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- Revista ImplantNews: 20 anos
Em 2004, fui positivamente surpreendido por uma nova revista científica concebida e editada no Brasil, que trazia além dos tradicionais artigos científicos , um simpósio de abertura , as informações sobre o mercado e a promessa de um novo ciclo de congressos voltados à Implantodontia . O fato é que a Implantodontia tinha avançado bastante nos anos 1990, seja pelos congressos de Osseointegração na APCD ou realizados pela Conexão Sistemas de Prótese (SIPI e o Encontro de Mestres) . Na vida acadêmica, a Implantodontia contemporânea havia sido introduzida em algumas faculdades, especialmente para que os alunos de graduação tivessem contato com a parte laboratorial da prótese. Nos cursos de especialização, os colegas aprendiam os fundamentos da cirurgia e da prótese total aparafusada. Ainda, diversos livros nacionais e internacionais foram preparados para que nós tivéssemos mais contato com o assunto. A primeira década difusora deste novo conhecimento havia passado. E muito bem no Brasil. Entretanto, com a introdução de novas superfícies de implantes, a modificação nos desenhos das conexões, veio também uma importante discussão sobre os protocolos de carga imediata, precoce e tardia. Tudo isso recheado com as novas possibilidades em cirurgia periodontal plástica estética, categoricamente transferidas ao campo da Implantodontia. Assim, em 2004, havia movimento suficiente para que uma nova proposta de conversa, mais ao pé da orelha do leitor, e sem perder a veia científica, fosse implantada. E são momentos como este, na história da Odontologia Brasileira, que devem ficar registrados. E nesses 20 anos, se você acompanha a revista ImplantNews , ou esteve nos congressos IN , já entendeu como é possível se atualizar e ganhar conhecimento em pouco tempo. Seus números são impressionantes: são mais de 1500 artigos científicos publicados de maneira contínua nesses 20 anos, de forma independente. Meus parabéns aos envolvidos no lançamento, especialmente ao time formado pelo Haroldo J. Vieira , da VMCOM , que soube arriscar com precisão e trazer o que a classe Odontológica necessitava: uma aproximação maior com seus leitores.
- O prontuário do seu paciente direciona o futuro da profissão
O prontuário do seu paciente determina o futuro da profissão. Como são determinadas as políticas de saúde pública em Odontologia? A partir dos dados clínicos, melhor dizendo, dos registros dos nossos pacientes. Essa é a fonte de informações mais importante. É o registro vivo da condição de partida e das terapias odontológicas que nós fazemos. O prontuário do seu paciente é algo que se torna um calhamaço contendo dados escritos à mão, mas também os exames complementares (de laboratório e de imagem). Por praticidade, esses registros podem ser digitalizados ou colocados diretamente no computador. Imagine cuidar de um paciente por 20 anos. Agora, imagine cuidar de uma família inteira por 20 anos. A quantidade e a oportunidade de informação é tremenda e jamais poderá ser descartada. Essas são as informações vitais que mais tarde geram os dados que precisamos para fazer um estudo clínico. O problema é que na maioria das vezes, quando um pesquisador tenta recupera-los, esses dados estão incompletos ou inexistentes. O futuro das pesquisas clínicas sempre dependeu e dependerá da capacidade que nós temos em registrar e catalogar esses dados. Os cálculos para verificar a efetividade das novas terapias surgem diretamente da clínica? Não, mas a clínica complementa o que se viu na bancada do laboratório. Por exemplo, um novo biomaterial que é testado in vitro, depois em cobaias e, quando passa de fase, é administrado em seres humanos. Assim, a coleta dos dados tem sua continuação garantida. O que informações como idade, peso, e altura significam no seu dia a dia clínico? A Odontologia vive a Medicina Periodontal. Diversas doenças bucais possuem interação com doenças sistêmicas. A doença periodontal pode ser um reflexo do estado inflamatório crônico no organismo (obesidade, por exemplo). Como chegamos nessa afirmação? Através de estudos epidemiológicos, adivinhem, feitos a partir dos dados da minha ou da sua ficha clínica! Numa conversa informal com profissionais da área médica, percebemos que nem mesmo eles confiam tanto nas médias históricas