Doenças peri-implantares: eu sou você amanhã? Parte 1

Atualizado: 14 de set.

O levantamento mais recente (e ingênuo) no PubMed aponta: artigos publicados sobre doenças-peri-implantares cresceram 8,5 vezes mais entre 2008 e 2026. Essa tendência continuará significativa.
A afirmação acima é um alerta: sendo você implantodontista ou não, precisará ficar mais atento(a) nas próximas décadas em termos de prevenção e tratamento dessas complicações.
A evolução do universo das doenças peri-implantares e dos implantes dentários (1987-2007)

Essa é a fase de consolidação da implantodontia moderna, onde podemos perceber dois aspectos:
implantes dentários: parte de apenas 192 artigos em 1987 e dispara para 570 em 1991 — um salto de quase 3 vezes em 4 anos. Esse é o momento em que a osseointegração se consolida como técnica dominante. Depois de 1991, a curva desacelera e entra em um platô de crescimento lento, oscilando entre500 e 650 artigos até o fim dos anos 1990. A partir de 2000, retoma o crescimento de forma mais consistente, chegando a 1.142 artigos em 2007 — cerca do dobro do patamar dos anos 1990.
doenças peri-implantares: apresentam um "surgimento" tímido, praticamente inexistente até 1988, seguindo de forma discreta em 1989 (6 artigos) e crescendo muito lentamente, ficando abaixo de 30 artigos/ano até 1996. A partir de 1997, dá um salto para 50 artigos/ano, mas depois estagna — oscilando entre 38 e 63 artigos de 1997 a 2005, sem crescimento significativo, com apenas um leve aumento no fim do período (83–88 artigos entre 2006–2007).
O contraste central do período: enquanto as publicações sobre implantes dentários explodem e se consolidam — de 192 (1987) para 1.142 (2007), um crescimento de 6 vezes mais, as doenças peri-implantares mal engatinham, indo de 0 (1988) para 83 (2007). Em 2007, elas representam apenas 7,3% da literatura de implantes, menos de 10%.
Uma observação importante: não é que não havia interesse pelas complicações biológicas, mas é que talvez elas não estivessem acontecendo na velocidade que deveriam acontecer (se é que deveriam).
Mas a situação seguinte confirma o que era esperado.
A evolução do universo das doenças peri-implantares e dos implantes dentários (2008-2026)

implantes dentários: parte de 1.474 (2008) e cresce até o pico de 3.751 em 2025, mais que dobrando no período (2,5 vezes). A partir de 2016 a curva se achata, com oscilações, mas mantendo um patamar alto — retrato de um campo maduro.
doenças peri-implantares: começa em 129 (2008) e sobe de forma quase contínua até 1.097 em 2025 — um crescimento de 8,5 vezes, com ascensão ininterrupta e sem sinais de desaceleração.
Vejam: não foi à toa que a partir do ano de 2010, o assunto peri-implantite começou a pipocar em todos os congressos de implantes dentários, nacionais e internacionais.
Qual é a participação das publicações sobre doenças peri-implantares?

No gráfico acima, a tendência de alta se mantém, com valores um pouco menores, porém expressivos:
1990: 1,5%
2010: 9,4%
2020: 22,8%
2025: 29,2%
2026: 35,1%
Qual é a relação entre o assunto e a quantidade de estudos clínicos?
A melhor maneira de nos protegermos é aprender com o que já existe? Pelo menos, é a saída mais rápida.
Atualmente, dos 9.747 registros recuperados sobre doenças peri-implantares, apenas 9,5% (925) representam estudos clínicos.
Há esperança? Dos 925 estudos clínicos sobre doenças peri-implantares, 642 são ensaios clínicos randomizados (RCTs) — ou seja, representam 69% dos estudos clínicos, mas 6,6% do total de 9.747 artigos.
Na Parte 2, vamos saber quais são os aspectos mais citados sobre a peri-implantite e o que tem sido feito para combater essas complicações.
Não percam!
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