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- Resinas reforçadas por fibras: polêmica na Odontologia?
Resinas reforçadas por fibras: na bioengenharia para recuperar o órgão dentário. O uso de fibras para reforçar restaurações/pinos em prótese dentária representa a busca por materiais com módulo de elasticidade e tenacidade à fratura semelhantes ao tecido dentinário. Melhor impossível. Todavia, assuntos de natureza complexa normalmente representam tentativas de encurtar um grande hiato (na maior parte das vezes) entre o laboratório e a prática clínica. Quando se fala em vitalidade e composição estrutural na dentina a ser restaurada, englobamos desde a presença ou ausência de tratamento endodôntico, bem como a qualidade (materiais restauradores e forradores antigos, coloração relacionada à idade, corrosão, fissuras, trincas, pinos dentinários previamente instalados) e a quantidade (presença/número de paredes) remanescentes. Ainda, a composição periférica da cavidade ou do remanescente importa: o esmalte suficiente nesses 360 graus conta muito. É fato que os aspectos acima podem ser facilmente padronizados em estudos laboratoriais pelo menos no que tange ao tipo dentário (por exemplo, os terceiros molares não irrompidos ou pré-molares recomendados para extração por motivos ortodônticos). Por outro lado, a dificuldade sempre está nos estudos clínicos. Ela reside na eterna expectativa do paciente em se comportar como um “corpo de prova”. Mesmo assim, as fibras de reforço têm seguido um caminho interessante em seu desenvolvimento, tanto as classificadas como “longas” e “curtas”. Outro fato que nos preocupa: depois da cárie e da doença periodontal, a fratura dentária é a terceira a subir no pódio das complicações. Justamente aquela que não desejamos. Abaixo, uma costura derivada de quatro revisões/meta-análises recentes para que vocês, leitores do meu blog, tenham suas próprias conclusões sobre essa polêmica (se é que ela realmente existe ou vale o seu tempo clínico). Fibras longas – polietileno de alto peso molecular: o que já sabemos? Referente aos estudos de bancada, são 30 artigos selecionados que falam sobre o RibbondTM, em cavidades classe I ou II, com ou sem tratamento endodôntico, incluindo pinos reforçados com esse material. Na técnica de meta-análise (2 estudos com dados disponíveis), os valores de resistência à fratura aumentam para os pinos. Da mesma forma, esse benefício mecânico também é visto nas restaurações classe I e II (8 estudos com dados extraídos), com as fibras posicionadas muitas vezes posicionadas nas paredes nos terços médio e cervical, por vestibular e lingual, e no assoalho pulpar, como se fosse um formato de “letra U” de reforço. Para terminar, o número de fraturas desfavoráveis em ambos os casos acima também é menor com esse tipo de fibra de reforço. Agora, quando olhamos para os estudos clínicos, que foram detectados nessa revisão, mas não descritos: Piovesan et al. (2007): 97 meses, 109 pinos, 6 fraturas = 90% de sobrevivência Turker et al. (2007): 35 meses, 42 pinos, 1 soltura = 97% de sobrevivência Ayna et al. (2009): 36 meses, 87 pinos, 1 soltura = 98% de sobrevivência Ayna et al. (2018): 36 meses, 31 pinos, 4 solturas = 87% de sobrevivência Fibras curtas – everStick: o que já sabemos? Outra revisão sistemática da literatura apresenta dados clínicos do everStick (uma mistura de fibras de vidro, UDMA, bis-GMA) para pinos endodônticos: Cloet et al. (2017): 69 meses, 26 pinos, 2 fraturas = 92% de sobrevivência Qian et al. (2017): 12 meses, 48 pinos, 3 fraturas = 91% de sucesso Ferrari et al. (2012): 72 meses, 120 pinos, 3 fraturas = 97% de sobrevivência Fibras curtas – everX Flow, everX Posterior: o que já sabemos? Sobre os estudos laboratoriais (30 referências com dentes pré-molares e molares, 19 com tratamento endodôntico), o uso das fibras curtas com algum tipo de material para overlay retornou valores de resistência à fratura maiores do que as resinas convencionais, entretanto, não sendo maiores do que as resinas bulk fill. Ainda, a resina reforçada com fibras curtas, utilizada de forma isolada, mostrou valores maiores do que as resinas compostas convencionais. Com relação aos estudos clínicos, (5 referências, máximo de 4 anos de acompanhamento), de forma geral, as taxas de sobrevivência estão acima dos 85% e com desempenho similar às resinas compostas convencionais. Afinal, a polêmica sobre as resinas reforçadas por fibras se justifica? Em todos os estudos citados acima, quer seja pela revisão apenas qualitativa ou pela quantitativa (meta-análise), há ressalvas metodológicas gerais pelos critérios de identificação dos vieses, mas não polêmicas ou discussões acaloradas. Ainda, não há motivos explícitos para proibir ou não recomendar o uso desses materiais nessas situações clínicas. Pelas evidências já publicadas, uma das grandes vantagens estaria na criação de um modelo restaurador em duas camadas: a primeira de baixa viscosidade e reforçada por fibras curtas para simular a dentina, e a segunda com um material restaurador nanohíbrido ou bulkfill oclusal, fornecendo uma boa sinergia na dissipação dos estresses especialmente em áreas de grande carga mastigatória. Do ponto de vista prático, em dentes com cavidades MOD amplas e/ou tratados endodonticamente, e diante de tudo o que se sabe sobre o processo de extração dentária, reabsorção inevitável da tábua óssea vestibular, retardar a colocação de um implante dentário é uma obrigação. É preciso "reforçar": um implante dentário não substitui nem a biologia ou tampouco a fisiologia de um dente, mesmo diante do pior prognóstico clínico possível. E mesmo que o processo de colocação dessas resinas reforçadas por fibras (longas ou curtas) seja demorado e trabalhoso em si, como em todos os procedimentos adesivos seguidos à risca, as eventuais falhas que possam ocorrer, conforme a literatura levantada, serão reparáveis em sua maioria. E essa é a maior vantagem não negociável quando se fala em preservar dentes e/ou raízes estratégicas do ponto de vista estético e funcional. Bons trabalhos e boas decisões clínicas!
- Endocrown em dentes anteriores: os pinos estão com seus dias contados?
Endocrown: o uso da área interna de dentina para melhorar a adesão. Quem nunca, no consultório, já fez endocrown (sem saber) e não contou para ninguém? Levantem as mãos, por favor. Cinco da tarde de uma sexta-feira: aquela coroa provisória com pino provisório curto (o famoso "pinico"), o canal ainda em tratamento endodôntico, uma perda ampla de dentina interna, e você aí se perguntando: será que o meu sistema adesivo não daria conta do recado? De tanto pensar em voz alta, alguém captou a sua ideia e a transformou numa "endocrown". Muito prazer! Sou uma endocrown! Ou seja, nada mais do que o aproveitamento do volume da câmara pulpar após a terapia endodôntica. E não só da câmara pulpar, mas também da porção interna extra coronária acima da gengiva, as paredes que correspondem à dentina. Em adesão na Odontologia, sabemos que o tamanho da área conseguida aumenta consideravelmente os valores de resistência mecânica. É pura física: se a pressão exercida é a força dividida pela área, quanto maior a área obtida, menor a força, menor a pressão. Então porque não trabalhar essas porções internas e lambreca-las com uma bela quantidade de cimento adesivo? Quem sabe não aposentemos de vez o nosso pino intracanal? Naqueles tempos de pinos metálicos, já havia uma garotada (subestimada) proclamando os benefícios da adesão. Clique aqui para não perder o bonde da história... Endocrown em dentes anteriores: funciona ou não? O trabalho mais recente é uma meta-análise com alguns estudos laboratoriais, e obviamente devem ser interpretados com cautela. Entretanto: as endocrowns feitas em resina composta mostraram maior valor de carga de fratura e número menor de falhas catastróficas em relação às restaurações tradicionais. a combinação de um pino de fibra de vidro com uma endocrown de resina composta também gerou bom comportamento mecânico a distribuição do estresse parece mais homogênea no grupo das endocrowns Assim, o desempenho mecânico de uma endocrown pode ser similar ou muitas vezes superior. Também, vale ressaltar que a extensão vertical aproveitada da câmara pulpar nesses estudos variou entre 3 e 10mm, um fato comum no dia a dia da clínica. Mais uma vez, não é a palavra definitiva sobre o assunto, como alertam seus autores, já que existem outros parâmetros clínicos ainda não analisados. Clique abaixo e confira: https://doi.org/10.1016/j.dental.2024.10.012
- Titânio pode causar Alzheimer?