para determinar as curvas de crescimento e os índices de massa corporal. O estilo de vida agitado do século 21 e o uso visceral de redes sociais faz o cidadão esquecer de que tomar sol 10 minutos por dia e praticar exercícios é fundamental aos seus níveis de vitamina D, cognição e circulação. Então, realmente, há uma percepção, que só vai se confirmar se esses novos dados sistêmicos forem compilados de forma contínua. Caso contrário, corre-se o risco de prescrever medicamentos que não funcionam simplesmente porque o "padrão atual", ou seja, as mudanças epigenéticas, foram tantas que toda a pesquisa básica precisará de uma renovação. Voltando à Odontologia, como será que o Brasil está quando olhamos os dados mais recentes do IBGE sobre a nossa saúde bucal? Mais uma vez: de onde surgem esses dados? Da dedicação. Qual tipo de estatística podem sair desses dados? A prevalência e incidência das doenças, das patologias. É matemática simples, de porcentagem, que eu e você podemos fazer, e que nos dão uma ideia clara do provável cenário: se o índice de doença periodontal aumentou ou se o índice de cárie diminuiu, seus reflexos deveriam ser aplicados em recursos necessários à melhora desses índices como um tudo na saúde pública. Óbvio, podemos criar outras análises mais elaboradoras, continuando pelas mais simples (Odds Ratio, Risk Ratio) ou chegando até às mais elaboradoras, como as correlações, associações, e regressões lineares múltiplas: todas dependerão dos dados que estão na ficha clínica. Outra situação interessante, e que nos ajuda muito, é a análise radiográfica dos níveis ósseos, tanto nos dentes quanto nos implantes dentários. Quando fazemos terapia periodontal ou peri-implantar, e conforme a Nova Classificação das Doenças Periodontais, a variação na quantidade óssea ao longo do tempo altera essa classificação, e por conseguinte, o tipo de tratamento e os custos de manutenção. E desta vez, já existe uma solução para o diagnóstico clínico quando os pacientes não possuírem a radiografia inicial. Então, sem registros bem preenchidos e atualizados, o dia a dia da clínica é um voo cego que nenhum profissional deseja fazer. O prontuário do seu paciente direciona o futuro da profissão.
- 20 fatos que o especialista em Prótese sobre Implantes precisa saber
20 fatos que o especialista em Prótese sobre Implantes precisa saber é um e-book desenhado especialmente para ser lido no aparelho celular, como fontes e imagens didáticas, otimizando a sua experiência de busca pelos assuntos. Nesse e-book, 20 dicas práticas são fornecidas para os que desejam se tornar grandes especialistas na área: 1. Como testar a capacidade de retenção e estabilidade de uma prótese total para saber se ela ainda funciona bem? 2. A dimensão vertical de oclusão na prótese total sobre implantes: como registra-la corretamente? 3. A dimensão vertical de oclusão na prótese total sobre implantes: como fazer em pacientes com extrações dentárias recentes? 4. Qual é o aspecto correto dos modelos de gesso para planejar uma prótese total sobre implantes? 5. Pacientes jovens que usam prótese total e não podem receber implantes dentários: o que fazer para controlar as forças oclusais? 6. Que tipo de articulador devo usar para montar os modelos de gesso do meu caso clínico? 7. Como facilitar a montagem de um caso para estudo no articulador semiajustável em pacientes com dentes? 8. Como trabalhar melhor com o garfo de mordida e o plano de cera superior em prótese total sobre implantes? 9. Para uma prótese total segmentada ou unida, quais são as sugestões de posicionamento dos implantes dentários se eu não precisar de algum tipo de enxerto? 10. Como avaliar se o paciente que usa uma prótese parcial removível na zona estética é candidato aos implantes dentários? 11. Como avaliar pacientes que já possuem implantes unitários em casos com poucas perdas dentárias? 12. Como avaliar na radiografia periapical o osso ao redor dos implantes dentários? 13. Como avaliar o espaço interproximal disponível e a sua relação com a futura prótese dentária sobre implantes? 14. O que eu preciso saber no planejamento de uma prótese ANTES de instalar os implantes dentários? 15. Porque próteses totais imediatas sobre implantes precisam de reforço metálico interno? 16. O que preciso saber sobre os tipos de conexões para implantes dentários existentes no mercado? 17. Como transferir os pilares protéticos não convencionais (preparados e fundidos) sobre implantes, do modelo de gesso para a boca com precisão? 18. Como localizar facilmente o canal do parafuso de uma prótese unitária sobre implantes na consulta de retorno ou numa emergência? 19. Como avaliar se o paciente vai precisar do flange (base artificial) na prótese total sobre implantes dentários? 20. A quantidade de espaço intermaxilar determina o desenho e a natureza do material usado na prótese total fixa sobre implantes? Clique no link abaixo e adquira o seu e-book:
- Revisão sistemática da literatura: 10 passos importantes
Identificar e quantificar os vieses: a função da revisão sistemática da literatura. Revisão de literatura. Quantas vezes você já leu uma revisão? Várias. Mas todas as revisões são iguais? Não. Uma revisão narrativa da literatura é a mais comum. Possui uma Introdução, e depois vai direto aos tópicos. Por exemplo, se você está lendo sobre pilares de zircônia, é possível que os tópicos sejam resistência, tipos de zircônia, cor. Os resumos dos artigos são colocados diretamente sob os tópicos. Na revisão narrativa, todos os trabalhos encontrados são colocados. Não há identificação do grau de vieses. O que é um viés (em inglês, bias)? É uma tendência para algum aspecto. Todo trabalho tem algum grau de viés. Se a tendência for além do esperado, ela prejudica a ciência contida nesse trabalho. Revisão sistemática da literatura 10 passos importantes: como funciona? A revisão sistemática identifica o grau de viés nos artigos selecionados, através das escalas de qualidade. As mais comuns são NOS (New Castle Ottawa para estudos caso controle e coorte, e a ferramenta ROBINS-II para estudos RCTs. Além disso, a concordância entre os revisores (artigos que entram e não entram, ou artigos que passam para a fase seguinte do processo) é feita usando-se o índice kappa. Entre revisores, o nível mínimo de concordância geralmente fica na faixa dos 0,70 e 0,90. Ainda, há programas disponíveis no mercado (por exemplo, Rayyan) que deixam esse processo de coleta e seleção mais fácil e rápido. Confira no vídeo abaixo os 10 passos importantes de uma revisão sistemática da literatura científica: Paulo Rossetti apresenta um modelo para revisão sistemática da literatura odontológica.
- Chega de dor de cabeça: a fórmula do resumo na sua monografia
A fórmula do resumo: fazer o "elefante" caber no carro. Pelo que se ouve nos corredores, o tal de "resumo" incomoda muita gente. Mas você já viu esse tal de "resumo" por aí? O resumo é a arte de caber entre 250-300 palavras todo o seu artigo científico, sua monografia, seu TCC, sua tese. Stephen King, autor de diversos livros (mistério, terror, ficção científica) que se tornaram filmes (Carrie, a estranha, por exemplo), traz uma definição genial do papel do editor no seu livro Sobre a Escrita (no Brasil, publicado pela Editora Suma): "escrever é humano, editar é divino". Na verdade, editores não se acham deuses, mas facilitam o processo para entender. Fazer caber é simplesmente encontrar espaço, remover o que não serve, sem ignorar a essência do seu trabalho. O resumo é uma vitrine: desperta interesse. Para alguém que nunca leu o seu trabalho, pode ser a primeira e última chance. Abaixo, seis dicas para montar a fórmula do resumo: corte os excessos: no resumo, tudo pode ser cortado, seja um adjetivo, sujeito, ou verbo. faça frases curtas: três verbos podem ser transformar em dois verbos, a palavra mais longa na mais curta. abrevie sempre: por exemplo, você pode escrever "Grupo 1", mas é melhor escrever "G1-" ou "G-1:" para economizar caracteres. vá direto ao ponto: não "alugue" a cabeça do leitor. escreva os fatos em ordem: oriente o leitor com a sequência mais simples que você puder. um resumo para cada tipo de estudo: há elementos mínimos obrigatórios. Se for de uma revisão de literatura, por exemplo, contêm dados sobre a estratégia de busca, artigos escolhidos, etc. Se é um trabalho de laboratório/pesquisa clínica, dados mínimos sobre os grupos e o resultado da estatística. A dica de ouro: se você nunca fez um resumo, peça para alguém ler e ver se realmente entendeu. Depois, peça para outras duas pessoas ler e ver se entenderam também. Dica importante: O ajuste final do seu resumo passa obrigatoriamente pelo(a) seu orientador(a).
