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- O Relatório Gies: 100 anos de um marco histórico para a Odontologia
William J. Gies: quando a Odontologia abraça a ciência. A odontologia contemporânea deve sua existência a um único documento publicado há quase um século. William J. Gies (1872 – 1956), professor da Universidade de Colúmbia, Estados Unidos, foi editor e fundador do JDR (Journal of Dental Research), editor e fundador da IADR (International Association for Dental Research), e secretário e fundador da AAAS (American Association for the Advancement of Science). Atenção: no final deste post, vamos compreender melhor porque todas as realizações acima foram fundamentais à classe Odontológica. Em 1926, William J. Gies entregou à Fundação Carnegie o boletim número 19 que alteraria permanentemente o destino da saúde bucal no mundo, conhecido como Relatório Gies. Ao celebrarmos 100 anos deste marco em 2026, precisamos revisitar como este relatório transformou um ofício técnico em uma disciplina acadêmica de elite. O Cenário Pré-1926: Do Empirismo à Crise de Identidade Antes da intervenção de Gies, a odontologia operava em um vácuo científico. A maioria das escolas funcionava sob o modelo "proprietário", onde o lucro dos donos das faculdades superava o rigor do ensino. O Dentista como Artesão Mecânico No início do século XX, a sociedade enxergava o dentista como um mecânico de dentes. O foco residia quase exclusivamente na extração e na prótese artesanal. Não existia uma compreensão clara da biologia oral ou da patologia sistêmica. A Necessidade de uma Reforma "Flexneriana" Inspirada pela reforma da medicina de 1910 (Relatório Flexner), a odontologia precisava de uma limpeza estrutural. William Gies, um bioquímico da Universidade de Columbia, assumiu o desafio de auditar cada escola de odontologia nos EUA e Canadá, aplicando um olhar científico implacável. As Pilastras do Relatório Gies: O Nascimento do "Doctor of Dental Surgery" Gies não apenas criticou o sistema: ele projetou um novo modelo de profissional. Ele defendeu que a boca não é um compartimento isolado, mas uma janela para a saúde do corpo humano. A Odontologia como Equivalente à Medicina A tese central de Gies afirmava que a odontologia deveria ser "o equivalente a uma especialidade da medicina". Ele argumentou que, embora a odontologia devesse permanecer uma profissão independente, sua base educacional precisava espelhar o rigor médico. O Fim das Escolas Proprietárias Gies forçou o fechamento de instituições de baixa qualidade. Ele estabeleceu que a educação odontológica só teria validade se ocorresse dentro de universidades de pesquisa, integrando o estudante ao ambiente acadêmico e científico. A Conexão Biológica: Periodontia e Saúde Sistêmica Um dos pontos mais visionários do relatório foi a antecipação do que hoje chamamos de Medicina Periodontal. Gies compreendeu que infecções orais, como a então chamada "Pyorrhea", tinham consequências biológicas profundas. Inflamação e a Visão de Gies Mesmo sem as ferramentas de biologia molecular contemporâneas, Gies previu que a inflamação crônica na cavidade oral afetava a saúde geral. Ele incentivou a pesquisa em bioquímica e bacteriologia para entender como as bactérias orais interagiam com o hospedeiro. Da Bioquímica à Inteligência Artificial Gies introduziu a bioquímica no currículo. Hoje, em 2026, integramos a IA no diagnóstico e a medicina regenerativa na reconstrução de tecidos, seguindo a mesma trilha de inovação baseada em evidências. O Dentista como Gestor da Saúde Longevidade O profissional moderno, conforme idealizado por Gies, atua na prevenção de doenças sistêmicas através do controle da inflamação oral, sendo um ator crucial na biologia do envelhecimento e na promoção da longevidade. Além disso, ao integrar a odontologia na AAAS, Gies garantiu que as pesquisas odontológicas fossem apresentadas e discutidas no mesmo nível que a física, a química e a biologia. A magia do ano de 1926 na Odontologia O ano de 1926 também teve outros fatos importantes, como a introdução do retalho deslocado coronalmente por Norberg, que personifica a transição do "extrair" para o "preservar e regenerar" que Gies tanto defendia. Simultaneamente ao relatório, a fundação da Escola de Gnatologia por B. B. McCollum em 1926 buscou aplicar as leis da física e da biologia ao movimento mandibular. O Relatório Gies de 1926 salvou a odontologia da obsolescência técnica. Ele nos deu o status de doutores e a responsabilidade de sermos cientistas clínicos. É bom lembrar: quando adentrarmos em nossos consultórios todos os dias, estaremos partilhando da visão de um homem que acreditou que a ciência era o único caminho para a excelência na saúde. Leia mais sobre:
- Odontologia no Brasil: panorama geográfico e econômico
Odontologia no Brasil: panorama geográfico e econômico. A compilação mais recente com dados do Conselho Federal de Odontologia (CFO), PIB (IBGE) de 2023 e do Censo da Educação Superior (Inep/MEC), publicado em "Sociodemografia e Mercado de Trabalho da Odontologia no Brasil", esmiúça o panorama da nossa Odontologia de forma surpreendente. Fato: o Brasil possui o maior número de faculdades de odontologia do mundo e uma das maiores proporções de dentistas por habitante. Mas como esses profissionais e cursos se distribuem pelo território nacional? E qual a relação com a economia de cada estado brasileiro? Abaixo, o panorama geográfico e econômico da Odontologia no Brasil para ser lido e entendido em 5 minutos. A Odontologia no Brasil: número de profissionais por estado da federação Atualmente, esse contingente representa 468.585 mil cirurgiões-dentistas, com dados atualizados em 9 de julho de 2026. Nesse sentido, o estado de São Paulo concentra aproximadamente 23,7% de todos os profissionais do país. Já o Sudeste como um todo (SP+MG+RJ) responde por 45,6% dos registros nacionais. Entretanto, apenas seis estados (SP, MG, RJ, PR, RS e BA) detêm mais de 60% do total de dentistas. Em contraste, os estados de Roraima, Amapá e Acre somam, juntos, menos de 1% da força de trabalho odontológica brasileira. Número de cirurgiões-dentistas por estado brasileiro. O número de cursos de Odontologia por estado A oferta de ensino superior em odontologia experimentou uma expansão sem precedentes nas últimas décadas, atingindo a marca de 626 cursos ativos em 2023. O Brasil saltou de 82 cursos em 1991 para 626 em 2023 — um crescimento de 663% em 32 anos. Atualmente, 89% das instituições são privadas. Regionalmente, o Sudeste lidera com 36,1% dos cursos (226), seguido pelo Nordeste (179), Sul (99), Centro-Oeste (68) e Norte (54). Notavelmente, o estado de São Paulo sozinho possui mais cursos que as regiões Norte, Centro-Oeste ou Sul inteiras. Em 1991, cinco estados não possuíam sequer um curso de odontologia. Hoje, todas as unidades federativas contam com pelo menos duas instituições de ensino e apenas 20 estados brasileiros possuem menos de 30 cursos de odontologia cada. Número de cursos de Odontologia por estado. Como a economia de cada estado influencia a Odontologia no Brasil? A capacidade econômica de cada unidade federativa é um motor fundamental para a sustentabilidade do mercado odontológico privado. A concentração econômica em SP (R$ 3,45 tri), RJ (R$ 1,17 tri) e MG (R$ 972 bi) fica evidente, com os demais estados muito abaixo. PIB por estado Brasileiro. Cruzamento de dados: a economia e a educação moldando a demografia profissional No "frigir dos ovos", as