Metais no cérebro e o Alzheimer: existe relação de causa e efeito? O que a ciência diz sobre metais de próteses articulares no cérebro? Milhões de pessoas em todo o mundo vivem com próteses articulares metálicas — quadril, joelho, ombro. Esses implantes devolvem mobilidade e qualidade de vida. Em algum momento, estas próteses podem passar por uma revisão. Ainda, ao longo dos anos, é possível que o atrito (desgaste) inicie um processo de liberação de partículas metálicas. Mas uma pergunta incômoda vem ganhando espaço na comunidade científica: será que essas partículas microscópicas liberadas pelo desgaste desses metais poderiam chegar ao cérebro e contribuir para o Alzheimer? E os resultados são mais complexos do que um simples "sim" ou "não". O desenho do estudo transversal: titânio e Alzheimer Os pesquisadores analisaram os cérebros (na verdade, são autopsias) de 701 idosos participantes do Rush Memory and Aging Project. Desses, 229 tinham histórico de artroplastia total (146 próteses de quadril, 83 de joelho ou ombro) enquanto 472 não tinham — funcionando como grupo de controle. E para medir os metais no tecido cerebral, a equipe usou uma técnica chamada espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS). O que é espectrometria de massa? É uma técnica analítica que identifica e quantifica elementos químicos medindo a proporção entre a massa e a carga de íons. Funciona assim: a amostra de tecido cerebral é vaporizada em um plasma de argônio sob alta temperatura (acima dos 6 mil graus Celsius), transformando os átomos em íons. Esses íons são então acelerados e separados de acordo com sua massa em um detector. Cada elemento químico tem uma massa característica — o cobalto (Co) tem massa 59, o titânio (Ti) massa 48. O equipamento conta quantos íons de cada massa chegam ao detector, gerando uma concentração precisa de cada metal na amostra. A técnica é tão sensível que detecta concentrações da ordem de partes por bilhão (ppb) — equivalente a uma gota de tinta em uma piscina olímpica. Desta forma, os pesquisadores quantificaram cobalto (Co), titânio (Ti), molibdênio (Mo) e ferro (Fe) em quatro regiões cerebrais críticas: ● Córtex temporal inferior ● Córtex frontal médio ● Córtex cingulado anterior ● Cerebelo Eles também identificaram partículas metálicas por microscopia eletrônica de varredura (SEM/EDS), que permite visualizar diretamente as nanopartículas no tecido. Os achados sobre o titânio: vilão? A resposta direta: não, o titânio não foi associado ao Alzheimer neste estudo. Na verdade, os pesquisadores encontraram uma associação negativa entre titânio e carga de proteína beta-amiloide. Ou seja, níveis mais altos de titânio no cérebro significam menos placas amiloides, um resultado inesperado e contraintuitivo. Entretanto, isso não significa que titânio "protege" contra o Alzheimer, mas sugere que o mecanismo de ação desse metal no tecido cerebral é diferente do que se suspeitava. O verdadeiro protagonista: Cobalto? Cobalto elevado no cérebro O grupo com prótese de quadril apresentou níveis de cobalto 8,9% maiores no tecido cerebral comparado ao grupo sem prótese. A diferença foi estatisticamente significativa e consistente entre as regiões analisadas. Associação com a patologia do Alzheimer Aqui o dado acende um alerta: o cobalto se correlacionou positivamente com a carga de placas beta-amiloides e a patologia geral do Alzheimer. Essa associação foi mais expressiva no córtex temporal inferior (ITC) — uma região precocemente afetada pela doença. A ressalva crucial: cognição preservada Apesar da correlação patológica, nem o cobalto nem o titânio foram associados ao declínio cognitivo nos testes clínicos realizados com os participantes ainda em vida. Ou seja: a patologia aumentou, mas a função mental não piorou de forma detectável nesta coorte. O dilema da vitamina B12: de onde vem o cobalto que medimos? Aqui chegamos a um ponto técnico que faz toda a diferença na interpretação do estudo. Cobalto é o coração da vitamina B12 A vitamina B12, também chamada de cobalamina, tem esse nome por um motivo direto: cada molécula de B12 contém um átomo de cobalto no centro da sua estrutura química. O cobalto é o "coração" da molécula — sem ele, não existe vitamina B12. Isso significa que o cobalto entra no corpo humano por duas vias completamente diferentes: pela alimentação (via B12): presente em carnes, fígado, peixes, ovos e laticínios. É a forma orgânica, essencial para a saúde. pelo desgaste de próteses: nanopartículas metálicas das ligas CoCrMo liberadas por atrito. É a forma inorgânica, potencialmente tóxica. O problema técnico: a espectrometria de massa não diferencia as fontes A técnica de ICP-MS mede o cobalto total presente no tecido cerebral — mas ela não consegue distinguir se aquele cobalto veio do desgaste da prótese (partículas inorgânicas) ou da vitamina B12 da dieta (forma orgânica). Isso cria um fator de confusão importante. Uma pessoa que toma suplementos de B12 ou consome muita carne vermelha pode ter níveis naturalmente mais altos de cobalto no cérebro, sem nunca ter colocado uma prótese. Como os pesquisadores lidaram com isso? A equipe incluiu a ingestão de vitamina B12 como um dos covariáveis na análise estatística, na tentativa de controlar esse efeito. No entanto, há limitações importantes: os dados vieram de questionários alimentares (inerentemente imprecisos), o estudo não mediu níveis séricos de B12 e a suplementação pode não ter sido capturada adequadamente. Isso significa que parte da associação observada pode ser, em teoria, atribuível a diferenças no status de vitamina B12. Afinal, como as partículas chegam ao cérebro? O mecanismo proposto é bem estabelecido na literatura ortopédica. O atrito normal das articulações artificiais libera nanopartículas metálicas das ligas (CoCrMo e Ti6Al4V). Essas partículas minúsculas entram na corrente sanguínea, cruzam a barreira hematoencefálica (BBB) e se acumulam no parênquima cerebral. Os pesquisadores confirmaram a presença dessas partículas no tecido cerebral dos pacientes com prótese de quadril usando microscopia eletrônica de varredura (outra técnica analítica). Limitações: titânio, cobalto, Alzheimer ● O estudo é observacional e transversal: estabelece associação, mas não causalidade. ● O cobalto pode vir de fontes não relacionadas ao implante da prótese articular, como a vitamina B12. ● O titânio tem fontes ambientais (cosméticos, pigmentos alimentares) que podem confundir os resultados. ● O tamanho amostral limita análises de subgrupos específicos. ● Não houve medição direta dos níveis séricos de B12 nos participantes. Conclusão ● O titânio não foi associado ao Alzheimer, apenas mostrou correlação inversa com placas amiloides. ● O cobalto de próteses de quadril foi associado a mais placas amiloides, mas não ao declínio cognitivo. ● Partículas metálicas de implantes chegam ao cérebro — fato comprovado por microscopia eletrônica. ● A presença de cobalto na vitamina B12 é um fator de confusão importante que o estudo tentou controlar. ● O estudo não prova causalidade, mas acende um sinal de alerta para investigação aprofundada.