- Estatística essencial para dentistas: Parte 2
Gêmeos: semelhantes, mas com pequenas diferenças. Seria a estatística capaz de encontra-las? Voltamos aos nossos posts da estatística essencial para dentistas. "Não consigo entender o valor p". Essa talvez seja a frase mais repetida nas salas de aula. O "p" é uma probabilidade. No dia a dia, trocamos esta palavra por "chance". Então, fica "qual é a chance disso ou daquilo ocorrer"? No caso, a nossa chance (probabilidade) de dois grupos serem realmente diferentes entre si, ou seja, um nada tem a ver com o outro. Essa é a situação mais simples. Exemplo: no Congresso de número 41 do CIOSP, você percebe que os estandes das empresas estão cheios de novidades. O seu foco está nos lançamentos em resinas flow. Bem, um dos fabricantes diz que a resina flow lançamento tem um desempenho clínico melhor que a resina flow clássica do mercado. E, por coincidência, você tem uma grande chance de usa-la no seu consultório ou projeto, por ter pacientes com cavidades classe I (são amálgamas antigos) nos dentes pré-molares superiores. E para a sua sorte, as cavidades possuem quase as mesmas dimensões! Bem, de um lado, você trabalha com a resina flow convencional, e do outro lado com a resina flow clássica, dando os mesmos toques no acabamento e polimento. O seu propósito, por exemplo, é comparar a diferença de cor após um ano, algo que é perceptível aos nossos olhos clínicos. Estatística essencial para dentistas: a média e o desvio-padrão atacam novamente! Chegou o grande dia: você usa uma escala de cores, um espectrofotômetro ou algo parecido. Anota todos os valores, encontra a média e o desvio padrão para cada grupo, e finalmente, aplica o teste de comparação. O famoso teste t de Student, cuja resposta é o valor p. Por convenção, usamos um limite de referência: se o nosso valor p for menor que o nível de significância 0,05 , teremos uma diferença estatisticamente significativa. Encontrei a diferença: como ler o valor p? Pronto: eu já sei que existe uma diferença, e ela é menor que 0,05 . O que isso significa? Em termos bem simples, a chance desta diferença estar errada é menor do que 1 em 20 , ou podemos escrever p < 0,05. Em termos mais simples, a cor final na resina flow convencional é diferente da cor final na resina flow lançamento. E quando o valor de referência for diferente? Mas e se o valor de referência for 0,01 ? A interpretação fica: a chance desta diferença estar errada é menor do que 1 em 100 (muito pequena mesmo), ou podemos escrever p < 0,01 .
- Estatística essencial para dentistas: parte 1
A área sob o centro da curva: a maior chance de ocorrer o evento está aqui. Não sei porque as pessoas têm problemas com números. Aliás, eu sei. Nem todo mundo gosta, mas sabe que precisa deles. Os números são importantes no cotidiano porque definem quantidades, datas, horários, quase tudo. Imagine você dizendo ao paciente para vir ao seu consultório: "olha, venha qualquer hora dessas aí, eu fico de bobeira o dia todo, olhando para o céu". Hilariante. Ou, no dia do seu pagamento: "ah, pague alguma coisa aí que eu me viro". Caos! Bem, mas tem uma categoria de números que é muito mais... "chatinha". A estatística essencial para dentistas. Sim, o estado das coisas, tipo: quantas vezes você chegou antes do horário no seu trabalho, quantos copos de água você bebeu por dia, ou quantas vezes ficou chateado porque o seu time não ganhou a partida. Tudo isso gera uma estatística. Também, não sei para que complicar a coisa. Mas nunca me esqueço da cara de enterro dos alunos e alunas quando falo que chegou a hora da estatística. Silêncio monumental. Ok, e junto da estatística, sem você entender patavinas de nada, cai no seu colo uma tal de "média" e "desvio padrão", que teimam em acabar com o seu dia (e com a suavidade daquele capuccino sabor menta). Chega desse lero-lero e vamos ao que você precisa saber sobre os números dentro da estatística, com um exemplo "dentuço": Depois de uma semana de trabalho intenso na clínica, você percebe que atendeu 20 pacientes, e cada um tinha uma quantidade diferente de lesões cariosas. Daí, com a maior paciência do mundo, você preenche uma tabela com a sequência de números abaixo: 0, 2, 1, 9, 3, 5, 1, 6, 12, 3, 8, 1, 3, 0, 2, 1, 2, 7, 8, 2 Agora, imagine que você tem um(a) colega, que trabalha com prevenção, e está interessada nos perfis dos pacientes