três variáveis descritas acima caminham juntas, mas com desvios importantes (leia no final desse post o que isso significa). São Paulo lidera isoladamente em todas as frentes. Minas Gerais aparece em 2º lugar em profissionais e cursos, superando o Rio de Janeiro em ambas, apesar de possuir um PIB menor — o que indica uma forte interiorização do ensino privado mineiro. Por outro lado, a Bahia surpreende com o 3º maior número de cursos (48), posição muito superior ao seu peso econômico (7º no PIB). Já o Rio de Janeiro apresenta um cenário inverso: possui o 2º maior PIB do país, mas ocupa apenas a 6ª posição em número de cursos, mantendo seu alto volume de profissionais (3º lugar) devido ao estoque histórico acumulado. Na relação entre o PIB e o número de dentistas por estado, há uma correlação positiva forte, com SP isolado no canto superior direito (veja no gráfico abaixo). Entretanto, essa situação não é perfeitamente linear: MG tem mais profissionais que RJ apesar do PIB menor, e BA aparece acima da curva esperada. Relação entre PIB e número de dentistas por estado. O PIB explica aproximadamente 90% da variação no número de dentistas por estado. Estima-se que, a cada R$ 100 bilhões de PIB adicional, o estado atraia ou comporte entre 5.000 e 6.000 novos profissionais. Além disso, a relação entre o número de cursos e o volume de profissionais é ainda mais acentuada. Esse fenômeno ocorre porque os graduados em odontologia tendem a permanecer na região onde realizaram sua formação, gerando um efeito de retenção local da força de trabalho e retroalimentando o mercado regional. O Brasil vive um paradoxo: forma mais dentistas que qualquer outro país, mas a distribuição permanece profundamente desigual. Enquanto os grandes centros do Sudeste possuem uma proporção de profissionais muito superior à recomendada pela OMS (1:1.500), regiões do Norte e Nordeste ainda enfrentam carências relativas. Entretanto, os dados de 2023 indicam uma desaceleração: a relação candidato/vaga despencou de 16,2 (em 1991) para apenas 2,1. Ainda, o preenchimento de vagas atingiu o menor valor histórico (41,3%), sinalizando que o mercado de ensino superior está em fase de ajuste forçado pela realidade econômica. A "lei" que nenhum conselho de Odontologia pediu ou fez: o que ela mostra? Você, leitor do blog, percebeu que existem três curvas (gráficos de barras) muito parecidas acima (número de dentistas, número de cursos, e o PIB por estado). E isto não é mera coincidência. Do ponto de vista matemático, quando agrupadas, elas seguem a lei de Zipf. Abaixo, vamos colocar os dados reais (em azul) com os dados projetados usando essa lei (em vermelho): Dados reais x lei Zipf na Odontologia Brasileira. Percebeu como as curvas azul e vermelha são muito parecidas? O que isso significa? a curva de Zipf mostra que a concentração da odontologia não é uma anomalia — é um padrão natural de hierarquia regional o sistema é auto reforçador: cursos formam profissionais que ficam na região e atraem mais cursos quebrar o padrão exigiria políticas estruturais (desenvolvimento econômico regional), e não apenas abrir mais faculdades o Brasil já forma dentistas suficientes — o problema não é quantidade, é distribuição enquanto a economia brasileira mantiver seu padrão Zipf de concentração, a odontologia vai continuar refletindo esse mesmo desequilíbrio. Leia mais sobre:
- A geometria do implante dentário importa?
Geometria do implante dentário: o que muda no alvéolo de extração? O que muda para o alvéolo de extração? A altura do rebordo cicatrizado possui uma grande interação com a geometria do implante de titânio quando se fala em torque de inserção e estabilidade primária. A conclusões acima estão no artigo original que pode ser lido clicando-se no link abaixo: https://doi.org/10.21203/rs.3.rs-10627619/v1 Muito além da curva de aprendizado do seu implante dentário Há diversos posts aqui nesse blog sobre as taxas de sucesso, sobrevivência, e a curva de aprendizado no momento de instalar o implante dentário. Entretanto, a cicatrização do alvéolo após a extração representa uma série de processos dinâmicos muitas vezes interpretados como estáticos no dia a dia clínico. Um bom exemplo está nas radiografias periapicais: o que vemos na interface osso e implante é parte de um “reflexo” mensal, semestral ou anual. É o final do processo em que o nível ósseo vertical está acima ou abaixo dos níveis de referência. Na intimidade, não sabemos quantas vezes aquele tecido ósseo foi remodelado (deposição/reabsorção óssea). Outro exemplo é o valor do torque final de inserção. Da mesma forma, continuamos a nos guiar por números (porque ora bolas precisamos de uma referência) ou pela rigidez dessa interface (ISQ) para saber se o implante dentário tem maior ou menor chance de receber uma prótese imediata ou aguardar um pouco mais para recebê-la. E para fechar, o fator número três: a altura óssea vertical residual importa e de que maneira? Afinal, se todas as facas são iguais, por que existem marcas diferentes? Vou usar o exemplo das facas. Geometrias diferentes, lâminas diferentes, poder de corte completamente diferentes. Embora o objetivo final seja igual, que é “cortar osso”, os implantes dentários estão na mesma situação. O nível ósseo vertical do rebordo Todo mundo pergunta sobre a densidade óssea, que não deixa de ser importante, mas é necessário prestar bastante atenção no quanto ainda sobra verticalmente. A geometria do implante de titânio: quais foram analisadas? Abaixo, a lista do que foi examinado, sendo a maioria entre 4,2 - 4,3 mm de diâmetro e comprimentos entre 10 e 11,5 mm. Além disso, os grupos foram classificados em três categorias: - Nobel Parallel CC: reto - Astra Tech EV (Dentsply): reto - Tapered Pro (BioHorizons): cônico - DS Prime Taper (Dentsply): cônico - Nobel Active (NobelBiocare): agressivo - Straumann BLX (Straumann): agressivo Assim, surgem duas possibilidades: a primeira, e mais improvável, os comportamentos mecânicos serem todos iguais. E claro, a segunda, onde os comportamentos seriam todos diferentes. Experimento controlado: como se cria um "alvéolo de extração"? O “osso” utilizado aqui é um bloco de poliuretano com densidade macia (20pcf) e as cirurgias realizadas a partir de guias cirúrgicos impressos 3D. Um motor eletrônico capaz de registrar o torque e um aparelho de ressonância completaram os testes. Detalhe importante: os blocos tinham defeitos que partiam do zero e caminhavam em intervalos de 2mm verticalmente, até atingirem os 6mm. Ainda, para completar a simulação do “alvéolo de extração” havia um defeito horizontal circular de 10mm para todos os grupos. Torque de inserção / ISQ: nível zero x 6 mm residuais Os números abaixo, embora sejam dados de bancada, mostram como as diferentes geometrias dos implantes dentários realmente deixam seus impactos: Nobel Parallel CC: 32 Ncm x 8,5 Ncm / 64 x 23 Astra Tech EV (Dentsply): 20 Ncm x 9 Ncm / 66 x 35 Tapered Pro (BioHorizons): 26 Ncm x 6,2 Ncm / 65 x 24 DS Prime Taper (Dentsply): 33 Ncm x 9 Ncm / 63 x 37 Nobel Active (NobelBiocare): 32 Ncm x 12 Ncm / 65 x 29 Straumann BLX (Straumann): 32 Ncm x 13 Ncm / 63 x 29 Ou seja, você precisa conhecer o sistema que usa, considerando que na situação mais restrita, ainda restam 4mm de osso para travar o ápice do seu implante. Do ponto de vista clínico, não há superioridade clínica, mas as características de cada sistema se mostram mais evidentes à medida que o suporte coronal diminui. Quanto tempo leva para o torque atingir seu valor máximo? Esse é outro fator interessante e que inverte um pouco o ranqueamento na comparação defeito zero x 6mm: Astra Tech EV (Dentsply): 26 seg x 8 seg Nobel Parallel CC: 11 seg x 3 seg Tapered Pro (BioHorizons): 10 seg x 3 seg DS Prime Taper (Dentsply): 9 seg x 2,5 seg Straumann BLX (Straumann): 8 seg x 3 seg Nobel Active (NobelBiocare): 6 seg x 3 seg A estabilidade primária e a geometria do implante dentário: como interpretá-las? Está claro que a redução da estabilidade primária é uma constante em condições de suporte reduzido. Entretanto, o fato é que sua magnitude varia pelo sistema de implante dentário utilizado. Mesmo assim, nenhum dos testes mecânicos, quando interpretado isoladamente, consegue caracterizar esses comportamentos por completo. E não vamos nos esquecer do que vem depois: a biologia óssea. Leia mais sobre:
- Osseointegração: difícil entender? Albrektsson explica
Osseointegração: uma reação de corpo estranho. A Osseointegração é muito mais do que se pensava? Dependendo dos seus conhecimentos, essa afirmação pode ser “incrível” ou “inacreditável”. Todavia, considere que o próprio observador do fenômeno (P-I Brånemark) buscou um linguista para conceituar o termo em 1976 e passou anos tentando entendê-la. Felizmente, não foi o único. Quando um novo dispositivo dá muito certo, a ciência básica começa a passar despercebida. Ela funciona, mas entra no piloto automático. Entretanto, em 2014, um grupo de cientistas, liderado por Tomas Albrektsson, revelou ao mundo uma nova faceta da Osseointegração. Nesse blog, você já leu algumas reflexões sobre o passado, presente e futuro da Periodontologia nas vozes de Myron Nevins, Jan Lindhe, e Niklaus Lang. Agora, é a vez de Tomas Albrektsson colocar os “pingos nos is”. Osseointegração: o tecido ósseo também não “está imune” às transformações em ciência No dia a dia, a palavra-chave reação imune sempre traz preocupações porque geralmente é algo que não acaba bem. Fomos ensinados a pensar assim, certo? Tudo o que é estranho em nosso corpo causa uma reação, uma inflamação. O tecido ósseo, que se parece mais com algo duro e inerte (mas é um poço de células que trabalham 24 horas por dia para manter o nosso corpo em ordem) tem uma linha de defesa ativa. Aliás, é delas que surgem os principais elementos que vasculham e removem os restos de que não precisamos. Vamos a uma frase que explica quase tudo. Nas palavras de Albretktsson “Os autores originais do conceito de Osseointegração a viram erroneamente como uma reação impecável ao titânio biocompatível, que era considerado inerte”. Pausa: marquem essas duas palavras: biocompatível e inerte. Há muito tempo, estudos histológicos mostravam que algumas células realmente reconheciam o titânio como estranho, mas não faziam absolutamente nada a não ser ficarem em contato com esse metal. É como se fosse um “eu sei que você está aí, estou de olho em você e do seu lado”. Importante: precisamos lembrar: o implante de titânio comercialmente puro tem uma camada externa de óxido que protege seu corpo e fica exposta aos fluidos, células, proteínas e tudo mais. Conhecer bem essas interações têm sido objeto de pesquisa por 60 anos contínuos (não sabemos todas ainda). Voltando ao Albrektsson: “Atualmente, sabemos que os implantes de titânio desencadeiam uma reação imediata vinda do sistema imune e que a osseointegração, na verdade, representa um tecido ósseo formado para proteger os tecidos adjacentes do material estranho”. Pausa: aqui, Albrektsson se refere à imagem radiográfica radiopaca que é vista ao redor do implante de titânio obtida nos consultórios. Ainda, os tecidos adjacentes são a medula óssea, onde ficam as células que formam osso e as células de defesa. Veja no final desse post os dois estudos que compravam isso. Importante: por analogia, a medula é o chip (conteúdo nobre) do seu computador. Agora, a virada de chave que demorou muito tempo para chegar na Implantodontia: “Dois tipos celulares controlados e que são parte do sistema imune são o osteoblasto e o osteoclasto agindo em conjunto. Se muitos fatores adversos perturbarem o implante osseointegrado, a resposta pode ser a perda óssea asséptica (sem bactérias) pela ação principal do osteoclasto.” Pausa: o osso também origina o sistema imune. A perda óssea asséptica representa a ação do sistema imune, sim, do nosso próprio sistema imune, que apresenta flutuações ao longo de toda a vida. Os fatores adversos são o tabagismo, alguns medicamentos, genética, e o manuseio incorreto dos protocolos cirúrgicos e protéticos. Que tal não esquentar o chip? Para fechar, Albrektsson ainda deixa claro: “...se o sistema imune tiver uma queda, é claro, as bactérias virão e daí teremos peri-implantite...entretanto, precisamos de mais estudos para entender o equilíbrio exato entre as teorias imune e bacteriana”. Leia sobre os fatos mais recentes em osseointegração nos links abaixo: Trindade R, Albrektsson T, Galli S, Prgomet Z, Tengvall P, Wennerberg A. Bone immune response to materials, Part I: titanium, PEEK and copper in comparison to sham at 10 days in rabbit tibia. J Clin Med. 2018 Dec 7;7(12):526. https://doi.org/10.3390/jcm7120526 Trindade R, Albrektsson T, Galli S, Prgomet Z, Tengvall P, Wennerberg A. Bone immune response to materials, Part II: copper and polyetheretherketone (PEEK) compared to titanium at 10 and 28 days in rabbit tibia. J Clin Med. 2019 Jun 7;8(6):814. https://doi.org/10.3390/jcm8060814 Leia mais sobre:
- Implantes dentários na zona estética: a experiência de Zurique
15 anos de implantes na zona estética: a experiência de Zurique. A odontologia implantar enfrenta um dilema clássico. Os ensaios clínicos randomizados (RCTs) continuam sendo o padrão-ouro da evidência, mas acontecem em ambientes controlados, com critérios rígidos que nem sempre refletem o consultório real. Entretanto, um estudo feito pela Universidade de Zurique, resolveu olhar para o outro lado: os dados reais da prática clínica. Os pesquisadores analisaram 2.575 pacientes e 2.945 implantes colocados na zona estética maxilar ao longo de 15 anos (2011–2025). O objetivo? Entender como as estratégias de tratamento evoluem na prática e o que isso exige do profissional. Os resultados revelam três grandes tendências e, com elas, um conjunto claro de competências que dentistas precisam desenvolver. O que o registro clínico revela sobre os implantes na zona estética? O registro de implantes da Clínica de Odontologia Reconstrutiva de Zurique nasceu em 2002 como ferramenta de garantia de qualidade. Todos os procedimentos foram realizados por docentes experientes e residentes supervisionados, com dados coletados de forma prospectiva e padronizada. A análise incluiu todos os pacientes que precisaram de implantes na região estética (entre os dentes 15 e 25), independentemente do sistema ou do protocolo cirúrgico. Os pesquisadores avaliaram o sítio do implante, comprimento, diâmetro, método cirúrgico e momento da instalação. Tendência 1: a cirurgia digital assumiu o comando A mudança mais expressiva do período foi a adoção da cirurgia implantar assistida por computador (CAIS). No início (2011–2015), a cirurgia à mão livre dominava, respondendo por 77% dos casos. A partir de 2016, essa realidade se inverteu. Nos anos recentes (2021–2025), a CAIS tornou-se a abordagem principal, alcançando 75,7% dos procedimentos — um aumento estatisticamente significativo. A cirurgia guiada deixou de ser novidade e virou padrão. a