IL-6 e TNF-α elevados.


  • A carga inflamatória sistêmica prediz falha. Estudo de coorte retrospectivo (Cureus, 2026) demonstrou associação independente entre o Systemic Inflammatory Burden Score (SIBS) e a falha de implantes, com relação dose &resposta — mesmo uma carga moderada influencia desfechos de longo prazo.


  • A peri-implantite tem impacto sistêmico. Outra revisão sistemática (J Periodontal Res, 2026) encontrou concentrações circulantes de proteína C-reativa (PCR) convencional mais altas em pacientes com peri-implantite — a inflamação local que dialoga com o organismo (J Periodontol 2025).


Do outro lado, a tarefa é com os pesquisadores: selecionar biomateriais "mais inteligentes". E isso é a bola da vez em desenvolvimento de biomateriais.


A era do biomaterial "cego" está com os dias contados.

O futuro é de superfícies desenhadas para a biologia de cada paciente.


 


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