que você atendeu. Olha, são 20 pacientes com 76 cáries. O máximo são 12 cáries. Mas no geral, a média de cárie por paciente é quase quatro. Entretanto, nem todo paciente tem a mesma quantidade de cáries. E para você não ser pega de surpresa e ficar sem material durante o atendimento e ainda otimizar o seu tempo, é certeza que 68% deles vão apresentar entre zero e sete cáries. Prepare os seus kits. Mas como você tirou esses números da cartola? A média: some todas as cáries e divida pelo número de pacientes, ou seja, 76 cáries/20 pacientes = 3,8 cáries por paciente, ou seja, está bem perto de quatro cáries. E os 68%: aliás, o que é isso? É o desvio padrão. Para ser bem franco, é o primeiro intervalo do desvio padrão. Esse primeiro intervalo contem 68% de chance dos seus pacientes terem cárie. Esse é o intervalo que você precisa saber. O desvio padrão é a distância de cada valor de cárie até à média de cárie. É a forma de medir a dispersão das cáries em relação à média de cárie. Na fórmula, essas distâncias são elevadas ao quadrado, somadas, divididas pelas chances de variação (os famosos graus de liberdade). Então, o computador finalmente aplica uma raiz quadrada (para que os quadrados voltem a ser números), e encontra que o desvio padrão vale 3,4 cáries. Para calcular o começo esse intervalo de 68%, pegue a média (3,8) e subtraia dele 3,4 = 0,4 cáries. Depois, para calcular o final desse intervalo, pegue a média (3,8) e some com ele 3,4 = 7,2 cáries. Pronto: 68% dos pacientes entre 0,4 e 7,2 cáries. Volte na tabela: veja os números 7, 8 e 12. Como não representam a maioria, a chance de aparecerem é menor.
- Chega de dor de cabeça: a fórmula da referência bibliográfica
A fórmula da referência bibliográfica possui um componente especial: o treino. Qual é, na opinião dos estudantes, a maior "dor de cabeça" quando estão perto de terminar a faculdade? Resposta: terminar a monografia ou a tese. Em qual ponto? Porque se for em tudo, essa dor de cabeça vira uma enxaqueca sem fim. Afinal, para que arrumar mais encrenca na sua vida? Todos nós sabemos: é a tal da lista de referências bibliográficas. É uma tarefa tediosa, maçante, chatice total, ou qualquer nome que você quiser, que deixa a sua musculatura glútea quadrada e dolorida. Mas saiba que ela é muito importante. primeiro, porque os números que você cita ao longo do seu trabalho de conclusão de curso devem ser compatíveis com os números na lista de referências. segundo, a digitação dos conteúdos. Claro, você pode usar o famoso recurso de copiar e colar ( Ctrl + C e Ctrl + V ). Sem isso, como alguém, que lê o seu trabalho, vai encontrar a referência correta na biblioteca física ou virtual? Bem, digitar corretamente a tal lista já foi muito pior. Na época da máquina de escrever, os erros eram corrigidos depois (uma tira de papel colada sobre a página). Mais tarde, surgiu o corretor líquido (top prime dos anos 1980 e começo dos anos 1990). E finalmente, graças à Deus, os programas de edição de texto para computadores. Mas qual é mesmo a fórmula da referência bibliográfica? Leia as recomendações da sua universidade Cada faculdade tem o seu manual particular para compilar a lista de referências, com pequenas variações. Entenda o sistema Vancouver Esta padronização universal cria uma forma rápida para economizar espaço e tempo na preparação da sua lista. Treine todos os dias Apenas 10 minutos do seu tempo Siga o modelo abaixo sobrenome e iniciais do nome: coloque até o sexto autor (na sequência que aparecem no artigo), depois escreva et al. E separe um autor do outro colocando uma vírgula depois das iniciais dos nomes; título do artigo, título abreviado da revista: somente a primeira palavra começando com letra maiúscula. O título abreviado da revista pode ser consultado no site PubMed. ano, volume, fascículo, página inicial, página final: coloque o ano, coloque ponto e vírgula, o número do fascículo entre parênteses, coloque dois pontos, escreva o número da página inicial, coloque um hífen, escreva o número da página final, digite o ponto final. Agrupando os itens acima e gerando a referência bibliográfica Linuxides FG, Grandel ERT, Chulow JK, Abcheip AB, Fenowpop DD, Triptsasde LM et al. The future is digital. Arch Dig Fut Comut. 2024 Jan-Mar;1(1):3-6. https://doi.org/12.345/2025.04.08 E chega de enxaquecas com a fórmula da referência bibliográfica. Para sempre.