- Clínica ou docência: o que se espera de uma pós-graduação?
O ensino da Odontologia no Brasil: que tipo de pós-graduação você precisa? O estrito senso (stricto sensu) representa os cursos de pós-graduação que se referem ao Mestrado ou Doutorado. Quem sabe, um pós-doutoramento? Já o lato senso (latu sensu) representa a Especialização. No Brasil, as especialidades que mais possuem profissionais são a Ortodontia, Implantodontia e a Endodontia. Bem, estamos no começo do ano e muita gente tem vontade, mas também tem dúvida se vai para a "clínica ou docência": qual será o seu tipo de pós-graduação? A sua expectativa casa com a sua realidade? Vale o investimento? Especialização (lato senso): para que serve? Formando profissionais clínicos melhores Cursos de especialização estão formatados para formar profissionais clínicos melhores na sua área de interesse. Por exemplo, dentre as disciplinas da Odontologia, se a sua paixão é a Endodontia, certamente você passará 24 meses (média de tempo recomendada) estudando apenas aspectos como a instrumentação dos canais radiculares, a detecção de lesões endodônticas, a tecnologia de imagem associada, e tudo o que se refere a esse vasto mundo que tem como missão a preservação e aumento da longevidade dentária. Assim, um curso de Especialização deveria gerar um profissional clínico mais consciente de sua prática e, quem sabe, uma referência na sua região. Normalmente, um especialista resolve problemas bem específicos, daqueles que os clínicos gerais não conseguem detectar, por exemplo, uma lesão endo periodontal com dor referida de difícil localização, patologias do nervo trigêmeo, farmacologia para disfunções temporomandibulares, etc. Então, quando o foco está na clínica, o curso de especialização é a melhor opção. Claro, não que você não possa, algum dia, compartilhar da sua experiência no curso de pós-graduação. Mestrado, Doutorado (estrito senso): para que servem? Formando os professores do futuro: clínica ou docência? Vocação é algo que se cultiva desde muito cedo, especialmente na docência. Melhor, vocação é algo com o qual se nasce. Professores são pessoas com vocação. Por isso, nossos professores no Mestrado e Doutorado são bem rigorosos. Eles sabem que em algum momento vão "passar o bastão". A responsabilidade de ensinar é gigantesca: afinal, é a qualidade de vida de outro ser humano que pode ser melhorada significativamente. Você não sabe se tem o "espírito" de ensinar? O teste abaixo é apenas sugestivo: gosta de dar aulas, independente do números de alunos que estejam presentes (fisicamente e/ou online) gosta de ler artigos científicos (pelo menos, 2 ou 3 por semana) clássicos e atuais sabe o nome da maioria das revistas científicas que precisa acessar todos os meses para se manter atualizado(a) mantem uma base de artigos em formato PDF no seu computador ou na sua casa (em papel) e consegue encontrá-los facilmente atualiza constantemente seus slides dentro dos seus tópicos de aulas preocupa-se mais com a didática do que com a "transmissão maciça de informações em tempo recorde" cultiva a paciência; está sempre interessado em ajudar seus alunos, por mais difícil que seja a distância entre "seu conhecimento" e o "conhecimento que os alunos e alunas têm" compartilha artigos e/ou informações que podem ser úteis na clínica avalia o conhecimento residual de cada aluno(a) colocando-os no modo de participação ativa Mestres e Doutores são "experts" em aulas e seminários. Ainda, a maioria pertence ou é membro ativo do corpo editorial de revista científica, fazendo pareceres técnicos em artigos ou funcionando como editor(a). Mestres e Doutores também possuem formação clínica. Um(a) especialista deveria ler tanto quanto um Mestre ou Doutor? Essa é uma dúvida importante. Por ofício, Mestres e Doutores, sabendo da necessidade de uma boa aula, devem ler constantemente assuntos variados ou associados aos seus temas). Então, não é que um Especialista não precise ler. Em função da natureza, há uma tendência dos cursos privilegiarem mais o tecnicismo, embora a carga horária também tenha as aulas básicas com as referências mais importantes. A resposta mais lógica é: crie o hábito. Vivemos uma época onde a quantidade de conhecimento tem proporções intergalácticas! Para isso, sem a leitura fundamental, o seu trabalho será "mais um" na estante, e você terá a sensação, ao terminar seu curso, que "não saiu do lugar". Outro ponto fundamental: os trabalhos de conclusão de curso. Sim, esteja você pensando em especialização ou mestrado/doutorado, é obrigatório desenvolver um tema de seu interesse. A diferença é simples: na Especialização, o seu TCC ou monografia (o trabalho de conclusão de curso) geralmente será escrito como revisão de literatura. No Mestrado e Doutorado, é uma tese, uma pesquisa de laboratório ou com seres humanos. Então, aqui temos outro ponto importante: procure o estrito senso (Mestrado/Doutorado) se você quer desenvolver uma pesquisa. Mas, se você acha que o seu negócio é a clínica, o TCC (com o tema do seu interesse) será a melhor solução. E os custos? Normalmente, na Odontologia, os programas de lato senso não oferecem bolsas de estudo, já que os alunos e alunas desses cursos teoricamente teriam os mesmos para se sustentarem à distância. Nos programas de estrito senso, e em função das linhas de pesquisa, é necessário ter apoio de instituições de fomento (CAPES, FAPESP) para que os alunos desenvolvam suas teses. Refazendo a pergunta: o que a pós-graduação espera de você? Os programas de pós-graduação têm um único objetivo: o desenvolvimento da sociedade através de todas as áreas da ciência. A sociedade começa por cada um de nós. Nos programas de estrito senso, é fundamental que o professor e a professora consigam desenvolver seu senso crítico. Isso leva tempo, esforço, e uma dedicação que não se paga com qualquer valor. Nos programas de lato senso, é fundamental que os futuros especialistas sejam referências na sua região, dando apoio na solução de problemas clínicos complicados. Isso também leva tempo, esforço, e uma dedicação que não se paga com qualquer valor. Lembre-se: conhecimento nunca é demais. Então, aproveite bem tudo o que seus professores falarem, todos os artigos que você ler, e todos os pacientes que você atender. A chave do seu sucesso (e do seu futuro), como especialista, mestre ou doutor, está aqui.