competência que isso exige: dentistas precisam dominar o planejamento virtual 3D — leitura de tomografia computadorizada de feixe cônico, posicionamento 3D do implante e geração de guias cirúrgicos. O fluxo digital (escaneamento intraoral, impressão 3D, integração de softwares) deixa de ser opcional e vira etapa obrigatória do planejamento. Tendência 2: instalações mais precoces, mas com cautela O protocolo tardio (Tipo 4) permaneceu o mais utilizado em todo o período, respondendo por cerca de 71% dos casos. Porém, a instalação imediata (Tipo 1) mostrou crescimento gradual, subindo de 4,2% (2011–2015) para 9,3% (2021–2025). Esse aumento foi significativo, mas modesto. A leitura é clara: a adoção de protocolos mais precoces acontece de forma gradual e criteriosa, não como substituição abrupta de paradigmas. O Tipo 3 (precoce/tardio) foi mais comum nos anos iniciais, enquanto o Tipo 2 (precoce) permaneceu relativamente estável. a competência que isso exige: dentistas precisam desenvolver tomada de decisão clínica individualizada — saber selecionar o protocolo certo para cada sítio, avaliando anatomia, risco estético e expectativas do paciente, em vez de aplicar um protocolo único. Tendência 3: menos regeneração, mais preservação A regeneração óssea guiada simultânea (GBR) caiu de forma consistente. No período (2011–2015), 70,9% dos implantes eram colocados com GBR simultânea. Nos anos recentes, esse número caiu para 44,4% — praticamente metade dos casos. Essa queda não representa uma contradição, mas uma evolução de indicação. Com a crescente adoção da preservação do rebordo alveolar, a necessidade de reconstruções extensas diminuiu. Nos protocolos imediatos mais recentes, a GBR voltou a aparecer, mas com finalidade diferente: manejar os espaços peri-implantares e preservar o contorno. a competência que isso exige: dentistas precisam dominar a preservação do rebordo alveolar e o manejo do espaço peri-implantar (jumping gap) — saber quando regenerar e com qual finalidade, distinguindo defeito real de espaço esperado. A transição dos biomateriais Entre os casos que exigiram regeneração, houve uma troca clara de material. O uso de osso bovino desproteinizado (DBBM) caiu de 45,3% para 15,8%. Já o DBBM associado a colágeno (DBBMC) saltou de 17,5% para 49,5%. Essa transição reflete a mudança de filosofia. O DBBM puro era usado em reconstruções extensas. O DBBMC, por ter melhor manuseio graças ao colágeno, tornou-se preferido nos protocolos recentes, especialmente para preservar contorno. a competência que isso exige: dentistas precisam dominar a seleção de biomateriais — entender as diferenças entre DBBM, DBBMC e outros materiais, e saber quando usar cada um, além de diagnosticar corretamente os defeitos (deiscência, fenestração, intraósseo e combinado). Diferenças anatômicas entre incisivos e pré-molares O estudo também revelou diferenças relevantes entre as regiões. Os implantes de diâmetro regular foram mais frequentes em pré-molares, enquanto os implantes curtos foram relativamente mais usados nessa região. Isso reflete limitações anatômicas: o espaço mesiodistal reduzido dos incisivos favorece implantes estreitos, enquanto a proximidade do seio maxilar nos pré-molares limita a altura óssea. Os incisivos apresentaram maior associação com protocolos imediatos e maior necessidade de GBR simultânea, devido à placa óssea vestibular fina. Entre os defeitos que exigiram regeneração, o defeito de contorno (deiscência) foi o mais comum (54%). a competência que isso exige: dentistas precisam de raciocínio anatômico por sítio — entender que cada região tem demandas diferentes e adaptar a estratégia cirúrgica e regenerativa a essa realidade. O caminho prático Diante desses dados, dentistas que desejem acompanhar a evolução precisam de um plano de capacitação claro. As competências se organizam em quatro domínios: 1. Competências digitais: planejamento virtual 3D, fluxo digital integrado, leitura de tomografia. É a prioridade máxima, pois a CAIS já é o padrão em 75,7% dos casos. 2. Competências em regeneração: preservação do rebordo alveolar, manejo do jumping gap, seleção de biomateriais e diagnóstico de defeitos. Essencial para decidir quando e como regenerar. 3. Competências em decisão clínica: seleção de protocolo por sítio, decisão individualizada e leitura crítica de evidência (entender a diferença entre eficácia de RCT e prática real de registro). 4. Competências em comunicação e gestão: explicar o plano ao paciente, gerir expectativas estéticas e investir em educação continuada. Leia mais sobre:
- Pacientes 65 anos ou mais: 5 pontos de atenção na reabilitação oral
Pacientes com 65 anos ou mais de idade: gerodontologia e a reabilitação oral. Atenção, protesistas e simpatizantes da prótese dentária! O número especial da revista Gerodontology faz um panorama vasto sobre pacientes 65 anos ou mais de idade. Quais são as doenças, qualidade de vida e opções de tratamento que influenciam os resultados das próteses (reabilitação oral)? Abaixo, os 5 pontos que precisamos saber nesse momento e podem ser decisivos na durabilidade dos tratamentos, sejam eles sobre dentes ou sobre implantes: Cárie: como ela afeta a reabilitação oral? Após a análise de 533 estudos, os principais fatores associados foram: 1) idade avançada; 2) gênero; 3) nível educacional baixo; 4) renda baixa; 5) higiene oral pobre; 6) cigarro (tabagismo); 7) boca seca (xerostomia); 8) deficiência cognitiva; 9) residência rural; 10) falta de escovação diária; 11) nível de glicemia (diabetes); 12) casa de repouso (institucionalização); 13) recessão gengival; 14) perda dentária; 15) falta de retorno periódico ao dentista (consultório). Essa revisão ainda aponta que há necessidade de adaptar as ferramentas atuais para capturarem melhor a quantidade de lesões de cárie de raiz e também diferenciá-las entre ativas e inativas. https://doi.org/10.1111/ger.70066 O impacto da periodontite: os índices iniciais são proféticos em pacientes 65 anos ou mais? Em adultos nessa fase, bolsas profundas, maior perda de inserção clínica, e índices epidemiológicos altos de início já são capazes de prever resultados adversos (ruins) entre 18 meses e 12 anos de acompanhamento, com perda dentária, mais perda de inserção, e o declínio funcional desses pacientes. https://doi.org/10.1111/ger.70048 Reabilitação oral: como fica a mastigação e a qualidade de vida? Próteses totais (dentaduras) geram melhora funcional modesta, enquanto as overdentures sobre implantes (sobredentaduras) produzem um desempenho mastigatório e uma força de mordida maior ao longo dos anos. Da mesma forma, overdentures e próteses totais sobre implantes geram grandes impactos de longo prazo na qualidade de vida, comparadas às próteses totais convencionais e próteses parciais removíveis. A manutenção das próteses, nessa fase da vida, deve ser contínua. https://doi.org/10.1111/ger.70078 E a prevalência de boca seca (xerostomia)? Afeta um quinto dos adultos mais velhos; entretanto, a hipofunção da glândula salivar também pode surgir. Importante: pacientes polifarmácia pode ter impacto na secura bucal e na hipo salivação, o que afeta também a sua reabilitação oral. https://doi.org/10.1111/ger.70076 https://doi.org/10.1111/ger.70065 Como a desnutrição se relaciona nesses cenários? Por fim, adultos mais velhos em risco de desnutrição são aqueles com menos dentes naturais, problemas para se alimentar, para engolir (deglutição), ou que possuem a boca seca (xerostomia). Mais uma vez, com grandes impactos na prótese. https://doi.org/10.1111/ger.70030 Leia mais sobre:
- Doenças peri-implantares: eu sou você amanhã? Parte 1
Doenças peri-implantares: o número de publicações aumentou. O levantamento mais recente (e ingênuo) no PubMed aponta: artigos publicados sobre doenças-peri-implantares cresceram 8,5 vezes mais entre 2008 e 2026. Essa tendência continuará significativa. A afirmação acima é um alerta: sendo você implantodontista ou não, precisará ficar mais atento(a) nas próximas décadas em termos de prevenção e tratamento dessas complicações. A evolução do universo das doenças peri-implantares e dos implantes dentários (1987-2007) Implantes dentários e doenças peri-implantares: publicações entre 1987 e 2007. Essa é a fase de consolidação da implantodontia moderna, onde podemos perceber dois aspectos: implantes dentários: parte de apenas 192 artigos em 1987 e dispara para 570 em 1991 — um salto de quase 3 vezes em 4 anos. Esse é o momento em que a osseointegração se consolida como técnica dominante. Depois de 1991, a curva desacelera e entra em um platô de crescimento lento, oscilando entre500 e 650 artigos até o fim dos anos 1990. A partir de 2000, retoma o crescimento de forma mais consistente, chegando a 1.142 artigos em 2007 — cerca do dobro do patamar dos anos 1990. doenças peri-implantares: apresentam um "surgimento" tímido, praticamente inexistente até 1988, seguindo de forma discreta em 1989 (6 artigos) e crescendo muito lentamente, ficando abaixo de 30 artigos/ano até 1996. A partir de 1997, dá um salto para 50 artigos/ano, mas depois estagna — oscilando entre 38 e 63 artigos de 1997 a 2005, sem crescimento significativo, com apenas um leve aumento no fim do período (83–88 artigos entre 2006–2007). O contraste central do período: enquanto as publicações sobre implantes dentários explodem e se consolidam — de 192 (1987) para 1.142 (2007), um crescimento de 6 vezes mais, as doenças peri-implantares mal engatinham, indo de 0 (1988) para 83 (2007). Em 2007, elas representam apenas 7,3% da literatura de implantes, menos de 10%. Uma observação importante: não é que não havia interesse pelas complicações biológicas, mas é que talvez elas não estivessem acontecendo na velocidade que deveriam acontecer (se é que deveriam). Mas a situação seguinte confirma o que era esperado. A evolução do universo das doenças peri-implantares e dos implantes dentários (2008-2026) Implantes dentários e doenças peri-implantares: publicações entre 2008 e 2026. implantes dentários: parte de 1.474 (2008) e cresce até o pico de 3.751 em 2025, mais que dobrando no período (2,5 vezes). A partir de 2016 a curva se achata, com oscilações, mas mantendo um patamar alto — retrato de um campo maduro. doenças peri-implantares: começa em 129 (2008) e sobe de forma quase contínua até 1.097 em 2025 — um crescimento de 8,5 vezes, com ascensão ininterrupta e sem sinais de desaceleração. Vejam: não foi à toa que a partir do ano de 2010, o assunto peri-implantite começou a pipocar em todos os congressos de implantes dentários, nacionais e internacionais. Qual é a participação das publicações sobre doenças peri-implantares? Participação das publicações sobre doenças peri-implantares entre 1989 e 2026. No gráfico acima, a tendência de alta se mantém, com valores um pouco menores, porém expressivos: 1990: 1,5% 2010: 9,4% 2020: 22,8% 2025: 29,2% 2026: 35,1% Qual é a relação entre o assunto e a quantidade de estudos clínicos? A melhor maneira de nos protegermos é aprender com o que já existe? Pelo menos, é a saída mais rápida. Atualmente, dos 9.747 registros recuperados sobre doenças peri-implantares, apenas 9,5% (925) representam estudos clínicos. Há esperança? Dos 925 estudos clínicos sobre doenças peri-implantares, 642 são ensaios clínicos randomizados (RCTs) — ou seja, representam 69% dos estudos clínicos, mas 6,6% do total de 9.747 artigos. Na Parte 2, vamos saber quais são os aspectos mais citados sobre a peri-implantite e o que tem sido feito para combater essas complicações. Não percam! Leia mais sobre:
- Doenças peri-implantares: eu sou você amanhã? Parte 2
Doenças peri-implantares: os tratamentos são efetivos por quanto tempo? Na Parte 1, vimos como o número de publicações sobre peri-implantite aumentou consideravelmente nos últimos 10 anos. Em paralelo, será que foram só as porcentagens de publicações ou o número de soluções publicadas que também aumentou ao longo dos anos? Quais tratamentos tiveram efeitos duradouros contra as doenças peri-implantares? Essa não é uma resposta fácil, então vamos raspar um pouco mais esse assunto, o que nos transporta literalmente para dentro da biblioteca e ressalta o poder que os dados têm em fornecer novas perspectivas O que é uma análise bibliométrica e porque as doenças peri-implantares surgem nesse contexto? Estudos bibliométricos são modalidades de investigação que traçam mapas de conexões. Ou seja, apresentam as contribuições geográficas e acadêmicas de pesquisadores ao redor do mundo sobre determinados temas. Assim, além de sabermos quais são os autores mais citados em determinadas épocas, descobrimos quais são os assuntos. Desta vez, coincidência ou não, dentre 6 revisões bibliométricas, o assunto peri-implantite aparece em pelo menos 2 delas. O que traz a revisão de Sabri e Wang (2023)? Na revisão bibliométrica de 2023 consultando a Web of Science, dentre os 100 mais citados, apenas um terço dos artigos se concentra no tratamento e prevenção da peri-implantite. Por outro lado, os primeiros 10 artigos mais citados abordam a epidemiologia dessa doença entre revisões sistemáticas e relatos de consensos. Peri-implantite: existe um tratamento mais efetivo e duradouro? Abaixo, a lista parcial, com estudos prospectivos e/ou randomizados, quantidade de citações, e o que podemos aprender com eles para trocarmos ideias com profissionais que estão na linha de frente contra essa doença. Dörtbudak O et al., 2001: em 15 pacientes com implantes IMZ recebem laser diodo 680nm por 60 segundos, as contagens de A.a, P. gingivalis, and P. intermedia mostram redução significativa (p<0,0001), mas sua eliminação completa não é alcançada (posição 58, 168 citações). Schwarz F et al., 2005: em 20 pacientes com peri-implantite moderada e avançada, o uso do laser de érbio/YAG fez o nível de sangramento cair de 83% para 31%, comparado à cureta plástica e clorexidina 0,2% (81% para 58%) em 6 meses de acompanhamento (posição 65, 160 citações). Schwarz F et al., 2010: em 27 pacientes com peri-implantite, defeitos circunferenciais possuem tratamento promissor com osso e membrana colágena, enquanto defeitos com deiscência vestibular semi circunferencial ou circunferencial são os mais desfavoráveis (posição 66, 159 citações). Schwarz F et al., 2011: estudo RCT com 32 pacientes sofrendo de peri-implantite avançada, o método de descontaminação (laser ou curetas e soro fisiológico) não tem impacto no resultado clínico após o tratamento cirúrgico (osso e membrana colágena) (posição 69, 154 citações). Mombelli A et al., 2001: em 25 pacientes, o tratamento com tetraciclina teve efeitos clínicos positivos e radiográficos aos 6 meses, reduzindo apenas as quantidades de P. intermedia/nigrescens, Fusobacterium sp., B. forsythus, e C. rectus. (posição 76, 156 citações). Renvert S et al., 2006: nesse estudo randomizado com 32 pacientes, o uso de um antibiótico local sistêmico auxiliar ao tratamento mecânico da peri-implantite gerou melhorias nas