- Quais revistas precisamos ler na área da reabilitação oral?
O hábito da leitura é o coração da pós-graduação. Alunos e alunas dos cursos de especialização, mestrado ou doutorado (estrito e lato senso) precisam ler todos os dias. Embora não exista uma regra para isso, considerando a quantidade de informação disponível, um ou dois artigos para manter o ritmo. E mesmo que você seja um clínico geral, em algum momento, decidindo ou não fazer a sua pós-graduação, sentirá necessidade de ler assuntos específicos. O Brasil congrega essas revistas (os famosos periódicos científicos) em bases de dados, sendo o Portal de Periódicos CAPES a fonte principal. Ainda, alunos e ex-alunos das universidades públicas e federais, quando entram no programa Alumni, têm acesso remoto às revistas. Além disso, existem três especialidades odontológicas que, somadas, formam as bases da reabilitação oral no Brasil: a Prótese, a Periodontia e a Implantodontia. Uma dúvida frequente: o que ler na área da reabilitação oral? Para responder à primeira dúvida, deixo uma pequena lista de alguns periódicos nacionais e internacionais, com suas respectivas datas de criação, consideradas ferramentas importantes para quem trabalha na área da reabilitação oral: The Journal of Prosthetic Dentistry (1951): voltada aos temas em prótese e materiais relacionados, trabalhos clínicos, pesquisa básica e pesquisa clínica. Journal of Periodontal Research (1966): pesquisa básica em Periodontia. Journal of Periodontology (1970): pesquisa clínica, séries de casos, relatos de casos em Periodontia. Journal of Dentistry (1972): multidisciplinar. Journal of Oral Rehabilitation (1974): Prótese, ATM, oclusão. Journal of Clinical Periodontology (1974): Periodontia. Journal of Oral Implantology (1977): pioneira em temas da Implantodontia. The International Journal of Periodontics and Restorative Dentistry (1981): Pesquisa em Periodontia clínica. Dental Materials (1985): pesquisa básica em propriedades físicas e mecânicas dos materiais dentários. International Journal of Oral and Maxillofacial Implants (1986): pesquisa básica e clínica em Implantodontia. The International Journal of Prosthodontics (1988): pesquisa básica e clínica em Prótese convencional e sobre Implantes. Brazilian Dental Journal (1990): multidisciplinar. Clinical Oral Implants Research (1990): pesquisa básica e clínica em Implantodontia. Journal of Prosthodontics (1992): pesquisa básica em prótese convencional e sobre implantes. Implant Dentistry (1992): pesquisa básica e séries de casos em Implantodontia. Periodontology 2000 (1993): monografias em Periodontia e Implantodontia. Clinical Implant Dentistry and Related Research (1999): pesquisa básica e clínica em Implantodontia. Brazilian Oral Research (SBPqO) (2004): multidisciplinar em pesquisa básica. Revista ImplantNews (2004): prótese, periodontia, implantodontia. Outra dúvida frequente: quantos artigos eu preciso ler? Para responder à segunda dúvida: não existe uma quantidade ideal. Por exemplo, a lista acima tem mais de 20 sugestões. Entretanto, tudo depende da sua área de interesse e curiosidade. Boas leituras!
- Osteoimunologia - Parte 3 : a origem do fenômeno
Osteoimunologia - Parte 3 : a origem do fenômeno. Atenção: se você chegou aqui sem ler a Parte 1 e a Parte 2, por favor, volte e perca mais cinco minutinhos do seu dia. Agora, vamos em frente. E afinal, não é porque você "está na cena do crime" que o cometeu, concorda? No mínimo, você é "suspeito", mesmo que não seja "pego no ato". Então, precisamos de uma "prova física" de comunicação entre as células do sistema imune e as células do sistema ósseo. Temos os meios para isso? Sim, existem moléculas (sondas) conhecidas como imunomarcadores. Vamos aplica-las. Melhor, vamos relatar o que aconteceu nos anos 2000: Por exemplo, o sistema imune trava combate em diversas áreas do corpo. Inclusive no sistema ósseo, se for necessário. Um dos tipos de leucócitos encontrados no exame de sangue (linfócito T) é capaz de conversar com os osteoclastos, ao ponto de ativa-los, gerando reabsorção óssea. Mas todo mecanismo biológico tem seu controle: os mesmos linfócitos T também secretam outra molécula, o interferon-gama, impedindo que esta "conversa" funcione bem, e assim a reabsorção óssea é reduzida. Essa é a origem do termo osteoimunologia.
- Osteoimunologia - Parte 2 : mas de onde vem o seu sangue?
Osteoimunologia - Parte 2 : mas de onde vem o seu sangue? Por que osteoimunologia? Como sempre, a reposta está na origem. Se você chegou agora e pegou o assunto andando, recomendo que volte para a Parte 1. A maioria dos componentes identificados no exame de sangue é produzida na medula óssea. Ela é uma fábrica com diversas linhas de produtos, partindo de duas fontes básicas: as células hematopoiéticas e as células mesenquimais. O que vem das células hematopoiéticas? Duas linhagens: mieloide (neutrófilos, monócitos/macrófagos, basófilos, eosinófilos, megacariócitos (plaquetas)) linfoide (linfócitos T, linfócitos B) O que vem das células mesenquimais? pericitos, adipócitos, fibroblastos, condrócitos, osteócitos, osteoblastos Agora, três fatos importantes sobre a osteoimunologia o sistema imune, em sua maioria, se origina no sistema ósseo, e seria um completo absurdo se ambos os sistemas não "conversassem". os macrófagos estão numa linhagem, enquanto os osteoblastos estão em outra linhagem, e isto vai fazer essas células se comunicarem no controle da massa óssea. é muito provável que os macrófagos vistos no tecido ósseo se tornem osteoclastos. Essa fábrica é o que mantém o seu corpo "de pé".
- Osteoimunologia - Parte 1 : o que tem no seu sangue?
Osteoimunologia - Parte 1 : o que tem no seu sangue? Qualquer pessoa que se sinta mal, ou necessite de uma cirurgia, estará nesse minuto diante de um médico, cirurgião-dentista, ou outro profissional de saúde. E o movimento seguinte, na maioria dos casos, será deixar o consultório com um pedido de exame, o popular hemograma completo, aquele onde retirarmos 1 ou 2 tubos de sangue circulante venoso. Mas, caso vocês acreditem ou não, esses tubos preciosos contêm uma amostra do que é necessário para suas células respirarem e se defenderem. Quando nosso organismo é afetado/invadido, são esses elementos que entram em ação. Troquem a palavra "afetado" por "intervenção": o implante dentário entrará em contato com o seu sangue. E o que isso tem a ver com a tal da Osteoimunologia? Vamos devagar: o que tem no tubo? Você não vê, mas o profissional do laboratório de análises clínicas sim. Usando um protocolo de centrifugação (os tubos rodam em velocidades de 2 mil a 3 mil rpm) , ele/ela conseguem separar os conteúdos em duas fases básicas: uma é mais clara (45% em volume, plasmática) e a outra é a mais escura (55% em volume, células). O que tem na fase plasmática? albumina, uma proteína que controla a pressão (ela é produzida pelo fígado) transferrina: a proteína que transporta ferro e também está envolvida no mecanismo de controle do açúcar pela insulina imunoglobulinas (IgG, IgA, IgM) que se ligam aos agentes invasores formando os complexos antígeno anticorpos anti tripsina lipoproteínas (proteínas que ligam aos lipídeos) glóbulos brancos e plaquetas (defesa e fatores de crescimento) O que tem numa das fases celulares circulantes? hemácias (transporte de oxigênio) Se você leu cuidadosamente o texto acima, percebeu que temos "metais" que participam de funções importantes em nosso organismo. Entretanto, não são os únicos. Ainda, que as células de defesa também podem ser identificadas e quantificadas. O conteúdo do tubo só diz o que existe nele, mas não mostra a sua origem dos seus elementos e porque estariam conectados à Osteoimunologia. É o que veremos na Parte 2.