- Lendo um artigo científico - estatística - elementos da meta-análise - parte 7
Estatística: a hora da meta-análise. Para quem está chegando agora: clique aqui. Enfim, chegamos ao gráfico da meta-análise, gráfico de floresta (forest plot). Entretanto, há dois conceitos que você precisa saber: uma meta-análise está dentro de uma revisão sistemática nem toda revisão sistemática traz uma meta-análise O que é uma meta-análise? Meta-análises são tentativas de resumir os principais achados dos artigos científicos em forma de número, diferente de uma revisão narrativa ou sistemática, onde frases são apresentadas. De maneira muito simples, consistem na seleção de artigos e atribuição de um peso a cada estudo. Essa estatística funciona como se fosse a média ponderada. Quais são os elementos da meta-análise? Meta-análises podem ser feitas com: taxas ou porcentagens como o próprio nome diz, o parâmetro principal está no formato de uma porcentagem. Por exemplo, taxa de sobrevivência de implantes dentários, restaurações, etc. OR, RR, HR (odds ratio, risk ratio, hazard ratio) aqui, é muito importante prestar atenção no "pezinho" do gráfico: o valor de referência será 1. diferença média / diferença média padronizada a diferença entre duas médias (do grupo experimental e do grupo controle): aqui o valor de referência no "pezinho" do gráfico será 0. Os outros dados apresentados serão o número de amostras em cada estudo, o peso (a contribuição) de cada estudo, e os intervalos de confiança. Normalmente, a escolha do tipo de dado depende do desenho experimental do artigo. Muitas vezes, os dados dos artigos são transformados para se chegar ao parâmetro de escolha. Os dados acima são utilizados para geração de outras características que se encontram dentro do gráfico: effect size summary effect O que é um effect size? O tamanho do efeito (effect size) é justamente um dos parâmetros acima (porcentagem, OR, RR, diferença entre médias). Ele é representado como um quadrado que fica nas linhas dos intervalos de confiança. Quanto maior o tamanho desse quadrado, maior o peso (interferência) que cada estudo tem no resultado final, conhecido como summary effect. O que é um summary effect? O resumo do efeito (summary effect) é representado por um diamante que fica no final de cada gráfico. Ele também possui um intervalo de confiança. Para que serve a linha vertical que fica no meio do gráfico? Essa linha determina o local do nosso effect size. Quando o intervalo de confiança "cruza" esta linha, significa que não a diferença entre o lado de teste e o lado controle. Qual é a forma de apresentação gráfica dessa estatística? Assim, temos todos os elementos para confecção do gráfico da meta-análise. Da esquerda para direita, teremos: nome dos autores, ano da publicação, número de amostras e desvio padrão nos grupos experimental e controle, o tamanho do efeito, o peso de cada efeito, e o intervalo de confiança, e o valor p. Entretanto, o gráfico pode ser apresentado de forma mais simples, como no exemplo abaixo, onde o effect size escolhido foi o RR: Gráfico de floresta: a essência da meta-análise Repare, na imagem acima, a posição do nosso diamante: ele termina do lado do grupo teste. Ou seja, após a análise de todos os estudos acima (A, B, C, D), o número que nós buscamos favorece o grupo teste. Veja que apenas os grupos C e D possuem os quadrados (tamanho do efeito) maiores, e portanto, possuem mais peso do que os estudos A e B. Ainda, repare como o diamante (resumo do efeito) é bem fechado (pouco extenso). É o tamanho do intervalo de confiança final. O resumo do efeito vale 0,85. Agora, perceba que apenas o estudo C não cruza a linha vermelha pontilhada, gerando o único valor p < 0,05. O que é a inconsistência? A inconsistência (I2) também surge no "pezinho" do gráfico, sendo apresentada como porcentagem, variando entre 0 e 100%. Assim, ela mede qual é a proporção da dispersão entre os estudos que pode ser considerada real. Então, quanto maior essa porcentagem, maior essa proporção. Ela está relacionada ao grau de sobreposição dos intervalos de confiança, e não ao effect size. Claro, em função dos detalhes, leva-se mais tempo para interpretar o gráfico de meta-análise. Na prática clínica Odontológica, o que posso fazer? Meta-análises são elementos sugestivos para se tomar uma decisão. Ao longo dos anos, diversos sistemas de saúde as têm utilizado em questões epidemiológicas (prevenção à cárie, por exemplo). Entretanto, quanto mais estudos forem colocados na meta-análise, melhor o nosso poder para escolher se vamos aplicar um tratamento experimental ou ficarmos com o tratamento controle. Por diversos motivos, não há respostas e nem meta-análises para todos os nossos tratamentos e pacientes. Assim, meta-análises devem ser interpretadas com muita cautela. Estudos laboratoriais, especialmente comparados entre laboratórios (equipes) diferentes, contêm muitas variações (animais, tipos celulares, reagentes químicos) O mesmo fenômeno é observado em estudos clínicos (dentro do mesmo país e entre países diferentes). Muitas vezes, as meta-análises (e os gráficos) não podem ser geradas porque o nível de vieses (tendências) nos estudos é elevado. Bons trabalhos! Boas leituras!
- Lendo um artigo científico - estatística - odds e risk ratio - parte 6
Estatística: a medida das chances (odds) e dos riscos. Nos levantamentos epidemiológicos, enquetes, pesquisas de satisfação, quantas vezes você já ouviu os termos odds ratio e risk ratio? Todas as palavras acima podem ser reunidas, do ponto de vista científico, em uma única expressão: estudo transversal. Na língua inglesa, é o que chamamos de "cross-sectional". Atenção: não confundir com "cross-over" que é um desenho experimental onde temos grupos que recebem tratamentos iguais, mas em momentos diferentes. Explico: na situação de cross-over, por exemplo, temos dois grupos, ambos possuem dois implantes na mandíbula e uma overdenture. Como é possível usarmos encaixes tipo bola ou barra, um dos grupos usa primeiro os encaixes bola, enquanto o outro grupo usará os encaixes barra. Depois de um período de tempo pré-determinado, os tratamentos se invertem. O grupo com encaixes tipo bola passa a usar barra, e o grupo com barra passará a usar encaixes tipo bola. Voltando à modalidade estudo transversal, em termos bem simples, na prática: Toda vez que o funcionário do IBGE passar na sua casa, no seu bairro, na sua cidade, ele(a) estarão fazendo um levantamento transversal para verificar a situação econômica. Por isso, é importante que as suas respostas sejam precisas, ou não saberemos o estado atual e como planejar melhor o futuro do nosso país. Nos trabalhos científicos, toda vez que detectarmos uma situação de levantamento transversal, será preciso interpretar um tipo de estatística conhecida como "estatística de diagnóstico", ou "estatística de risco". Odds ratio e risk ratio Aqui, pelo menos duas siglas são frequentes: OR, RR OR = significa Odds Ratio RR = significa Risk Ratio ou Relative Risk Em resumo, estamos conversando sobre a "chance" do fato em estudo ocorrer ou não. Do ponto de vista clínico, ambas os números falam sobre a probabilidade de um evento ocorrer quando estamos "expostos". Não necessariamente significam que irão ocorrer em 100% dos casos. Assim, quantos pacientes você já viu que são tabagistas veteranos e não têm suas gengivas afetadas pela nicotina do cigarro? Nenhum um milímetro sequer de perda óssea? Por isso, dizemos que o cigarro é "fator de risco", da mesma que a hemoglobina glicada acima dos 7%, dos níveis de glicemia, e assim por diante. E para isso serve o aconselhamento, no melhor estilo "faça isso", "não faça aquilo". O estilo de apresentação dos resultados é clássico. Para nós, do ponto de vista clínico, é interessante quando tanto os valores de OR quanto os de RR ficam abaixo de 1, ou seja, a chance ou risco de ocorrer será pequena. Se tanto o valor de OR quanto de RR for 1, não há diferença entre os grupos. Entretanto, se tanto o valor de OR quanto de RR ficarem acima de 1, temos chance ou risco aumentado. Por exemplo, quando os artigos científicos relatam que a chance de perder um implante dentário pode ser 2,5 vezes maior nos pacientes tabagistas, comparados aos não tabagistas. Vamos imaginar uma situação onde temos um grupo de pessoas que vai receber um remédio com princípio ativo, enquanto o outro grupo receberá um placebo. Calculando a estatística do Odds Ratio Transcorrido o procedimento, e considerando que nossos pacientes estão divididos em dois grupos de 50 pessoas cada, e seguiram corretamente as receitas, fazemos a pergunta abaixo: Qual a chance dos pacientes terem dor após o uso desses remédios? Muita atenção à pergunta, porque ela determina a ordem de apresentação dos dados: grupo do medicamento = 5 com dor / 45 sem dor = (0,11) grupo do placebo = 42 com dor / 8 sem dor = (5,25) Para descobrir o Odds Ratio, basta dividir (0,11) por (5,25) = 0,02 A interpretação desse resultado é escrita assim: a chance dos pacientes terem dor é 0,02 vezes (OR=0,02) quando tomam o remédio, comparados aos que tomam o placebo. Ou seja, é muito pequena. Então, o remédio tem desempenho melhor que o placebo. O remédio tem efeito protetor. O computador também mostrará o valor p, que neste caso é < 0,0001 . Consideravelmente menor do que o nível de significância (0,05). Calculando a estatística do Risk Ratio Em outras ocasiões, os trabalhos contêm o RR (Risk Ratio). Para fazer o seu cálculo, vamos considerar a mesma situação acima, fazendo uma pequena troca: grupo do medicamento = 5 com dor / 50 total = (0,10) grupo do placebo = 42 com dor / 50 total = (0,84) Para descobrir o Risk Ratio, basta dividir (0,10) por (0,84) = 0,11 A interpretação desse resultado pode estar escrita assim: o risco dos pacientes terem dor (RR=0,11) é de 11% se tomarem o remédio, comparados aos que tomaram o placebo. Pelos dados acima, veja que o risco de ter dor só no grupo do medicamento é 10%, mas o risco de ter dor no grupo que tomou placebo é 84%. Lógico, faz sentido tomar o remédio. O computador também mostrará o valor p, que neste caso é < 0,0001 . Consideravelmente menor do que o nível de significância (0,05). Tanto o Odds Ratio quanto o Risk Ratio são duas maneiras diferentes de falar sobre o mesmo tópico. Abaixo, o clique no link da calculadora gratuita: https://www.medcalc.org/calc/odds_ratio.php Bons trabalhos! Boas leituras!
