Dentes e implantes dentários: existe uma “época” melhor?
- Paulo Rossetti

- há 8 horas
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No contexto do sistema estomatognático, os dentes possuem duplo papel: estética e função. Entretanto, ao longo da vida, episódios de cárie, alimentação desregrada, escovação inadequada, problemas endodônticos ou até mesmo hábitos parafuncionais podem reduzir a sua vida útil.
Mesmo assim, sua composição estrutural ainda é capaz de suportar esforços. Caso contrário, o planeta Terra seria o maior shopping de próteses totais (dentaduras) nessa galáxia.
É quando nosso foco se resume à raiz dentária: mesmo que a estrutura de esmalte e dentina acima da gengiva esteja totalmente perdida, ainda podemos usar seu conduto interno como meio de sustentação para a restauração dentária, seja ela parcial ou total.
Por outro lado, os implantes dentários são considerados uma espécie de “preferência nacional”. O ponto: colocar implantes é uma decisão simples apenas na ausência completa dos dentes.
Motivos principais para manter o dente (as raízes) em posição
Os dentes são, indiscutivelmente, os melhores sensores de força que uma cavidade bucal pode ter. Comparando, é como se os implantes tivessem essa capacidade pelo menos 8 vezes menor do que os dentes.
Ainda, estudos em pacientes com dentição natural, prótese dentária fixa, e prótese total sobre implantes mostram que esse grau de discriminação é completo apenas na primeira situação, parcial na segunda, e aleatório na terceira.
Ou seja, ao fazerem muito mais força do que o necessário, e especialmente nos primeiros meses após serem colocadas, essas próteses sofrem danos prematuros.
Em paralelo, as raízes também são um motor: sob carga, elas puxam o ligamento periodontal que, por sua vez, traciona o tecido ósseo delicado que sustenta as gengivas. Então, ao serem removidas, essa função cessa e cria defeitos complexos que nem talvez as próteses mais bem confeccionadas sejam capazes de resolver.
Finalmente, diversos estudos clínicos também evidenciam que é possível criar uma prótese dentária com poucos pilares e vê-las funcionarem bem por muitos anos. Esse sucesso começa na seleção de raízes estratégicas em conjunto com o acompanhamento e a motivação do paciente.
As possibilidades restauradoras e o efeito férula
É certo que a quantidade de estrutura remanescente na coroa (acima da gengiva) influencia o destino (a longevidade) do tratamento. Nesse aspecto, quanto maior o número de paredes coronais que ainda restam, maior a chance dessa futura restauração funcionar por mais tempo.
E mesmo que nada haja acima da gengiva, ainda temos a chance de criar o efeito férula (o famoso anel de dentina 360 graus com 2mm de altura mínima) e cimentarmos um pino pré-fabricado.
A ciência também mostra que, se houver trinca ou fratura, essa raiz é passível de reparo. Entretanto, o contrário não ocorre com os pinos metálicos, onde essas falhas dificilmente dão uma segunda chance.
Ainda, dentro das novas possibilidades restauradoras e como meio auxiliar, temos as resinas reforçadas por fibras.
Deixando a colocação dos implantes dentários para a hora certa
É verdade que implantes dentários não têm cárie, mas não estão imunes aos problemas bucais: podem sofrer inflamação e a perda óssea ser até mais rápida do que na doença periodontal.
Ainda, o outro motivo de preocupação é que os tratamentos atuais para a peri-implantite não possuem efetividade elevada.
Assim, quanto mais adiamos sua colocação, melhor. Novamente, e estabelecida a cooperação entre profissional e paciente, os tratamentos periodontais existentes são capazes de sustentar dentições e/ou raízes que estão “no limite”.
Manter as raízes ou fazer as próteses com dentes e/ou implantes: os custos também são diferentes?
Nesse contexto, o poder das terapias periodontais regenerativas em defeitos intraósseos profundos não pode ser desprezado.
Após 10 anos de acompanhamento dentro de um estudo randomizado controlado onde participaram 50 indivíduos com periodontite nos estágios III e IV, as seguintes observações vieram à tona:
88% (regeneração) e 100% (prótese) de taxas de sucesso (sem diferenças estatisticamente significativas)
as médias de anos sem complicações foram iguais em ambas as terapias
tanto as respostas dos pacientes, como a qualidade de vida, melhoram em ambos os cenários complexos
embora não houvesse diferença nos custos cumulativos entre a opção pela regeneração ou prótese, quando os custos iniciais foram embutidos, os cenários mudaram: ou seja, fazer “poupança biológica” provou-se uma opção econômica melhor ao longo desses 10 anos.
Um detalhe importante: no estudo acima, os pacientes tinham acompanhamento trimestral e depois anual. Mesmo assim, houve três perdas dentárias no grupo com regeneração (duas após 1 ano e uma após 8 anos).
O “melhor momento” da coexistência pacífica entre dentes e implantes
Pelo que se sabe até o momento nesse item, um novo artigo sugere que pacientes de meia-idade (e acima) são os mais beneficiados.
Entretanto, as ressalvas principais, além da participação dos cuidadores e dos efeitos dos medicamentos, são com o desenho da prótese (parafusada ou overdenture) e como eles ou elas poderiam limpá-las corretamente.
E, ao conceber o tratamento restaurador, não seria preciso colocar implantes dentários em toda a arcada maxilar ou mandibular.
Por exemplo, pacientes com próteses parciais removíveis classes I ou II de Kennedy podem ter melhor retenção e estabilidade recebendo um implante de cada lado, servindo de apoio nas extremidades livres.
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