profundidades de sondagem sustentadas ao longo de 1 ano (posição 78, 144 citações). Máximo MB et al., 2009: em 35 pacientes, terapias mecânicas isoladas foram efetivas no tratamento da mucosite e peri-implantite por um período de 3 meses (posição 80, 143 citações). Romeo E et al., 2007: em 10 pacientes com 20 implantes, num período de 6 anos, a implantoplastia mostrou-se efetiva contra a infecção e progressão da peri-implantite (posição 81, 143 citações). Renvert S et al., 2011: nesse RCT com 21 pacientes portadores de peri-implantite severa, as efetividades do laser Er:YAG e jato abrasivo foram limitadas e similares após 6 meses de acompanhamento (posição 82, 142 citações). Renvert S et al., 2009: nesse outro RCT com 37 indivíduos, não houve diferenças entre instrumentos de titânio e um dispositivo de ultrassom, com os níveis de placa e sangramento melhorando, mas sem efeitos nas profundidades de sondagem 6 meses depois (posição 85, 137 citações). Bassetti M et al., 2014: nesse RCT, 40 pacientes com peri-implantite inicial mostraram reduções nos índices periodontais após fototerapia dinâmica ou minociclina em 12 meses de acompanhamento (posição 86, 136 citações). Renvert S et al., 2008: nesse RCT com 32 indivíduos, o antibiótico local repetido junto da raspagem melhora as profundidades de sondagem aos 6 meses. A minociclina é benéfica, mas o tratamento pode precisar de repetição. (posição 89, 132 citações). Karring ES et al.,2005: nesse estudo com 11 pacientes e 22 implantes, mesmo com redução significativa no nível de sangramento, não houve diferenças entre o ultrassom e as curetas de fibra de carbono (posição 94, 129 citações). Schwarz F et al., 2006: em 20 pacientes com 40 implantes (peri-implante moderada/avançada), a efetividade do laser Er:YAG se mostrou maior do que das curetas no fator sangramento, mas limitou-se aos 6 meses, especialmente nos defeitos avançados (posição 98, 122 citações). Leia mais sobre:
- O titânio na prótese de quadril: problemas acontecem
Prótese de quadril: problemas com as nanopartículas de titânio. Nanopartículas de titânio podem colocar a sua prótese de quadril em risco! Esses são os fatos revelados pela parceria científica mais recente entre autores do Brasil e de Portugal, anunciada no periódico Biomaterial Advances. Mas como as tais nanopartículas de titânio se encaixam nessa história? Artroplastia: o que são próteses de quadril? O osso da bacia (quadril) fica bem no meio do caminho entre o tronco e as pernas e se comporta como centro de gravidade. Ele possui duas articulações onde se encaixam as cabeças dos fêmures (os maiores ossos do corpo). Assim, quando andamos ou nos viramos para os lados, essas articulações são ativadas. Por diversos motivos (por exemplo, doenças, sobrepeso), essa cabeças entram em desgaste ou até mesmo necrose; assim, toda a mecânica para suportar o peso, andar, marchar, correr, e se movimentar normalmente fica alterada, além de causar muito dor no dia a dia. Os casos extremos recebem próteses de quadril: durante a cirurgia, uma das extremidades da haste de titânio "entra" no osso fêmur, e no quadril outra peça (acetábulo) é colocada para receber a outra extremidade em formato de "cabeça". Esse tipo de prótese é clássica e tem vida controlada (são as famosas "datas de revisão") já que o desgaste é certo. Entretanto, como uma prótese de titânio pode causar isso? O que o desgaste por uso faz? As nanopartículas de titânio Uma das teorias é que, ao longo dos anos, o atrito entre o titânio e as outras partes desse tipo de prótese criem nanopartículas de titânio. O nome associado do que acontece depois é a osteólise peri-protética (OPP). Nanopartículas são de ordem 9 vezes menores do que 1mm. Ou seja, 0,000000001 milímetro. Não conseguimos vê-las a olho nu, mas nem por isso passam despercebidas pelas nossas células. O titânio é metal, sim, é fato. Também, é verdade que o organismo humano usa certos metais da tabela periódica para processos metabólicos. O cobre ajuda as mitocôndrias, osteoblastos e hemácias gostam de ferro, cobalto está na vitamina B12, e zinco nas proteínas com formato dedo de luva). Mas o titânio é uma peça nesse processo sem convite para festa. Sua estratégia é, ao ser exposto ao ar, formar uma camada de dióxido de titânio, que osseointegra no osso nativo quando você está em boa saúde. Parece até contrassenso colocar uma prótese de titânio no quadril e saber que ela vai sofrer desgaste? Todavia, será que tem alguma outra saída melhor nessa galáxia? O que uma célula faz com uma nanopartícula? Por comparação de tamanhos, as nanopartículas seriam "formiguinhas", e as células seriam "elefantes". No caso, são partículas de dióxido de titânio. Como o titânio não tem nenhum papel parecido com os metais listados acima, por natureza, a saída é “desaparecer” com elas, jogando-as para dentro dessas células. Quando o estômago celular está cheio de nanopartículas de titânio: estresse Células, por definição, são como grandes baterias com tempo de vida programado. Esgotou tudo o que podia ser feito? Então é hora de fechar as portas definitivamente (apoptose). Com as nanopartículas de titânio, esse processo se acelera. Desarmar essas nano bombas é o primeiro passo na fase do tão conhecido estresse oxidativo, O titânio não deixa a célula se transformar? Problemas à vista! Transformar não é bem o termo. Do ponto de vista biológico, falamos “diferenciar”. Nesse artigo, pesquisadores viram que as nanopartículas impedem que as células mesenquimais se diferenciem até osteoblastos, mas ainda deixam que elas proliferem. O titânio não é inerte e não deixa que a sequência biológica seja feita em sua totalidade. Calcificação patológica x mineralização fisiológica? Sim, literalmente, os eventos acima são como uma “pá de cálcio”. No final do processo, não há um tecido bem-organizado com fibras de colágeno e cristais de hidroxiapatita ao redor da prótese de quadril. Os pedidos de socorro geram inflamação Nessa linha temporal e sem outra saída, as células já mandaram todas as mensagens que podiam para atrair outras células e moléculas inflamatórias através de pequenos pacotes (exossomos). Duas coisas são vistas: a primeira é que o ambiente ao redor da prótese de quadril torna-se hostil com o tempo, e a segunda é que a reabsorção óssea se torna maior do que a formação óssea. Há como interromper esse ciclo inflamatório e a osteólise peri-protética? Os pesquisadores, até onde se sabe, já conseguem compreender a cadeia de eventos celulares e moleculares que possivelmente resultam nessas complicações. Além disso, destacam que essa sequência de eventos pode ser tornar o futuro das estratégias translacionais para detecção e diagnóstico precoce dessa osteólise induzida por partículas. Leia mais sobre:
- Dentes não irrompidos: da patologia ao tratamento