- Lendo um artigo científico - estatística - box-plots - parte 5
Estatística: os blox-plots. O assunto é um elemento um tanto diferente, mas que fornece um resumo gráfico sensacional. Sim, é o fenomenal box-plot, também conhecido como gráfico de caixas ou gráfico de bigodes. Bem, vocês já conhecem os parâmetros "média" e "desvio padrão". Vamos recordar: a média é uma ideia geral, mas ela não funciona sozinha, precisa do desvio padrão para que a gente entenda qual é a variação dos dados na amostra ou no grupo investigado. E o que verifica a precisão da média? O intervalo de confiança 95%. Perfeito. A maioria dos artigos científicos traz média, desvio padrão e IC95%? Pelo menos a média e o desvio padrão? Sim. Mas também há um outro parâmetro, que divide os valores pela metade. Conhecida como mediana, ela é o ponto médio, separando os valores 50% para cima e 50% para baixo, ou 50% para esquerda e 50% para direita. Você também precisa saber: nem sempre é possível usar a média para calcular a diferença entre os grupos. Motivo? A distribuição dos dados não está compatível com o padrão para uso das médias. Essa falta de "compatibilidade" está ligada à falta de homogeneidade dos dados, além das variâncias serem desiguais. Então, nada de usar a média nessas situações. Daí, a outra opção feita pelos programas de computador é escolher os valores dessas medianas. Assim, todas as vezes que você vir um box-plot, lá estarão a mediana e outros elementos importantes. A anatomia dos box-plots na estatística O cálculo dos outros parâmetros Com os dados ordenados de forma crescente, o computador gera: o menor valor, o maior valor, e logicamente a mediana. Ainda, como o box-plot é um gráfico que serve para comparação visual dos resultados entre os grupos, ele cria o limite inferior da "caixa" e o limite superior da "caixa". O gráfico propriamente dito O blox-plot pode ser apresentado nos sentidos vertical e horizontal. Mas um vez, tudo dependerá do número de grupos do estudo, do espaço que existe nas páginas das revistas, e outros fatores. A ideia é que a caixa seja dividida em quatro partes, não necessariamente iguais, conhecidas como quartis (espaços de 25%). Essa é a apresentação mais comum. Veja no exemplo abaixo: A anatomia do box-plot. Além do gráfico, as amostras também estão lá? Sim, o gráfico funciona como um "envelope". Todas as amostras ou participantes estariam no espaço físico do gráfico. Entretanto, alguns programas não possuem opções para colocá-las no desenho. Assim, não as veremos, mas saiba que todos os dados estão lá. No desenho abaixo, temos os pontinhos (círculos cor laranja). São as amostras. E repare que a linha horizontal maior (a mediana) separa metade desses pontinhos para cima, a outra metade deles para baixo. Cada grupo tem 10 amostras, e temos cinco pontos para cima e cinco pontos para baixo em cada um deles. Muitas vezes, há dados "para fora" dos limites dos box-plots? Sim, são valores conhecidos como "outliers". Em estatística, outlier significa um resultado que está muito abaixo ou muito acima do comportamento esperado. Quando isso acontece, os pesquisadores devem buscar os motivos pelos quais os "outliers" ocorreram. Detalhe: pode haver mais de um outlier em cada box-plot. O box-plot pode ser achatado ou alongado? Sim. Se os dados estiverem mais concentrados, fica mais achados. Se os dados estiverem mais dispersos, fica alongado. O box-plot pode ter bigodes de comprimentos diferentes? Sim. e aí é para ficar de olho, especialmente porque precisamos comparar os níveis dos quartis e as posições das medianas. Olhe bem para os gráficos box-plots acima dos grupos a, b, e c: visualmente, você diria que os grupos possuem distribuições iguais? Não. O grupo a tem um caixa grande e bem dividida, enquanto o grupo b tem uma caixa menor, e o grupo c tem uma "perna" grande. Olhe bem novamente para a posição das medianas, que estão em níveis completamente diferentes. Finalmente, olhe bem para o tamanho de cada caixa e as posições dos quartis: a distribuição é bem diferente: o segundo e o terceiro quartil no grupo a tem o mesmo tamanho, enquanto o primeiro quartil no grupo c é o maior de todos. Acabamos de fazer comparações visuais para saber se existem diferenças. Visualmente, a suspeita é muito grande, não é? Agora, bastaria colocar os dados no computador para vermos duas coisas: se há diferenças numéricas entre os grupos em caso positivo, identificar qual grupo é diferente de qual grupo Como os artigos apesentam os box-plots através de textos? É comum que na legenda das imagens ou figuras exista uma explicação adicional sobre o gráfico, da seguinte forma: Figura 1. Box-plots dos grupos a, b, e c (valor mínimo, primeiro quartil, mediana, terceiro quartil, valor máximo). Figura 1. Box-plots dos grupos a, b, e c (valor mínimo, intervalo de 25%, mediana, intervalo de 75%, valor máximo). Quem diria que um "bigode" desse tanto trabalho para ser analisado? Esse é um recurso simples e muito útil, especialmente quando existem diversos grupos com muitas variações, tanto nas pesquisas clínicas quanto laboratoriais. Bons trabalhos!
- Lendo um artigo científico - estatística - intervalo de confiança - parte 4
Estatística: tomando decisões com confiança. Na parte 4 sobre estatística, o assunto é o intervalo de confiança. Para isso, vamos voltar ao conceito de média e desvio padrão. Em estatística, o intervalo de confiança 95% representa o quanto você pode confiar na sua média. Ou seja, se você tivesse que repetir o seu experimento umas 100 vezes, em 95 das vezes as médias obtidas estariam dentro das margens de erro. Se você chegou agora e ainda não leu o começo dessa série, clique aqui e depois é só acompanhar as outras partes. Quatro avisos importantes Confusão: intervalo de confiança em estatística não é desvio padrão Essa é uma ocorrência muito comum. Por enquanto, saiba que são parâmetros diferentes. O intervalo de confiança mede a precisão da sua amostra Sim, esse é o aspecto mais importante: quanto menor o intervalo de confiança, maior a precisão da sua amostra. Pense na altura dos prédios que estão na foto de capa desse post. Como os intervalos de confiança aparecem nos trabalhos? Intervalos de confiança possuem o que chamamos de limite inferior (valor numérico) e limite superior (valor numérico). São relatados colocando-se uma abreviação e entre colchetes "IC 95% [valor inferior - valor superior]". O intervalo de confiança caminha sozinho? Não, o IC 95% está acompanhado da média. Mais uma vez, IC 95% não é desvio padrão. Nos artigos, a apresentação da média e do intervalo de confiança 95% é feita assim, por exemplo: No grupo A, a média obtida foi de 3,2mm, com IC 95% entre 2,3mm e 4,0mm. Observe que a média (3,2mm) está contida dentro do intervalo (2,3mm - 4,0mm). Agora, vamos comparar duas médias parecidas, mas com seus respectivos IC 95% bem diferentes: Média em A: 3,0mm (1,0mm - 5,0mm) Média em B: 3,0mm (1,0mm - 8,0mm) No grupo B, o intervalo vai de 1 até 8 (7 pontos) enquanto no grupo A, o intervalo vai de 1 até 5 (4 pontos). Portanto, dizemos que o grupo A tem uma amostra com maior precisão do que no grupo B. Além do texto escrito, onde podemos encontrar IC 95%? Os intervalos de confiança estão cada vez mais populares em função das meta-análises que apresentam os famosos forest plot (gráfico de floresta). Nesses gráficos, cada nível representa um estudo, trazendo o intervalo de confiança representado como uma linha horizontal que se estende para a esquerda e para a direita: Gráfico de floresta (forest plot): cada nível horizontal traz um intervalo de confiança. Bons trabalhos!
- Caminhos no fluxo digital em Odontologia
Caminhos no fluxo digital em Odontologia. Estar em "alguma parte do fluxo digital em Odontologia" é importante? Aprender como se conectar com todas as partes do fluxo é importante? É provável que você esteja no fluxo digital e ainda não saiba. Veja abaixo, em três momentos: A requisição de serviços por especialidades no fluxo digital em Odontologia: Especialidades da Odontologia: 50% com pé no digital. Prótese e Implante: com 70% do fluxo, abrangendo os processos por imagem, CAD/CAM e impressão 3D Perio, Estomato, Endo, CTBMF, Orto: com 50% do fluxo cada uma, desde o diagnóstico por imagem até a geração de guias para cirurgias (prototipados ou impressos) O fluxo digital por porcentagem de cada equipamento: Fluxo digital: a relação da sua clínica com prestadores de serviços. Sua clínica - o dia a dia facilitado na gestão digital: anamnese digital e software de gestão: representariam 20% do seu dia a dia no gerenciamento do consultório, eliminando a maior parte da documentação em papel. aparelho de raio X com sensor digital: com 10% no seu fluxo, mas sendo uma peça fundamental para eliminar os problemas no controle da qualidade radiográfica da sua imagem (revelação) e ainda melhorando a sua comunicação com os serviços externos. escâner intrabucal: mais 10% vitais, facilitando a sua comunicação com os pacientes e os laboratórios, arquivamento de imagens em serviços de nuvem, eliminação de boa parte dos modelos de gesso que ficam guardados, escaneamento dos moldes de transferência para duplicação de perfis de emergência, e outras finalidades diagnósticas. Entretanto, até este ponto, há um grau de investimento mínimo, possivelmente com o raio x digital primeiro e o escâner intrabucal depois. Considere também a capacidade e qualidade dos seus prestadores locais. Os planning centers são os 10% satélite, ou seja, em algum momento precisaremos deles. Mesmo assim, a comunicação será em grande parte digital. Então, por exemplo, para quem faz prótese e implante dentário, esses 10% devem ser considerados. Prestadores externos - imagens digitais são mais rápidas e práticas: raio X ortopantomografia/telerradiografia: esses equipamentos necessitam de um profissional especializado e dedicado, sendo mais 10% no seu fluxo digital tomografia computadorizada de feixe cônico: esses equipamentos necessitam de um profissional especializado e dedicado, sendo mais 10% no seu fluxo digital Um novo investimento financeiro mais robusto. Considere também a capacidade e qualidade dos seus prestadores locais: se estiver adequada, é provável que você não ainda não precise. Parece mais sábio deixar esses equipamentos para profissionais que trabalham no dia a dia desse assunto. Prestadores externos: laboratórios totalmente digitais: escâner extraoral, CAD/CAM, impressora 3D: são equipamentos de alta complexidade, representando 30% no seu fluxo digital, como extrema necessidade de profissionais dedicado(a)s. Um novo investimento financeiro mais robusto. Considere também a capacidade e qualidade dos seus prestadores locais: se estiver adequada, é provável que você não ainda não precise. Novamente, são detalhes operacionais que farão você se desviar da sua rotina. O fluxo digital e o deslocamento do seu paciente: Fluxo digital: gerenciando melhor o tempo do seu paciente. Para fazer seu paciente se deslocar menos, passando mais tempo na sua clínica, 60% do fluxo digital seriam necessários, o que também significa contratar mais equipe. Entretanto, se a sua clínica estiver próxima de um centro de documentação, e os prestadores de serviço têm qualidade, a diferença de tempo final seria muito pequena. No final, é aprender como equacionar o seu tempo com o grau de investimento e o seu relacionamento com os prestadores de serviço. E claro, atualizar-se periodicamente.
- The Toronto Conference – Osseointegrated Dental Implants - 44 years later
A new "light" at the bone-implant interface in 1982. This seminal event was held in Toronto, at the Four Seasons Hotel, from May 9 to 11. The year was 1982. Thus, 44 years have passed. By coincidence, in the same month of Per-Ingvar Brånemark birthday, born in May 3rd. For the first time, the “Swedish squad” of dental scientists and surgeons, over the leadership of Prof. Dr. Per-Ingvar Brånemark, and invited by Prof. George Zarb (University of Toronto, Canada), provided in depth what was really achieved with the contemporary titanium dental implant (fixture) and the so-called bone anchored dental prostheses. At the same time, professionals from respected, local universities were there to witness the new area of oral rehabilitation with contemporary dental implants. Also, those lectures were published as series of articles found in the Journal of Prosthetic Dentistry. The year was 1983 (see at the end of this article). For the newer generations, such an event cannot be simply denied. For classic generations, a pivotal masterpiece that brought hope for the edentulous predicament and refreshed the complete denture teaching. To be edentulous meant to be an oral invalid? The expression “oral invalid” or “handicapped” soon captured the dental profession and pointed out that the alveolar bone without teeth would progress to the atrophic state, being further compromised in case of long-term wearing of complete, removable dentures (prosthesis). In this way, “to cope or not to cope” was the biological dilemma. Meanwhile, it is true that techniques such as “the neutral zone” or the use of lingualized occlusal settings” already exist, but even thus the height/width of the residual alveolar bone still posed considerable challenges. Those oral problems also resulted in social problems: imagine an entire generation (maybe most grandpas and grandmas at that time) prevented from interacting well with their families. What means the word “osseointegration”: a possible answer For the first time, the bone tissue was really approaching (with capital A) the screw-thread, titanium dental implant. And these were not anecdotal observations: now, the evidence was mounted on light microscopy, scanning microscopy, transmission microscopy, radiographs, animal studies, and especially from human beings (with at least 10 years of use). Also, vital microscopy revealed the importance of nutrition (capillaries) and the reformation of the Haversian bone layers throughout the whole process. According to official records, there were more than 4,000 dental implants with consistent documentation installed in humans. Different from other metals, titanium has a dielectric constant value similar to water (it can hold similar electric charges avoiding repulsion). Still, at its periphery, there is the oxide layer that changes over time, transiting molecules, ions, and another species. Simply speaking, “at the end of day”, an apatite layer like the natural bone will approach the titanium surface, a fact not seen in any known metal used in dentistry. No magic, just real science. For the good of mankind. More than 80% success in the maxilla, more than 90% success in the mandible. A new dental hope was on the way for America. Surgical and prosthodontic principles: the tenets were established Since then, the Brånemark protocol was a term used to describe the sequence of surgical and prosthetic interventions. Curiously, at the very beginning, no mentions on torque insertion values were found, but minimal trauma was advocated to avoid bone resorption using a precise technique and gentle insertion of the dental fixtures. From the biomechanical standpoint, since the bone-implant interface formed a continuum of different elastic moduli, overload of the entire system (prosthesis too) would have to be counteracted by better implant distribution and reduced cantilevered units. Thus, preventive measures were taken. Years ahead: the world of the dental implants would never be the same It is a fact that this therapy evolved to more esthetic abutments (partial, single cases) and new prosthetic material/designs, as well as new dental implant surfaces with varied nanometric roughness, and the use of flapless and guided surgery modalities, and all sorts of implant-abutment connections. Also, new dental implant centers and companies were created all over the world to provide their own, customized solutions. Finally, more scientific periodicals started to publish and reflect on how implant dentistry and the other dental disciplines would benefit each other. Even after all those years, it´s still remarkable how such initiative was made and how a tiny piece of titanium changed forever the lives of millions. A very special thank you to Profs. P-I Brånemark and George Zarb. Suggested readings Zarb GA. Introduction to osseointegration in clinical dentistry. J Prosthet Dent. 1983 Jun 49(6):824. Zarb GA. The edentulous milieu. J Prosthet Dent. 1983 Jun;49(6):825-31. https://doi.org/10.1016/0022-3913(83)90358-x. Kasemo B. Biocompatibility of titanium implants: surface science aspects. J Prosthet Dent. 1983 Jun;49(6):832-7. https://doi.org/10.1016/0022-3913(83)90359-1. Parsegian VA. Molecular forces governing tight contact between cellular surfaces and substrates. J Prosthet Dent. 1983 Jun;49(6):838-42. https://doi.org/10.1016/0022-3913(83)90360-8. Skalak R. Biomechanical considerations in osseointegrated prostheses. J Prosthet Dent. 1983 Jun;49(6):843-8. https://doi.org/10.1016/0022-3913(83)90361-x. Eriksson AR, Albrektsson T. Temperature threshold levels for heat-induced bone tissue injury: a vital-microscopic study in the rabbit. J Prosthet Dent. 1983 Jul;50(1):101-7. https://doi.org/10.1016/0022-3913(83)90174-9. Hansson HA, Albrektsson T, Brånemark PI. Structural aspects of the interface between tissue and titanium implants. J Prosthet Dent. 1983 Jul;50(1):108-13. https://doi.org/10.1016/0022-3913(83)90175-0. Bergman B. Evaluation of the results of treatment with osseointegrated implants by the Swedish National Board of Health and Welfare. J Prosthet Dent. 1983 Jul;50(1):114-5. https://doi.org/10.1016/0022-3913(83)90176-2. Lekholm U. Clinical procedures for treatment with osseointegrated dental implants. J Prosthet Dent. 1983 Jul;50(1):116-20. https://doi.org/10.1016/0022-3913(83)90177-4. Adell R. Clinical results of osseointegrated implants supporting fixed prostheses in edentulous jaws. J Prosthet Dent. 1983 Aug;50(2):251-4. https://doi.org/10.1016/0022-3913(83)90026-4. Albrektsson T. Direct bone anchorage of dental implants. J Prosthet Dent. 1983 Aug;50(2):255-61. https://doi.org/10.1016/0022-3913(83)90027-6. Lundqvist S, Carlsson GE. Maxillary fixed prostheses on osseointegrated dental implants. J Prosthet Dent. 1983 Aug;50(2):262-70. https://doi.org/10.1016/0022-3913(83)90028-8. Zarb GA, Symington JM. Osseointegrated dental implants: preliminary report on a replication study. J Prosthet Dent. 1983 Aug;50(2):271-6. https://doi.org/10.1016/0022-3913(83)90029-x. Brånemark PI. Osseointegration and its experimental background. J Prosthet Dent. 1983 Sep;50(3):399-410. https://doi.org/10.1016/s0022-3913(83)80101-2.
- Senescência, Inflammaging: a Doença Periodontal no Envelhecimento