Capa do livro "Dentes não irrompidos e os distúrbios da erupção", dos autores Alberto Consolaro e Mauricio Cardoso. Você acredita que um dente não irrompido, por si só, pode dar origem a cistos e neoplasias? Dentes com transposição podem ser corrigidos ortodonticamente? E com odontomas associados? Porque os autores acreditam que todos os dentes não irrompidos podem ser tracionados, se assim indicarem as condições e as necessidades clínicas? É possível aproveitar dentes não irrompidos envolvidos com os cistos foliculares, como o dentígero, folicular inflamatório, de erupção e o cisto paradentário? O tracionamento ortodôntico é uma forma de tratamento com poucos efeitos colaterais, ou seria a forma de prepará-lo que o provoca? Bem, se as respostas aos questionamentos levantados não estão no seu rol de conhecimentos, é melhor pensar duas (até três) vezes na próxima chance que você se deparar com essas situações. Entretanto, para aliviar a sua rotina clínica, essas e outras dezenas de questões relacionadas aos dentes que teimam em não sair totalmente e geram muitas dores de cabeça são levantadas em "Dentes não irrompidos e os distúrbios da erupção - Um guia para todas as especialidades", obra escrita pelos professores Drs. Alberto Consolaro e Mauricio Cardoso. Etiologia e clínica: apoie-se nas melhores práticas para os dentes não irrompidos Através de suas fenomenais 652 páginas, os leitores são apresentados a uma vasta documentação clínica (fotográfica, radiográfica, e com tomografia computadorizada de feixe cônico) amparada pela literatura relacionada aos aspectos patológicos, histológicos, e de microscopia eletrônica de varredura cobrindo toda a etiologia e o tratamento desse fenômeno em 18 capítulos magistrais. Ainda, participam na coautoria outros grandes nomes da Odontologia Brasileira: João Cardoso Neto Omar Hadaya (in memoriam) Ingrid Araújo Oliveira Consolaro Rachel Assed Bezerra da Silva Silvio Bellini Hugo Nary Filho Evandro Borgo O que encontrar no livro que fala dos dentes não irrompidos? Abaixo, veja os capítulos e alguns de seus conteúdos correspondentes: Capítulo 1 - Nomes adequados para o dia a dia clínico ser preciso erupção; retidos/impactos, não inclusos; folículo/membrana ou saco pericoronário?; opérculo gengival ou capuz pericoronário?; a importância dos dentes decíduos Capítulo 2 - Folículo pericoronário: a estrutura primariamente responsável pela erupção dentária criptas alveolarres, canal gubernacular, as funções do folículo pericoronário Capítulo 3 - Os 5 critérios para diagnosticar o folículo pericoronário imaginologicamente normal ou Como interpretar se o espaço pericoronário está normal ou alterado simetria, continuidade, homogeneidade, espessura, limite cervical Capítulo 4 - Como os dentes não irrompidos podem induzir reabsorções dentárias nos dentes vizinhos? restos epiteliais, anquilose, e o mecanismo das reabsorções dentárias associadas Capítulo 5 - A anquilose alveolodentária nos decíduos não atrapalha e nem impede a erupção dentária causa principal nos dentes decíduos Capítulo 6 - As causas dos dentes não irrompidos lâmina dentária, crescimento/volume ósseo, tamanho dos dentes e dos maxilares Capítulo 7 - Anomalias de posição e erupção dos dentes: são formas adaptativas de resolução vestibuloversão, linguoversão, mesioversão, distoversão, lateroversão, giroversão, transposição e transmigração dentárias Capítulo 8 - Indicações para o tratamento cirúrgico dos dentes não irrompidos e de suas consequências origem dos cistos e tumores, indicações cirúrgicas Capítulo 9 - Frequência, meios de diagnóstico e classificação topográfica dos dentes não irrompidos radiografias vs. tomografias, terceiros molares superiores/inferiores, caninos superiores/inferiores, erupção prematura Capítulo 10 - Tracionamento ortodôntico de caninos não irrompidos: os porquês, possíveis consequências e condutas sugeridas limitações, cuidados, fenômenos celulares e teciduais, 4 pontos cardeais para prevenir problemas, imagens no diagnóstico da reabsorção cervical externa Capítulo 11 - Prevenção de caninos superiores não irrompidos: critérios de previsibilidade para antecipar ou evitar protocolos 1, 2, 3, 4 ; Hyrax invertido na disjunção anteroposterior da maxila Capítulo 12 - Tracionamento ortodôntico: o tratamento corretivo de caninos superiores não irrompidos. O passo a passo da técnica! grau de complexidade, tracionamento palatino, tracionamento vestibular, outras alternativas Capítulo 13 - Caninos superiores e dentes associados: o tratamento da transposição dentária. É transposição ou transmigração dentária? transposições completas e incompletas: tratamento Capítulo 14 - Caninos inferiores: o que os difere dos seus análogos superiores? passo a passo da técnica, a opção por não tracionar ou guiar Capítulo 15 - Incisivos superiores e inferiores não irrompidos: o que fazer? traumatismos dentários, dilaceração radicular, supranumerários Capítulo 16 - Pré-molares superiores e inferiores não irrompidos: abordagens específicas cistos, odontomas, ameloblastomas, neoplasias associadas; falta ou excesso de espaço sem patologias associadas Capítulo 17 - Molares superiores e inferiores não irrompidos e a perda da força eruptiva "falha primária" de erupção; formação das forças eruptivas, critérios finais Capítulo 18 - Os 10 destinos de um dente não irrompido ou O posfácio de um dente não irrompido e do livro normalidade, anquilose, reabsorções, concrescência, cistos, pericoronarites, considerações finais Alberto Consolaro e Mauricio Cardoso: autores da obra Dentes não irrompidos e os Distúrbios da Erupção, lançado pela Dental Press. Parafraseando os autores "há três jeitos de ler este livro, mas apenas um garante que nada escapará aos olhares." Qual será? Não perca essa chance! Garanta o seu exemplar! Ficha técnica: capa dura papel couché formato 21 x 28 cm 652 páginas mais de 3.500 imagens didáticas ISBN 978-69-01-98063-9 Dental Press Leia mais sobre:
- IN26 - A hora das Conferências - dia 22
IN26 - A hora das Conferências - dia 22 de setembro de 2026. O IN26 reúne mais de 20 anos de experiência cumulativa em reabilitação oral: Implantodontia, Prótese, Periodontia, e tecnologias associadas. Que tal aproveitar esse mês de julho para atualizar a sua agenda, colega congressista? Confira abaixo a fenomenal programação das Conferências para o dia 22 de setembro, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Não perca! Daniela Palioto 9h30 às 10h10 Daniela Palioto Modulação imune em processos regenerativos Raquel Passos 9h30 às 10h10 Raquel Passos Novidades e tendências em adesão & cimentação Victória Lima 9h30 às 10h10 Victória Lima Palato como área doadora de enxerto: como unir segurança cirúrgica, previsibilidade e conforto ao paciente Marcelo Manso 9h30 às 10h10 Marcelo Manso Como simplificar o tratamento cirúrgico de defeitos alveolares críticos através da Técnica do Sachê de Colágeno: evidências clínicas, manejo e análises digitais Flávia Furlaneto 10h20 às 11h Flávia Furlaneto Reabilitação oral previsível começa no microbioma: o que o clínico precisa saber sobre o eixo boca-intestino e a terapia periodontal Frederico Gomes Osmar Castro 10h20 às 11h Frederico Gomes & Osmar Castro Overdenture: sucesso clínico e laboratorial Marcio Martins 10h20 às 11h Marcio Martins Do implante ao perfil final: antecipando o contorno de emergência de maneira previsível Dario Godinho Jairo Sousa 10h20 às 11h Jairo Souza & Dario Godinho Protocolo superior imediato: 20 anos de evidência científica aplicada à prática clínica Fernando Bortolo 11h10 às 11h50 Fernando Bortolo Reconstruções atróficas e soluções inovadoras com implantes subperiosteais Denise Andia 11h30 às 12h10 Denise Andia Osteonecrose dos maxilares: indicadores de risco, medicamentos e exames complementares Simone Alberton 11h30 às 12h10 Simone Alberton Reabilitação full mouth: o material define o resultado? Fernando Pastor 11h30 às 12h10 Fernando Pastor Implante unitário digital: em que nível está seu fluxo? Da cirurgia guiada à restauração definitiva com previsibilidade clínica Paula Mathias 12h20 às 13h Paula Mathias Reabilitação que transforma faces: o impacto