Senescência: o periodonto envelhece, a doença periodontal avança. O envelhecimento não é apenas um fator de risco cronológico; ele é um motor biológico ativo que remodela a resposta do hospedeiro, tornando o periodonto vulnerável através de processos complexos conhecidos como senescência celular e inflammaging. Interessante: quando esses dois fenômenos acima são vistos dentro dos mecanismos da doença periodontal, o foco muda por completo. Importante: a possibilidade é que a periodontite no idoso seja também uma manifestação do envelhecimento biológico e não apenas a falta de higiene/escovação adequada. E isso, obviamente, muda a abordagem clínica na prática diária. Ao mesmo tempo, à medida que caminhamos para uma população cada vez mais longeva, integrar o conhecimento da gerontologia à prática odontológica deixa de ser um diferencial e torna-se uma necessidade. Na biologia do envelhecimento, é necessário entender como esses mecanismos não apenas destroem o suporte dentário, mas também conectam saúde bucal e doenças sistêmicas graves. O Que é Senescência Celular? A senescência celular é um estado biológico onde as células param de se dividir permanentemente, mas não morrem. É um mecanismo de defesa natural do corpo: evita que as células danificadas se tornem cancerígenas. No entanto, o problema surge quando essas células permanecem no tecido. Elas não são "zumbis" passivos; pelo contrário, se tornam metabolicamente ativas e desenvolvem o que chamamos de Fenótipo Secretor Associado à Senescência (SASP). Fenótipo é tudo o que acontece depois que as suas células - no caso, as periodontais - interagem e fornecem a resposta ao ambiente. O Perigo do SASP O SASP consiste em um coquetel de citocinas (como IL-1β, IL-6 e IL-8), quimiocinas e metaloproteinases da matriz (MMPs). Todas são pró-inflamatórias. No tecido periodontal, a presença contínua dessas células senescentes cria um microambiente tóxico que impede a regeneração tecidual e promove a degradação constante das fibras colágenas e do osso alveolar. Ou seja, o seu periodonto começa a perder osso, demonstra sangramento constante, profundidade de bolsa aumentada, e por fim, o resultado estético após algum tipo de cirurgia plástica periodontal pode durar menos do que o esperado. Inflammaging: A Inflamação Crônica do Envelhecimento O termo inflammaging (uma junção de inflammation e aging) descreve um estado de inflamação sistêmica de baixo grau, crônica e estéril que se desenvolve à medida que envelhecemos. Curioso: a inflamação pode ser estéril, ou seja, sem a presença de bactérias justamente pela liberação destes agentes inflamatórios produzidos pelo ser humano. Diferente da inflamação aguda — que é uma resposta necessária e autolimitada para combater infecções — o inflammaging é persistente e descontrolado. A pergunta que todo terapeuta faz é: como fazer o relógio biológico destas células "voltar para trás"? Ou seria melhor arrumar uma forma de desligar estes "elementos reincidentes"? A Conexão com a Imunossenescência À medida que envelhecemos, nosso sistema imunológico também envelhece (imunossenescência). Perdemos a capacidade de montar uma resposta imune precisa contra patógenos e, ao mesmo tempo, ganhamos uma tendência à hiperinflamação. Isso significa que, no paciente idoso, a placa bacteriana não é mais o único vilão; ou seja, o próprio sistema imune, "cansado" e desregulado pelo inflammaging, passa a ser o principal agente de destruição dos tecidos periodontais. A Doença Periodontal sob a Ótica do Envelhecimento A periodontite associada ao envelhecimento não é apenas o acúmulo de anos de doença; é uma alteração qualitativa na forma como o corpo lida com as bactérias. Neste sentido, uma revisão recente da literatura destaca que o eixo senescência-inflammaging atua como o principal catalisador da perda óssea alveolar. Alteração da Resposta Imune Local As células senescentes na gengiva e no ligamento periodontal secretam citocinas que recrutam neutrófilos e macrófagos de forma desordenada. Em condições normais, os neutrófilos são a barreira de contenção, a primeira linha de defesa dentro do sulco gengival (a via de abertura para corpos estranhos). Todos os dias, a movimentação desse exército é estritamente controlada. Entretanto, em vez de eliminarem a infecção, essas células liberam mais radicais livres e enzimas degradativas, alimentando um ciclo vicioso de inflamação não resolvida. Aceleração da Reabsorção Óssea O inflammaging eleva os níveis sistêmicos e locais de fatores que estimulam os osteoclastos (células que absorvem osso), como o RANKL. Em um ambiente senescente, a capacidade de formação óssea pelos osteoblastos está diminuída, resultando em uma perda óssea rápida e difícil de controlar apenas com a raspagem convencional. Comorbidades Sistêmicas: O Periodonto como Janela para o Corpo A periodontite impulsionada pela senescência se conecta a outras doenças do envelhecimento. A inflamação que começa na boca não fica restrita a ela. Doença de Alzheimer Existe uma via bidirecional entre a saúde bucal e o cérebro. A inflamação sistêmica gerada pelo inflammaging periodontal pode cruzar a barreira hematoencefálica, exacerbando a neuroinflamação. Além disso, a translocação microbiana e a sinalização via exossomos são mecanismos que ligam a periodontite à progressão das patologias de Alzheimer. Diabetes Mellitus O diabetes acelera a senescência celular e o inflammaging. Pacientes diabéticos idosos apresentam uma concentração muito maior de células senescentes no periodonto, o que explica por que a doença periodontal é tão mais agressiva e resistente ao tratamento nesses indivíduos. Doenças Cardiovasculares e Disfunção Metabólica Níveis elevados de marcadores inflamatórios como a Proteína C-Reativa (PCR) e a interleucina-6 (IL-6), comuns no inflammaging, estão diretamente ligados ao aumento do risco de eventos cardiovasculares. A boca, portanto, atua como um reservatório constante dessas citocinas que afetam a saúde do coração e do metabolismo. Implicações Clínicas: A Era da Senoterapia na Periodontia Se o envelhecimento biológico é o motor da doença, o tratamento deve ir além da remoção da placa bacteriana. Essa revisão propõe uma mudança de paradigma: a introdução da senoterapia como coadjuvante no tratamento periodontal. Senolíticos e Senomórficos A esperança: existem hoje drogas sendo estudadas para lidar especificamente com células senescentes: Senolíticos: compostos que eliminam seletivamente as células senescentes (ex: dasatinibe, quercetina, fisetina). Estudos em modelos animais já mostraram que a eliminação dessas células pode reduzir significativamente a inflamação gengival e a perda óssea. Senomórficos: substâncias que não matam as células, mas "silenciam" o seu fenótipo inflamatório (SASP), como a rapamicina e a metformina. A promessa futura é que, dentro da Odontologia, as terapias consigam "rejuvenescer" a resposta imunológica do paciente, tornando o tratamento periodontal convencional muito mais eficaz e duradouro. Isso, é claro, necessita de investimento em pesquisa, além da colaboração constante com diversas áreas da Medicina.
- Tecnologias Produtivas na Reabilitação Oral com implantes
Capa do livro: Tecnologias produtivas na Reabilitação Oral com implantes Na reabilitação oral com implantes, o retorno do IN2022. Tecnologias Produtivas na Reabilitação Oral com implantes (ISBN 978-65-5872-293-9) Capítulo 1. O potencial das ferramentas digitais na Implantodontia guiada e orientada. Bottino MA, Faria R, Viegas D, Saavedra G Capítulo 2. Preservação de contorno alveolar: um diferencial em reabilitação de maxila com dentes periodontalmente condenados. Relato de caso Sartori IAM, Kraft B Capítulo 3. Fluxo digital em implantodontia estética através de processos terceirizados Giordani G, Giordani A, Martini C, Nhoncance W Capítulo 4. Cirurgia de implantes por navegação Dinâmica Todescan FF, Giugni LR, Hayashi MM. Capítulo 5. Planejamento virtual – ferramenta essencial para reabilitação oral Mallaguti FI, Malaguti JG. Capítulo 6. A face e o sorriso: fluxo de trabalho digital para tratamento de casos complexos em Implantodontia Bezerra FJB, Ghiraldini B, Araújo FM, Oliveira GJPL Capítulo 7. Reabilitações implantossuportadas dentais ou dentogengivais: o que considerar no planejamento? Hiramatsu DA, Silva EVF, Silva GAF, Consenza HB, Moreira NCF, Stapani NPC, Sanchez RSL, Santos VR Capítulo 8. Influência de material, geometria do corpo, perfil das roscas e superfície no sucesso dos implantes dentários Elias CN, Soares FMS Capítulo 9. Alterações da macrogeometria dos implantes e sua influência na resposta biológica Gehrke SA Capítulo 10. Como as novas tecnologias impactaram na eficiência da Implantodontia contemporânea? Tunchel T, Blay A, Santos Jr. JA, Iurovschi R, Son A, Nagasawa MA, Saska -Specian S, Shibli JA Capítulo 11. Aplicação da tecnologia digital na resolução de casos complexos na Implantodontia Zimmermann D, Groisman M, Paulinelli I, Matuck C, Groisman E Capítulo 12. Mudando as perspectivas da reabilitação oral total imediata com implantes Dias SC, Ávila GB, Alcantara BAR, Avila EVA, Souza KJ, Faria SSR, Vito SJCO. Capítulo 13. Importância dos componentes protéticos para a estabilidade dos tecidos peri-implantares: caso clínico Adolfi D, Adolfi MC, Orth CC, Mourelo JP Capítulo 14. Cirurgia guiada: indicações e aplicabilidades Dinato JC, Dinato TR, Sczepanik FSC Capítulo 15. Avanços e aplicações da técnica de cirurgia guiada na implantodontia moderna Ferreira EJ, Kopp G, Kopp FCT, Weiss SG Capítulo 16. Envelhecimento precoce bucal: diagnóstico e reabilitação funcional com resina composta – relato de caso Soares PV, Soares MPCM, Caixeta AB, Jesus JV