estrutural e estético além do sorriso Debora Heller 12h20 às 13h Debora Heller Testes salivares como estratégia de posicionamento: da técnica à clínica de alto valor Cassio Rampaso 12h20 às 13h Cássio Rampaso Cirurgia guiada estática: estratégia, precisão e resultado Alber Barbara 13h10 às 13h50 Alber Barbara ROG vertical em longo prazo sob o olhar da histologia, clínica e tomografia de feixe cônico Marco Bianchini 13h10 às 13h50 Marco A. Bianchini Tratamento cirúrgico versus não cirúrgico da peri-implantite e das periodontites Messias Rodrigues 13h10 às 13h50 Messias Rodrigues Ajuste da Dimensão Vertical de Oclusão, previamente ao tratamento multidisciplinar Cristina Villar 14h às 14h40 Cristina Villar Preservação do rebordo alveolar: evidência científica e tomada de decisão clínica Valdir Muglia 14h às 14h40 Valdir Muglia Planejamento protético como determinante do sucesso em reabilitações implantossuportadas Alliny Bastos 14h às 14h40 Alliny Bastos Como o uso de matrizes e enxertos de tecido mole podem impactar no sucesso das reabilitações? Juliana Romanelli 14h às 14h40 Juliana Romanelli O diferencial da Ortodontia nos tratamentos cirúrgicos e periodontais Leandro Lécio 14h50 às 15h30 Leandro Lécio Antecipando resultados com fluxo digital em implantes precoces e imediatos Lucas Fontanari 14h50 às 15h30 Lucas Fontanari Como evitar falhas teciduais ao redor de implantes: uma abordagem integrada digital e biológica Camilo Furlani Hid Miguel Jr. 14h50 às 15h30 Camilo Furlani & Hid Miguel Reconstrução óssea 3D: os limites da Regeneração Óssea Guiada Luis Fernando André 14h50 às 15h30 Luis Fernando André Soluções estéticas simples mesmo nos casos mais complexos Mike Bueno 15h40 às 16h20 Mike Bueno Sinusite associada à Implantodontia: diagnóstico avançado, prevenção e controle das complicações Guilherme Amaral 16h às 16h40 Guilherme Amaral Implantes zigomáticos: uma solução para casos complexos Marcelo Abla 16h às 16h40 Marcelo Abla O que acontece e como retrato meus casos com mais de 20 anos Alessandra Reis 16h às 16h40 Alessandra Reis Indicações para o sucesso nas restaurações diretas e indiretas de resina composta em dentes posteriores Carlos Sardenberg 16h às 16h40 Carlos Sardenberg Simplificando os componentes protéticos do fluxo digital Bruno Kraft 16h às 16h40 Bruno Kraft Sessão única: o impacto real da Odontologia chairside Maurício Motta 16h50 às 17h30 Maurício Motta Longevidade em full arch – a nova era da mucointegração Ariovaldo Stefani Carlos Eduardo Pena Sérgio Siqueira Jr. 16h50 às 18h20 Ariovaldo Stefani, Carlos Eduardo Pena, Sérgio Siqueira Jr. Longevidade nas próteses sobre implante: a clínica real contando a história Camila Centenaro 16h50 às 17h30 Camila Centenaro Resina composta em áreas estéticas: planejamento, execução e manejo de falhas em abordagens conservadoras Suzana Pimentel 16h50 às 17h30 Suzana Pimentel Terapia periodontal e peri-implantar de suporte. O que realmente importa? Samy Tunchel 17h40 às 18h20 Samy Tunchel O impacto da longevidade humana na Odontologia Orlando Alvarez 17h40 às 18h20 Orlando Alvarez Alcances da cirurgia guiada e futuro Leandro Cardoso 17h40 às 18h20 Leandro Cardoso A tecnologia é ferramenta de precisão ou fonte de erro na reabilitação implantossuportada? Uma análise crítica do fluxo digital Leia mais sobre:
- Implantes zigomáticos: como anda o estado da arte?
Três opções de tratamento na maxila atrófica: implantes zigomáticos, convencionais, aumento ósseo. A revisão Cochrane mais recente sobre as intervenções para tratamento da maxila severamente atrófica traz uma grande surpresa: apenas 2 artigos randomizados controlados foram detectados. O primeiro grupo desses artigos compara implantes zigomáticos x convencionais + aumento ósseo, enquanto o segundo grupo compara técnica de instrumentação com cirurgia piezoelétrica. Ambos possuem 3 anos de acompanhamento. Pelas datas originais, já estaríamos nos aproximando de 9 anos. Então, vamos olhar o que é mais acessível em nosso dia a dia na clínica, ou seja, o primeiro grupo. Implantes zigomáticos, zigomáticos + convencionais, convencionais + aumento ósseo Nesse estudo randomizado controlado, existem três grupos: implantes zigomáticos: 2 em cada lado implantes zigomáticos e convencionais: 2 em cada lado apenas implantes convencionais: (6 a 8 implantes na maxila com aumento ósseo (biomateriais e membranas) São 71 pacientes. Destes, 36 receberam aumento ósseo (levantamento bilateral da membrana + materiais substitutos em bloco onlay), aguardaram 6 meses para sua consolidação, e tiveram implantes convencionais em posição submersos por mais 4 meses. Os outros 35 pacientes receberam implantes zigomáticos e convencionais em regime de carga imediata, desde que os implantes atingissem os 40Ncm de torque de travamento. Um dado importante: quando as condições anatômicas permitiram, os implantes zigomáticos não foram inseridos através da crista alveolar dentro do seio maxilar, mas dentro ou sob o osso externo ao seio maxilar, envolvendo apenas a porção superior do seio. Falhas nas próteses e nos implantes zigomáticos e convencionais, assim como as mudanças na qualidade de vida, também foram registradas. Falhas e complicações: o que pode acontecer? Após 3 anos de acompanhamento, temos: desistências (8 pacientes no grupo com aumento, 3 no grupo zigomático) uma falha no procedimento de aumento próteses sem ajuste ou com falha: 8 no grupo de aumento, 2 no grupo zigomático perdas de implantes no grupo com aumento: 42 fixações (9 pacientes) perdas de implantes no grupo zigomático: 6 fixações (3 pacientes) complicações no grupo de aumento: 30 complicações (16 pacientes) complicações no grupo zigomático: 55 complicações (29 pacientes) Algumas complicações no grupo de aumento com biomateriais As complicações abaixo foram reportadas nos três centros de investigação e referem-se ao número de episódios relacionados ao seio maxilar e áreas associadas: perfuração unilateral do epitélio do seio maxilar: 8 perfuração bilateral do epitélio do seio maxilar: 3 infecção unilateral da maxila: 1 fragmentação do bloco onlay: 1 migração do implante no espaço nasal: 1 Algumas complicações nos grupos zigomáticos perfuração unilateral do epitélio do seio maxilar: 4 edema envolvendo o lábio inferior: 1 edema envolvendo o olho direito: 1 sinusite: 7 dores de cabeça: 2 Além disso, para que a lista acima não fique extensa, diversas complicações nos implantes zigomáticos e nos grupos de aumento também forçaram os pacientes ao retorno de suas próteses totais convencionais. Todavia, essa frequência de retorno foi maior nos grupos com aumento. A lição: mesmo que cirurgiões experientes tenham realizado essas técnicas, a complexidade anatômica nas maxilas severamente atróficas e suas interfaces com o seio maxilar continuam desafiadoras. O balanço final: implantes zigomáticos ou aumento ósseo? Por um lado, implantes zigomáticos com carga imediata estão associados com poucas falhas nas próteses, nos implantes, e no tempo necessário para ativação das próteses. Por outro lado, mais complicações são relatadas com implantes zigomáticos, já que houve um aumento aparente nos casos de sinusite severa. No curto prazo, implantes zigomáticos se mostraram a melhor estratégia de reabilitação na maxila severamente atrófica. Ponto adicional: a quantidade de estudos RCT sobre o assunto é escassa. Além disso, os cirurgiões precisam estar preparados para resolver as falhas e as complicações. Leia mais sobre:












